Por Antonio Fernando Ramos
Até 1979 ninguém falava em aniversário do município. Em algum lugar li a história de Baião. Conversei com meu pai e lhe disse que nosso município faria 200 anos. Fiquei empolgado.
Quantos me conhecem sabem que tenho uma veia festeira, abandonada ultimamente. Procurei o então prefeito Francisco Nogueira Ramos, no Posto Brilhante, ele viajaria para Baião na “Princesa de Nazaré”, conversamos e expus um pequeno projeto para não deixar a data passar em branco.
Neste tempo já fazia oposição política ao Chico. Naturalmente ele não topou a parada, alegando que o município não tinha recursos para tal. Disse-lhe então que faria alguma coisa. Pensava em fazer um “Show de Calouros” (que era uma grande diversão em Baião) e um torneio de futebol, para isso iria contar com a parceria do Bosco Tocantins, Jones Reis, Clarivaldo e Barrá (Edivaldo Nogueira), meus colegas na Escola Agrícola “Manoel Barata” em Castanhal. Contaria também com o apoio do Guido Brito, grande parceiro, com quem durante vários anos promovemos a Semana Estudantil (todas sem nenhum apoio do governo municipal).
Algum tempo depois o Francisco me procurou, não sei se para ofuscar a minha pretensão, já que isto me renderia dividendos políticos. Propôs-me a coordenação do evento. Fiquei alegre e comecei um longo trabalho de pesquisa que culminou com a revista “Baião 200 Anos”, onde tratava de aspectos históricos e econômicos do município. Devo registrar aqui a importante participação do meu padrinho Sandoval Coelho Ramos e do meu pai Maurício Ramos.
A festa tomou vulto, aproveitou-se para inaugurar o novo campo de pouso. A recepção foi na Escola “Abel Chaves”, tendo um banquete para as autoridades e um churrasco popular para a população onde funcionava uma área interna de lazer; várias professoras compuseram a música do aniversário, com auxílio do nosso saudoso maestro Dico Nogueira. Esta mesma música que hoje é tida como hino do município (“Lugar alto e aprazível”).
Parti de Belém, ocupando uma das vagas no avião que inauguraria a pista. Um “Buffalo” da FAB. Junto meu fiel amigo Jones Reis, o Bode. Assistimos algumas solenidades, com a presença do então governador Alacid Nunes, sem participar, em nenhum momento do palanque oficial. Não tinha convite. Dirige-me para a Escola “Abel Chaves” onde corria os “comes-e-bebes”, também no banquete não entrei, pois não tinha convite.
Voltei pra casa triste e amargurado, chorando. Mas valeu! Assim começaram as festas do aniversário de nossa cidade.

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