Jogando com o regulamento

POR GERSON NOGUEIRA

Como no ano passado, remistas e bicolores estão classificados para a semifinal da Copa Verde. Como naquela ocasião, serão dois jogos com potencial para salvar as finanças de ambos no primeiro semestre. Os jogos do fim de semana definiram essa situação com performances sofríveis dos times locais.

unnamed (85)No sábado, mesmo atuando em casa e podendo até perder por 1 a 0, o Remo passou pelo Princesa do Solimões com extrema dificuldade. Ontem, em Manaus, apesar de ampla vantagem de gols, o Papão sofreu o diabo para se classificar diante do Nacional.

Como visitante em situação folgada (até uma derrota por 2 a 0 lhe servia), o Papão pisou no gramado do estádio da Colina sem exibir a confiança necessária para superar os donos da casa. Logo de cara, seu melhor atacante (Bruno Veiga) levou infantilmente um cartão amarelo, revelando o nervosismo do time.

Aos 10 minutos, gol do Nacional. Léo Paraíba, cobrando falta. O que era tenso passou a ficar dramático ainda no primeiro tempo. O jogo se desenrolava com muitas faltas, choque físico entre os jogadores e muita provocação. Mais agressivo e organizado, o Naça levava perigo em vários momentos, com Leonardo e Fininho.

Acuado e preocupado apenas em desarmar, o Papão nada criava. Dado Cavalcanti optou por um meio-de-campo conservador, com três volantes, atento à vantagem que o regulamento lhe conferia. Carlinhos era peça decorativa na armação e os atacantes ficavam o tempo todo isolados lá na frente.

Até se justificava a preocupação com a defesa, mas o técnico exagerou na dose e deixou a equipe presa demais ao seu próprio campo. O retraimento do Papão deixou as forças niveladas e, com tantas cautelas, o primeiro bom ataque só aconteceu aos 39 minutos, com Aylon.

No começo do segundo tempo, o Papão se soltou um pouco mais, levando Pikachu ao ataque pela primeira vez e fazendo Bruno Veiga tentar um lance individual antes dos 10 minutos. Dado povoou a entrada de sua área, bloqueando as tentativas do Naça. Estratégia arriscada, mas que acabou funcionando, pois os amazonenses detinham a posse de bola sem saber fazer uso dela.

No desespero, Aderbal Lana manteve seu time sempre no ataque. Chegou a botar em campo o artilheiro Wanderlei, que havia sido poupado no primeiro tempo, mas o cansaço deu as caras e o Papão soube aproveitar o momento para empatar. Em boa jogada, aos 37, Aylon passou para Jonathan, que tocou na saída do goleiro Rodrigo Ramos.

Foi um jogo tecnicamente feio e até mais difícil do se previa, com pressão dentro e fora do campo, mas o Papão teve força e disciplina para se garantir na semifinal da Copa Verde. Os melhores da equipe foram Willian Alves e Jonathan.

————————————————————

unnamed

Leão vence em confronto nervoso

O Princesa chegou como franco-atirador. O Remo era o mandante e tinha a torcida a lhe apoiar. O gol aconteceu logo cedo, aos 10 minutos, ampliando ainda mais a boa vantagem azulina. Outros foram perdidos antes que Val Barreto fizesse o segundo, aos 43. Ainda assim, a partida era nervosa, sem que o torcedor se sentisse tranquilo nas arquibancadas.

A etapa final trouxe o Princesa ainda mais desprendido, na base do perdido por um, perdido por mil. Atacava com vários jogadores e encurralava o time azulino, que não conseguia se safar do cerco. Quando tentava sair jogando, o Remo sempre errava os passes e possibilitava a pressão adversária.

unnamed (51)

Aos 17 minutos, um susto. O beque Dewrick (que havia feito gol contra no começo) recebeu livre à altura da marca do pênalti e bateu rasteiro. Fabiano aceitou. Começava ali um período de martírio para os azulinos. Ciente de que podia sonhar com a vaga, o Princesa amiudou as investidas pelos lados, levando sempre de roldão os laterais Jadilson e Levy.

Inseguros, os remistas não conseguiam trocar três passes seguidos, facilitando sempre a marcação. O Princesa, ao contrário, era puro entusiasmo. Parecia destemido, como se estivesse em casa. Canutama, Edinho e Léo Paraíba se revezavam no cerco constante à grande área azulina, com cruzamentos e chutes perigosos.

A zaga se safava como podia, mas Ciro Sena andou levando dribles desconcertantes e Igor João não ajustava o combate ao centroavante Sandro Goiano, depois substituído por Nando. Amaral recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, mas nem assim o Remo conseguia se acertar em campo.

Eduardo Ramos cansou na metade do segundo tempo e Val Barreto não recebia passes na área. Improdutivo, Flávio Caça-Rato custou a sair. Rony o substituiu nos 15 minutos finais, a tempo de perder um gol incrível aos 42.

Mesmo limitado, com sérios problemas de cobertura e organização, o Remo joga muito mais do que apresentou no sábado à tarde. É aceitável imaginar que os muitos problemas externos tenham afetado o elenco, influindo no desempenho em campo.

Apesar da diminuição de ritmo no segundo tempo, Ramos foi o mais lúcido do time, secundado por Alberto, Barreto e Dadá. Caça-Rato, Macena e Jadilson foram peças destoantes. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

———————————————————–

PFC reage, Castanhal afunda

O Parazão teve apenas um jogo no fim de semana e o Paragominas aproveitou para assumir a liderança do grupo A2. Com autoridade, derrotou o Castanhal na Arena Verde por 3 a 0, sábado à noite. Especialista na competição, Charles Guerreiro dá mostras de que o PFC ainda pode surpreender neste returno.

O Castanhal, que tinha grandes ambições na volta à primeira divisão, errou nas apostas e está à beira do rebaixamento. Com apenas um ponto na classificação geral, precisará vencer todos os jogos restantes e ainda rezar bastante.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 23)