Um clássico de arrepiar

POR GERSON NOGUEIRA

O quarto Re-Pa da temporada, marcado para a tarde de hoje, será certamente o melhor de todos. Por razões diversas. A principal delas é o combustível que impulsiona os dois rivais para o combate. Há uma vaga de finalista em jogo. E não de uma final qualquer, mas da Copa Verde, que dá direito à disputa da Copa Sul-Americana 2016.

Só esse item já garante altíssima temperatura no confronto. Ao contrário dos três clássicos anteriores (um empate e duas vitórias do Papão), que não eram decisivos, o de hoje decide e vale muita coisa.

unnamed (14)Do lado alviceleste, pesa o fato de o time ter ficado em segundo lugar na competição do ano passado. A final foi dramática, com direito a uma série de penalidades. Por muito pouco, o título não veio para a Curuzu. Para tornar a ferida ainda mais dolorida, o campeão Brasília escalou jogadores que não tinham registro no BID.

O caso transitou por várias esferas do STJD, sendo inicialmente dado ganho de causa ao Papão. No julgamento final, porém, a corte decidiu favoravelmente ao Brasília, aceitando a argumentação de falha técnica apresentada pela CBF.

É claro que os bicolores jamais engoliram a história e vencer a Copa Verde tornou-se questão de honra. Daí o empenho com que o time entrou na competição deste ano. Depois de eliminar o Nacional, partiu para cima do maior rival na primeira partida, obtendo a importante vantagem de dois gols na semifinal.

Do lado remista há mais comedimento, principalmente pela inferioridade no placar casado, mas não falta disposição para tentar reverter o quadro. A todo instante no clube, a título de motivação, é relembrada a surpreendente goleada de 4 a 1, no Parazão do ano passado, resultado que garantiu o título estadual. Naquela ocasião, o Remo não era o favorito e se viu obrigado a escalar um time misto para enfrentar os bicolores.

De certa maneira, a situação atual é mais favorável, pois o Remo tem um elenco que se equipara ao do Papão. Na comparação direta de desfalques para o jogo os dois lados têm perdas a lamentar. Pikachu, principal jogador da equipe de Dado Cavalcanti, cumprirá suspensão. Eduardo Ramos, camisa 10 e articulador do time azulino, também estará fora. O Papão também não terá o zagueiro Dão e o meia Rogerinho. Ciro Sena e Dadá são as outras baixas do Remo.

É preciso considerar ainda o fator Cacaio. Substituto de Zé Teodoro, demitido após o Re-Pa da fase classificatória do returno, o ex-técnico do Cametá assumiu com determinação e é responsável pela transformação do time azulino. Apesar de ter perdido um clássico e ter sido eliminado da Copa do Brasil, o esquema ofensivo do time caiu nas graças da torcida.

Em meio aos muitos problemas internos do Remo, Cacaio tem tido um papel unificador junto a elenco e diretoria. A condução do time também passa confiança aos torcedores. O triunfo em Paragominas, arrancado com esforço, consolidou sua presença e desfez todas as desconfianças.

Dado Cavalcanti também vive excelente momento no Papão. Tem o mérito de ter feito a equipe assimilar rapidamente um esquema simples e prático, baseado na movimentação dos volantes e meias apoiando o ataque centrado em Bruno Veiga. A goleada histórica (9 a 0) sobre o São Francisco deixou a torcida nas nuvens e reforçou ainda mais o prestígio do técnico.

Enfim, se a chuva deixar, teremos um jogão.

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Mais um paraense no Botafogo?

E Rafael Oliveira ressurge pelas boas graças da Estrela Solitária. A do Botafogo da Paraíba. Pelas boas atuações contra o Botafogo pela Copa do Brasil, o atacante paraense tem seu nome cotado para reforçar o time carioca na Série B.

Caso isso se confirme, Rafael vai se juntar a outro paraense no elenco alvinegro. Jobson, que não passou por nenhum clube do Pará antes de despontar no Brasiliense, é um dos atacantes do time de Renê Simões.

Rafael foi revelado pelo Papão, fez dois bons campeonatos estaduais, andou pelo futebol pernambucano, defendeu a Portuguesa, retornou a Belém e aí não conseguiu mais emplacar na Curuzu. Com fama de boêmio, chegando a ser apelidado de Popsom, perdeu espaço no clube.

Foi arriscar a sorte no futebol nordestino e, pelo menos por enquanto, a opção parece ter sido a mais correta. Primeiro pelas mãos de Givanildo Oliveira e em seguida por conta própria, Rafael tem se mostrado um atacante produtivo, com boa média de gols.

Contra o Botafogo, na quarta-feira, movimentou-se muito, dando trabalho aos zagueiros e deixando a torcida tensa no Engenhão a cada nova investida da ofensiva paraibana.

Caso se confirme sua transferência para o clube, Rafael estará seguindo os passos de um grande atacante paraense: Quarentinha, o goleador que nunca sorria, virou recordista de gols com a camisa botafoguense nos anos 60 e chegou a defender a Seleção Brasileira.

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Corinthians, San Lorenzo e o velho Boca

A atual Libertadores ainda não havia mostrado um jogo tão maçante e tecnicamente fraco como Corinthians x San Lorenzo, disputado na última quinta-feira, no Itaquerão. Ao longo da partida, três ou quatro chutes a gol, faltas duras e pouquíssima disposição para atacar.

No primeiro tempo, o Corinthians ainda arriscou mais. Depois do intervalo, a equipe de Tite uniu-se aos argentinos no esforço comum para não jogar. Foi claramente uma acomodação de interesses em torno do empate. Atitude normal nestes tempos pragmáticos, mas péssima do ponto de vista do desporto.

A indisposição de Corinthians e San Lorenzo ajuda a explicar a tradição do Boca Juniors na competição. Com vontade e fúria, joga sempre para vencer, em qualquer lugar. Faça chuva ou sol, o campeão argentino não dá refresco. Naquela mesma noite, mesmo já classificado à próxima fase da Libertadores, passou pelo Palestino. Podia ter tirado o pé, poupado jogadores, mas fez o seu papel. Assim deviam fazer todos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 18)

17 comentários em “Um clássico de arrepiar

  1. Se tiver um favorito, este é o Paysandú, que já está com uma vantagem de dois gols.
    Mas, como clássico é clássico e vice-versa, eu acredito no meu Clube do Remo. Geralmente quando está assim, em descrédito, o Leão surpreende.

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  2. É importante registrar que no último saíram de campo duas peças importantes: Eduardo Ramos e Rogerinho. Essas ausências ajudaram a dar o placar favorável ao Paysandú, decidindo a sorte da contenda. O Remo perdeu sua melhor peça, e no PSC saiu um elemento neutro, ganhando o time com a substituição.

    São coisas do clássico mais editado do mundo – falta só o Guiness Book homologar.

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  3. O Boca é o Boca, mas como se diz por aqui o grupo era uma “boca”. É um grande, sem dívida nenhuma, e vai pegar nas oitavas um River bafejado pela sorte. Se não der mole, deve passar. Os torcedores do Papão devem lembrar do vareio de bola que tomaram em outras oitavas no Mangueirão tempos atrás.

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  4. Apesar do clima de rivalidade, bem como o fato de ser um clássico, penso que não há termo de comparação entre os dois times, atualmente. O elenco do Papão é muito superior ao do Remo e os dois jogos anteriores mostraram isso, quando foi flagrante que o placar deixou até uma sensação de lucro pro time azulino.
    Mesmo com a surpreendente evolução do time sob o comando de Cacaio, mesmo com a possibilidade de poder contar com E. Ramos, embora aparentemente descarte essa possibilidade, assim como a Itália dizia que Franco Baresi estava fora da Copa de 1994, e o capitão estava sendo preparado pra enfrentar o Brasil na final, ainda assim, acho o Papão mais forte, mais entrosado e com melhor pegada.
    Além disso, pelo fato de já entrar com uma vantagem de dois gols e diante da dificuldade do adversário de focar-se exclusivamente no jogo de hoje, sendo que o da próxima terça-feira é o jogo de suas vidas em 2015, se souber explorar mentalmente esses aspectos o Paissandu consolida sua vantagem.

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  5. Rafael Olivier e Centro avante de area, pouca tecnica e lento para raciocinar com a bola nos pés, pensei que fosse so no Pará que se avaliava jogador por um ou dois jogos. Vai se arrepender o foquinho de palito de fosforo.

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  6. Penso, Gerson e amigos, que os desfalques do PSC, são de maior importância, pois são jogadores que comandavam esse time bicolor, até então…Veja, que hoje, o Cacaio poderá até abrir mão de 1 volante, por o PSC não ter o Yago e acrescentar mais um meia, Bismarck, ao lado do Ratinho, no meio, tornando o time mais ofensivo… Remo, perdeu seu cabeça pensante e o PSC, perdeu 2 jogadores que faziam a diferença, dos 5 desfalques que tem pro jogo de hoje: Yago e Jhonnatan…Já que Rogerinho, tem um substitituto à altura: Carlinhos.
    Penso que o PSC tem, melhor time, melhor técnico, melhor elenco e melhor organzação tática em campo… Se continuar aliando a tudo isso, disposição pra vencer os jogs, chega a ser quase imbatível… Remo, tem tudo isso, de menos, mas mostra muita disposição pra vencer os jogos… Como se trata de Rex Pa, onde, pelo nervosismo que alguns jogadores sentem, a disposição poderá ser o ponto forte desse jogo, daí aparecem as chances do Remo e, por isso, não se dá o favoritismo ao PSC… É um Jogo, diferenciado, portanto, sem favorito… Que vença, quem merecer

    É a minha opinião.

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  7. Quanto ao dérbi paraense, apesar de abrir a partida com dois gols de vantagem, humildade e respeito pelo adversário serão muito importantes, contudo, jogar focado na vitória e não dar chances ao rival de jogar.
    Clássico é detalhe, e em um único lance a vitória pode sorrir para um dos lados.

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  8. Concordo com o comentário 1: apesar de ser um clássico, o PSC tem toda a vantagem.

    Quanto ao CABJ, Boca é o Boca e vai logo de cara enfrentar seu maior rival nas oitavas de finais. É o time mais perigoso e temido dessa competição, mas o que surpreendeu mesmo foi a campanha do time. Apesar de ganhar seis vezes e ser finalista dez vezes, nunca fez uma fase de grupo tão boa assim. Na maioria das vezes, sempre se classificou em segundo e lá no final da fila.

    Existe também a possibilidade de Corinthians e SPFC sem enfrentarem nas oitavas.

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  9. Santos & Boca, duas lendas da América do Sul.

    O Tite anda muito esquisito nas suas entrevistas, levanta a voz, baixa a voz, e ontem achou de gritar com raiva do técnico do San Lorenzo, passando pro grupo falta de controle emocional diante da velha catimba argentina.

    Eu acho que a imprensa paulista mima muito ele.

    Sobre o Re-Pa

    Para a classificação a final:

    Paysandu 99%
    Remorto 1%

    Para os 90 minutos de hoje:

    Paysandu 60%
    Empate 30%
    Remorto 10%

    Sempre achei o Rafa POP um bom atacante.

    O que matava ele por aqui, foi que arrumou uma namorada em Marituba e amizades com pessoas que não saem de festas de aparelhagens, aí ficava difícil, mas acho que rendia bem, apesar disso.

    Agora já pensou Jobson e Rafael no ataque do Fogão?

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  10. Futebol é momento, e neste quesito o papão esta muito,mas muito a frente do rival, sem o remo conseguir arrancar um empate com o papão a torcida remista já terá motivos de sobra para comemorar.

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  11. O Boca fez a melhor campanha da história da libertadores em uma primeira fase. Tá certo que os adversários no grupo não eram grande coisa, mas o time soube se impor.

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  12. Se o Remo for pra cima vai levar muitos gols, tendo em vista que o Bruno Veiga e Djalma juntos provaram que articulam jogadas de contra ataque muito bem.

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  13. Boa tarde, amigos. Hoje, é dia de aplicar mais uma peia ao “Cachorro de Peruca (CP)” ! PAPÃO 3 x 1 “CP”. 🙂

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