Vitória sem brilho

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POR GERSON NOGUEIRA

Willian marcou dois gols no primeiro tempo, aos 36 segundos e aos 42 minutos. Foram os melhores momentos do Brasil em campo contra a Venezuela. Muito pouco para quem prometia se reabilitar da vexatória derrota para o Chile na estreia das Eliminatórias. Aliás, a situação só não azedou porque o adversário não teve audácia suficiente para buscar o gol de empate na etapa final.

O Brasil repetiu os erros já conhecidos, com destaque para a ausência de criatividade no meio-de-campo e a excessiva preocupação com a marcação. Não fosse pelo esforço de Willian, que concentrava as jogadas pelos dois lados do campo, a Seleção teria tido dificuldades ainda maiores para superar o time venezuelano.

Com os gols marcados no primeiro tempo, a Seleção iniciou o segundo bem à vontade, mas abusando da lentidão na saída e pouca agressividade pelos lados, pois apenas Felipe Luís aparecia para ajudar os atacantes. Daniel Alves raramente avançava e Oscar voltou a exibir a sonolência habitual.

Depois de um bom chute de média distância e uma bola na trave, o Brasil voltou a se acomodar. O tempo ia passando e, aos poucos, a Venezuela entendeu que era possível chegar. Mesmo tropeçando em seus próprios erros, aproveitou um apagão da zaga brasileira e diminuiu aos 19 minutos, com Sanches.

Por alguns minutos, a partida ficou perigosa para o Brasil, pois a Venezuela insistia em buscar o empate. Nesse esforço, terminou por se expor na defesa e abriu espaço para seguidos cruzamentos de Willian e Felipe Luís. Aos 28 minutos, a zaga cochilou e Ricardo Oliveira ampliou.

Dunga aproveitou então para lançar Lucas Lima e Kaká, injetando velocidade e talento no meio-de-campo, mas o ritmo de treino dominou conta da parte final do jogo. O Brasil não tinha interesse em forçar ações ofensivas e a Venezuela sabia que a parada estava decidida.

A prometida recuperação do time de Dunga não aconteceu e as preocupações com o futuro só aumentam.

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Torcidas fazem acreditar em dias melhores

A festa que cerca de 4 mil torcedores azulinos promoveram no aeroporto de Val-de-Cans, no domingo à noite, representou bem mais do que a recepção aos jogadores do Remo pela vitória no primeiro jogo contra o Operário-PR. Foi, acima de tudo, uma explícita declaração de amor pelo clube, que desde 2005 busca a chance de reeditar seus dias de glória em certames nacionais.

Sem parar de cantar antes, durante e depois do desembarque da delegação, a torcida abraçou os jogadores e saiu acompanhando o ônibus da delegação. A manifestação repercutiu na mídia esportiva nacional, que continua impressionada e não para de enaltecer a fidelidade do chamado Fenômeno Azul.

No dia seguinte, outro evento digno de registro, só que do outro lado da avenida Almirante Barroso. Desta feita, em comemoração ao Dia das Crianças, o estádio da Curuzu abriu as portas para os torcedores mirins do Papão confraternizarem com os jogadores.

Uma animada pelada reuniu a garotada e atletas, como Pikachu e Djalma. Sem dúvida, um dia inesquecível para as crianças e para os jogadores, que fizeram questão de destacar sua satisfação pelo festivo encontro.

Dois exemplos vigorosos da pujança do futebol paraense a partir do amor de suas grandes torcidas.

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Um oportuno convite à paz

Recado dos mais ponderados sensatos postado ontem nas redes sociais pelo amigo André Cavalcante, que integra a diretoria de Futebol do Remo e também um dos responsáveis pelo programa de sócio torcedor Nação Azul:
“Amigos, acabei de receber uma ligação do deputado Milton Campos, que estava em Ponta Grossa/PR com a Delegação do Clube do Remo. O mesmo me assegurou que todos foram tratados muito bem pela Diretoria do Operário e que os episódios envolvendo a torcida foram pontuais, não refletindo a atitude da grande maioria. Ele me falou que ficou assustado com o clima de guerra criado aqui, dizendo que ‘de um clipe, fizeram uma papelaria’, se referindo o exagero e a proporção que tais episódios tomaram. Os fatos no hotel se restringiram a poucos torcedores, porém tudo foi rapidamente contornado pela Polícia Militar local. Também no estádio, apenas os mais exaltados se manifestaram, mas nada anormal. Enfim, fico com as impressões do Milton Campos, a quem reputo uma pessoa séria e responsável, e desarmo meu espírito. Vamos focar no nosso time.”

São palavras que servem para serenar e desarmar espíritos, sinalizando para o objetivo maior do Remo neste momento, que é fazer uma grande partida e superar o Operário. Questões extracampo não acrescentam nada a essa altura do campeonato.

Manifestação de André Cavalcante vem na contramão de posicionamentos da imprensa esportiva paranaense, que resolveu botar fogo numa disputa até aqui restrita às quatro linhas.

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Alves: como analista político um lateral sofrível

Daniel Alves se jogasse metade do que acha que joga seria um jogador mediano. Incensado exageradamente por setores da mídia, jogando mais com o nome do que por méritos, conseguiu se segurar mais um pouco no Barcelona depois de se arrastar em campo na última Copa do Mundo.

Ontem, nas janelas de entrevistas que antecedem jogos da Seleção, Daniel aproveitou para se enxerir em questões de natureza político-econômica. Lá pelas tantas, soltou a pérola: “A Seleção não pode pagar o pato pela crise no Brasil”.

Ora, a tal crise, superdimensionada ou não, é questão que nada tem a ver com os muitos problemas da atual Seleção, raquítica e indolente, sem esquema tático definido e com jogadores – como Daniel – que não representam a essência do nosso futebol.

Por outro lado, o lateral direito perdeu boa chance de falar sobre os escândalos que enlameiam a Fifa, sobre a prisão do ex-presidente da CBF e dar uma explicação para a surra que ele e seus companheiros tomaram da Alemanha em Belo Horizonte.

Como Romário disse sobre Pelé, Daniel Alves calado é um poeta.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 14)

6 comentários em “Vitória sem brilho

  1. Contra a fraca Venezuela, o jogo foi sofrível. Com o mesmo Dunga em campo, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, o placar foi 6×0 ou 6×1 contra a seleção venezuelana. Sei, no futebol não há mais incautos, mas nem a Venezuela evoluiu tanto assim a ponto de equilibrar o duelo contra a seleção brasileira, nem o a seleção manteve o nível de décadas atrás e apresentou um bom futebol. Não ficou claro também se rola mesmo uma dependência do Neymar, ou se é o técnico mesmo que não é capaz de montar uma equipe competitiva. Numa disputa como as eliminatórias que ocorre em longo período, como essas, depender tecnicamente de um jogador apenas, que pode se contundir e desfalcar o time, parece haver poucas opções continuando essa “filosofia” de trabalho. É necessário um técnico que pense a seleção com e sem Neymar. A seleção não pode simplesmente ficar atrelada a um jogador por tanto tempo, e a um técnico que não cria novas maneiras de jogar. A situação do futebol brasileiro é realmente preocupante.

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  2. É, sem brilho mesmo. E a opacidade foi tanta que não dá nem para aquilatar com maior segurança a eficácia das alterações promovidas no time que entrou jogando. Agora, mesmo diante de um adversário bem modesto, fiquei com uma boa expectativa do que pode vir a render em jogos mais difíceis o meia do Santos que entrou no segundo tempo. De aguardar o jogo contra a Argentina. Este sim será um bom teste.

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    1. Amigo, acompanhe os jogos do Barcelona e tire suas próprias conclusões. E tente lembrar a última vez que Daniel Alves fez algo de proveitoso vestindo a amarelinha. Só tente.

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  3. Sempre aprendi, que quanto Mais ignorante as pessoas são, Mais educado eu tenho que ser. Esse barrismo, preconceito, levado pelas redes sociais e parte da midia, não leva a nada. Precisamos sim, mostrar aos nossos irmãos do sul/sudeste, que somos mais educados do que eles, que clima não tome conta do jogo domingo, que o Remo se concentre e pense somente no jogo, que a torcida faça sua parte lotando o mangueirão, mostrando novamente porque é chamada de fenômeno azul. Bora Leão, eu acredito.

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