Livros que todo jornalista deveria ler

Por Xico Sá

bene_bene_png.pngEste sujeitinho ai é o Benevides Paixão, lembra? Bravo jornalista criado pelo Angeli. Sentia-se como um Paulo Francis, mas nunca passou de uma correspondência no Paraguay e da seção de turfe. Para ele, new-journalism e outras novidades eram frescuras. Esqueça Bené, meu jovem, não é um bom exemplo, e vamos a algo mais edificante. Neste momento de cidadãos instigados com o incrível debate sobre crise da mídia tradicional, golpes ninjas e rumos do jornalismo etc, uma edição revista e ampliada de livros para guaribar as narrativas –sejam velhas ou novas, esta não é a questão.

Mate-me por favor – Legs McNeil e Gillian McCain (ed.L&PM)- Encabeça a lista por ter sido o perigoso volume apreendido pela polícia do governador Cabral nas recentes manifestações do Rio. Episódio lembrou as grandes trapalhadas da Ditadura. O livraço narra a revolução do movimento punk-rock.

Ilusões Perdidas -Balzac (várias editoras)- Lucien, rapaz sem dinheiro no bolso e vindo do interior da França, descobre, em Paris, os podres da redação e dos jornalistas. Estávamos em 1820 e a imprensa já mergulhada em crise moral e ética bem longe das nossas fuças.

“TAZ”– HaKim Bey (coleção Baderna, ed.Conrad)- Aqui você reflete com um autor-crânio sobre ativismo radical e o conceito da Zona Autônoma Temporária. Fala Bey: “A ideia de combater o Poder criando espaços (virtuais ou não) de liberdade que surjam e desapareçam o tempo todo”. De bônus, você viaja na filosofia sufi, situacionistas, Nietzsche, dadaísmo e nas táticas dos quilombos d´América.

A alma encantadora das ruas – de João do Rio (disponível por diversas editoras)– O dândi carioca sabia tudo sobre a arte de flanar pela cidade e tirar dela, ainda em 1908, belas histórias.

Um Bom Par De Sapatos E Um Caderno De Anotaçoes – Como Fazer Uma Reportagem -de  Anton Tchekhov (editora Martins Fontes).Toda a riqueza de observação e detalhes que usava nos seus contos e peças, a favor do jornalismo-literário em uma reportagem de viagem.

Balas de Estalo – reunião das crônicas políticas e de costumes de Machado de Assis –publicado por várias editoras.

Dez dias que abalaram o mundo – John Reed (várias editoras)–De uma forma eletrizante, punk-rock mesmo, o autor narra os acontecimentos da revolução russa de 1917.

Paris é uma festa – E. Hemingway (ed.Bertrand Brasil) –As pereguinaçoes boêmias de um dos maiores narradores americanos e a sua convivência com grandes artistas franceses. Para aprender a escrever e observar o mundinho artístico.

Na pior em Paris e Londres – George Orwell (Companhia das Letras, coleção Jornalismo Literário) –A experiência de miserável do autor de “1984”.Aula de escrita e humanismo pelos subterrâneos das cidades.

O Segredo de Joe Gould,de Joseph Mitchell (Companhia das Letras). Aula genial de como fazer um perfil de um puta personagem praticamente anônimo de NY, um desses vagabundos que vemos por e mal sabemos da sua genialidade.

Malagueta, perus e bacanaço (ed.Cosac & Nayfi-João Antônio- O universo marginal dos salões de sinuca, rodas de sambas e madrugadas nos bares. Narrativa coloquial e maldita. Repórter da revista “Realidade”, J.A. inventou o “conto-reportagem”.

Dicas úteis para uma vida fútil -um manual para a maldita raça humana – Mark Twain (ed.Relume Dumará). Um grande almanaque com dicas de etiqueta, moda, comportamento, costumes. Tudo da forma mais mordaz possível. Pra rir e aprender.

O perigo da hora – o século XX nas páginas do The Nation (ed.Scritta). Textos de gênios do jornalismo e da literatura como Kurt Vonnnegut, H.L. Mencken, Gore Vidal, John dos Passos entre outros bambas.

O livro dos insultos – H.L.Menken (Cia das Letras) –Influência importante para muita gente no Brasil, como Ruy Castro e Paulo Francis, por exemplo. Com Menken você aprende a ser crítico, ácido e ter uma pena maldita.

Medo e delírio em Las Vegas– Hunther Thompson (ed.Conrad) – A lista não poderia faltar pelo menos uma obra-prima do rei do jornalismo gonzo, a forma mais maluca e ousada de contar histórias. Foi adaptado para o cinema em 1998, pelo diretor Terry Gilliam.

Os cães ladram –Pessoas públicas e Lugares privados –Truman Capote (edição recente da L&PM)- Ok, você prefere a novela de não-ficção“A Sangue Frio”, também deste monstro da narrativa. Ótimo. Fico com este por causa da declaração do próprio Capotinho sobre esta coleção de textos: “Tudo o que consta aqui é factual, o que não significa que seja a verdade”.

Outros já exaltados pelo blog: Palestina (Joe Seco), As mil e uma noites da avenida Paulista (Joel Silveira), Ébano e Guerra do Futebol (ambos de Ryszard Kapuscinski), A Mulher do Próximo (Gay Talese), O teste do ácido do refresco elétrico (Tom Wolf)…

Desculpem pela baciada, mas me compadeço da crise de narrativas (rs). Como toda lista, haja injustiça. Ih, o cara esqueceu até o Nelson Rodrigues! Cadê os dossiês do Geneton Moraes Neto? Ajude o pobre blogueiro a chegar aos 100 livros fundamentais para um jovem jornalista. É só deixar a colaboração nos comentários.

Um comentário em “Livros que todo jornalista deveria ler

  1. Não diria apenas os jornalistas, mais qualquer pessoa que deseja ir alem de seu universo mundano.

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