Antes um Aécio na mão que duas Marinas voando

Por Luis Nassif

A aposta em Marina Silva é de alto risco por várias razões. Dilma Rousseff e Aécio Neves representam forças claras e explícitas e são personalidades racionais. Dilma defende um neo-desenvolvimentismo com uma atuação proativa do Estado e Aécio a volta ao neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso.

Em 2011, o pânico em relação à inflação tirou Dilma do prumo. Mas ela tem ideias claras sobre o país e sobre o que quer: política industrial, investimentos em infraestrutura, aprofundamento do social.

Podem ser apontados inúmeros vícios de gestão, mas também tem feitos consagradores, como a própria política do pré-sal, a construção da indústria naval, o Pronatec, Brasil Sem Miséria e um conjunto de obras – especialmente na área de energia.

Mesmo sua teimosia mais arraigada não chega perto do risco da desestabilização – apesar do terrorismo praticado por parte do mercado.

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Com Aécio, a economia será submetida novamente a uma política de arrocho fiscal. Haverá refluxo na atuação do BNDES, fim das políticas de incentivo fiscal, redução da ênfase nas políticas sociais, interrupção no processo de reaparelhamento técnico do Estado. Se venderá novamente o peixe da “lição de casa” e do pote de ouro no fim do arco-íris.

Assim como FHC, Aécio estará ausente do dia a dia. Mas certamente se cercará de um Ministério de primeira grandeza e há uma lógica econômica por trás de suas propostas.

Até onde pretenderá chegar com o desmonte do Estado social, é uma incógnita. Mas age com racionalidade.

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1932369_10201440684259135_2219003018320035637_nJá Marina é uma incógnita completa.

Primeiro, pelos grupos que a cercam e que querem um pedaço desse latifúndio. E ela não tem um grupo para chamar de seu, a não ser para o tema restrito do meio ambiente.

Haverá uma disputa dura para saber quem a levará pela mão: economistas de mercado, os grandes empresários paulistas, ambientalistas radicais, os egressos do PSB e – se Marina se consolidar – os trânsfugas do PSDB paulista.

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O segundo dado é o mais confuso: a personalidade de Marina que nunca foi de admitir ser conduzida por ninguém.

Os que conviveram com Marina no governo reforçam algumas características:

Dificuldade em entender economias industriais.

Baixo pique operacional. Praticamente não conseguiu colocar de pé nenhuma de suas propostas à frente do Ministério do Meio Ambiente.

Jogo de cintura nenhum.

Tudo isso seria contornável, não fosse um aspecto de sua personalidade: teimosia e voluntarismo exacerbados. No governo Lula era quase impossível a outros Ministros definir pactos com Marina. Nas vezes em que era derrotada, costumava se auto-vitimizar.

Os empresários paulistas que apoiaram sua candidatura estavam atrás do símbolo político, o Lula de saias, o Avatar dos novos tempos. Vice de Eduardo Campos seria o melhor dos mundos, pois o presidente asseguraria a racionalidade do governo.

Colocaram como seus porta-vozes economistas, importaram o brasilianista André Lara Rezende, que encontrou a melhor síntese para casar o livre mercadismo com as propostas ambientalistas de Marina: o país não pode crescer para não comprometer o equilíbrio do meio ambiente mundial. Quem chegou, chegou, quem não chegou não chega mais.

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Experiências recentes do país indicam que o componente pessoal, a psicologia individual é um ponto relevante na análise de figuras públicas.

Resta saber se o país está disposto a pagar para ver.

Para os mercadistas: aguardem um mês de campanha antes de iniciar a cristianização de Aécio, para poder entender melhor a personalidade de Marina.

É preferível um Aécio na mão que duas Marinas voando.

25 comentários em “Antes um Aécio na mão que duas Marinas voando

  1. É, para a DR e seus correligionários, com certeza, ficou bem melhor enfrentar o Aécio.

    Mas, repito, eles não devem e nem precisam ir ao desespero, pois ainda há as “bolsas”, as quais podem muito bem virar o resultado desta pesquisa.

  2. Cansei do PT no poder, caros. Assim como cansei do PSDB e do PT no poder do Estado do PA. Torço, agora, para Marina e Hélder ganharem.

  3. Aécio já era, nesta disputa, sem ter sido…rs O desespero tomou conta dele, ao anunciar, em pleno debate, o Armínio Fraga para o BC. Vou te contar…

  4. A icógnita é a certeza da mudança, pode ser para melhor ou pode ser para pior, já o pragmatismo (voto em Aécio e na mandatária atual) é a certeza de mais do mesmo. Eu, particularmente, prefiro correr risco, pois viver já é um risco, minha vida, minha luta por querer galgar espaços melhores é um risco. Melhor errar tentando, do que errar no pragmatismo. Só cresce que erra!

  5. Esses ataques diários e sem fundamento estão me ajudando muito a confirmar o meu voto na Marina. Se isso aí é o que se tem de “pior” pra falar dela, fico mais tranqüilo.

  6. Heleno, Helder?, voltaremos aos anos “gloriosos” da família Barbalho! Eita Pará pai d’égua! Acho que só quem está ligado a estes e que precisam manter seus empregos é que terão o compromisso de apoiá-los, pois compreendo que nesta situação, é a luta pela sobrevivência, mas não vejo Helder como a solução, assim como enxergo o Jatene como a certeza do marasmo e estagnação do estado!
    Infelizmente não é só no Pará que não existem bons candidatos, o pior, ninguém sabe na verdade quem o será, mas é evidente que aqueles que já tiveram suas chances, já passaram pelo poder e nada acrescentaram ao nosso estado e o pior o Pará sumiu!, não deveriam ter nova chance nos pleitos atuais.
    O povo é quem decide e infelizmente a maioria vive de paixões cegas herdadas dos tempos dos grandes currais eleitorais, como consequência não teremos melhoras nem no estado nem no país nos próximos anos.
    Quanto ao PT e seus “petralhas” tenho minhas restrições pois atitudes que deveriam ser tomadas pela cúpula do partido como a expulsão dos condenados do mensalão, não aconteceu e nem acontecerão, atestando que estão em acordo como os erros cometidos pelos reclusos em prisão.
    Já o PSDB, não preciso falar que fui vítima do sistema de arrocho salarial da era FHC e das manobras de entrega do país ao capital estrangeiro e de grupos ligados ao partido. PSDB, NUNCA MAIS!
    Marina é a incógnita personalizada, é verdade que o medo de mudanças (pois poderá ser para pior, quem sabe?), faz com que criemos o pânico desenfreado e as semeaduras do caos correm livres pelos mais diversos tipos de meio de comunicação, mas creio que num segundo turno, mesmo entre a Dilma x Marina, a primeira leva a vantagem por causa de todos os artifícios que já conhecemos.
    Também, sou favorável a mudanças, “chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia!”, já dizia o poeta!
    Mudanças são necessárias, mas quem seria o arauto dos novos rumos?

  7. Ultima pesquisa Ibope: Dilma 34%, Marina 29%, Aécio 19%.
    Segundo turno: Marina 45%, Dilma 36%.
    PT e PSDB com os dias contados.

    E ainda acredito que a Marina chega em 1ª ainda no 1ª turno.

  8. Nassif… Interessante. Mais uma vez comprovo que escrever corretamente, não tem nada haver com coerência. Triste o povo que crê, nisso como referencia intelectual…

  9. Nassif dizendo que Aécio é melhor que alguém soa estranho.

    ainda bem que ele não engana mais ninguém.

    Penso como o Sr. Carlos Lira: se votar no PT ou no PSDB vamos continuar tendo a mesma saude, escola,segurança, politicagem e corrupção de sempre.

    Marina representa essa oportunidade de mudança.
    se vai ser eu não sei mas pelo menos com ela pode ser.

    há 12 anos sem votar em ninguém (meu ultimo voto foi pro lula) acho que finalmente vou dar meu voto de confiança a um político novamente.

  10. Uma rápida análise do debate de ontem.
    Ficou claro que as melhores candidatas são mulheres. Dilma representa a continuidade de uma política que avançou muito, mas precisa ser mais ousada pra fazer as reformas política, educacional(valorização do pessoal e estrutural), saúde etc. Marina está desligada dos vícios estruturais das influências mais podres da política(Sarney, Collor etc.), porém sua ligação com certos grupos empresariais e de um PSB confuso após a morte de E. Campos, despertam desconfianças. Luciana Genro representa uma forma mais inovadora e ousada para mudanças, mostrou ter coragem de romper com as estruturas corruptas do capitalismo neoliberal. Seu risco está mais na possibilidade das oligarquias dominantes obstruírem seu governo de forma anti-democrática. Já os homens, esqueçam.

  11. Enquanto a Dilma levou nó tático do Bonner, hoje a Marina deu a forra, botou o Bonner no bolso como uma poeta.
    Marina é do Norte, o norte do Brasil é Marina!

    1. Há controvérsias, Fernando. Com a Dilma, a tática foi da interrupção constante e ela impôs sua vontade, completando as respostas que começava. Hoje, a pauta foi mais amena, se é que me entende.

  12. Mas Gerson, não podemos negar que a Marina se saiu muito bem das respostas espinhosas. Ela concatena muito bem as idéias, coisa que a Dilma não faz, se é que me entende. Rs

    1. Acho que ela enrola muito, tem um raciocínio confuso e repetitivo, mas desfruta do clima geral de aceitação a que todos os estreantes têm direito. Mas não se engane, logo esses pontos fracos irão ser enfatizados.

  13. Marina não vai ao segundo turno, vai começar a cair e Dilma pode ainda levar, ou chegar perto, no primeiro turno. Em qualquer cenário voto nulo.

  14. Estreante Gerson? ela já está na segunda eleição presidencial. Sabendo-se da sua potencialidade, tentaram garfar-lhe no nascedouro, quando impediram a criação do Rede, mas ela deu uma jogada de mestre e, com o querer do destino, aí está a amedontrar àqueles que já contavam com a parada ganha antes do jogo ao menos iniciar-se.

    1. Refiro-me ao fato de Marina ter entrado em substituição ao E. Campos com o processo já em andamento. Quanto ao que você chama de garfada, o projeto de legalização da Rede foi derrubado em todas as instâncias da Justiça Eleitoral por erros de origem (assinaturas falsas ou em duplicidade). Procure nos arquivos do Google o noticiário a respeito.

  15. Rapazes, em que país vcs vivem?

    Hoje a plataforma politica brasileira exige do presidente, se este quiser governar com mais tranquilidade, uma união de forças, passada uma eleição, partidos de oposição durante a eleição, são chamados pro acordo.

    Se o PSDB ganhasse, não vai ganhar, teria que fazer o mesmo.

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