Por Gerson Nogueira
O preconceito que se dissemina pelo mundo sob faces e formas variadas atinge em cheio agora a vizinha Manaus, por intermédio de um tabloide inglês sem papas na língua e nenhuma responsabilidade com o jornalismo sério e a verdade dos fatos. A virulência britânica veio à tona depois que a Inglaterra foi sorteada para fazer um de seus jogos na primeira fase da Copa do Mundo de 2014, justamente o clássico com a Itália, na capital baré.
Para uma cidade que nos últimos anos, em nome da paranoia anti-terror, tem atropelado os mais básicos direitos humanos, soa esdrúxula a manifestação do Daily Mirror em sua edição de ontem.
A afirmação de que Manaus é uma cidade “brutal”, embora calçada em estatísticas (não muito distantes infelizmente dos números da nossa Belém), é de uma incoerência figadal, visto que a brutalidade também é prática na terra da Rainha. A começar pelas arruaças dos hooligans, selvagens nascidos nos centenários estádios de Londres.
Cabe lembrar também o assassinato do brasileiro Jean Charles no metrô londrino, alvejado na rua sem a mínima chance de defesa, e que posteriormente foi justificado sob o manto da segurança coletiva. Um exemplo trágico da maneira como a polícia inglesa costuma tratar imigrantes e pessoas que fisicamente pareçam suspeitas.
A morte de Jean Charles, cujos executores jamais foram responsabilizados judicialmente pelo crime, é uma triste página da escalada de intolerância e violência por parte do Estado britânico. Não há nenhuma ocorrência – nem de longe – parecida em solo brasileiro contra cidadãos ingleses. Manaus, pelo que se sabe, jamais foi tão hostil e homicida contra visitantes estrangeiros.
Quando a mídia londrina volta seus canhões contra Manaus confirma apenas uma velha realidade: a prática corriqueira do jornalismo meia-sola que o Mirror pratica há décadas, destilando racismo e má vontade em relação a qualquer povo que não seja do Velho Continente.
A lamentar que a saraivada de críticas à cidade – pontuadas por detalhes exagerados, como o suposto risco de ataques de aranhas e cobras nos hotéis – acentue esse ranço colonialista que tanto mal semeou pelo mundo desde a época dos descobrimentos.
Diante do malfeito, espera-se que o povo amazonense, que costuma discriminar pessoas oriundas do Pará, tenha elegância suficiente para driblar com bom humor a grosseria dos britânicos. Nada melhor que agir com grandeza diante de gestos de baixeza humana.
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Diretoria blinda Camisa 33
O Remo já contratou o dono da Camisa 33, mas somente o presidente Zeca Pirão e seu vice Maurício Bororó sabem o nome do misterioso jogador. Segredo tão bem guardado gerou, no fim de semana, um intenso movimento na bolsa de apostas.
Até ex-jogadores ganharam espaço. Túlio Maravilha foi defendido pelo técnico Charles Guerreiro. Rivaldo, citado por um conselheiro do clube, também entrou na boataria. Em meio a isso, os nomes de Herrera e Bruno Rangel voltaram à tona, com insistência.
Apesar da curiosidade geral, o anúncio do Camisa 33 deve ficar mesmo para a tarde de domingo por ocasião do desembarque da atração no gramado do Mangueirão, minutos antes do amistoso com o Londrina.
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Fim de uma era no Botafogo
Oswaldo de Oliveira, que reinou absoluto no Alvinegro por dois anos, parte sem deixar saudades. Ganhou um título carioca, mas foi responsável direto pelos maus passos do time nos campeonatos brasileiros de 2012 e 2013. Nos dois torneios, as campanhas foram duramente prejudicadas por desmanches avalizados por Oswaldo. Habilmente, o treinador procurou deixar no ar que a responsabilidade era exclusiva da diretoria. Quem acompanha a vida do clube sabe que a história não foi bem assim.
No ano passado, quando o Botafogo ensaiava uma arrancada e brigava pela liderança, ficou sem os quatro homens de ataque: Herrera, Loco Abreu, Elkson e Maicosuel. Nenhum deles foi substituído à altura, mas Oswaldo aproveitou para efetivar seu pupilo Rafael Marques, que marcou um gol na temporada. No campeonato deste ano, quando o time era vice-líder, novamente sob as bênçãos de Oswaldo, a diretoria despachou Felipe Gabriel, Andrezinho, Vitinho, Jadson e Antonio Carlos.
Oswaldo deve assumir o comando do Santos, levando para a Vila Belmiro como reforços alguns personagens que provocaram pesadelos na torcida botafoguense – Marques, Lucas Zen e André Baía e outros menos votados.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 10)
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