Papão lança Programa Sócio Bicolor

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Aconteceu no começo da noite desta segunda-feira, no estádio da Curuzu, o lançamento oficial do Programa Sócio Bicolor do Papão. Com a presença de torcedores, dirigentes e sócios do clube, o evento foi prestigiado com a transmissão da Turma do Bate-Papo, programa da Rádio Clube, diretamente do espaço destinado ao atendimento aos futuros sócios torcedores. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

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Casamento expõe sociedade fraturada

Por Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa

Talvez tenha sido um dos menores, em número de participantes, na série de protestos que acontecem em cidades brasileiras desde junho, no rastro da campanha pela redução das tarifas de ônibus. Não mais do que sessenta pessoas se postaram diante da igreja do Carmo, no centro do Rio, para se manifestar durante a cerimônia de casamento de dois herdeiros de empresas de transporte público. No entanto, talvez tenha sido também o evento mais representativo da realidade perversa em que degenerou a democracia brasileira.
Como ocorre normalmente entre cariocas, tudo começou com brincadeiras e ironias, como a manifestante fantasiada de noiva, que distribuía baratas de plástico aos passantes. A noiva de verdade era a neta do empresário Jacob Barata, conhecido como o “rei dos ônibus” no Rio.
O relato dos jornais nesta segunda-feira (15), principalmente do Globo, é rico em detalhes [Aqui, o relato da colunista social Hildegard Angel]. A noiva, seu pai e o avô chegaram à igreja em duas Mercedes, que, segundo o jornal carioca, acumulam nada menos do que 22 multas desde 2010. A recepção aos cerca de mil convidados, realizada no hotel Copacabana Palace, teria custado R$ 2 milhões. A festa, que varou a noite, tinha um cantor famoso no palco, que era adornado por uma bandeira do Brasil.
Para qualquer observador, esse é o cenário que explica e justifica a onda de protestos que tem sua origem no problema da mobilidade urbana: de um lado, os usuários de ônibus; de outro, aqueles que acumulam fortunas indecentes com os serviços de má qualidade subsidiados por dinheiro público – e que não cumprem os mais básicos deveres da cidadania, como pagar multas de trânsito. A presença solene de uma bandeira nacional no palco de uma festa particular é a melhor representação de uma elite econômica privilegiada, cujos atos ofendem o senso comum das ruas, e que se sente proprietária do país.
A frase atribuída ao pensador britânico Samuel Johnson não teria melhor colocação: “o patriotismo é o último refúgio de um canalha”. Tanto na Inglaterra de 1775, quando Johnson se referia ao uso de falsos argumentos nacionalistas como justificativa para práticas contrárias ao interesse público, como no Brasil de 2013, a apropriação do patrimônio social é considerada por essa elite como direito sagrado.
As passeatas de protesto querem dizer o contrário.

Aviõezinhos de dinheiro
A imprensa cumpre seu papel ao relatar pontualmente os incidentes que se seguiram à cerimônia religiosa, mas não avança na descrição do pano de fundo desse confronto entre duas realidades: a dos controladores do transporte público e a dos usuários de ônibus.
O Globo apresenta, associada ao noticiário sobre o casamento e os protestos, uma reportagem que revela o poder econômico dos donos do transporte urbano no Rio, cuja contabilidade se caracteriza pela falta de transparência. Mas nada, no histórico recente dos jornais, indica que qualquer um deles terá apetite para avançar no esclarecimento do jogo de interesses que liga os empresários de ônibus e as autoridades que deveriam fiscalizar o funcionamento dessas empresas.
Um levantamento de como funciona o complexo sistema dos transportes urbanos explicaria a revolta dos jovens que saem às ruas pedindo o fim das tarifas. Pode-se também afirmar que a perversidade desse sistema justificaria até mesmo alguns atos de violência que simbolizam a revolta contra o cerceamento do direito de ir e vir, produzido pelo alto preço das passagens e pela precariedade dos serviços oferecidos à população.
As manifestações de junho puseram a nu uma realidade que vinha sendo ignorada ou omitida pela imprensa: a de que a maioria da população é refém de meia dúzia de empresários de um setor fundamental para o funcionamento das cidades, cujo poder é assegurado pela legislação que lhes permite financiar campanhas políticas.
A consciência desse poder perverso é que pode explicar a agressividade com que alguns convidados à festa da família Barata reagiram à presença de manifestantes na calçada em frente ao Copacabana Palace, na noite de sábado, 13. Segundo contam os jornais, um dos convivas – apontado como parente da noiva – atirou do alto do edifício um cinzeiro de vidro, que feriu a cabeça de um jovem manifestante. Outros convidados lançaram sobre a multidão aviõezinhos feitos com notas de R$ 20.
Não poderia haver cena mais representativa da desigualdade que emperra o desenvolvimento da democracia no Brasil. Não faltam motivos para a imprensa e as instituições da República decidirem de uma vez por todas de que lado dessa sociedade fraturada pretendem se colocar.

Reunião com a CBF deixa Remo esperançoso

O esperado encontro entre as diretorias do Remo e da CBF em São Paulo terminou sem uma definição prática, mas abriu esperanças para o clube. O presidente da entidade ouviu as argumentações do presidente Zeca Pirão em defesa da participação do Remo na Série D do Campeonato Brasileiro. Marin disse que vai buscar uma forma de ajudar o clube. Em troca, Pirão se comprometeu a convencer os advogados a retirarem a ação contra a CBF a fim de mostrar a disposição de conciliar. Com isso, o clube deve evitar a punição e pode vir a ser contemplado com uma vaga na competição nacional. Em entrevista ao repórter Paulo Caxiado, da Rádio Clube, Pirão solicitou publicamente a retirada das ações feitas por torcedores. A reunião entre Pirão e Marin aconteceu depois de um almoço de homenagem ao técnico da Seleção, Luís Felipe Scolari, na sede da Federação Paulista de Futebol.

Pirão mostrou-se satisfeito com os resultados da conversa. Disse que os processos contra o Remo no STJD devem ser reavaliados e que o clube vai apresentar defesa para escapar da punição. Ao mesmo tempo, recebeu a garantia, por parte de Marin, de que o pleito por uma vaga na Série D será analisado pela entidade. “A brecha é o regulamento do Campeonato Paraense, que tirou o Remo mesmo tendo maior número de pontos, uma injustiça que seria reparada. Acredito que na quarta-feira teremos uma posição. O importante é que senti vontade da CBF em consertar o erro e ajudar o Remo”, disse Pirão.

Brasileiro da Série B – Classificação geral

Clubes PG J V E D GP GC SG
Chapecoense 20 8 6 2 0 20 7 13 83.3
Palmeiras 18 8 6 0 2 16 4 12 75.0
Joinville 16 8 5 1 2 18 9 9 66.7
Figueirense 16 8 5 1 2 17 12 5 66.7
Sport 15 8 5 0 3 16 12 4 62.5
América-MG 14 8 4 2 2 15 14 1 58.3
Paraná 12 8 3 3 2 8 7 1 50.0
Bragantino 11 8 3 2 3 8 8 0 45.8
Icasa 10 8 3 1 4 12 14 -2 41.7
10º Atlético-GO 10 8 3 1 4 8 12 -4 41.7
11º São Caetano 10 8 2 4 2 9 6 3 41.7
12º Ceará 10 8 2 4 2 10 8 2 41.7
13º Paissandu 9 8 2 3 3 12 12 0 37.5
14º Avaí 9 8 2 3 3 11 13 -2 37.5
15º Boa Esporte-MG 9 8 2 3 3 6 11 -5 37.5
16º Oeste-SP 9 8 2 3 3 8 14 -6 37.5
17º Guaratinguetá 7 8 2 1 5 12 17 -5 29.2
18º ASA-AL 7 8 2 1 5 7 15 -8 29.2
19º América-RN 6 8 1 3 4 10 16 -6 25.0
20º ABC 2 8 0 2 6 4 16 -12 8.3

À espera de um benfeitor

Por Gerson Nogueira

Uma historinha, revelada pelo jornal Folha de S. Paulo, pode servir de consolo ou inspiração para corações azulinos aflitos com a situação pré-falimentar do clube. A líder invicta do Campeonato Brasileiro da Série B era, há até pouco tempo, candidata à extinção, tal a quantidade de dívidas e cheques devolvidos.

Bola_seg_150713_23.psA Chapecoense ressuscitou em 2006 pelas mãos de um generoso cartola rival. Atual presidente do Figueirense, Wilfredo Brillinger atendeu a um apelo do então prefeito de Chapecó, João Rodrigues, e decidiu investir para tirar o clube do fundo do poço. A partir de então, uma das empresas de Brillinger passou a estampar sua logomarca na camisa da Chapecoense e o time começou a se reerguer.

Segundo o empresário, além do amor pelo futebol, resolveu ajudar a Chapecoense para retribuir o que sua empresa ganhava com a cidade. Na lona, o clube já era visto como causa perdida e não disputava série nenhuma.

Com a experiência bem sucedida na Chapecoense, que em 2009 obteve acesso à Série C, Brillinger entusiasmou-se e abraçou de vez a cartolagem, investindo no Figueira por dois anos seguidos. Depois disso, acabou eleito presidente do clube alvinegro de Florianópolis.

Além do rigor contábil, evitando despesas mirabolantes, o Chapecoense apostou na continuidade. O elenco é o mesmo há dois anos e a folha salarial gira em torno de R$ 400 mil. Bruno Rangel, que andou pelo futebol paraense sem maior brilho, é o grande destaque do time, com 9 gols marcados.

A trajetória de aperreios da Chapecoense tem semelhanças com o jejum vivido pelo Remo há seis anos. A diferença é que no próspero Estado de Santa Catarina ainda existem empreendedores apaixonados por futebol e dispostos a investir dinheiro num clube em frangalhos.

No rico Estado do Pará, rareiam empresários verdadeiramente identificados com o futebol. Os exemplos mais notáveis nesse segmento são do passado, quando Giorgio Falângola e Nabor Silva pontificavam como baluartes do Paissandu na década de 1960. Atualmente, os investimentos surgem na forma de patrocínios, quase sempre renovados às duras penas.

Mas que ninguém culpe a classe empresarial pela tímida injeção de recursos nos clubes. Antes disso, cabe ressaltar que as gestões desastradas e ineptas só contribuem para manter o empresariado longe das lides esportivas. Infelizmente.

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Com as cartas na mesa

Durante o fim de semana, surgiram inúmeras versões e palpites quanto ao desfecho do almoço marcado para hoje em São Paulo, reunindo a cúpula da CBF e a diretoria do Remo. No passado, quando o presidente do Remo era Licínio Carvalho, a entidade também abriu seus salões para um encontro amigável, prometeu ajuda financeira e depois aplicou um calote monumental nos azulinos.

Espera-se que, desta vez, a história seja outra. José Maria Marin estaria disposto a ouvir os pleitos do clube e até mesmo a condenação encaminhada pelo STJD pode entrar na mesa de confabulações. Como diria o amigo Guerreiro, tudo pode ocorrer nesse regabofe. Até mesmo, nada.

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Águia cai diante de 318 testemunhas

Depois de boa vitória sobre o Rio Branco no meio da semana, o Águia caiu fragorosamente ontem frente ao Cuiabá, por 3 a 0. Problemas defensivos voltaram a atrapalhar o Azulão marabaense, que despencou do G-4 para a sexta colocação de seu grupo. O goleiro Jair, descoberta do técnico João Galvão para o Brasileiro da Série C, voltou a fazer milagres e salvou o Águia de um resultado ainda mais vexatório.

Mais do que o apagão defensivo do representante paraense, chamou atenção a quantidade de torcedores presentes ao estádio Dutrinha, na capital mato-grossense: 318 gloriosas testemunhas.

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Arrogância pós-derrota

Não consigo ver o UFC como modalidade esportiva, mas não pude deixar de acompanhar a entrevista marqueteira que a Globo armou para limpar a imagem de Anderson Silva, depois da patética derrota para o americano Weidman. Se a intenção era levantar a bola do brasileiro, o tiro saiu pela culatra. Silva comportou-se na matéria como se ainda estivesse na luta.

Arrogante, não admitiu ter errado ao provocar o desafiante e acrescentou que não luta para os fãs, mas para si mesmo, frase inteiramente desnecessária. Por fim, acabou reforçando as desconfianças quanto a um arranjo da organização do evento ao confirmar que haverá uma revanche. Até a data é emblemática: 28 de dezembro. Grana em caixa.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 15)