Série D: CBF deve definir hoje a situação do Remo

A diretoria do Remo aguarda, até o final da tarde desta quarta-feira, uma definição da CBF para a situação do clube na Série D. Depois da reunião de segunda-feira, em São Paulo, a entidade prometeu analisar com carinho a reivindicação do Remo, desde que a ação judicial movida por torcedores fosse retirada. A cúpula remista conversou com o torcedor Wendell Figueiredo e seus advogados, que aceitaram desistir da ação que pleiteava a inclusão do Remo na competição, fato ocorrido ontem. Segundo o presidente Zeca Pirão, em entrevista concedida à Rádio Clube no programa Linha de Passe, o clube mantém fortes esperanças quanto a uma resposta positiva, baseado nas palavras do presidente José Maria Marin, que recomendou ao setor jurídico da CBF que encontrasse uma brecha jurídica capaz de permitir a participação do clube paraense na Quarta Divisão.

Noite para o Papão brilhar

Por Gerson Nogueira

bol_qua_170713_15.psEnfrentar um adversário da Primeira Divisão representa sempre a oportunidade de mostrar qualidades e conseguir afirmação em relação aos próprios competidores da Série B. Deve ser esse o espírito a mover o Paissandu no confronto de hoje, no estádio Jornalista Edgar Proença, com o Atlético-PR pela Copa do Brasil.

Marcar gols – e, principalmente, não sofrer – é mandamento obrigatório na competição. O Paissandu, que voltou à Copa BR por força de uma decisão judicial depois de irregularidades praticadas pelo Naviraiense, não pode encarar o torneio como simples lucro ou cumprimento de tabela. Precisa acreditar que pode ir mais longe.

A própria situação atual do Atlético, que faz campanha fraca no Brasileiro e acaba de perder o clássico com o Coritiba, deve servir de incentivo aos bicolores. O Furacão era um time rápido, ofensivo e habilidoso no começo do campeonato, mas caiu de rendimento nas últimas semanas e não pode ser considerado tão superior ao Paissandu neste momento.

Para o jogo desta noite, o técnico Givanildo terá um reforço poderoso e perde um trunfo e tanto. Eduardo Ramos, que desfalcou o time diante do São Caetano, está confirmado como organizador no meio-de-campo. Já o artilheiro Marcelo Nicácio (que defendeu o Vitória na primeira rodada da Copa BR), autor de dois gols contra o Azulão, desfalca a equipe.

Sem Nicácio, Givanildo tem a opção natural de escalar Careca ao lado de Iarley. São dois bons atacantes, atravessando boa fase e em alta com o torcedor. Com a presença de Eduardo Ramos devem ganhar em opções de jogadas de área. Caso Pikachu e Janilson mantenham a evolução também podem contribuir para que o Papão seja o mais ofensivo possível.

Essas são as boas notícias para Givanildo. O lado menos positivo vem dos setores defensivos. Na proteção, os problemas diminuem bastante com a confirmação de Ricardo Capanema. Não muda, porém, a angústia provocada pela nova mudança, com a entrada de Raul ao lado de Fábio Sanches, embora esta seja provavelmente a melhor dupla de beques do elenco.

Depois da folga na tabela da Série B para a Copa das Confederações, a defesa do Papão, com Sanches e Jean, apresenta média negativa de 2,5 gols por jogo. Foram três diante do fraco Guaratinguetá e dois contra o São Caetano. É, sem dúvida, o calcanhar-de-aquiles do time.

Do lado paranaense, o time tem mudança de comando, com a estreia de Vagner Mancini, e várias baixas, a começar pelo veterano Paulo Baier, meia-armador e exímio cobrador de faltas. O cenário é extremamente favorável ao Paissandu, que, com estádio cheio, terá condições de se impor nessa volta à Copa do Brasil.

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Pela sobrevivência dos velhos titãs

Lúzio Ramos, torcedor do Paissandu e desportista em tempo integral, enviou à coluna uma carta em que manifesta sua preocupação com o fosso que se amplia – tanto em campo quanto fora dele – entre os dois tradicionais rivais paraenses. “A distância que perigosamente se prenuncia aumentar entre o Paissandu e o Remo é algo muito preocupante. O Re-Pa é um binômio e, como tal, Paissandu e Remo não podem se distanciar muito um do outro. Porque assim não é um binômio. Isso não é bom nem pra quem se adianta tampouco pra quem fica pra trás. Os dois são tão grandes que um – o que se adianta – deveria alavancar o outro. Deveria, se as coisas funcionassem como deveriam funcionar”.

Lúzio analisa a proposta, que viceja entre torcedores, para que o Remo se licencie do Campeonato Paraense de 2014. “Alguém faz idéia do desastre que seria isso? Desastre em todos os sentidos: financeiro, emocional, motivacional etc. Todos vimos o grande resultado financeiro dos dois primeiros Re-Pa deste ano. Cada um ganhou algo em torno de R$ 500 mil. O Re-Pa é a plataforma do Campeonato Paraense, a ausência de um deles abalaria profundamente a estrutura do campeonato, que já não é muito boa, haja vista os vários problemas que enfrentamos em sua organização”.

Em sentido inverso, Lúzio projeta uma hipotética participação dos rivais na Série B. “Teríamos dois embates (1º e 2º turnos) em que só de bilheteria renderia, por baixo, entre R$ 800 mil a R$ 1 milhão pra cada um. E, além disso, teríamos a oportunidade de mostrar uma vez mais pra todo o Brasil e, talvez pro mundo, a grande força da nossa arquibancada. Com a mais absoluta certeza não teríamos um público maior e mais entusiasmado do que o do Re-Pa, nem mesmo na partida decisiva da primeira divisão”, acentua.

Bicolor de quatro costados, Lúzio faz questão de reconhecer a importância que um tem para o outro. “Devemos incluir nesta discussão também o valor social que tem o Re-Pa, pois esse é um fenômeno que gera muitos empregos diretos e indiretos. Preocupa-me sobremaneira a situação que o Remo está vivendo e espero que da nação azulina saia um redentor capaz de levantar o clube. O Paissandu agradeceria muito por isso. Devemos lembrar um detalhe importante. Qualquer que seja esse redentor, ele precisa mirar-se no fato de que o Paissandu de hoje, que está dando um exemplo de como um clube deve ser, iniciou com uma coisa muito importante: a democracia. O presidente atual, o Vandick Lima, foi eleito pelo voto direto. Quem o colocou lá foi o torcedor que é sócio. Portanto, o voto veio das arquibancadas, de onde vem a voz que vibra, que vaia e aplaude, que grita, que se descabela. É onde está a força e a verdade do clube”, acrescenta, sem esquecer de um brado de incentivo final: “Vamos lá, Leão. Luta que o Papão te quer de pé, do lado dele!”.

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Outra vaga que o Pará perdeu

O amigo e leitor Carlos Carvalho manda um questionamento dos mais pertinentes. “Como o foco é a CBF e por tabela a FPF e seus filiados gostaria de saber: por que não temos representante na Copa do Brasil de Futebol Sub-17, que começa hoje (ontem), com a participação de 32 clubes da Série A e B. É de se perguntar o que a FPF fez para reivindicar a participação de um clube do Estado na competição, uma vez que temos um representante na Série B?”.

Como a resposta provavelmente não virá, arrisco um palpite: a CBF deve ter usado o velho argumento geográfico. Por questões de custo com passagens, o Pará foi alijado novamente de uma importante competição nacional. Custo a crer, porém, que a federação tenha tido pelo menos a preocupação de reivindicar a vaga.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 17)

Jogadores do PFC ameaçam paralisar de novo

PFCXREMO decisao 2o turno parazao-Mario Quadros (48)

Apesar da vitória sobre o Náutico-RR, no domingo passado, a crise continua rondando o Paragominas. A diretoria havia prometido quitar os débitos (salários atrasados e premiações pelo returno e o vice-campeonato estadual), algo em torno de R$ 450 mil com os atletas, nesta terça-feira, mas não cumpriu o trato e o clube volta a ser ameaçado de paralisação. Depois da paralisação da semana passada, o elenco já avalia a possibilidade de cruzar os braços novamente. “Eles (diretoria) ficaram de nos pagar hoje (terça-feira) e não cumpriram. Nós não vamos fazer greve novamente agora. Vamos para o jogo contra o Nacional-AM (próximo domingo), mas se depois não nos pagarem vamos discutir uma nova paralisação”, confirmou um jogador que não quis se identificar.

Ainda de acordo com os atletas, o Paragominas deve dois meses e 10 dias de salário aos atletas que estavam no grupo desde o Campeonato Paraense, e um mês e 25 dias com aqueles que foram contratados para a Série D. O técnico Cacaio chegou a relacionar a má atuação da equipe no jogo de domingo com os problemas salariais no clube. “Nós estamos numa situação complicada porque ia sair dinheiro hoje, mas não saiu. Não tem clima ruim, mas a gente sabe que problema financeiro sempre é complicado e desmotiva um pouco os atletas. Além disso, ficamos praticamente 10 dias sem fazer quase nada, sem treinar e isso afetou um pouco no jogo, mas com muita raça e determinação conseguimos fazer o resultado”, disse.

Enquanto isso, o presidente do Paragominas, Jorge Formiga, continua incomunicável. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Para refletir

“A chamada ‘crise’ que estamos atravessando – mas aquilo que se chama de ‘crise’ nada mais é do que o modo normal em que funciona o capitalismo do nosso tempo – começou com uma série insensata de operações sobre o crédito. O capitalismo financeiro funciona jogando sobre o crédito – ou seja, sobre a fé – dos homens. Isso significa que a hipótese de Walter Benjamin, segundo a qual o capitalismo é uma religião, deve ser tomada ao pé da letra. O Banco tomou o lugar da Igreja e dos seus padres e, governando o crédito, manipula e gerencia a fé – a escassa e incerta confiança – que o nosso tempo ainda tem em si mesmo. E o faz do modo mais irresponsável e sem escrúpulos, tentando lucrar com a confiança e as esperanças dos seres humanos, estabelecendo o crédito de que cada um pode gozar e o preço que deve pagar por isso (até mesmo o crédito dos Estados, que docilmente abdicaram à sua soberania).”

De Giorgio Agamben