Irmão de matador de Chico Mendes apoia Marina

aleci_alves_2

Do G1

Pelas ruas do município acreano de Senador Guiomard, distante 32 quilômetros de Rio Branco (AC), um carro de som toca o jingle da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva. O motorista é o servidor público estadual Aleci Alves da Silva, 46 anos, um dos militantes da candidatura da ex-seringueira e ex-ministra do Meio Ambiente. Um detalhe, no entanto, chama a atenção. Silva é irmão de Darly Alves da Silva e tio de Darci Alves, os homens condenados pelo assassinato, em 1988, do líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes, amigo pessoal de Marina.

Filiado ao PSB há sete anos, Aleci Silva conta que era admirador do ex-governador de Pernambuco e candidato ao Palácio do Planalto Eduardo Campos, morto em um desastre aéreo em 13 de agosto. Mesmo lamentando a morte de Campos, o funcionário público diz estar satisfeito com o fato de Marina ter assumido a candidatura presidencial. “Eu tenho é orgulho da Marina ser candidata à Presidência da República”, diz.

Na visão de Silva, os conflitos entre fazendeiros e seringueiros ficaram no passado. Ele se diz disposto a abraçar a causa ambiental defendida por Marina Silva. “Acho que tudo passa na vida da gente, aquela fase [conflitos entre fazendeiros e seringueiros] passou e quem está aqui hoje sabe que a luta dela [Marina] é necessária”, ponderou.

Em entrevista ao G1, o irmão do assassino de Chico Mendes tentou descontruir a imagem de que faz parte de uma família de devastadores do meio ambiente. “Minha família foi sabatinada, mas as pessoas não foram a fundo no que é minha família. Minha família também defende a floresta. Meu irmão não é contra a Amazônia, minha família não é contra a Amazônia”, argumentou.

Apesar de seu irmão ter sido condenado pela Justiça, Aleci Silva afirma que Darly Alves é inocente da morte do líder seringueiro. Para ele, o familiar foi “injustiçado”. “Eu reconheço nele um lutador, trabalhador que foi injustiçado no Acre. Eu acredito, e ele diz que não mandou fazer nada com o Chico Mendes. Pegaram ele como bode expiatório”, enfatizou.

O servidor público contou ao G1 que antes de ingressar na militância da candidatura de Marina consultou o irmão sobre o apoio à ex-ministra. De acordo com Silva, Darly Alves deu aval para ele apoiar a presidenciável do PSB. “Ele me disse, vai fundo, me liberou. Acho que ele também vota na Marina”, especulou.

A Mazola o que é de Mazola

Por Gerson Nogueira

Como o técnico havia previsto, o Papão foi arrojado na busca da vitória em João Pessoa. Encurtou espaços, dificultou as ações do Botafogo-PB, defendeu-se bem e soube aproveitar a oportunidade para decidir o jogo. Taticamente, foi quase perfeito. O técnico, que voltou à equipe há pouco mais de um mês, teve suas formulações para o jogo inteiramente confirmadas em campo.

Com a ausência de Djalma e Charles, viu-se obrigado a escalar três zagueiros (Pablo, Lombardi e Reiniê) e três volantes (Augusto Recife, Capanema e Zé Antonio). Correu o risco de se fechar muito atrás e atrair a pressão adversária, como já se viu tantas vezes. Ocorre que ontem, em João Pessoa, os volantes do Papão funcionaram de verdade, com uma presença exuberante.

unnamed (1)Capanema deteve-se em marcar e desarmar. Augusto Recife fez isso e mais um pouco. Além de cuidar do bloqueio aos atacantes do Botafogo pelo lado direito da defesa, Recife saía sempre com a bola limpa, passando com correção e facilitando o trabalho de transição. Alguns dos passes que geraram contra-ataques perigosos do Papão nos minutos finais saíram de seus pés.

Esse desempenho do veterano volante já é bastante conhecido, desde o Parazão, mas ontem veio acompanhado de um esforço geral da equipe. O comprometimento de todos em torno do objetivo de alcançar três pontos fora de casa foi essencial para o sucesso da operação João Pessoa.

Antes do jogo, em entrevistas, Mazola disse que entraria com vários defensores, mas o time teria uma boa saída para o ataque. Apostava em Zé Antonio como o homem para executar a ligação. Duvidei. O desenvolvimento do jogo mostrou que o técnico errou na aposta em Zé Antonio, mas acertou em cheio na atuação ofensiva do time.

No primeiro tempo, o Botafogo foi mais agressivo, sempre cruzando bolas para a área e criando dificuldades para Paulo Rafael e o trio de beques. Em três jogadas, os paraibanos quase chegaram ao gol. Mas, no primeiro contra-ataque bem articulado por Pikachu, nasceu o gol. Em cruzamento da direita, aos 15 minutos, Bruno Veiga pegou de bicicleta e marcou um golaço.

Além da pressão sofrida no restante da primeira etapa, o Papão teve força e organização para garantir a vantagem ao longo de todo o segundo tempo. Perdeu o zagueiro Reiniê, por contusão, e Héverton, cansado, mas os substitutos (Lenine e Rafael Tavares) não comprometeram.

No final, ainda houve tempo de criar três belas chances, com Pikachu, Rafael e Bruno. Com um pouco mais de apuro, o placar talvez fosse mais folgado, embora menos justo porque o jogo foi muito equilibrado. Mérito de todos, mas a Mazola deve ser dado o mérito da estratégia bem sucedida.

————————————————————–

Malcriados, mimados e muito bem pagos

A mídia brasileira é extremamente complacente com os técnicos. Fato. A postura permissiva da crônica esportiva é uma das causas da crescente desatualização desses profissionais, hoje excluídos da elite do futebol mundial. O comportamento dos jornalistas (sobretudo na TV) é errático, elegendo alguns vilões e incensando queridinhos, a quem costuma tratar com carinho ilimitado.

Um caso clássico é o tratamento dispensado a Muricy Ramalho. Ríspido e de discurso quase incompreensível, o técnico do São Paulo desfruta de uma tolerância rara por parte de comentaristas e locutores. Seus ataques de fúria são descritos como meras “esquisitices do Muricy”, algo quase folclórico. Blindado, sente-se à vontade para reincidir e atacar repórteres incautos que ousem fazer qualquer pergunta menos agradável.

Resulta daí um tipo de reação medrosa por parte dos repórteres. Temerosos de um confronto com o técnico, que poderia dificultar seu trabalho junto ao clube, sufocam qualquer questionamento mais crítico e derretem-se em mesuras diante do ferrabrás. Não precisa dizer que tal atitude soa patética, com prejuízos à imagem dos jornalistas e do treinador.

Há tempos que Muricy distribui coices verbais e intimida seus interlocutores. Põe banca como se fosse a reencarnação de Zezé Moreira ou Telê Santana, de quem foi assistente no próprio São Paulo. Óbvio que muda da água pro vinho em dias de vitória. Nesses momentos felizes, exibe a carranca mais risonha possível, esboçando até piadinhas sem graça.

Com Mano Menezes, outro que vive eternamente de mau humor, a relação da imprensa é mais conturbada. Como Muricy, o gaúcho não tem muita paciência para perguntas antipáticas. Sempre que seu esquema 300 zagueiros de Sparta é questionado parte com ferocidade pra cima dos críticos. Isso tem rendido embates ao vivo, durante os quais Mano podia até reivindicar a mesma boa vontade com que seu colega tricolor é tratado.

No outro extremo do ringue, Vanderlei Luxemburgo é quase execrado. Sempre observado com desconfiança e ironia. Imitam seus trejeitos vocais e a insistência com os “pojetos”, ao mesmo tempo em que minimizam seus méritos. O extremo azedume às vezes nega as conquistas que Luxa acumulou ao longo da carreira.

O certo é que, enquanto aqueles que têm a responsabilidade de analisar o trabalho dos treinadores oscilam entre a submissão às patacoadas de uns e a pura ojeriza a outros, o futebol no Brasil chafurda na mediocridade. Os técnicos continuam superestimados e muito bem pagos. E o nível dos times despenca a cada temporada.

————————————————————–

A arte de complicar as coisas simples

Incrível como até ao tentar explicar uma simples punição a um jogador a nova comissão técnica da Seleção Brasileira se mete em trapalhadas. Ao fazer mistério na divulgação da dispensa do lateral Maicon, o supervisor Gilmar Rinaldi acabou criando um monstro.

Alimentou especulações de todo tipo sobre os motivos do afastamento. Com isso, criou constrangimentos desnecessários para o atleta e fabricou irresponsavelmente uma crise na Seleção, que joga hoje contra o Equador. Bastava dizer que o jogador foi punido por atraso na reapresentação.

Não há como disfarçar. Profissionalismo e seriedade são itens há muito tempo em falta na CBF.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 09)

Caso Maicon: volante promete ir à Justiça

L06181365E7C3419A9B6A99257BF5BFB2

Em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo, o jogador Elias disse que irá à Justiça contra os boatos surgidos desde domingo em torno da dispensa do lateral Maicon da Seleção Brasileira. O volante corintiano disse que conversou com a família depois que soube da repercussão da boataria, ligando-o a Maicon em ato de indisciplina. A CBF confirmou que o lateral foi dispensado porque se reapresentou na concentração com 11 horas de atraso.

Elias mostrou-se indignado com as insinuações sobre suposto caso homossexual, embora ressalvando que não é homofóbico. “É ruim as pessoas acreditarem nessa bobagem”, disse o jogador. “Muitas pessoas falaram besteira e terão que pagar até o final”, revelando que ele e o pai irão procurar advogados para tomar as providências cabíveis contra detratores. Apesar do problema, Elias treinou normalmente (na foto, ao lado de Ricardo Goulart) e deve ser escalado por Dunga no amistoso contra o Equador, nesta terça.

Delação premiada dá sobrevida a Aécio

Por Ricardo Kotscho

Conseguiram. A quatro semanas da eleição, quando tudo parecia caminhar para uma disputa acirrada entre Dilma e Marina no segundo turno, com Aécio fora do jogo, sendo abandonado até pelos aliados, um fato novo provocou outra reviravolta no cenário. Com isso, a candidatura tucana sai da UTI e vai à luta novamente.

Desde sexta-feira, quando saíram as primeiras revelações nos portais, não se fala de outra coisa no país: quais serão as consequências na campanha presidencial da delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que está preso em Curitiba, no Paraná?

Os três candidatos reagiram de formas bem diferentes à nova configuração do quadro, que desde já coloca as denúncias de corrupção na Petrobras no centro do debate nesta reta final de campanha.

Embora até aqui não tenham sido apresentadas provas de nada contra o ministro Edison Lobão, os ex-governadores Sergio Cabral e Eduardo Campos, a atual governadora Roseana Sarney, e os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, além de uma penca de parlamentares da base aliada do governo Dilma, só a volta do tema da Petrobras às manchetes já causam mudanças nas campanhas dos presidenciáveis.

Num primeiro momento, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, sabendo que vai ser o principal alvo dos ataques, fechou seu time na defesa e só disse que está esperando “dados oficiais” para tomar “todas as providências cabíveis, mas não posso fazer isso com base apenas em especulações”. Surpreendida mais uma vez, a presidente pediu informações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e convocou uma reunião de emergência ainda na noite de sexta-feira.

Marina Silva preferiu ficar no meio de campo trocando passes: com o nome de Eduardo Campos também na lista dos beneficiários, a candidata do PSB espera o melhor momento de atacar sua principal adversária, sem saber ainda quais novas revelações serão feitas nos próximos dias. “Não queremos ver o Eduardo morrer duas vezes”, limitou-se a dizer. Aliados de Marina alegam que o envolvimento de Eduardo no caso não tem fundamento.

unnamed

Já Aécio Neves, que não tinha mais nada a perder, quase 20 pontos atrás de suas duas adversárias, parecia outra pessoa no sábado. Revigorado pela delação premiada, aguardada ansiosamente, junto com os colunistas amigos, que há dias soltavam notinhas ameaçadoras, o ex-governador mineiro foi logo ao ataque sem pensar duas vezes. “O Brasil acordou perplexo com as mais graves denúncias de corrupção da nossa história recente. Está aí o mensalão 2”, foi logo comemorando. Sem bandeiras e sem rumo, sem mais ter o que falar ou propor, Aécio agora ganhou de bandeja pelo menos um discurso.

O curioso é que, até agora, como costuma acontecer nestes casos, só foram publicados nomes de possíveis corrompidos denunciados pelo ex-diretor, mas nenhum de empresas, as prováveis corruptoras e seus dirigentes, já que não há quem se venda se não houver alguém que compre. Como o processo corre em segredo de Justiça e as gravações de áudio e vídeo dos interrogatórios feitos com Paulo Roberto Costa estão guardadas num cofre forte, para saber o que realmente existe e quem tem culpa no cartório, vamos ter que esperar pela análise do ministro Teori Zavascki, do STF, que poderá ou não aceitar a delação premiada.

Aconteça o que acontecer, é disso que vamos ficar falando até o dia 5 de outubro, deixando em segundo plano os projetos de governo e as discussões sobre o futuro do país. Pobre país.

Vida que segue.

Torcendo em paz e com alegria

10656588_587015264742874_1813456768_n

O amigo Miguel Carvalho, um dos baluartes do blog, compareceu ao jogo no estádio Almeidão nesta segunda-feira à noite, em J0ão Pessoa, e fez questão de posar ao lado de torcedores paraenses e paraibanos, confraternizando após a vitória do Papão. A foto acima expressa bem a alegria e o companheirismo, exemplos de como se deve torcer civilizadamente. Parabéns.