Impeachment, feito por Cunha, é um golpe do PSDB

POR RODRIGO VIANNA, em O Escrevinhador

O golpe tucano é assim: “você, Cunha, arranca o PT da presidência, e nós livramos a sua cara!” Ou seja, trata-se de um golpe parlamentar. Promovido pelo homem mais sujo do Brasil, com apoio dos que perderam a eleição em 2014.

A decisão de Eduardo Cunha, de dar seguimento a um pedido de impeachment formulado pela oposição, gera imensas dificuldades para o país: cria incerteza na economia, atrasa decisões de investimento, aumenta a probabilidade de que a recessão se aprofunde.

Mas, do ponto de vista estritamente político, a decisão não chega a ser um desastre para Dilma. Por alguns motivos, que passo a listar.

cunha, aécio, paulinho e serra

Primeiro: o momento de abrir o processo não é o mais adequado, se a ideia é mobilizar as pessoas na rua para derrubar Dilma.

Desde o começo de 2015, este blogueiro tem dito que a hora da verdade para Dilma seria o primeiro semestre de 2016, quando a economia chegaria ao fundo do poço, provocando (além da crise política e econômica) também instabilidade social. Para a oposição, o momento ideal de abrir o impeachment seria maio ou junho de 2016. A base social de Dilma estaria ainda mais frágil, e o desemprego poderia criar uma espécie de consenso pela derrubada.

Cunha, no entanto, não podia esperar. Agiu por vingança. E essa será a disputa agora: uma disputa de narrativas.

Aécio/Serra/Cunha/Temer e a mídia golpista tentarão caracterizar o impeachment como fato consumado, um dado da realidade. Reparem como as manchetes dos portais não trazem o contexto, não dizem: “Acuado e ameaçado de prisão, Cunha se vinga e abre impeachment”.

Os portais da Folha (UOL) e da Globo (G-1) preferem uma saída técnica, tipo: “saiba o passo a passo do impeachment”. A ideia é criar esse clima de “naturalização”. Pode dar certo? Pode. Mas, neste momento, Dilma tem grandes chances de caracterizar a decisão de Cunha como manobra, e não decisão técnica. Pra isso, é preciso travar a guerra de comunicação.

Governo, PT e forças democráticas em geral devem mostrar a decisão de Cunha como aquilo que é: um movimento de vingança, de uso indevido do cargo.  Acusado de esconder dinheiro na Suica, às portas de perder o mandato e de ir pra cadeia, Cunha usa a presidência da Câmara para se livrar dos problemas. E, pra isso, lança o país num abismo – em parceria com líderes do PSDB.

Reparem que jornalistas com um pingo de responsabilidade, mesmo em organismos comandados pela direita, já se insurgem.  Foi o que fez Jorge Bastos Morenos (“O Globo”), em sua conta no twitter: “Sinto-me, como todos os brasileiros, ofendido na minha inteligência com a alegação de Cunha de que tomou uma decisão técnica. Foi vingança.”

Segundo: vai ficando claro para a população que há uma articulação PMDB/PSDB para tomar o poder, sem passar pelas urnas.

Durante dias, ouvimos falar na mídia de uma barganha PT/Cunha. Mas o que vemos agora é que no fim essa barganha não se desenvolveu.

A barganha em curso é outra: “você, Cunha, arranca o PT da presidência, e nós livramos a sua cara!” Ou seja, trata-se de um golpe parlamentar. Promovido pelo homem mais sujo do Brasil, com apoio dos que perderam a eleição no voto em 2014. Aécio, Serra, Paulinho, Cunha e Temer não querem combater a corrupção. Eles querem o poder, sem precisar do voto popular.

Cunha teria consultado outras lideranças, avisado o vice Michel Temer, e recebido sinal verde para a operação. A oposição tucana (com exceção de Alckmin, às voltas com uma crise em São Paulo) percebeu que esse era o momento para fechar o acordo com o PMDB. Com o presidente da Câmara acuado e Temer amedrontado diante da Lava-Jato, os peemedebistas estariam mais propícios a patrocinar o golpe.

Esse cenário, de articulação palaciana e de um impeachment que surge quando as ruas estão vazias (ou seja, é fruto de um grande acordo “por cima”), pode tirar o PT e a esquerda da letargia.

A tentativa de impeachment pode dar a Dilma e ao PT a chance de falarem em nome da democracia.

Terceiro: o impeachment surge num momento em que o governo reorganiza sua base no Congresso. Nas últimas votações, Dilma ganhou, enterrou a pauta-bomba.

Tanto nas ruas, como no Congresso, o momento não é o mais propício para o golpe. Mas eles vão tentar… Hoje, eu diria que a presidenta tem 60% de chance de ficar no cargo. E de sair da crise mais forte do que entrou.

Se cair, abrir-se-á um período de mais instabilidade. Aécio, na sequência, tentará derrubar Temer, para que novas eleições sejam convocadas. Serra, por sua vez, tentará sustentar Temer até 2018, para ser ele (o estadista da Mooca) o comandante do país. É um enredo em que o país está sequestrado por interesses privados.

O PT errou muito, entregou-se a todo tipo de acordo e se lambuzou na zona cinzenta dos interesses privados que dominam o Estado brasileiro. Tudo isso é fato. Ainda assim, na undécima hora, o PT mostrou compromisso com a democracia ao recusar a barganha de Cunha. Agora, é preciso travar a disputa final. Pra ganhar ou perder.

Mas há boas chances de vitória, se o lado da democracia agir de forma unida e sem medo de um embate total. Do outro lado, há o que existe de mais podre e atrasado nesse país. Uma disputa tão grave como a travada em 1954, 1961 e 1964. Não está escrito nas estrelas quem vai vencer. Depende da disputa real, que está em pleno curso. Nas redes e nas ruas.

“Cunha era o marginal que virou santo?”

Do Brasil247

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Silvio Costa (PSC-PE), disse que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alcançou o “ápice da chantagem” ao acatar o pedido de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A decisão foi “porque ele precisava desesperadamente dos três votos do PT no Conselho de Ética para não ser cassado. Pelas contas dele, ele tinha nove votos. Mas precisava de 11. Como o PT anunciou que não votaria a seu favor, ele se desesperou”, detalhou o parlamentar, em entrevista concedida ao 247 nesta sexta-feira 4.

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Para Silvio Costa, o pedido de impeachment “não pode ser levado a sério”. O deputado lembra que os pedidos que Cunha possuía em mãos – ele já havia rejeitado 27 – chegaram na Câmara em março e abril. “O presidente da Câmara passou todo o ano de 2015 chantageando o governo. Se esses pedidos tivessem realmente algum embasamento jurídico, ele já teria iniciado este processo lá atrás. Ele chegou ao ápice de chantagem quando viu que precisava desesperadamente dos três votos do PT no Conselho de Ética para não ser cassado e percebeu que não tinha. Agora, por raivinha, mesquinharia, resolveu tomar esta atitude”, disparou.

O deputado afirma não haver razões legais e nem jurídicas para o impedimento. “O que lamento é que um homem como Hélio Bicudo (jurista, do pedido de impeachment aceito por Cunha), que lutou pela democracia contra a ditadura militar, se veja agora movido pelo ódio e pelo rancor, buscando ‘cabelo de anjo jurídico’ com esta história de pedalada fiscal. Ele sabe que a presidente Dilma é uma mulher honrada e não cometeu nenhum ilícito. Ele também sabe que quem começou com esta história de pedalada fiscal foi o FHC. A maior falta de embasamento jurídico está no engavetamento do processo desde o começo do ano”, protestou.

O vice-líder da base governista também condenou a reaproximação dos partidos de oposição com o presidente da Câmara logo após o deputado anunciar que iria acatar o pedido de afastamento da presidente Dilma. “Tem 15 dias que a oposição deixou o plenário da Câmara esculhambando com o Cunha. Chamaram ele até de marginal. Agora reataram a relação com este desqualificado para destruir o país. Isso é brincar de pedir impeachment”, criticou.

Para ele, a oposição, liderada pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), será derrotada na batalha em plenário. “A oposição sabe que jamais terá os 342 votos necessários, terá no máximo 130. Agora, de todo jeito isso fica ruim para o investidor em razão da insegurança criada por esta situação que não passa de uma orquestração de quem é favorável ao impeachment. Esse lacerdismo da oposição não vai chegar a lugar algum. Carlos Lacerda pelo menos tinha talento, algo que até isso faz falta a este pessoal”, disse.

Silvio também criticou as declarações feitas nesta sexta-feira pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no sentido de que a alta da Bolsa e a queda do dólar nos dias seguintes após o anúncio da abertura do processo de impeachment é uma sinalização de que o mercado financeiro quer o afastamento de Dilma. “FHC está rasgando a sua história. É justamente o contrário. O mercado percebeu que o impeachment é fruto de chantagem e que agora isso chegou ao fim. O mercado percebeu que o governo tem força, tem voto, contra isso tudo”, afirmou.

Quem é o “japonês bonzinho” da Lava Jato?

Da CartaCapital

O áudio que levou para a prisão o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o banqueiro André Esteves pode ajudar a elucidar parte dos vazamentos acerca da Operação Lava Jato. Em um trecho da conversa, Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, afirmam que um agente da Polícia Federal vende informações sigilosas.

O diálogo ocorre após Delcídio relatar aos interlocutores ter visto, com André Esteves, uma cópia da minuta da delação premiada negociada por Cerveró com os procuradores. O senador petista discute o teor do material, lamenta o vazamento e diz não saber quem vazou. Ele, então, ouve de Edson Ribeiro: “É o japonês. Se for alguém é o japonês”. Diogo Ribeiro, chefe de gabinete de Delcídio, que também estava na conversa, complementa. “É o japonês bonzinho”.

Delcídio pergunta quem seria o “japonês bonzinho” e o advogado de Cerveró diz: “É. Ele vende as informações para as revistas”. Na sequência, o senador petista diz que a figura em questão é “o cara da carceragem, ele que controla a carceragem”, informação confirmada pelo filho de Cerveró.

Mais tarde, o grupo volta a falar dos vazamentos. Edson Ribeiro levanta suspeitas sobre Sergio Riera, advogado de Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema da Lava Jato, Alberto Yousseff, doleiro que assinou acordo de delação premiada e sobre o “japonês”, nas palavras de Bernardo Cerveró. A degravação feita pela PF traz o nome “Milton”, mas no áudio é possível ouvir que Edson Ribeiro fala em “Nilton”.

Contrabando

Em julho, o blog Expresso, da revista Época, destacou a presença do agente da Polícia Federal Newton Ishii em diversas das prisões de detidos da Lava Jato na superintendência da PF em Curitiba. Ishii é chefe do Núcleo de Operações da PF em Curitiba e tem um passado conturbado.

Funcionário da corporação desde 1976, Ishii foi expulso da PF em 2003, acusado de corrupção e de integrar uma quadrilha de contrabandistas. Desde então, o agente já foi reintegrado, com “confiança da direção da PF”, segundo a publicação, mas ainda seguiria respondendo processos criminais, civis e uma sindicância.

No pedido de prisão de André Esteves e Delcídio do Amaral, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, manifesta preocupação com o fato de o banqueiro ter tido acesso à delação de Cerveró. “Essa informação revela a existência de perigoso canal de vazamento, cuja amplitude não se conhece”, diz o PGR. “Constitui genuíno mistério que um documento que estava guardado em ambiente prisional em Curitiba/PR, com incidência de sigilo, tenha chegado às mãos de um banqueiro privado em São Paulo/SP”.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a Polícia Federal vai investigar o vazamento da delação de Cerveró. Segundo a publicação, o ex-diretor da Petrobras informou à cúpula da PF que só ele, seus advogados, familiares e procuradores tiveram acesso. Ainda conforme o jornal, Ishii disse a colegas que seu nome estava sendo usado como “cortina de fumaça” para manchar a Operação Lava Jato.

A luta dos estudantes e o Estado de Direito

POR RAFAEL VALIM (*), no Jornal GGN

Ainda custo a acreditar nas cenas a que assisti nos últimos dias. A brutalidade da Polícia Militar do Estado de São Paulo contra adolescentes em plena luz do dia, à vista de todos, beira o fantástico.

Também surreal é o sossego das varandas gourmets, a apatia das panelas, o silêncio cúmplice dos “cidadãos de bem” de nosso Estado démodé perante uma situação de tamanha gravidade. Será que testemunharíamos a mesma reação se a violência fosse perpetrada contra adolescentes que frequentam, por exemplo, uma escola da elite paulistana?

A postura da Polícia Militar, entretanto, revela algo muito mais profundo. Em outras palavras, a covardia, o sadismo e, sobretudo, o ousadia demonstrados por aqueles ignóbeis militares são apenas a face visível de um fenômeno que se desenvolve há muitos anos no Estado de São Paulo.

E qual seria este fenômeno? Bastam poucas palavras para defini-lo: em São Paulo não há Estado Democrático de Direito. Ou seja: há muitos anos o Estado de São Paulo não se submete à Constituição e às leis e, por consequência, à vontade popular.

A Assembleia Legislativa, o Ministério Público Estadual, o Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas do Estado simplesmente não contrariam o “soberano” Governador do Estado, cujas decisões costumam vir acompanhadas dos conselhos “sábios” de dois arremedos de constitucionalistas. Isto explica a “valentia” dos milicos em face dos estudantes, bem como outros episódios grotescos como a falta de água na maior parte do Estado e as chacinas não investigadas nas periferias das grandes cidades.

Aliás, se São Paulo fosse um Estado sério e obediente à ordem jurídica, neste momento já estaria deflagrado o processo de impeachment do Governador, cuja nefasta política violou, à toda evidência, o art. 227 da Constituição Federal, cujos termos nunca é demais lembrar: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” (grifos nossos).

A tudo isto se soma uma imprensa beija-mão que se incumbe de distorcer fatos e ocultar os desvarios de um Governo medíocre, farsesco e que se recusa ao diálogo.

Toda esta nefasta conjuntura, entretanto, só aumenta a importância e a transcendência dos gestos heroicos desta rapaziada que, no eterno verso de Gonzaguinha, segue em frente e segura o rojão, que não foge da fera e enfrenta o leão, que não corre da raia à troco de nada e que constrói a manhã desejada!

E vamos à luta!

(*) Rafael Valim é doutor em Direito e professor da Faculdade de Direito da PUC/SP.

Vaticano se posiciona contra ameaça à democracia

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Através do secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Leonardo Ulrich Steiner, a Santa Sé mostra-se insatisfeita com a condução das políticas oposicionistas numa tentativa de golpe contra um governo democraticamente eleito, exercido pela presidente Dilma Rousseff. Tais condições, segundo ele, preocupam a Igreja, que vê uma possível ruptura institucional como catastrófica para a economia e um suplício para os mais pobres. Tradicionalmente, a Igreja moderna empenha-se no fortalecimento das democracias e derrocada das ditaduras. Nomes como o de Paulo VI, João XXIII e João Paulo II contribuíram com suas influências para a queda de regimes opressoras, dentre elas a que assolou o Brasil de 1964 a 1985.

Aos 72 anos, morre Marília

Edison Vara/Agência Pressphoto

A atriz Marília Pêra morreu às 6h deste sábado (5), em sua casa no Rio de Janeiro, aos 72 anos. A atriz se tratou recentemente de um desgaste ósseo na região lombar, que a fez se afastar da TV e dos palcos por um ano. Segundo informações divulgadas pela GloboNews, Marília lutava contra o câncer, que atingia ossos e pulmão. O velório começa às 13h no Teatro Leblon, na Sala Marília Pêra.

Ex-cunhado de Marília Pêra, o produtor e compositor Guto Graça Mello – irmão de Paulo Graça Mello, primeiro marido da atriz – recebeu a notícia da morte da atriz às 7h deste sábado pelo filho dela, Ricardo Graça Mello. “Ele mal conseguia falar, só disse: ‘Tio, minha mãe morreu, eu não estou aguentando”, contou Guto.
Ele lembrou que Marília já estava muito doente havia bastante tempo, e ele e a mulher, Sylvia Massari, acompanhavam a evolução do quadro de saúde dela. “Tentamos fazer alguma coisa, mas ela não estava querendo ver ninguém”, afirmou.

Além de atuar, Marília era cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa. Ao longo de sua carreira, fez mais de 50 peças de teatro, 30 filmes e 40 novelas, programas de TV e minisséries, a última delas “Pé na Cova”, de Miguel Falabella, na Rede Globo.

Recentemente, a jornalista Hildegard Angel noticiou em seu blog que Marília estava com câncer. De acordo com ela, a saúde da atriz inspirava “cuidados extremos” e estava respirando com ajuda de um balão de oxigênio. A informação foi negada por familiares, que admitiram apenas que Marília estaria se recuperando em casa de um desgaste no fêmur, doença que a afastou do seriado “Pé na Cova”, em 2014. Marília retornou ao seriado “Pé na Cova” este ano e atualmente dirigia um espetáculo teatral sobre a atriz americana Marilyn Monroe, interpretada por Danielle Winits.

Dama do teatro brasileiro
Filha dos atores Manuel Pêra e Dinorah Marzullo, Marília Pêra pisou no palco de um teatro pela primeira vez aos quatro anos de idade, ao lado dos pais. Dos 14 aos 21 anos atuou como bailarina e participou de musicais e revistas, entre eles, uma versão de “My Fair Lady” protagonizado por Bibi Ferreira em 1962. Fez 28 filmes, entre novelas e minissérie foram 38, mas foi no teatro sua maior produção na carreira: aproximadamente 56 espetáculos, entre dramas, comédias e musicais.

Famosa por suas interpretações de personalidades como a soprano Maria Callas, a cantora Dalva de Oliveira e a estilista Coco Chanel no teatro, Marília se especializou no papel de Carmem Miranda, a quem interpretou cinco vezes.

A primeira foi em “O Teu Cabelo Não Nega” (1963), uma biografia de Lamartine Babo. Depois no espetáculo “A Pequena Notável” (1966); “A Tribute to Carmen Miranda”, no Lincoln Center, em Nova York (1975), dirigido por Nelson Motta (que também foi seu marido); “A Pêra da Carmem”, em 1986 e em 1995; e o musical “Marília Pêra canta Carmen Miranda” (2005), dirigido por Maurício Sherman. (Do UOL)

Critério caduco faz idade valer mais que competência

DO BLOG DO PERRONE

O anúncio abaixo é fictício, mas ilustra o atual momento político da CBF.

Procura-se dirigente idoso.

Vaga: vice-presidência da CBF.

Exigências: ter pelo menos 75 anos, ter experiência como cartola e ser fiel ao seu futuro chefe, inclusive se ele perder o emprego.

Plano de carreira: pode ocupar rapidamente a presidência, se o presidente licenciado renunciar ou for suspenso pela Fifa. Nesse caso, fará jus a salário de aproximadamente R$ 2000 mil mensais.

Enviar currículo para CBF ou para federações estaduais.

Um cartola com as características acima passou a valer ouro na Confederação Brasileira. Se Marco Polo Del Nero, que se licenciou por 150 dias renunciar ou, no entender da maioria dos presidentes de federação, for suspenso pela Fifa, quem assume a presidência é o vice mais velho. O posto é ocupado hoje pelo opositor Delfim de Pádua Peixoto, de 74 anos, presidente da Federação Catarinense. Mas ele pode deixar de ser o primeiro na linha sucessória se um cartola mais velho vencer a eleição para ocupar a vaga de José Maria Marin, que responde a processo nos Estados Unidos em prisão domiciliar.

Não por acaso, o coronel Antônio Carlos Nunes de Lima, de 79 anos, deverá ser o candidato da situação numa eleição em que graças a uma regra obsoleta vale mais o tempo de vida do que a competência. E aqui não se afirma que o escolhido é incompetente. Acontece que por  mais que o postulante seja competente, o que interessa mesmo é ser o mais velho e deixar seu grupo político no poder.

Nada impede que apareça outro candidato para bater de frente com ele. Mas outra regra tão arcaica quanto a da idade dificulta o registro de mais candidaturas. Cada pretendente precisa ter o apoio de oito federações e de cinco clubes. É tão difícil que na eleição em que Del Nero se sagrou presidente não houve concorrência.

E assim segue o jogo na CBF.

Suspeita de ser laranja, ex viaja pelos EUA

 

A modelo e apresentadora Carolina Galan teve seu nome envolvido na CPI do Futebol. Ela teria recebido uma doação de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, mas não demonstra preocupação com as suspeitas.

Enquanto vê seu nome sendo relacionado a escândalo do dirigente, Carolina está nos Estados Unidos, em viagem com seu namorado, um empresário. Em breve contato com a reportagem, a apresentadora informou que “não está preocupada com a quebra do sigilo bancário” e se colocou à disposição da CPI para qualquer esclarecimento.

Segundo apurou o UOL Esporte, Carol Galan não teria recebido a doação em dinheiro. A verba de R$ 1 milhão estaria relacionada a um apartamento recebido pela modelo.

Esse valor seria referente ao tempo que os dois estiveram juntos, pouco mais de quatro anos de relacionamento. Carol teria ficado com um apartamento em São Paulo com a separação.

Desde que deixou o cargo de apresentadora principal da Federação Paulista de Futebol, logo após o término do relacionamento e de Reinaldo Carneiro Bastos assumir a presidência da FPF, Carolina foi para o interior de São Paulo. Ela comanda o programa Work Out, do Canal San, emissora da cidade de Ourinhos.

Além do trabalho como apresentadora, considerado o principal em sua carreira, Galan ainda faz alguns ensaios como modelo. Já Marco Polo Del Nero teve alguns relacionamentos depois do fim da relação com Carol. O mais recente é um namoro com Kelly Moniz, que já teve algumas crises e términos. Mas, no momento, os dois estão juntos. Ele também teve um breve affair com Katherine Fontenele e Carol Muniz. (Do UOL)

Delação de comparsas e documentos da CPI: como Del Nero caiu em um mês

POR RODRIGO MATTOS, no UOL

Apesar de várias investigações, a situação de Marco Polo Del Nero na presidência da CBF ainda não estava selada há um mês. Foi em novembro que as delações de ex-companheiros de esquemas de corrupção ao FBI e uma denúncia do Romário à Fifa levaram à queda do dirigente da federação internacional e da confederação.

Durante esse mês, Del Nero deixou de ser um conspirador não nomeado para ser acusado pelo Departamento de Estado dos EUA de crimes de conspiração, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica. O relatório do FBI aponta que levou propinas por contratos da Libertadores, Copa América e Copa do Brasil. Veja abaixo a cronologia dos fatos que derrubaram o presidente da CBF.

11 de novembro – O senador Romário manda documentos que a CPI do Futebol levantou para o Comitê de Ética da Fifa. Há ali indícios contra Marco Polo Del Nero. O comitê diz que vai investigar.

12 de novembro – Luis Bedoya (então presidente da Federação Colombiana e do Comitê da Fifa) admite culpa por crimes à Justiça dos EUA. Ele recebia subornos por contratos da Copa América em esquema do qual Del Nero fazia parte.

16 de novembro – Alejandro Buzarco (ex-presidente da Torneos y Competencias) – Admite culpa por crimes à Justiça dos EUA. O executivo pagava subornos por contratos diversos entre eles o da Libertadores. No relatório do FBI, está escrito que deu propina a Del Nero.

23 de novembro – Sergio Jadue (ex-presidente da Federação Chilena) – Admite culpa por crimes à Justiça dos EUA. Ele recebia dinheiro relacionado aos contratos da Copa América e da Libertadores, em esquema do qual Del Nero fazia parte.

23 de novembro – José Margulies (ex-executivo da Valente Corporations) – Admite culpa por crimes à Justiça dos EUA. Atuava como intermediário para propinas de brasileiros.

23 de novembro – O Comitê de Ética da Fifa dá início ao inquérito para investigar o presidente da CBF. Usa documentos enviados pela CPI.

25 de novembro – O Departamento de Justiça dos EUA indicia Del Nero e Ricardo Teixeira por crimes de conspiração, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. São acusados de receber propinas por contratos de competições, e no caso de Teixeira por acordos da seleção. O caso se torna sigiloso até o início da operação.

26 de novembro – Del Nero renuncia ao Comitê Executivo da Fifa, colocando Fernando Sarney em seu lugar.

4 de dezembro – O Comitê de Ética da Fifa torna público a investigação contra Del Nero. O Departamento de Justiça dos EUA prende dirigentes e divulga o indiciamento do presidente da CBF. Ele pede licença da presidência da confederação, Marcus Vicente entra em seu lugar.