Até Marina é contra a aventura golpista

A Rede Sustentabilidade, sigla da ex-senadora Marina Silva (AC), decidiu que vai se posicionar contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo o deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ) a legenda concluiu que “pelos fatos apresentados até o momento, não se encontram presentes os elementos necessários” para o afastamento de Dilma.

“A Rede acredita que a Justiça é o melhor caminho e defende o aprofundamento das investigações e o avanço de todas as ações no Judiciário, livre de chantagens e ameaças”, disse.

Ele ressaltou ainda que seu partido milita pelo “imediato afastamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)” da presidência da Câmara. Segundo Molon, Cunha “continua usando o cargo que ocupa para obstruir o avanço do processo contra ele no Conselho de Ética proposto pela Rede e o PSOL”. (Do Brasil247)

Del Nero pede licença depois de indiciado nos EUA

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, pediu licença do cargo nesta quinta-feira para se defender, depois de ser indiciado pela Justiça dos Estados Unidos em investigação sobre corrupção no futebol mundial.

“Em nenhum dos procedimentos relatados foi conferida ciência ao presidente do conteúdo das acusações, sendo certa sua absoluta convicção da comprovação de sua inocência”, informou comunicado publicado no site da entidade.

Del Nero apontou como seu substituto interinamente o vice-presidente Marcus Antônio Vicente. (Reportagem de Tatiana Ramil/Reuters)

Boto anuncia dois volantes para o Parazão

O Tapajós já havia anunciado jogadores para o sistema defensivo – goleiros, zagueiros e laterais – e do meio para a frente – meias de criação e atacantes -, mas ainda não tinha revelado os nomes de atletas responsáveis pela ligação desses dois setores. Nesta quinta-feira, 3 de dezembro, o Boto confirma a contratação dos volantes Gabriel e Thayson, que terão a missão de marcar e começar as jogadas de ataque no meio-campo da equipe durante o Campeonato Paraense 2016.

Gabriel Santos do Nascimento tem 22 anos e acumula passagens por clubes do interior de São Paulo, como Penapolense, Suzano, Nacional, Fernando e Guaratinguetá – último clube por onde atuou – e também por equipes de outras regiões do país, como o Campo Mourão do Paraná e o Santa Rita de Alagoas.

Já Thayson Raphael Reis de Sousa tem 26 anos e já tem experiência em Campeonatos Paraenses. O jogador já atuou por Paysandu, Ananindeua, Santa Cruz de Cuiarana e Tuna, além de ter disputado a segunda divisão estadual recentemente pelo São Raimundo. Nesta temporada, ele também defendeu a equipe do São Paulo do Amapá.

Os dois se unem aos outros 17 nomes já confirmados pela diretoria do Tapajós: os goleiros Jader, Jó e Ruan; os zagueiros Adielson, Barbosa, Douglas, Júnior e Yan; os laterais Cláudio Allax, Elton Lira, Léo Carioca e Rayan; os meias Cristian, Jeová e Wendell e os atacantes Jair e Jânio.

O elenco completo do Boto se apresentará à comissão técnica no dia 4 de janeiro, em Santarém, para o início dos treinamentos sob o comando de Marcelo Rocha. A estreia no estadual será no dia 30 de janeiro, contra o São Raimundo. (Da Ascom/Tapajós)

Teixeira e Del Nero: novos réus da Justiça americana

Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, atual presidente da entidade, estão entre os réus da nova operação da Justiça dos Estados Unidos, que já resultou na prisão de dois dirigentes na manhã desta quinta-feira. A informação é do “The New York Times”, que adiantou a operação na quarta. (Da ESPN)

Conselho do MP de Minas arquiva denúncia sobre aeroporto da família de Aécio Neves

Do ZERO HORA

Conselho Superior do Ministério Público de Minas Gerais decidiu arquivar definitivamente as investigações sobre o aeroporto construído em Cláudio, no centro-oeste mineiro, durante a gestão do atual senador tucano Aécio Neves no governo do Estado, entre os anos de 2003 e 2010. A decisão, tomada no dia 23 de novembro, teve sete votos pelo arquivamento e quatro contrários. O colegiado é composto por 11 integrantes, inclusive o procurador-geral de Justiça, que preside o grupo.

De acordo com Procuradoria da República em Minas, o procedimento foi instaurado com base em representação recebida pouco depois de o caso ser divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, no ano passado, segundo a qual o terreno utilizado para a obra pertencia a um tio-avô do senador e presidente nacional do PSDB, que é dono de uma fazenda próxima ao local. O projeto custou R$ 13,9 milhões aos cofres públicos e teve as obras concluídas em 2010.

Em agosto, os promotores Maria Elmira Evangelina do Amaral Dick, Fernanda Karan Monteiro, Tatiana Pereira e José Carlos Fernandes Júnior já haviam pedido o arquivamento do processo que investiga as obras dos aeroportos. Depois disso, o MP encaminhou o pedido ao Conselho Superior, que decidiu acatar o requerimento em favor do arquivamento.

O aeroporto — que recebeu o nome de Deputado Oswaldo Tolentino, outro tio-avô de Aécio, por meio de lei aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas ainda na gestão do tucano no Executivo estadual — foi construído em parte de uma fazenda de Múcio desapropriada pelo Estado por R$ 1 milhão. Desde 2009, porém, Tolentino briga na Justiça com o governo mineiro reivindicando o pagamento de indenização de R$ 9,1 milhões pela área. O senador Aécio Neves não se manifestou sobre a decisão do Conselho Superior do Ministério Público.

Nada como ter um MP pra chamar de seu…

Defensores do impeachment desprezam a soberania do voto popular

DO BLOG DE MÁRIO MAGALHÃES

Retrato feito pelo Datafolha no finzinho de novembro mostrou que 67% dos brasileiros avaliam o segundo governo Dilma Rousseff como ruim ou péssimo. Reconheço-me nessa maioria, assinalando a opção péssimo. Também pela inépcia da gestão, sobretudo pelo abandono do programa de campanha e a adoção da agenda condenada pela candidata.

E daí?

No que diz respeito ao impeachment da presidente, não são pesquisas, opiniões e humores que decidem. Essa é a regra, estabelecida pela Constituição de 1988. Dilma foi eleita em outubro do ano passado com 54.501.118 sufrágios, vantagem de 3.459.963 sobre Aécio Neves (3,28 pontos percentuais de diferença, mais do que os 2,68 do pleito presidencial argentino de 2015). Como os governantes são consagrados nas urnas, ela tem autoridade para governar por quatro anos.

 

Sou partidário do sistema de mandatos revogáveis para governantes e legisladores. Se os eleitores estão insatisfeitos com o desempenho de quem escolheram, podem demiti-lo e substituí-lo. Sem esperar quatro ou oito (senadores) anos. Estimula-se a fidelidade ao prometido, e o prometido é devido. Traiu, cai fora.

E daí?

O recall até hoje foi barrado no Brasil. Os políticos preferem ficar livres para romper compromissos. Logo, a presidente não pode ser derrubada no berro. A não ser que violem a Constituição.

Mas ela não rasgou os discursos de palanque? Acho que sim.

E daí?

Sou eu quem vai julgar? A lei determina que o juízo é coletivo, do conjunto dos cidadãos.

Não tenho dúvida de que existe um sem-número de pessoas mais qualificadas para o Planalto do que Dilma, beneficiária de nebulosa indicação do ex-presidente Lula.

E daí?

Presidente se elege no voto, que tem _ou deveria ter_ caráter de pronunciamento soberano.

A economia degringolou, beira a depressão. É possível que o afastamento de Dilma permita um respiro.

E daí?

O governo Sarney nasceu do pecado do Colégio Eleitoral imposto pela ditadura. Centenas de iluminados deliberaram no lugar de milhões. Na catastrófica política econômica de Sarney, a inflação chegaria aos 80%. No mês. A inflação agora está por volta dos 10%. Anuais. Nem por isso o pai da Roseana caiu.

Há quem sustente que Dilma não tem mais condições de governar.

E daí?

Opinião é saudável, mais ainda quando prevalece o direito de expressá-la sem correr o risco de penar no pau-de-arara. A condição de governar foi decretada pelos eleitores no ano passado. Há países em que, minoritário e sem a confiança do parlamento, o governante recebe cartão vermelho. No Brasil, contudo, a maioria deliberou pelo presidencialismo.

A Constituição Cidadã prevê o impeachment, portanto trata-se de expediente legal.

E daí?

A Carta exige crime de responsabilidade para expulsar um presidente. Foi o que aconteceu com Collor. Inexiste prova ou indício de que Dilma seja ladra. Quem tem conta secreta na Suíça é o deputado que deu sinal verde para o impeachment. Com crime de responsabilidade, impeachment é legal. Sem, é golpe.

O Brasil mergulha no caos, alegam, propondo Dilma fora.

E daí?

Mais uma vez, cabe aos brasileiros aptos ao voto declarar o fim (e o início) de governos ou de partidos e coalizações no poder. Quer ver como as coisas são subjetivas? Há uma rapaziada gente boa que odeia o Lula. E quem foi o melhor presidente da história, para a maioria relativa dos brasileiros? Ele mesmo, o Lula, informa o Datafolha. Cada um sabe onde aperta o calo. Onde se resolve a questão? Nas urnas, eletrônicas ou, tamanha a pindaíba, armazenando cédulas de papel.

É curioso que, à direita e à esquerda da presidente, polemistas esgrimam argumentos exclusivamente pragmáticos. Uns dizem que, saindo Dilma, entrará alguém melhor. Outros, alguém pior.

E daí?

As duas barricadas incorrem no mesmo desprezo pela palavra das urnas. Isto é, desdenham a democracia. Discutem virtudes e defeitos de eventuais substitutos de Dilma, ignorando ou menosprezando o fundamental: a decisão é prerrogativa dos eleitores.

O impeachment da presidente da República sufragada em 2014 representaria uma enorme regressão. Aos tempos do século 20 em que se trocava o voto do povo pelo proselitismo das armas

Um arauto célebre do movimento que em 1964 derrubou o presidente constitucional João Goulart chamou, poucos anos mais tarde, o que acontecera pelo devido nome: “golpe vagabundíssimo”.

É golpe o que está em curso, Eduardo Cunha é golpista. O deputado retaliou Dilma pela decisão de petistas de votar pelo andamento de processo na Comissão de Ética da Câmara que, se for mesmo de ética, acelerará a cassação do presidente da Casa.

Retaliação, represália de Cunha… teu nome é vingança.

O Brasil de novo encontra-se, como escreveu o jornalista Janio de Freitas, na “encruzilhada escura”.

Se a escuridão triunfar, atrasaremos em décadas nosso relógio democrático.

Não é Dilma Rousseff que está em jogo. Mas a soberania do voto popular, que constitui um dos pilares da democracia.

( O blog está no Facebook e no Twitter )