Técnico cotado para o Remo já fracassou em Belém

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O novo técnico do Remo deve ser anunciado nesta terça-feira pelo presidente eleito Pedro Minowa. Depois da recusa de PC Gusmão, que aceitou proposta para trabalhar no exterior, o Leão volta suas vistas para outros nomes. O mais cotado até ontem era Marcelo Veiga (foto), que já dirigiu o Remo, perdendo a classificação na Série D em partida contra o Mixto, no estádio Mangueirão. Conhecido pelo trabalho no futebol paulista, Veiga não deixou boa imagem quando passou por aqui.

Ficou conhecido pela insistência em usar jogadores que conhecia, mas que estavam visivelmente fora de forma. Optou pelo veterano Ávallos, que o Remo contratou depois de já ter abandonado o futebol. Foi pelo lado dele que o Mixto marcou os gols do triunfo sobre o Remo. Outros nomes mencionados para dirigir o clube são Flávio Araújo e Paulo Comelli, ambos também com passagens mal sucedidas pelo Evandro Almeida. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola) 

Por que Xuxa foi dispensada pela Globo

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Por Paulo Nogueira, no DCM

Xuxa foi demitida pela internet. A Era Digital acabou com os tempos em que a Globo, ou qualquer empresa tradicional de mídia, podia se dar ao luxo de pagar salários extravagantes a gente que não vai ser aproveitada.

A Globo fez isso por anos, décadas, mas agora a realidade é muito mais desafiadora. A questão dramática, para o futuro da Globo, está na receita publicitária, que é responsável por praticamente 100% de seu faturamento.

Os anunciantes estão migrando em velocidade cada vez maior das mídias convencionais – incluída a tevê – para a internet.

Na Inglaterra, um levantamento mostrou que pela primeira vez na história em 2015 a fatia da internet no bolo da propaganda será maior do que todo o resto junto – jornais, revistas, rádios, tevês etc.

No mundo, a internet já é a segunda maior mídia em faturamento publicitário, pouco atrás da tevê. A diferença é que a internet cresce aceleradamente enquanto a tevê está estagnada.

Neste ambiente, não surpreendeu uma previsão do presidente da Netflix. Segundo ele, em 2030 a tevê como conhecemos terá desaparecido. Com suas receitas altamente ameaçadas, a Globo tem que se defender ferozmente nas despesas.

É dentro dessa lógica que se deve compreender a decisão de levar Jô para um estúdio mais barato, sem plateia, e talvez também sem o sexteto.

Xuxa não dá mais Ibope, foi a alegação da Globo, disse o site Notícias da Tevê. Mas quem dá? Todos os programas da Globo batem sucessivos recordes de pior audiência da história da emissora, do Jornal Nacional ao Fantástico, do Faustão às novelas.

O faturamento publicitário da Globo, hoje, é absolutamente incompatível com sua audiência. A Globo vem cobrando mais caro dos anunciantes por uma entrega para cada vez menos pessoas.

Isso se explica, em boa parte, a uma invenção de Roberto Marinho chamada Bônus por Volume, o BV. As agências recebem bonificações caso optem pela Globo.

A maior parte das agências depende, hoje, do BV da Globo. E então elas se empenham, junto aos clientes, para anunciar na Globo. Mas é uma questão de tempo que os clientes se insurjam contra isso. Ninguém gosta de colocar cada vez mais dinheiro num meio cada vez menos visto.

É provável que, como aconteceu com as revistas, algum grande anunciante saia da Globo, num futuro bem próximo, e carregue com ele o chamado efeito manada.

A internet jamais trará à Globo o dinheiro e a influência da tevê: é um meio fragmentado, em que a vantagem competitiva é dos nativos, e não das grandes companhias.

A Globo é a Abril amanhã, um colosso lutando pela sobrevivência numa paisagem inóspita e potencialmente letal. Para retardar a queda, porque evitá-la é impossível, resta trabalhar obsessivamente na coluna de custos.

É aí que se encaixam Xuxa, Jô e muitas coisas que fatalmente ocorrerão daqui para a frente.

Revelações do grande Zé de Abreu à TV portuguesa

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O ator José de Abreu se abriu sobre a morte de seu filho em 1992 e revelou ter sofrido abuso sexual de um padre na infância, em entrevista à TV portuguesa SIC. Em relação à morte do filho, ele detalhou: “Quando me separei fui morar com o Rodrigo. Moramos juntos por dois anos, só nós dois, paquerando as menininhas. Me ligaram e disseram: ‘aconteceu um acidente em seu apartamento. O Rodrigo está mal. Ele caiu da janela’. Só foi cair a ficha para mim um tempo depois. Enterrar o seu sucessor é uma coisa muito desagradável, muito dolorosa”.

Ele admitiu que teve medo de ter sido suicídio. “Perguntei ao delegado ‘como você tem certeza que não foi suicídio?’. Um suicida se lança ao ar. O Rodrigo caiu batendo nas janelas. Foi quando tirei toda a culpa cristã que vinha à cabeça”, afirmou.

Sobre o abuso sexual, considera ter sido “leve”, uma vez que não agredido fisicamente. “Guardei essa história por 30 anos. Mas foi um abuso leve. Não foi uma agressão física. Ele me masturbou durante uma sessão de cinema, dentro do seminário. Eu tinha 12 anos. Nunca tinha me masturbado. Queria morrer. Um absurdo. Ele era o padre-prefeito. Foi terrível”, contou. Ele não o denunciou por medo.

Luciana Genro foi vítima de Veja e da Justiça

Por Paulo Nogueira, no DCM

Pulitzer, o editor húngaro-americano que inventou na segunda metade do século 19 o jornalismo como conhecemos, dizia que buscava no seu jornal “precisão, precisão e ainda precisão.”

Era, para ele, a virtude suprema de uma publicação. Sem ela, você não tem nada. Precisão. Fiz esta introdução para falar no caso Luciana Genro versus Veja, decidido na Justiça a favor sabemos de quem.

Os fatos, essencialmente, são os seguintes.

Luciana Genro montou um cursinho para jovens egressos de escolas públicas, o Emancipa. Gratuito. São 100 vagas por ano. É o tipo de ação que só poderia merecer aplausos. Mas para a Veja não.

Em 2011, o jornalista Otávio Cabral escreveu um texto sobre o projeto de LG. Cabral é aquele jornalista que publicou uma biografia de Dirceu com centenas de erros documentados e, recentemente, fez parte da equipe de Aécio na campanha presidencial.

Não foi um artigo. Foi uma acusação. O título já diz tudo: “Em nome do pai.”

A revista afirmava que o pai de LG, o governador Tarso Genro, a beneficiara na montagem do cursinho.

luciana-genro-doisSegundo a Veja, o governo gaúcho cedera “gratuitamente” duas salas do colégio Júlio de Castilhos. A revista também afirmou que os professores, e Luciana era um deles, eram “bem-remunerados”.

Tudo isso para chegar à conclusão de que de filantrópico o cursinho – ou o “negócio”, como preferiu a Veja – tinha “muito pouco”.

O espírito de Pulitzer foi massacrado impiedosamente por Cabral e seus editores. Imprecisão, imprecisão e ainda imprecisão são as marcas do texto. Isto e mais uma desonestidade exuberante.

Para começar, Luciana Genro não foi ouvida. Não sabemos qual manual de jornalismo recomenda fazer uma reportagem sobre uma pessoa sem escutá-la, mas foi este que a Veja seguiu.

Luciana Genro trilhou o caminho habitual neste tipo de situação: processou a Veja, ainda em 2011. Teoricamente, era uma causa fácil. Alguns de seus argumentos.

  • “A Secretaria de Educação não me concedeu nenhum privilégio como insinua a reportagem. A direção do colégio Júlio de Castulhos, assim como outras escolas estaduais, proporciona a execução de diversos projetos nas suas dependências. O Emancipa é um deles, e paga à escola 600 reais por mês pelas duas salas.”
  • “Os professores não serão “bem remunerados” como maliciosamente diz a reportagem. Receberão 20 reais a hora aula. Como são apenas duas turmas, a média de remuneração de cada professor deverá ser por volta de 300 reais.”

O fecho da matéria afirmava que Luciana Genro tinha o objetivo de transformar os alunos em “cabos eleitorais para sua campanha a vereadora no ano que vem”. Quer dizer: em sua louca cavalgada, a revista enxergou em 100 alunos um intrépido exército de cabos eleitorais.

O que Pulitzer diria de uma coisa dessas? Bem, você pode imaginar.

Mas o editor da Veja publicou.

Em outubro passado, saiu, afinal, a sentença. A Justiça gaúcha julgou improcedente o processo. O blogueiro da Veja Felipe Moura Brasil disse o seguinte: “Felizmente ainda se faz justiça no Brasil.” Tem uma estranha noção de justiça este jovem velho.

O juiz Heráclito José de Oliveira Brito entendeu que a revista se limitou a publicar “fato presumido verídico”. Quer dizer: não importa se você publica mentiras acintosas, desde que o juiz considere que você partiu de um “fato presumido verídico”.

Estranho conceito de justiça este também. Significa, no fim, que você não tem que provar nenhuma acusação.

“Não há no texto guerreado qualquer acusação à prática de crime ou adjetivação à autora, não se configurando, assim, a alegada calúnia ou a injúria”, escreveu o juiz. “Tampouco logro encontrar na matéria cunho difamatório, tangenciando o texto a zona cinzenta do espírito crítico a personalidades públicas, essencial a uma imprensa livre.”

Quantas atrocidades são cometidas no país em nome da “imprensa livre”, Deus. O juiz conseguiu não encontrar “cunho difamatório” num texto que tentou destruir, criminosamente, um projeto que oferece educação suplementar gratuita a garotos saídos de precárias escolas públicas.

Um dia, esta história haverá de ilustrar a imprensa e a Justiça do Brasil de nossos tempos.