Vitória e Atlético-GO também são “clubes Caixa”

O Diário Oficial da União publicou nesta quinta os valores de mais dois contratos da Caixa Econômica Federal com clubes. Para patrocinar o Vitória, o banco pagará R$ 6 milhões de reais entre julho de 2013 e julho de 2014, de acordo com o contrato divulgado. Já o Atlético Goianiense receberá R$ 2,4 milhões, mas o período do acordo não foi declarado. Foi publicado apenas um extrato de dispensa de licitação para o contrato, sem todos os detalhes do compromisso. (Do Blog do Perrone)

Carta aos jovens jornalistas: há um futuro

Por Paulo Nogueira – do Diário do Centro do Mundo

Caro jovem interessado em jornalismo:
Você deve ter ouvido vaticínios terríveis sobre o futuro do jornalismo. E isso pode estar fazendo você desistir de ser jornalista.
Pois eu digo. Pense duas vezes. O jornalismo não está acabando. Ele está, na verdade, passando por uma formidável transformação – para melhor.
O que vai chegando ao fim é a era do jornalismo em que o jornalista é um mero apêndice para os donos das corporações. Alguns chamam isso de jornalismo corporativo.
Nele, o jornalismo é pago para defender as ideias dos donos e não para ajudar o mundo a se tornar melhor. Você pode ganhar um salário bom, mas a frustração é enorme. Você rapidamente aprende que os interesses dos donos são prioritários. Na era da internet, com a democratização da informação, o caráter nocivo das grandes empresas de jornalismo ficou estampado.
Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Os grandes jornais americanos, por exemplo, deram apoio a Bush na criminosa invasão do Iraque. Na Inglaterra, a sociedade se deu conta de que os jornais faziam barbaridades não para defender o interesse público, mas para vender mais e ampliar seus lucros.
Os ingleses acordaram depois que veio à luz a informação de que um tabloide de Murdoch invadira a caixa postal de uma garota sequestrada – e assassinada — em busca de furos. A internet, ao atropelar a mídia tradicional, está destruindo este tipo de jornalismo, e não o jornalismo em si.

equipe-da-cbsÉ um jornalismo em que, para fazer carreira, você tem que ser papista e obedecer cegamente ao papa, o dono. Papista, para que você saiba, foi uma expressão usada por um jornalista chamado Evandro para ser contratado como diretor do Globo por Roberto Marinho. “Sou papista”, avisou ele. Deu certo.
Vai surgir um jornalismo muito mais próximo dos sonhos dos jovens que sonham mudar o mundo.
O crescimento das empresas de jornalismo, nas últimas décadas, tornou-as maiores – e piores. Razões econômicas e financeiras se impuseram sobre as razões editoriais. É isso que muda agora.
O jornalismo digital é mais puro. Não o feito pelas empresas tradicionais, que carregam para ele seus vícios. Mas o que nasce na própria internet. Os jornalistas, na mídia digital, retomam a voz que tiveram um dia e que foram perdendo à medida que os negócios passaram a ser prioritários para as companhias jornalísticas.
E a remuneração, e a carreira?
A internet vai encontrando novos caminhos para isso, longe das corporações que se desintegram. Um deles é o crowdfunding, em que uma comunidade banca um site ou um jornalista por entender que é bom que o conteúdo produzido é relevante.
Um dos melhores jornalistas do mundo nestes dias – o americano Glenn Greenwald, que aliás milita na internet – faz crowdfunding. É um caso entre vários.
No jornalismo digital, o jornalista vai poder fazer diferença. Não vai ter que escrever o que o papa quer. A velha carreira vai chegando ao fim. Mas ela foi ficando cada vez pior, e é difícil lamentar seu término inglório.
É frustrante o papel de papista a não ser que você seja um cínico interessado apenas em acumular moedas e se agarrar a um prestígio precário. A nova era devolve o jornalista ao papel de protagonista. Por isso, deve ser saudada entusiasmadamente.

Um desafio na casa do ET

Por Gerson Nogueira

O Paissandu joga hoje nos rincões mineiros contra um time de nome esquisito, daqueles montados por empresários e que mais parecem marca de sabão em pó, mas que vem se equilibrando na Série B já há algum tempo. O Boa Esporte, que tem Marcelinho Paraíba e Fernando Caranga como jogadores mais conhecidos, não faz – como o Paissandu – uma grande campanha. É um time de nível médio, que tenta fazer da força do conjunto sua arma mais expressiva. Nem sempre tem conseguido.

bol_sab_200713_11 NOVA.psPara que não se criem falsas ilusões, vale dizer que o Boa não é melhor, nem pior, que Guaratinguetá, Atlético Goianiense, América-RN ou ASA, adversários que deram muito trabalho ao Paissandu. Na classificação, o Boa está duas posições atrás do campeão paraense, mas tem a mesma pontuação, como também venceu duas vezes e perdeu três. Só é inferior no saldo de gols. Portanto, todo cuidado é válido nesse confronto de times em busca de recuperação no torneio.

O momento, porém, favorece o Paissandu, que está invicto há três partidas e vem de um empate sem gols na Copa do Brasil com o Atlético-PR, que disputa o Campeonato da Série A. Mais importante ainda: Givanildo Oliveira parece ter aproveitado bem a trégua oferecida pela Copa das Confederações e achou a melhor formação.

Percebeu, por exemplo, que não dispõe de lateral-esquerdo. Rodrigo Alvim, que se recuperou de contusão, foi relacionado, mas ainda não ganhou a confiança do treinador. Pablo é um zagueiro improvisado, que funcionou durante algum tempo, mas não pode dar a velocidade que o esquema 4-4-2 pede. Com isso, viu-se obrigado a improvisar o veterano e polivalente Alex Gaibú por ali. A estreia, sem sobressaltos, foi contra o Atlético-PR. A dose se repetirá hoje.

Outra descoberta que veio contribuir para o crescimento do time foi a entrada de Marcelo no gol. Apesar de uma falha no empate contra o São Caetano, o goleiro vem dando à defesa o toque de segurança que não existia com Zé Carlos. Na zaga, Jean cedeu lugar para Raul, que se mostra mais participante e rápido na parceria com Fábio Sanches. A nova dupla tem jeito de que vai tomar conta do setor.

Mais à frente, na cabeça-de-área, a ausência de Ricardo Capanema força o retorno de Vânderson. Contestado pela torcida, o veterano volante recorre à experiência para dar conta da marcação e da proteção à defesa. Nem sempre vem conseguindo executar bem essas tarefas. Zé Antonio, o segundo volante, é mais participativo e também participa das articulações com os armadores.

Eduardo Ramos e Djalma cuidam da criação de jogadas, mas o segundo não foi bem diante do Furacão. Ganha nova oportunidade, mas Givanildo levou o novato Tallys, que pode entrar durante a partida. Outra possibilidade, ante o quase certo desfalque de Iarley, seria a entrada de Tallys e a permanência de Djalma num quinteto de meio-de-campo. Essa hipótese deixaria o ataque apenas com Marcelo Nicácio.

Mas Givanildo, pelo histórico, deve manter o sistema 4-4-2, ficando a dúvida em torno da dupla de atacantes. É mais provável que, na terra do famoso ET, Nicácio venha mesmo a ter Careca como companheiro de ataque, embora João Neto também tenha chances.

De concreto, a convicção de que o Paissandu vai bem quando consegue impor seu jogo, fazendo uma transição rápida e aproveitando a subida dos laterais. Sempre que atuou assim, fora de casa, o time procurou explorar os contra-ataques. Contra um adversário do mesmo porte, a lógica indica que a equipe de Givanildo vai se resguardar, esperando brechas para tentar chegar ao ataque. O Boa, pelo que demonstrou até aqui, vai permitir esses espaços.

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Uma tabela influenciada pelas ruas

A divulgação dos preços de ingressos para a Copa do Mundo de 2014, indo de R$ 30,00 a R$ 1.980,00 (assento mais caro para a grande final, no novo Maracanã), indica que dona Fifa avaliou bem as experiências feitas na recente Copa das Confederações. No geral, preços aceitáveis.

A tabela não ficou longe da política praticada na África do Sul e indica certo abrandamento na costumeira “facada” que o padrão Fifa impõe. Talvez o ruído das manifestações em torno dos estádios tenha pesado na decisão final.  

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Perícia, frieza e cochilo  

No jogo de ontem à noite entre Paraná e América de Natal, um lance raro: Paulo Sérgio bateu pênalti em favor do time paranaense e a bola saiu rasteira no canto direito, mas o goleiro espalmou. O cobrador aproveitou o rebote e voltou a chutar, desta vez para o lado direito.

O goleiro Andrei foi lá novamente, quase lembrando Rodolfo Rodriguez, e só então os zagueiros se aproximaram, mas não a tempo de impedir o terceiro e decisivo disparo do frio Paulo Sérgio. Jogada rápida, que exigiu perícia do goleiro Andrei, mas exigiu ainda mais sangue-frio do atacante.

E a constatação de que zagueiros não podem ficar relaxados, com as mãos na cintura, na hora de uma cobrança de pênalti. Precisam estar concentrados e prontos para ajudar o goleiro em caso de uma bola espalmada. 

(Coluna publicada no Bola/DIÁRIO, edição deste sábado, 20)

Atletas lançam manifesto pela cidadania

A Associação Atletas pela Cidadania, lança hoje forte manifesto sobre os megaeventos esportivos sem legados para o país. A entidade é hoje presidida por Ana Moser e dela fazem parte esportistas como Mauro Silva, Cafu, Raí, Lars Grael, Magic Paula, Fernando Meligeni, Gustavo Borges, Joaquim Cruz e muitos outros.

Leia abaixo, a íntegra do manifesto que ecoa a voz das ruas nos protestos de junho que abalaram o Brasil:

“Há mais de dois anos, a associação Atletas pela Cidadania vem tentando chamar a atenção do governo para a importância de uma agenda de um legado dos grandes eventos esportivos. Copa e Olimpíadas têm um valor inegável para o país que as recebe, mas somente se tornam uma oportunidade efetiva quando a prioridade do interesse público é a regra e quando existam propostas concretas de Legado Esportivo e Social.

O interesse público e a transparência têm que prevalecer em todas as ações: nas obras, construções, intervenções sociais ou investimentos públicos e privados. Mais do que isso: todos os recursos gerados pelos eventos devem ser destinados ao desenvolvimento social e econômico do país, chegando de forma positiva na vida das pessoas. Nós, Atletas pela Cidadania, somos contra a destinação de recursos públicos para benesse de alguns, as remoções que violam os direitos humanos, a corrupção e a falta de transparência nas decisões e nas contas.

Tudo isso é contra o espírito e os valores do Esporte. Acreditamos nos valores positivos do Esporte e sabemos do seu impacto no desenvolvimento do país. O Esporte é direito de todos os brasileiros. Melhora a saúde e a qualidade de vida, diminui a evasão escolar, aumenta o desempenho dos alunos.

Repetimos: há mais de dois anos apresentamos uma agenda positiva ao país, com dois pontos centrais para o Legado Esportivo e Social da Copa e das Olimpíadas: o Esporte acessível a todos os brasileiros e a urgente revisão do Sistema Esportivo Nacional.

As diretrizes são claras.

Limitar o mandato de dirigentes esportivos, definir os papéis e integrar os entes federativos, abrir à participação democrática de atletas, qualificar educadores e profissionais esportivos permanentemente, ampliar a infraestrutura esportiva pública. São medidas para garantir o acesso ao Esporte para todas as pessoas, de norte a sul. Além de desenvolver a cultura esportiva no país e levar os benefícios do Esporte a todos. E como consequência natural, também melhorar o esporte de alto rendimento e suas conquistas.

Felizmente, o país hoje clama por mudanças. A agenda pública deve se balizar pelo que seu povo decide e não só pelo que seus governantes acreditam que sejam as prioridades. O dia a dia do poder tem afastado a máquina pública do interesse público. Vivemos uma crise da democracia representativa, cuja solução está em ouvir diretamente os detentores reais do poder – o povo.

Queremos ser ouvidos e por isso solicitamos:

1. A criação de um comitê interministerial para a reestruturação da legislação do sistema esportivo nacional e a criação de um Plano Nacional de Esporte. Com metas, estratégias, métricas de avaliação e resultados claros. Um comitê com participação da sociedade, com voz e voto, liderado pela Presidência da República.

2. Aprovação de legislação que dispõe sobre as condições necessárias para as entidades do Sistema Nacional de Esporte receberem recursos públicos (emenda nº à MP 612 e emenda nº à MP 615).

3. Total transparência dos investimentos e das apurações referentes às denúncias de violações de direitos humanos nos grandes eventos esportivos, como exploração sexual infantil, remoções sociais forçadas, sub-emprego”.

Informações sobre a Associação Atletas pela Cidadania você encontra em http://www.atletas.org.br/.

Olímpia já sofreu virada de outro Atlético

Por Fabio Filocreão Pereira (*)

Pesquisei sobre as finais de Libertadores cujo primeiro jogo terminou com diferença de dois gols para o mandante.

Se não me enganei ao buscar lá no Rsssf, é isso aqui:

1966 – Peñarol 2-0 River Plate (2º jogo: River 3-2, 3º jogo: 2-2 e Peñarol 4-2 depois de prorrogação)

1979 – Olímpia 2-0 Boca Jrs. (2º jogo: 0-0)

1987 – América da Colômbia 2-0 Peñarol (2º jogo: Peñarol 2-1, 3º jogo: 0-0 e Peñarol 1-0 depois de prorrogação)

1989 – Olímpia 2-0 Atlético da Colômbia (2º jogo: Atlético 2-0, pênaltis: Atlético 5-4)

1990 – Olímpia 2-0 Barcelona (2º jogo: 1-1)

1995 – Grêmio 3-1 Atlético da Colômbia (2º jogo: 1-1)

1998 – Vasco 2-0 Barcelona (2º jogo: Vasco 2-1)

2003 – Boca Jrs. 2-0 Santos (2º jogo: Boca 3-1)

2008 – LDU 4-2 Fluminense (2º jogo: Fluminense 3-1, pênaltis: LDU 3-1)

Curiosidades:

1) Em 9 vezes que isso ocorreu, o Olímpia esteve envolvido em 3. Em 2013, é a 4ª em 10
ocorrências;

2) Nunca houve uma virada do placar por 3-0 ou semelhante no jogo de volta;

3) Em 2 vezes o perdedor do jogo de ida se sagrou campeão, sendo que uma vez foi outro Atlético (da Colômbia) sobre o mesmo Olímpia.

(*) Fabio Filocreão Pereira é médico cardiologista, pós-graduado na Escola Paulista de Medicina e professor na Universidade Estadual do Pará.