Árbitro gaúcho apita o jogo do Papão

Definidas as arbitragens para os jogos dos times paraenses neste final de semana. Pela Série B, em Varginha, às 16h20 deste sábado, jogam Boa Esporte x Paissandu, com arbitragem de Fabrício Neves Correa, auxiliado por José Antônio Chaves Franco Filho (RS) e Alexandre A. Kleiniche (RS). 

Pela Série C, a partida entre Águia e Santa Cruz-PE, às 16h de domingo, em Marabá, será arbitrada por Rodrigo Batista Raposo (DF), tendo como assistentes Rodrigo Batista Raposo (DF) e Lehi Sousa Silva (DF).

Pela Série D, Nacional-AM e Paragominas, às 17h de domingo, em Manaus (AM), terá o apito de Ademário Mandinga das Neves (DF), auxiliado por Nilton Pereira da Silva (RR) e Gean Carlos Menezes de Oliveira (RR). 

Fim da linha para o Leão

Por Gerson Nogueira

bol_sex_190713_11.psE o ano azulino finalmente acabou. Já havia acabado há mais tempo, mas o fecho definitivo foi ontem, com a informação – repassada em tom melancólico pelos dirigentes – de que a CBF não havia incluído o clube na Série D do Campeonato Brasileiro. Não que isso fosse algo líquido e certo depois da reunião entre dirigentes e a cúpula da CBF, na segunda-feira. Mesmo os mais otimistas lembravam a quantidade considerável de vezes que a entidade deu o traço nos clubes paraenses, ora iludindo, ora punindo.

Desta vez, nem é o caso de alegar que a CBF trapaceou. No máximo, embromou um pouco. José Maria Marin recebeu os diretores do Remo, ouviu educadamente, disse algumas palavras inócuas e no fim das contas deixou tudo como já estava. Os dirigentes desconfiavam, mas não tinham outra saída. Era acreditar no homem das medalhas ou simplesmente virar as coisas. Não custava apostar mais um pouco.

Por isso, o desfecho não causou impacto. Ninguém leva a sério o que a CBF promete. Aliás, nem a CBF se leva a sério. Tanto que a principal argumentação do torcedor Wendell Figueiredo para incluir o Remo na Série D é a prova eloquente da desconsideração que a entidade tem pelos próprios campeonatos que promove. Exige que os clubes sejam definidos 30 dias antes, mas aceita que eles se apresentem com os jogos já em andamento.

Foi em cima dessa contradição que os advogados elaboraram a ação judicial que chegou a paralisar a competição por duas semanas, a partir de liminar concedida pela Comarca de Ananindeua. E a bagunça da CBF só não resultou em mais prejuízos porque o desembargador José Maria do Rosário, do TJE-PA, derrubou a medida liminar e acatou os argumentos dos advogados da entidade.

Teve mais sorte que no ano passado, quando o Treze da Paraíba resolveu peitá-la com argumentos menos consistentes, mas com retaguarda jurídica mais solidária. O fato é que, excluindo as séries A e B, os demais torneios patrocinados pela CBF estão entregues ao deus-dará, chafurdando em prejuízos e desinteresse das plateias.

Na Série C, em consequência da firme determinação do Treze, um arranjo foi firmado sob os auspícios do Supremo Tribunal Federal e deu à competição um ar de torneio de subúrbio. Pelo acordo, foram aceitos na disputa tanto Treze quanto Rio Branco, que havia sido defenestrado no ano passado. Por essa razão, a Terceirona se realiza com 21 participantes, sendo que no Grupo A serão rebaixados três clubes. Nem precisa ser estagiário de pajé para saber que o campeonato vai parar nos tribunais, de novo.

Diante desse fato, por que a CBF preferiu ser tão obediente às leis ao analisar o pleito do Remo? Ora, ora, pela singela razão de que o clube paraense chegou à mesa do regabofe com Marin sem levar qualquer ás na manga. Havia perdido a liminar que paralisava o campeonato e acabara de ser punido no STJD, em julgamento-relâmpago, por ter tido a audácia de recorrer à Justiça. Sem nada a perder, a CBF agiu com o recato dos monges.

Esse resumo sobre as mutretas e conchavos perpetrados pela CBF visa apenas evidenciar algo mais ou menos óbvio para quem acompanha a paisagem. Se quisesse, a entidade teria inserido o Remo na Série B sem maiores esforços. Com alguma ginástica, colocaria até na C. A questão é que a decadência e o desespero são péssimas companhias, principalmente quando está em jogo a capacidade de negociar ou barganhar.

Depois de derrotada em campo no Campeonato Paraense e ficar sem divisão e com a perspectiva de passar cinco meses sem atividade, a diretoria do Remo entrou em pânico. Primeiro, tentou negociar a vaga com os clubes rondonienses. Foi chantageada e obrigada a ver velhos adversários se movendo como aliados do inexpressivo Genus. Arguiu a tese do índice técnico, fazendo um esforço tremendo para esquecer que havia aprovado o regulamento do Parazão. Por fim, se agarrou ao fiapo de esperança que era acreditar na boa vontade da CBF. Não podia dar certo.

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Remo Mauricio,Pirao,Miguel,Tiago e Stefani-Mario Quadros

Nova diretoria, velhos desafios

A diretoria do Remo acaba de ganhar novos integrantes, todos escolhidos pelo presidente Zeca Pirão. São representantes da oposição que levou torcedores à rua para protestar contra a administração de Sérgio Cabeça e que tinha Pirão como vice. Em gesto generoso, o novo presidente chamou seus opositores para dividir a gestão. Pode dar certo, desde que os ruidosos manifestantes de ontem se transformem em diligentes executivos. Têm a oportunidade de botar em prática o que questionavam na teoria.

Pirão tem razão em observar que é a primeira vez, na era profissional, que uma diretoria do Remo abre espaço para sócios e torcedores. O processo começa com quase 50 anos de atraso e só está acontecendo por força da pressão exercida pela Assoremo e outros grupos de torcedores. Representa um ensaio, em grande estilo, para o que deve ocorrer no clube a partir da instituição das eleições diretas.

Há quem diga que os novos diretores chegam no momento errado, com o clube mergulhado em incertezas. Penso diferente. Não poderia haver momento melhor para testar a criatividade, a ousadia e a capacidade de reinvenção dos novos executivos. Boa sorte a todos.

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Quando não basta jogar bem

Um gol aos 48 minutos tirou a paz e o favoritismo dos atleticanos na decisão da Taça Libertadores. Enquanto o Olímpia vencia por 1 a 0 o Atlético continuava em vantagem, pelo menos na avaliação de seus fanáticos torcedores. Afinal, o placar mínimo podia ser facilmente revertido no gramado do Mineirão.

Dois a zero já é outro papo. Foi assim contra o Newell’s e todo mundo viu a pedreira que foi aquela semifinal, decidida nos penais. Não vai ser diferente na próxima quarta-feira. Os paraguaios têm um time sem astros, mas rico em entrosamento e vontade. Marcam em cima, correm o tempo todo.

Ao Atlético resta pôr em prática o futebol mostrado ao longo do torneio. Técnico, habilidoso e solidário. Se isso não for suficiente para vencer é porque realmente a hora do Galo ainda não chegou.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 19)

A medicina e o Brasil real

Por Roberto Amaral

A sociedade de classes se manifesta no serviço médico: para os muito pobres, nenhum médico; para os muito ricos, hospitais de ponta

A furiosa campanha corporativista dos médicos contra a vinda de colegas estrangeiros procura alarmar o país. No entanto, a atração de profissionais do exterior é prática antiga a que muito devem os Estados Unidos, a Rússia e muitos outros países. Não podemos ceder a essa manifestação de egoísmo classista, sob pena de ofender os direitos básicos da grande maioria de nosso povo, principalmente quando se sabe que um dos gargalos do nosso desenvolvimento é a carência de mão-de-obra qualificada.

Pesquisa do Ipea, realizada com 2.273 pacientes do SUS, mostrou que a falta de médicos é o principal problema de 58% dos brasileiros dependentes da rede pública. Temos algo como 300 mil médicos no exercício da profissão e 700 municípios (15% do total) sem um único profissional de saúde. Em outros 1,9 mil municípios, “3 mil candidatos a paciente disputam a atenção de menos de um médico por 30 segundos por pessoa”! (IstoÉ,10/07/2013).

O Brasil possui a vergonhosa média de 1,8 médicos por mil habitantes. Nossa vizinha e sofrida Argentina, 3,2; Portugal e Espanha, em crise, 4. Não citarei cifras de Cuba. Mesmo essa média é enganosa, pois, se o RJ possui 3,4 médicos por mil; SP 2,49 e MG 1,81; o Acre tem 0,94 médico por mil; o Amapá, 0,76; o Pará, 0,77; o Piauí, 0,92; o Maranhão, 0,58 (!); Amazonas, Bahia, Ceará e Tocantins têm 1 médico por mil habitantes (IBGE. 2012, CFM), o que evidencia a má distribuição dos médicos pelo nosso território. A propósito, das 130.000 vagas oferecidas a médicos pelo serviço público nos últimos 10 anos, apenas 90.000 foram preenchidas.

Mas o dr. Kalil, o médico da Corte e dos afortunados, é “terminantemente contra” a vinda de médicos estrangeiros porque, para haver medicina, é preciso haver “hospital bem estruturado” (FSP, 10/07/2013). Mas o que é, na realidade brasileira, ‘um hospital bem estruturado”? Não explica e ficamos sem saber.

O cerne da crise da assistência médica, no Brasil, não está, lamentavelmente, apenas, no minguado número de médicos, e na sua precária distribuição. Está, antes, na própria qualidade da formação médica, a começar pela ausência das cadeiras de ética e deontologia na grande maioria dos cursos. O formando de hoje é  ‘treinado’ para transformar a residência em especialização da subespecialização ditada pelo mercado, e ter seu consultório particular, se possível fechado aos que ainda podem pagar planos de saúde. SUS, ora isso é nome feio.

image_previewNa verdade, a sociedade de classes se manifesta em sua dramática injustiça no serviço médico de um modo geral: para os muito pobres, médico nenhum; para os pobres, os médicos formados em cursos privados, muitos deles ‘cursos de fim de semana’. Para a classe média os médicos com residência e especialização, os que aceitam os planos de saúde. Para a alta classe-média e a pequena burguesia, os médicos formados nas escolas públicas, quase sempre com bolsa de iniciação científica pública, com residência (com bolsa de estudos fornecida por entidade pública) em bons hospitais (embora os hospitais-escola estejam em crise e os, demais, como as Santa Casas e quejandas sejam péssimos), e mestrado, especialização e doutorado (com bolsa de estudos do CNPq, da Fapesp ou da Faperj ou de alguma outra agência estadual) no exterior, de preferência. Para os ricos ou membros da ‘nova classe’, os Sírio Libanês, os Einstein ou… Boston.

O leitor se deu conta de que entre os hospitais brasileiros de excelência não se mencionam mais os públicos? Talvez a única exceção sejam o Incor em São Paulo (hoje uma fundação) e o Inca no Rio, ambos sempre a braços com crises financeiras.)

O formando em medicina, principalmente em universidade pública, nas quais, em regra, os cursos são bons, é preparado psicológica e eticamente para trabalhar num Sírio Libanês, tendo ao seu lado equipamento de última geração e alimentando a expectativa de fama profissional. Eles vivem nos seriados tipo Dr. Kildare ou House. Não é só Brasília que ignora o Brasil real. Do alto de seu prestígio, o cardiologista oficial da Corte, com a bata de doutor do Sírio, nos diz que o mais importante não é médico, mas equipamentos. Mas, de que servem equipamentos sem médicos? E diga-nos esse doutor, qual país do mundo, incluindo os EUA e as maravilhas sociais dos países escandinavos, pode oferecer condições ideais de trabalho para seus médicos e atendimento médico universal gratuito fundado na parafernália eletrônica? E quando poderá este país de 200 milhões de habitantes e mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados assegurar hospital para todos os brasileiros e para todos os brasileiros a ciência médica praticada no Sírio? Condições de trabalho, queremos todos, não só os médicos, querem os motoristas de ônibus, os advogados que enfrentam uma Justiça que não funciona, os enfermeiros que sofrem nas mãos de médicos, os engenheiros, os agrônomos, os operários de chão de fábrica, os professores, sem salários, sem laboratórios, sem transporte, toda gente. Melhoria do transporte coletivo é também melhoria das condições de trabalho. Isto não é pleito de uma classe, mas exigência de uma sociedade em busca de progresso que depende de seu enriquecimento e simultânea distribuição de renda.

Pergunto ao dr. Kalil: quem foi esse senhor dos fatos que decidiu que só uns poucos, essa minoria da minoria privilegiada, tenham direito à sua clínica cardiológica, e os outros não tenham direito a clínica nenhuma, porque seus médicos esperam hospitais “adequadamente aparelhados” etc. etc.? No sertão, um estetoscópio e um aparelho de tomada de pressão arterial já salvam vidas.

Afinal, o dr. Kalil, bom médico que é, deve ter cedo aprendido que medicina é diagnóstico, e que, mesmo sem dispor do precioso auxílio de equipamentos (não que os dispensemos) e de exames (que não que os dispensemos), o bom médico é capaz de, ao menos, dar conforto aos seus pacientes e, sempre que possível, levá-los à cura. A alternativa ao médico nenhum é o curandeirismo, a indicação do balconista da farmácia, a indicação do vizinho…

O Brasil real não é aquele oferecido pelos hospitais Sírio Libanês ou Einstein, que não são, sequer, a realidade da capital paulista. O  Brasil real é o Brasil da periferia de Rio, de São Paulo e de todas as capitais, para não falar do Norte de Minas Gerais, do semi-árido nordestino, do vazio do Centro-Oeste, da Amazônia inóspita. O Brasil real não pede especialistas em subespecialidades, nem carece de ‘máquinas de última geração’ para fazer partos, tratar disenteria, consertar uma perna quebrada, aliviar um mal-estar, diagnosticar uma tuberculose, uma cardiopatia, uma ‘barriga d’água’… Precisa, sim, de clínicos, milhares de clínicos e generalistas, que tenham tempo de conhecer seus pacientes. Pergunta-nos para em seguida responder o dr. Adib Jatene: O que queremos de um médico? Que ele saiba diagnosticar o que você está sentindo. Que ele saiba analisar a sua dor, a febre, sem precisar de tecnologia (OESP, 09.07.13). O resto é o resto: corporativismo de quinta categoria.

Diz ainda o dr. Jatene, a quem devoto respeito, que, onde tem hospital tem médico. Invertendo o juízo ficamos sabendo: onde não há hospital, não há médico. Donde a solução ser construir hospitais e tê-los, e mantê-los de alta qualidade em todos os municípios do Brasil. Evidentemente, se possível privados, e se possível de padrão próximo ao do Sírio Libanês. Quando isso será possível? Digamos, otimisticamente, que daqui a 50 anos. E até lá? Admitamos, só para raciocinar com os doutores, que já tivéssemos hoje esses hospitais. Onde iríamos buscar os médicos? Hoje, formamos 18 mil médicos ao ano, o que não atende nem à demanda, nem à qualidade, nem assegura distribuição para o interior.

Saberá o dr. Kalil que o Brasil possui 5.570 (número que vai aumentar brevemente) municípios, alguns com população maior que a de vários países do mundo (SP capital tem 12 milhões de habitantes), e alguns, como Altamira, no Pará tem território quase duas vezes maior que o de Portugal? Saberá que Roraima tem 15 municípios e Minas Gerais 853? Saberá de que Brasil está falando?

Que fazer?

O Dr. Jatene responde. Investir, no curto prazo, na ‘importação’ de jovens médicos estrangeiros, submetidos a reavaliação, e na formação complementar de dois anos, porque hoje formamos apenas médicos candidatos à residência médica – que formam especialistas – e esses médicos não vão atender às nossas necessidades, pois precisamos de médicos para atender à população sem necessariamente ter de usar a tecnologia. Essa formação complementar seria focada em urgência e emergência. É preciso investir na formação para que esse profissional vá trabalhar dois anos no atendimento básico da população do Estado em que se formou. Temos faculdades de Medicina em todos os Estados. Todos. Só que os médicos se formam e não ficam em suas cidades, eles vêm fazer residência no Sul e no Sudeste (OESP, idem.).

E no Sudeste ficam.

A medida, vou mais adiante, deveria valer para todos os profissionais formados em escolas públicas ou, se em escolas privadas, com bolsa de estudo público. O concludente ou saldaria o custo do investimento público ou permaneceria dois anos à disposição do Estado, que indicaria, atendendo evidentemente à sua formação acadêmica, onde iria trabalhar. Depois disso, vá ser rico onde quiser.