O peso da bola aérea

POR GERSON NOGUEIRA

Depois do jogo em Ribeirão Preto, Cacaio avisou que iria repetir a mesma equipe no confronto de volta em Belém, contando apenas com os três titulares que ficaram ausentes por contusão e suspensão – Eduardo Ramos, Max e Levy. Desconfio, porém, que o time sofrerá outras mudanças e elas se localizam no ataque.

Aleílson e Welton, titulares contra o Operário e o Botafogo, funcionam até certo ponto, levando em conta a mescla de experiência e força, apesar da visível distância entre ambos.

Ocorre que na decisão da semifinal será fundamental que o Remo agrida a zaga paulista desde os primeiros movimentos. Para isso, a importância de ter em campo um atacante alto não pode ser desprezada.

Ainda mais levando em conta que o sistema defensivo do Botafogo não dispõe de zagueiros de grande estatura. Kiros, que se saiu bem nos confrontos com o Palmas, surge como alternativa natural para a estratégia de sufocar o visitante.

Cacaio surpreendeu no jogo de volta com o Operário ao lançar Welton e Aleílson, mas tudo indica que a bola aérea – decisiva em mais de 80% dos jogos da Série D – pode novamente fazer a diferença. Por essa razão, não faria sentido abrir mão de um centroavante do porte de Kiros, contratado justamente com a finalidade de suprir essa deficiência do ataque azulino.

A dúvida é se entra jogando ou ficará como trunfo para o decorrer da partida. Dificilmente, porém, deixará de ser utilizado pelo técnico.

Vale lembrar que, entre as incertezas para a escalação de domingo, o comando do ataque é setor crucial para um duelo no qual o Remo precisará marcar dois gols, pelo menos, caso queira evitar o suplício de uma decisão em penalidades.

Na meia-cancha, a volta de Eduardo Ramos garante segurança e poder de fogo ofensivo, a partir da qualidade das jogadas ali criadas. Quanto à marcação, Ilaílson segue absoluto. Para o lugar de Chicão (suspenso), Cacaio certamente irá prestigiar Felipe Macena, de atuação valorosa em Ribeirão Preto.

O certo é que Cacaio tem no momento a tranquilidade de contar com várias alternativas para montar a equipe, com quase todos os jogadores disponíveis e sem problemas de contusão. Para o ataque, por exemplo, pode se dar ao luxo de ter três duplas diferentes – Aleílson/Welton, Kiros/Léo Paraíba, Rafael Paty/Sílvio. Nenhum outro semifinalista da Série D conta com tamanha fartura de opções.

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Portas abertas para Pikachu

Pikachu voltou ao Rio de Janeiro depois da bem-sucedida passagem no começo do returno da Série B jogando contra o Botafogo, que coincidiu com o confronto com o Fluminense pela Copa do Brasil. Anteontem, o lateral do Papão esteve na capital carioca para participar da sessão de julgamento no STJD.

O assédio da imprensa confirma que seu prestígio segue intocado, apesar da queda de rendimento na segunda metade do returno da Série B. Há, claramente, uma expectativa de que no final do ano (quando cessa seu compromisso com o Papão) ele se transfira para o Flamengo, clube com o qual já teria mantido entendimentos.

As portas abertas para o jovem lateral paraense permitem projetar sua presença na Série A do ano que vem, no Flamengo ou em outro grande clube. A dúvida é se Pikachu será aproveitado como lateral-direito convencional, com obrigação de marcar. Habilidoso e bom finalizador, suas chances de êxito dependem de um técnico que entenda e explore suas potencialidades.

No Atlético-MG, há um caso que pode servir de referência. Luan, revelado no clube por ocasião da passagem do técnico Cuca, era inicialmente um meio-campista polivalente. Aos poucos, foi sendo adiantado e hoje é um dos destaques do Galo, valendo-se da velocidade e dos dribles.

Para brilhar, Pikachu terá que seguir um roteiro parecido, aproximando-se da zona de ataque e se liberando das missões defensivas, onde nunca se destacou plenamente.

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Atorres reúne em livro 20 anos de traço

A eterna briga entre Leão e Papão no futebol paraense ganham o carimbo de quase 200 charges inspiradíssimas de mestre Atorres, reunidas em livro que tem lançamento previsto para 11 de novembro, na Big Ben de Batista Campos. O mais destacado cartunista paraense presta contas ao público de 20 anos de trabalho no DIÁRIO. Vale a pena conferir.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 28)

10 comentários em “O peso da bola aérea

  1. Vitórias de América-MG e Santa Cruz obrigam o Maior do Norte a vencer o CRB de qualquer maneira.

    Pode ser o jogo da arrancada para o acesso, mas o time precisa jogar futebol de verdade, pois desde a vigésima sexta rodada não se viu mais.

    Sobre o Pikachu, apesar de não ter ido bem diante do Sampaio, possui crédito de sobra, no Papão, e sua presença confirmada no jogo de sábado é um alento.

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  2. De fato, a presença do Kiros, quer me parecer, será importante na bola aérea tanto no ataque, quanto na defesa. Aliás, domingo, em Ribeirão, o treinador já estava decidido a mandá-lo pro jogo quando foi forçado a mudar de ideia pela contusão do Macena. Quanto ao outro atacante, pelo que fez nos últimos dois jogos, eu escalaria o Welthon.

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  3. Pikachu entende tanto de direito quanto eu de surf. Logo, sua ida ao Rio de Janeiro tem jeito de tratativas a respeito do seu destino a partir de 2016. A questão é: continuará como titular nessa reta final, mesmo com a cabeça bem longe? E se o rendimento for igual ao do sábado passado, quando foi o pior jogador de um time em que todos foram muito mal? E o Papão? Já entregou os pontos e deu razão a quem achava que subir este ano representava um risco, pois não está preparado financeiramente para o tranco da série A?

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  4. Quanto a esta queda de produção do Pikachu eu a atribuo a dois fatores: a queda do time como um todo, menos no aspecto técnico, mais nos aspectos físico e motivacional; e a uma natural e até inconsciente auto preservação quanto ao nefasto advento de uma contusão séria que os rigores do futebol disputado em alto rendimento pode acarretar. O que lhe seria trágico agora que estão próximos os tão aguardados fim de seu contrato e início noutro clube de maior projeção onde obterá bem maior remuneração.

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  5. Verdade, Gerson e amigos… Aliás, já não entendi a não entrada do Kiros, no jogo passado… Entendi menos ainda, a entrada do Silvio, um atacante por um lateral, faltando 6 min pro final, num jogo de 180 min, onde o empate era bom resultado pro Remo…Mas, volta a estrela do técnico… é nela que devemos confiar…Aliás, a estrela dele é muito boa, capaz de proteger o time, das mudanças esquisitas que faz… Mas, pra mim, se a estrela acabou ou não, pouco interessa..Acesso tá garantido…Isso é que vale.

    Penso que Yago tá fechado com o Flamengo…Ele merece…

    Todo sucesso do mundo ao querido A.Torres… Competência, não lhe falta.

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  6. O Remo, tudo indica, entrará com o 3-5-2 que obteve destaque até aqui. Guarnecer a defesa e reforçar o ataque, ao mesmo tempo, é o que tem possibilitado o aumento de rendimento do mais querido. O esquema vem da observação de que Eduardo Ramos está só na criação, sem um meia-atacante que acompanhe o raciocínio do maestro. Adiantá-lo foi uma boa escolha e por isso o time tem funcionado no ataque, mais próximo que está dos atacantes e do gol. Para mim, o retorno de Kiros é mais que natural, é obrigatório, assim como a apresentação dos alas no ataque. Chicão fará falta, com o talento que tem, e Macena deve ser segurado na cabeça-de-área para não subir ao ataque. A principal qualidade dele é a obediência tática, como tem sido para todo o meio-campo e zaga. Quanto ao Ilaílson, este pode subir mais ao ataque, considero importante que se apresente próximo do Mateus Muller porque tem sim bom passe e até tem acertado bons lançamentos aqui e ali, além de arriscar de fora da área. É muito importante no desarme, sem dúvida, mas o vejo como um Capanema melhorado, roubando a bola e avançando ao ataque. Macena deve estar bem atento para a saída rápida de bola com Levy, o melhor lateral do elenco azulino, que deve ter a companhia do segundo atacante, qual seja, e Whelton parece o mais indicado sim, mas Paraíba também joga por ali e é também ótimo finalizador e tem a favor já ter jogado com Kiros, com quem tem algum entrosamento e, por isso, penso que Paraíba está na frente de Whelton. Sem Chicão, a direita perde força ofensiva, mas ganha com a cobertura de Macena. Levy é um lateral cascudo, experiente, deve fazer boa parceria com Macena, e por lá o Canela não deve se criar no Mangueirão. Acho que volta o fraco lateral esquerdo do Botafogo-SP para segurar o Levy e o atacante que entrar com Kiros. Sílvio e Paraíba são também ótimas opções para o ataque, e Aleílson melhorou bastante o rendimento na reta final, e credito tudo isso a decisão do Cacaio de postar o time mais a frente quando foi necessário, nas vitórias contra o Palmas e o Operário, e à liberdade dada a Eduardo Ramos para atacar. Definitivamente, o ataque é a melhor defesa azulina e o Remo tem atacado bem. Contra o Operário e o Palmas, as bolas perigosas do adversário foram poucas e só o Operário fez um gol. Com a garra mostrada diante do Operário e a determinação do ataque do início ao fim, o Leão deve alcançar a classificação e mantenho meu palpite de 4×0. Vamos Leão! Eu acredito!

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  7. Melhores atacantes do Remo são Léo Paraíba e Kiros, não sei porque o Cacaio não utilizou os titulares nesse caso.

    Foram muito bem nos jogos que fizeram, principalmente em Belém.

    Kiros é peça fundamental e Paraíba foi responsável por vários lances e gols

    Cacaio é cheio das invencionices, mas agora eu acho que menos

    Até porque Aleílson só fez um gol, por mais que tenha sido o atacante que mais tempo esteve em campo

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  8. Só falo do Remo. Penso que o Marcelo Veiga vem para retranca, fechar o ferrocho. Mas não só isso, sabendo da importancia do Eduardo Ramos para equipe, vai fazer fazer marcação dura em cima do jogador. Em razao disso, penso que o melhor para a vaga do Chicao seja a entrada do Edcleber, mais um meia com chegada no ataque e com bom chute de longa distancia, mecanisno que sera necessario usar quando nao conseguir a bola aerea.

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  9. Sinceramente torço muito pro Pikachú nao ir pro futebol carioca
    Se for, que vá pro Bota ou Flu, pois Vasco e Fla principalmente estão numa draga danada

    Em relação ao jogo do remo, dificilmente não vão escapar de levar um gol, logo vão precisar atacar bem

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