As boas vindas ao Papa Francisco

Por Frei Betto 

FREI_BETTOTomara que o seu pontificado represente o início de um novo tempo para a Igreja Católica, livre do moralismo, do clericalismo, da desconfiança frente à pós-modernidade. 

Que a Igreja assuma o seu papel profético de, em nome de Jesus, denunciar as causas da miséria, das desigualdades sociais, dos fluxos migratórios, da devastação da natureza.

Os jovens esperam da Igreja uma comunidade alegre, despojada, sem luxos e ostentações, capaz de refletir a face do Jovem de Nazaré, e na qual o amor encontre sempre a sua morada.

Maracanã: de que lado você está?

Por André Rizek

Os clubes cariocas não jogam no Maracanã desde 2010. O estádio vai ser reaberto neste domingo para seus verdadeiros donos, os torcedores. Em vez de estarmos eufóricos com isso, no Rio de Janeiro se discute apenas de que lado vão ficar as torcidas de Vasco e Fluminense na arquibancada do Maracanã.

Não quero desdenhar de uma tradição de 63 anos, o tempo em que vascaínos estão acostumados a se sentar ao lado direito das tribunas de imprensa. Tradição é coisa séria, sim. Mas não é tudo nessa vida.

Se o Vasco considera o assunto tão essencial, a verdade é que demorou demais para leva-lo à mesa. Todos demoraram. Lá atrás, em 2009, por exemplo, o governo do estado poderia ter aprofundado (ou começado, como queiram) a discussão com a sociedade civil, as torcidas e os clubes sobre como seria a ocupação deste patrimônio público que é o Maracanã. Isso, é claro, não foi feito. E agora o Maracanã tem dono e locatários pelos próximos 35 anos. Foi goela abaixo. O Fluminense, por acaso mandante do jogo de domingo, agora já colocou no contrato todos os seus direitos e deveres. E não está fazendo nada além de respeitá-los.

Os dois clubes poderiam ter chegado a um acordo lá atrás sobre essa questão (menor) de “lado”, ao menos para este primeiro jogo. Mas agora, nas vésperas da partida, pressionado pela maior organizada do Vasco, atravessando uma gestão caótica e que faz do time piada de mau gosto, o presidente vascaíno transforma isso em questão de vida ou morte. É leviano. É jogar para a torcida. É ser muito irresponsável.

Há questões maiores em jogo, para o Vasco, do que o local em que sua torcida vai se sentar. Há questões maiores para o futebol brasileiro. A gente não vê, por exemplo, os presidentes dos clubes debatendo sobre como as pessoas vão acessar o Maracanã. O transporte público, que funcionou tão bem na Copa das Confederações, vai ter a mesma eficiência agora, sem o “padrão Fifa”? Ou vamos voltar ao tempo das cavernas pré-Copa das Confederações? Como será a segurança das pessoas? Os dois clubes estão fazendo campanhas pela convivência pacífica?

Não cresci no Rio de Janeiro e podem usar isso contra mim para dizer que estou falando sobre algo que não vivi. Verdade. Mas, talvez justamente por isso me sinta tão à vontade para opinar.

“A polícia emitiu um laudo dizendo que concorda com o Vasco, que por questões de segurança deveria ser como antes, só vascaínos na entrada pela rampa da UERJ. Vocês vão ver, os vascaínos vão quebrar tudo”. Ouvi isso hoje no almoço de um amigo cruz-maltino, pessoa do bem, mas que se rendeu “ao sistema”. O sistema é achar não ser possível a convivência civilizada entre torcedores de clubes adversários. É cruzar os braços diante da minoria que estraga nosso futebol. Como acontece agora.

A verdade, meus amigos, é que as pessoas que comandam nosso futebol não estão nem aí para o torcedor que vai ao estádio. Eles já têm o dinheiro da TV garantido. Dá muito trabalho, além de irritar as torcidas organizadas, esse negócio de moralizar e pacificar a coisa… Vejam agora. Em vez de estarem juntos numa cruzada pela paz nos estádios, lutando para que tricolores e vascaínos possam ir em paz ao Maracanã, os dirigentes aparecem na TV pregando a discórdia. Ou, no caso do Roberto Dinamite (que decepção, mais uma…), o boicote ao jogo! Será que é possível alguém aparentar ter mais de 10 anos de idade nessa história? É pedir muito?

Um tricolor amigo meu queria levar suas duas filhas, crianças, ao jogo de domingo. Desistiu. Está com medo do clima que está sendo criado. Eu também desistiria. Os dirigentes, há anos, nos mostram de que lado eles estão.

E você, torcedor de verdade, de que lado você está?

CBF confirma que o Remo está fora da Série D

O diretor Maurício Bororó revelou, na tarde desta quinta-feira, que a CBF já informou à direção do Remo que o clube não irá participar da Série D 2013. Disse, também, que se os remistas tivessem procurado a entidade antes de o campeonato começar as chances seriam maiores. Como houve a tentativa de obter a vaga de Rondônia, a entidade decidiu não conceder a vaga ao Remo. A partir de agora, a diretoria vai desmanchar o atual elenco, pagando os jogadores que estavam em Belém e buscando montar um grupo com atletas da base e alguns contratados de clubes regionais para cumprir uma programação de amistosos no segundo semestre.

Não há informação sobre o que os advogados do torcedor Wendell Figueiredo irão fazer diante da negativa, visto que haviam prometido reapresentar a ação judicial caso a CBF não incluísse o Remo na Série D.

Pirão abre espaço para quadros da oposição

O presidente do Remo, Zeca Pirão, aos poucos imprime sua marca na gestão do clube. Depois de abrir canais para a participação (e críticas) de torcedores, Pirão surpreendeu ao convidar para funções executivas alguns desportistas que há bem pouco tempo integravam as hostes da oposição. É o caso do advogado Thiago Passos, presidente da Associação de Sócios do Remo (Assoremo), que foi anunciado na noite desta quarta-feira como o novo diretor de futebol do Remo. Outros integrantes da Assoremo também ganharam cargos na diretoria. É o caso de Stefani Henrique, que será o novo diretor comercial, respondendo pela relação com os sócios e por eventos a serem realizados na sede social. Outro nome anunciado foi o de Miguel Ângelo Cavalcante, que será diretor do programa sócio-torcedor. Completam a lista o professor de Educação Física André Luís dos Santos Baía, novo coordenador das divisões de base, e Clelson Assunção de Oliveira, que assume o grupo de trabalho encarregado de revitalizar o estádio Evandro Almeida.

Ao DOL, Thiago Passos explicou que todas as exigências apresentadas pela Assoremo ao presidente Zeca Pirão foram prontamente atendidas: renúncia do presidente Sergio Cabeça, auditoria nas contas do clube, afastamento de cinco diretores ligados ao ex-presidente e autonomia plena para os novos diretores. Aos que criticam a participação da Assoremo na diretoria, Passos observa que os sócios querem ajudar Pirão a tirar o clube da situação difícil em que se encontra. “Pela primeira vez um grupo genuinamente novo e egresso das arquibancadas vai comandar e gerir o Clube do Remo. Queremos a união de todos, temos grandes projetos para o clube, mas só terão efeito se todos ajudarem”, concluiu.

Papão e Furacão ficam no zero

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O Paissandu empatou com o Atlético-PR por 0 a 0 nesta quarta-feira à noite, no estádio Jornalista Edgar Proença, em jogo dos mais movimentados, com lances emocionantes de parte a parte nos instantes finais. Foi o primeiro confronto válido pela terceira fase da Copa do Brasil. A próxima partida está prevista para quarta-feira, 24, às 19h30, no estádio Durival de Brito, em Curitiba. Para se classificar, o Papão terá que vencer por qualquer escore ou obter um empate com gols.

No primeiro tempo, o jogo começou bastante equilibrado. Logo aos 2 minutos, o atacante Iarley desperdiçou grande oportunidade na área paranaense. Incentivado pela torcida, o Papão continuou buscando o gol e, aos 6 minutos, Careca cabeceou com muito perigo, mas o goleiro defendeu. O Atlético, aos poucos, foi se impondo e passou a pressionar também, embora as melhores chances continuassem do lado bicolor. Aos 45, Djalma entrou livre, mas o goleiro foi mais ágil e desviou a bola para escanteio.

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Para a etapa final, o Atlético voltou mais organizado e presente no ataque, dificultando a saída de jogo do Paissandu. Aos 13 minutos, Marcelo quase marcou, chutando com perigo. Aos 19 minutos, foi a vez de Juninho, que disparou de longe e quase apanha o goleiro Marcelo fora do gol. Em cobrança de falta, logo a seguir, Eduardo Ramos cruzou com perigo e Fábio Sanches desviou a bola próximo à trave.

O Furacão mantinha o cerco e, aos 25, Pedro Botelho acertou tiro forte, mas a bola rebateu na zaga. Cansado e acusando contusão, Iarley saiu para a entrada de João Neto. Rápido no avanço pelas laterais, o Atlético esteve perto de abrir o marcador aos 28 minutos. Aos 30, com a substituição de Djalma por Diego Barbosa, o Paissandu ganhou qualidade no setor de criação e iniciou uma reação. Após escanteio, o goleiro Marcelo fez grande defesa em cabeceio perigoso. Aos 40, Zezinho dominou a bola na área, caiu e reclamou pênalti.

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O final da partida foi eletrizante, com pelo menos três lances de grande perigo. Aos 45, a grande chance do Paissandu no jogo: depois de dois escanteios seguidos, a bola sobrou para Careca que desviou na direção do gol, mas a bola ficou presa no goleiro. O Atlético foi ao ataque e Manoel perdeu excelente chance, aos 47. Um minuto depois, Alex Gaibu cruzou e João Neto cabeceou a bola na trave.

Paissandu – Marcelo; Pikachu, Raul, Fábio Sanches e Alex Gaibu; Zé Antônio, Ricardo Capanema, Djalma (Diego Barbosa) e Eduardo Ramos; Careca e Iarley (João Neto). Técnico: Givanildo Oliveira.

Atlético-PR – Weverton; Jonas (Pedro Botelho), Manoel, Dráuzio e Léo; Juninho, João Paulo, Felipe (Elias) e Zezinho; Éderson (Marcão) e Marcelo Cirilo. Técnico: Vagner Mancini.

Árbitro: André Luiz Castro (GO). Cartões amarelos: Zezinho, Felipe e Weverton (ATL); Ricardo Capanema e Eduardo Ramos (PSC). (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)