A mãe de todas as batalhas

Por Gerson Nogueira

A lista dos clubes que irão disputar a Série B 2015 foi fechada ontem à tarde, com a queda da dupla Ba-Vi. Como o Pará vai participar da festa, representado pelo Papão, é preciso entender que esta será a mais difícil de todas as edições da Segunda Divisão desde que o sistema de pontos corridos foi adotado.

Além dos campeões brasileiros Botafogo e Bahia, a competição reúne um grupo fortíssimo de equipes tradicionais no futebol brasileiro. Paraná, Vitória, Papão, Bragantino, América-MG, Ceará, Santa Cruz e Náutico. São essencialmente esses os principais oponentes do Papão na busca pelo acesso ou permanência na Série B.

Sem perder de vista times menos badalados, mas que nos últimos anos evoluíram muito. Falo de Criciúma, Boa Esporte, Macaé e Oeste. Uma rápida conta permite avaliar que as maiores batalhas do campeonato irão se concentrar nesse universo de 14 clubes.

Nada, porém, é mais desafiante do que a própria política de contratações e formatação de elenco num futebol minado por salários inflacionados e poucos bons jogadores em disponibilidade.

Tornou-se missão das mais complexas garimpar atletas, mesmo os que pertencem a clubes de Série C ou D, pois todos seguem a linha adotada no mercado. Com representantes e agentes, custam cada vez mais caro e transformam o período de dezembro e janeiro em época dedicada a verdadeiros leilões.

As propostas salariais estratosféricas passam a rondar todas as transações, incluindo a procura por técnicos. Montar times competitivos com jogadores bons e baratos, como ocorria há até cinco anos, é cada vez mais difícil.

Daí a importância da lucidez e da correção dos dirigentes na hora de definir os projetos para a temporada. O Papão, que deve anunciar hoje o novo técnico, começa a viver a realidade de uma divisão que hoje é quase tão exigente e seletiva quanto a Série A.

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Direto do blog

“Sobre o Mazola, acho que foi surpresa geral, até por que demonstrava um sentimento puro pelo Bicola, tanto que foi só o Papão chamar veio imediatamente após sua primeira dispensa. Muito esquisito. Por que não tomou essas iniciativas ao conhecer as estruturas do clube na primeira passagem? Realmente, não há amor sem dinheiro, principalmente no futebol! Não fiquei contra a atitude da direção, como vi muitos inclusive detonando a nova Diretoria que mal começou a trabalhar. Égua, quase R$ 100.000! Ninguém é insubstituível e como ele deve haver muitos por aí. É minha opinião!”.

De Manoel Lima, apoiando decisão da diretoria do Papão no imbróglio com Mazola.

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Uma joia a ser resgatada

unnamed (15)Leandro Carvalho arrebentou no amistoso entre as equipes sub-20 de Remo e Paissandu em Altamira, sábado à noite. Voltou a mostrar as já conhecidas qualidades de definidor, fazendo três gols. Deu passes, apresentou-se para o jogo e não fugiu das jogadas individuais. Em suma, fez tudo o que se espera de um atacante moderno.

É curiosa a situação do jovem jogador. Leandro esteve fora dos planos do Papão durante todo o segundo semestre. Sob a alegação de que não tinha noção profissional e acumulava lesões, foi deixado de lado.

Com o talento que tem, merece cuidados especiais. Nada que a vigilância da comissão técnica e um bom acompanhamento psicológico não possa resolver. É um atacante precioso demais para ser desprezado.

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Auxiliar sai de cena sem deixar saudade

Árbitro adicional, essa supimpa invenção da CBF, não será mantido para 2015. Depois de muita confusão e contribuição para arbitragens desastrosas, o tal auxiliar será extinto. Confirma-se com isso a velha tese de que, quanto mais agentes no jogo, mais problemas irão ocorrer.

Por coincidência, no jogo que decidia vaga de permanência na Série A, um penal maroto foi marcado para a equipe palmeirense por obra e graça do tal adicional.

Não há dúvida de que foi mais uma ideia de jerico para enriquecer o extenso histórico de lambanças do nosso futebol.

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O mago da malandragem

Depois de Roger Flores, o insuperável, não há hoje no país um representante da turma do chinelinho mais gabaritado que Valdívia, o chileno que reinventou o conceito de malandragem no futebol brazuca. É uma resposta àqueles que creem na superioridade nacional na arte da enganação.

Eternamente lesionado ou suspenso, nunca completou por inteiro um dos sete campeonatos brasileiros que disputou como jogador do Palmeiras. Com um dos maiores salários do país (cerca de R$ 550 mil), faz um jogo e passa em média dois fora.

Ontem, quando desembarcou do ônibus no estádio com a perna enfaixada e manquitolando, cravou a imagem marqueteira do sacrifício. Em campo, demonstrava extremo esforço, caprichando nas expressões de dor e sempre botando as mãos no lugar da contusão.

Na entrevista pós-jogo foi o mais celebrado pela normalmente empolgada mídia esportiva paulistana. Houve repórter que chegou a ressaltar “o amor à camisa” do Palmeiras por parte do meia-armador chileno. O próprio técnico Dorival Junior não poupou loas à Valdívia, agradecendo pela atitude “altamente profissional”.

Mais até do que jogadores que suaram a camisa de verdade na caótica campanha palmeirense, o Mago ganhou pontos com a torcida em meio à festa pela salvação, pela “demonstração de entrega”, e seguramente garantiu mais uma temporada de vida mansa no tradicional clube paulista.

E la nave va.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 08) 

42 comentários em “A mãe de todas as batalhas

  1. Como era esperado a segunda divisão nacional será carrancuda mesmo, daquelas de que quem não tiver cacife e fôlego vai ficar pelo caminho fatalmente retornando para a série C.
    O Paysandú que não se iluda com os pequenos pois Criciúma, Boa Esporte, Macaé e Oeste serão adversários dificílimos e farão de tudo para se manter na B. Em 2015 será mais que provado que camisa não ganha jogo!
    Ou a direção do Paysandú abre o olho, ou terá o mesmo desfecho do fatídico 2013! Toc, toc, toc…

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  2. No caso Valdívia, que particularmente o chamo de “Vemdívida” é um absurdo com A maiúsculo um jogador mascarado ganhar esta fortuna no Palmeiras, como bem lembrado pelo amigo Gerson, o cara jogava uma partida e ficava duas ou três fora, ou por contusão ou por levar cartões. Lembra muito algumas figuras que passaram pela Curuzú que declaravam amor e entrega ao time mas que nas horas mais cruciais ficavam de fora vendo a nau passar.
    Eu,como torcedor vacinado, não me deixo levar por caricaturas como estas, enganadores que adoram sangrar os cofres durante as suas estadias nos clubes e após, através do ministério do trabalho.

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  3. Tenho feito uma análise das ofertas de mercado, o valor dos jogadores e seus desempenhos em 2014, bem como, sua valorização ou desvalorização entre os concorrentes da série B de 2015, exceto a dupla Ba-Vi..
    De fato, inflacionaram bastante. O que me intriga é que, mesmo com a conquista do acesso, certos jogadores não deveriam ter seus salários tão inflacionados da forma como esta acontecendo.
    Os clubes que no afã de ter este ou aquele atleta, contribuem totalmente para isso pois acabam se rendendo em assinar os contratos fora da sua realidade e lastro financeiro sem garantia nenhuma de que a mercadoria possa render os frutos esperados. Podemos afirmar, sem medo de errar, que contratar é um investimento de altíssimo risco.
    Apesar de criticar muito a atual diretoria do Paysandú dado a parcimônia com que conduz suas contratações, começo a entender que não dá para ceder as pressões imediatas dos empresários que são verdadeiras aves de rapina fazendo um verdadeiro leilão dos sonhados bens de consumo dos torcedores e acabar comprometendo toda a estrutura financeira do time que projeta, de certa forma, uma arrecadação tímida de recursos diante da tão financeiramente especulada série B.
    Contudo, a espera é preocupante já que alguns concorrentes a escaparem do Z 4 ou a permanecerem no G 10, já saíram na frente nas contratações.
    Clubes bem sucedidos neste ano como o América-MG que só não subiu graças a incompetência da diretoria, praticamente manteve, alem do treinador, a sua espinha dorsal intacta para 2015.
    E, em se tratando do Paysandú, a demora em anunciar as contratações, inclusive do seu novo treinador, é aflitiva e se dará o resultado esperado só o tempo irá dizer, mas que preocupa, preocupa!

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  4. Quanto ao árbitro auxiliar eu nunca vi coisa tão desnecessária no mundo da bola. Era o dinheiro mais ganho sem menor esforço que já vi em toda a minha vida!
    Já vai tarde!

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  5. Que o Leandro Carvalho é talentoso não temos a menor dúvida, mas que tem que prepará-lo psicologicamente para lidar com o sucesso da carreira que terá, isso é inegável.
    Sou favorável que atos de indisciplina sejam coibidos dentro dos clubes, mas sem prejudicar o atleta pois quem mais sai perdendo diante disso tudo é a própria instituição.

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  6. Amigo Manoel, espero que você não se arrependa do que falou, lá pela metade da série B… Aliás, de quase 100% do torcedor a favor do Mazola, você foi praticamente o único a ser a favor da diretoria.. Interessante isso…. É o que sempre falo…Tem muita gente contra a vinda do Mazola… Por falta de competência, não é…. Com isso, o clube padece… Ninguém é insubstituível, como Giva, ao perder a copa Norte para o S.Raimundo-AM, também não era, mas as pessoas precisam entender que a continuidade do trabalho, era importante… Tourinho, viu isso… Maia, não… Infelizmente.

    É a minha opinião.

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  7. “Nada que a vigilância da comissão técnica e um bom acompanhamento psicológico não possa resolver.” Gerson foi direto ao ponto. O problema é que não há comissão e nem psicólogo. Mazola exigiu melhoria para a sua comissão e para a base e recebeu em troca um sonoro “não”. A diretoria já escolheu: o bicolor está na série C em 2016. Anotem.

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  8. Tem jogadores que dá prazer vê-los jogar pela técnica apurada ou pelo vigor físico ou ainda os dois, mas tem umas pomadas, que dá raiva e o Valdívia é um deles. Leandro Carvalho e Bruno Veiga tem estilos parecidos seria importante o Paysandu tê-los no elenco.
    O Mazzola tá se fazendo de doce, a diretoria está certa, ninguém é insubstituível.

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  9. Eu gostaria de virar a página no caso Mazola, mas que ele deu uma cara e personalidade a um time limitado e de valores de série D ou alguns até fora(sem) série, ele deu.
    Também concordo com o Cláudio que o correto era dar continuidade para o trabalho mas o Maia preferiu optar por um treinador mais barato e apostar no duvidoso, não que o Mazola seria cem por cento de certeza, mas, já esqueceram o que o Vica quase consegue rebaixar o Paysandú?

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  10. A série A de 2015 praticamente se resumiu a um torneio sul x sudeste do Brasil, tirando Goiás e o Sport…os demais são todos dos grandes e mais bem estruturados centros de futebol do Brasil.
    Acho que somente em um futuro bem distante, creio que 15 anos ou mais, teremos algum representante do Norte do Brasil na série A.

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  11. Cláudio fez um comentário cirúrgico, quando falou sobre a manutenção do trabalho técnico. Givanildo, em 2000, teve um ano semelhante ao ano de 2014 do Mazola no Papão, perdendo competições que eram favas contadss. Um ano depois, mantida a CT e a espinha dorsal do time, Givanildo conseguiu os maiores títulos da história do futebol do norte.

    Amigos, ontem no Bola na Torre alguns comentários que os comentaristas fizeram foram pertinentes. Um foirde Castilho, que depois de falar que o PSC fez o certo ao não acertar com Mazola, perguntou: qual técnico vai aceitar o valor que o PSC quer dá?

    Para mim, tal questionamento tem tesposta, um técnico de série C ou D ou que esteja em decadência ou que esteja começando a carreira (aventureiro).

    Vandick, ao que parece, entende não somente mais de futebol do que Maia, ele também entende de politicagem. Maia, diferentemente do Vandick, tem se mostrado intransigente até nas suas entrevistas… pode ser impressão minha, mas as entrevistas tem transmitido isso.

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  12. Por sinal, Sidney Moraes, nome que vem forte depois quebo Paissandu percebeu que Dal Pozo seria mais caro que Mazola, é o maos cotado. Treinador barato, fez um 2013 excelente com Icasa e não fez mais nada… É uma aposta de altíssimo risco.

    No ano de 2014, Sidney fracassou na Ponte Preta, demitido após ter uma vitória e duad derrotas, fracassou no Vila Nova, demitido após seis derrotas e foi razoável no Náutico (cinco vitórias, um empate e seis derrotas) sendo demitido após desentendimento com dirigentes.

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  13. Celira, a propósito do Mazola, dia desses eu fiz uma pergunta aqui, que desenvolvia um raciocínio semelhante àquele do Castilho. Vou repeti-la: quantos clubes destes aos quais o trabalho do Mazola seria acessível, teria condições financeiras de contratar referido treinador nas condições que ele estabeleceu ao rival listrado, e destes, qual o clube que aceitaria fazê-lo?

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  14. Edson, talvez seja pelo mesmo motivo que tais situações aparentemente contraditórias se verificam: a vinculação dos clubes e treinadores a empresários de jogadores.

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  15. Mesmo que se considere a contusão de Valdívia não tão grave quanto parecia durante o jogo, é inegável que ele é infinitamente melhor que todos os demais jogadores do Palmeiras, talvez o goleiro Fernando Prass chegue mais perto do brilho do chileno. A verdade é que não estava 100% fisicamente, no entanto, os passes dados a Cristaldo, Vitor Luís e Henrique com aquela orientação “faz o gol”, além da luta pela posse da bola, fazem dele mais solução do que problema.
    Quanto ao Papão, parece que o rumo da prosa aqui no blog continua em torno da sacralização de Mazola. Menos, reconheça-se seus méritos, mas lembremos que foi sob sua tonitruância que Leandro Carvalho surgiu como promessa e naufragou transformado em enfant terrible precocemente descartado; e foi sob seu experimentalismo destrambelhado que o Papão instalou, e ainda não se viu livre, uma duradoura crise de identidade pelo lado direito, ao descaracterizar o modo de atuar do lateral e do meiocampista que por lá caía. Hoje, ambos, lateral e meia, parecem procurar pirandellianamente um autor que lhes resgate a dignidade de seus respectivos papéis.

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  16. Eu estava alegre com os Rumores sobre Flávio Araújo do Papão, pois o passado recente dele é bom, na certa deve ter pedido um valor próximo do que Mazola pediu, o amigo Carlos Lira já deu o Gabarito, para 2015 Sidney Moraes é aposta de risco, em 2013 fez excelente trabalho no Icasa, como não brilhou em 2014 aceitou salário mais módico no Papão. Espero que seja vitorioso por aqui, Maia também vai ter peito para não deixar que ele traga seus “homens de confiança”? espero que se mostre firme na decisão de economia inteligente e na hora do aperto não ceda as gastança de socorro, melhor dizendo espeto que não nos suceda aperto nenhum.

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  17. Égua Jorge Paz!! Ainda bem que hoje é feriado e tive tempo de procurar no diionário o significado de “tonitruância”, “sacralização” e “pirandelianamente”……..o blog também é cultura…..valeu!!!

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  18. Verdade Jota. Futebol do Interior crava Sidney Moraes. Se vier a confirmar-se (penso que deve ser o técnico mais acessível em preço para o Papão, até por ser inexperiente e ter fracassado ano passado nos clubes que passou) o Paissandu, em condições normais, terá um ano difícil. Para mim, pela pouquíssima rodagem, Sidney é uma aposta de altíssimo risco comprada pela diretoria tucana (ops, do Paissandu).

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  19. Flavio Araujo, Sergio Soares e Dal Pozo seriam mais interessante… Mesmo Ivo Wortman, que hoje está auxiliar do Grêmio, seria interessante.

    Todavia, o rapaz (tem apenas 37 anos) merece apoio, bem como a diretoria, que pode está fazendo bobagem, mas tem boas intenções.

    Em fevereiro, quando vencerá meu Sócio-Torcedor, renovarei novamente o programa pagando de uma só vez toda a cota.

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  20. Mudando de assunto, vejam só: Dida; Leonardo Moura; Chicão; Índio; Zé Roberto; Paulo Bayer; Leandro Guerreiro; Alex; Marcelinho Paraíba; Lima e ‘Loco’ Abreu. Que tal aproveitar o recesso pra fazer uma festa de despedida coletiva? Quem lembrar de outros nomes que nos refresque a memória.

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  21. Silas, ex-jogador? Puts amigos, se o fato vier a concretizar-se podemos enrolar nossas bandeiras. É o mesmo que contratar Charles ou Lecheva e pedir que o mesmo prepare o time para o brasileiro. Me tirem o tubo!!!

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  22. Se eu fosse o Mazola, e quando a diretoria do Paysandú ligasse para ele voltar porque o time esta lutando para não cair, eu pediria o tríplo para estes mão de vaca!
    Essa do Silas, PQP, é o MICO do ano!

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