Quando a violência afugenta a arte

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“Agora eu estou investindo muito nas imagens do (arquipélago do) Marajó, porque em Belém, infelizmente, eu perdi a segurança de trabalhar. Eu entrava na periferia, só eu, sem ninguém, nunca tive assistente, muito raramente, uma vez ou outra, ia sempre sozinho e nunca ninguém me molestou. Eu tinha uma fluência fantástica. Hoje em dia você não consegue nem saltar do carro mais, e isso acabou dando uma guinada no meu trabalho. Eu fui pro interior, porque senti a violência da cidade me acuando”.

Por Luiz Braga, fotógrafo paraense, desiludido com o clima de insegurança que assola Belém. (Acima, foto de Luiz Braga)

Remo confirma participação na Copa Norte Sub-20

Acórdão sobre o Julgamento da 4º Comissão Disciplinar do STJD, confirmando que o Remo está suspenso da Série D 2013, foi divulgado pela Diretoria do clube para confirmar a participação na Copa Norte Sub-20. A Comissão puniu o Remo com multa de R$ 20 mil e exclusão da Série D, com base no artigo 231 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva). A punição decorreu da liminar obtida por torcedores na Justiça Comum, exigindo a inclusão do Remo na competição. A ação judicial foi retirada pelos torcedores e o Remo vai recorrer ao STJD para tentar reverter a condenação e a multa no Pleno do tribunal em julgamento ainda não marcado. O time estreia na Copa Norte Sub-20 no próximo sábado, às 16h15, no estádio Evandro Almeida. Além de esclarecer quanto à participação no torneio sub-20, a diretoria tenta garantir participação na Copa Verde, torneio proposto pela Federação Amazonense de Futebol, que deve acontecer entre outubro e dezembro deste ano, com 16 clubes participantes (2 por Estado).

O adeus definitivo?

Por Gerson Nogueira

Foram 14 jogos (oito derrotas, cinco empates e uma vitória) em duas passagens curtas pelo Paissandu. Este é o saldo de Givanildo Oliveira, que foi demitido ontem pela diretoria do clube. A gota d’água desta vez foi a derrota frente ao ABC na noite de sábado, em Natal. Além do placar, contribuiu para a queda do veterano treinador a situação em que o clube permanece na tabela de classificação – 17º lugar.

No giro que o Paissandu fez fora de Belém, disputando três jogos (pela Série B e Copa do Brasil), três derrotas, com seis gols sofridos e apenas um marcado. Os números de Givanildo são, de fato, indefensáveis. Até mesmo para ferrenhos fãs de seu trabalho, como o presidente Vandick Lima, que foi dirigido por ele no Papão já no final da carreira.

Bol_seg_290713_23.psAs duas desastrosas performances no clube em menos de um ano provocaram críticas do torcedor, mas é importante observar que Givanildo ainda é o técnico mais vitorioso da história do clube, respondendo pelo período glorioso de 2001 a 2003, quando o Paissandu conquistou o Brasileiro da Série B, a Copa Norte e a Copa dos Campeões, assegurando a inédita vaga na Taça Libertadores.

Ocorre que o futebol vive do presente e não perdoa insucessos. Givanildo, além dessas duas passagens recentes, já teve outros trabalhos contestados no clube – e no rival. Adquiriu nos últimos tempos a reputação de técnico ultrapassado e conservador, adepto de retrancas e métodos arcaicos.

As restrições podem ser justificadas, mas Givanildo também sofreu desta vez as consequências de pegar um grupo já formado. Assumiu com um elenco pronto, sem muita margem para propor trocas. Não teve apoio nem para executar as dispensas que estavam previstas antes da interrupção para a disputa da Copa das Confederações.

Só indicou um jogador – o meia Tallys – e sofreu na pele os problemas que já haviam custado o emprego de Lecheva, seu antecessor. A zaga não inspira confiança, nem mesmo quando entraram em cena os reforços Fábio Sanches e Jean. As duas laterais continuam inoperantes, sem força para abastecer as ações ofensivas. Na cabeça-de-área, apenas uma peça indiscutível, o nativo Ricardo Capanema. E o setor de criação depende exclusivamente da inspiração de Eduardo Ramos.

Com um grupo de atletas que não conhecia e não escolheu, Givanildo não conseguiu montar um time. Seu melhor momento foi contra o Guaratinguetá, quando obteve a única vitória, mesmo com atuação patética dos zagueiros. Depois disso, perdeu-se em tentativas de estabelecer um padrão e acabou apelando ao 3-5-2, que nunca foi seu esquema tático preferido.

A equipe até se apresentou bem no segundo tempo contra o Atlético-PR, mas sucumbiu diante do lanterna ABC. A dúvida é: Givanildo ainda terá oportunidades no futebol paraense, depois de tantos insucessos nos últimos quatro anos?

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Não basta um novo técnico

Que o novo técnico convença a diretoria em investir nas posições carentes, garantindo ajustes para corrigir os erros de planejamento que começaram com a demissão do técnico Lecheva depois de apenas três rodadas. Se era para descartar tão cedo, o técnico campeão estadual nem deveria ter sido escolhido para a Série B. Esse erro comprometeu a montagem do elenco e continua a ter consequências até hoje.

Ainda há tempo de corrigir a rota antes que a situação se torne irreversível, mas a diretoria não pode mais cometer erros na escolha. Dentre as especulações sobre o novo nome para assumir o Papão até o técnico Cacaio, do Paragominas, teria sido sondado. Penso que a diretoria deve analisar com cuidado as alternativas. Não pode optar por um treinador-tampão, não há tempo para experiências.

Apesar de bom trabalho no Cametá, na Tuna e no próprio PFC, Cacaio não reúne a experiência necessária para uma disputa de Série B. Além disso, na condição de técnico regional, ficaria muito vulnerável à pressão de torcedores e dirigentes.

Uma coisa salta aos olhos: além do substituto de Givanildo, o clube terá que reforçar o elenco, dispensando jogadores que não terão utilidade na competição. São óbvias as carências de um zagueiro, um lateral-esquerdo, um lateral-direito, um volante e um meia-armador. Sem essas peças, dificilmente o Paissandu terá um time competitivo.

À diretoria cabe agora apressar as dispensas. O elenco, segundo avaliação feita por Givanildo, está inchado. Novas contratações precisarão ser feitas e o clube não pode arcar com despesas desnecessárias.

O próximo compromisso, contra o Figueirense, um dos melhores times da Série B, será um jogo de alto risco, pois o resultado pode fazer o Papão cair ainda mais na classificação. Nessas circunstâncias, todo cuidado é pouco.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 29)

Fascismo em nome de Deus

Por Drauzio Varella

Há manhãs em que fico revoltado ao ler os jornais. Aconteceu segunda-feira passada quando vi a manchete de “O Globo”: “Pressão religiosa”, com o subtítulo: “À espera do papa, Dilma enfrenta lobby para vetar o projeto para vítimas de estupro que Igreja associa a aborto”. Esse projeto de lei, que tramita desde 1999, acaba de ser aprovado em plenário pela Câmara e pelo Senado e encaminhado à Presidência da República, que tem até 1º de agosto para sancioná-lo. Se não houver veto, todos os hospitais públicos serão obrigados a atender em caráter emergencial e multidisciplinar as vítimas de violência sexual.

Na verdade, o direito à assistência em casos de estupro está previsto na Constituição. O SUS dispõe de protocolos aprovados pelo Ministério da Saúde especificamente para esse tipo de crime, que recomendam antibióticos para evitar doenças sexualmente transmissíveis, antivirais contra o HIV, cuidados ginecológicos e assistência psicológica e social. O problema é que os hospitais públicos e muitos de meus colegas, médicos, simplesmente se omitem nesses casos, de forma que o atendimento acaba restrito às unidades especializadas, quase nunca acessíveis às mulheres pobres.

O Hospital Pérola Byington é uma das poucas unidades da Secretaria da Saúde de São Paulo encarregadas dessa função. Lá, desde a fundação do Ambulatório de Violência Sexual, em 1994, foram admitidas 27 mil crianças, adolescentes e mulheres adultas. Em média, procuram o hospital diariamente 15 vítimas de estupro, número que provavelmente representa 10% do total de ocorrências, porque antes há que enfrentar as humilhações das delegacias para lavrar o boletim de ocorrência.

As que não desistem ainda precisam passar pelo Instituto Médico Legal, para só então chegar ao ambulatório do SUS, calvário que em quase todas as cidades exige percorrer dezenas de quilômetros, porque faltam serviços especializados mesmo em municípios grandes. No Pérola Byington, no Estado mais rico da federação, mais da metade das pacientes vem da Grande São Paulo e de municípios do interior.

Em entrevista à jornalista Juliana Conte, o médico Jefferson Drezzet, coordenador desse ambulatório, afirmou: “Mesmo estando claro que o atendimento imediato é medida legítima, na prática ele não acontece. Criar uma lei que garanta às mulheres um direito já adquirido é apenas reconhecer que, embora as normas do SUS já existam, o acesso a elas só será assegurado por meio de uma força maior. Precisar de lei que obrigue os serviços de saúde a cumprir suas funções é uma tristeza”.

Agora, vamos ao ponto crucial: um dos artigos do projeto determina que a rede pública precisa garantir, além do tratamento de lesões físicas e o apoio psicológico, também a “profilaxia da gravidez”. Segundo a deputada Iara Bernardi, autora do projeto de lei, essa expressão significa assegurar acesso a medicamentos como a pílula do dia seguinte. A palavra aborto sequer é mencionada.

Na semana passada, o secretário-geral da Presidência recebeu em audiência um grupo de padres e leigos de um movimento intitulado Pró-Vida, que se opõe ao projeto por considerá-lo favorável ao aborto. Pró-Vida é o movimento que teve mais de 19 milhões de panfletos apreendidos pela Polícia Federal, na eleição de 2010, por associar à aprovação do aborto a então candidata Dilma Rousseff.

Na audiência, o documento entregue pelo vice-presidente do movimento foi enfático: “As consequências chegarão à militância pró-vida causando grande atrito e desgaste para Vossa Excelência, senhora presidente, que prometeu em sua campanha eleitoral nada fazer para instaurar o aborto em nosso país”. Quem são, e quantos são, esses arautos da moral e dos bons costumes? De onde lhes vem a autoridade para ameaçar em público a presidente da República?

Um Estado laico tem direito de submeter a sociedade inteira a uma minoria de fanáticos decididos a impor suas idiossincrasias e intolerâncias em nome de Deus? Em que documento está registrada a palavra do Criador que os nomeia detentores exclusivos da verdade? Quanto sofrimento humano será necessário para aplacar-lhes a insensibilidade social e a sanha punitiva?