Sob o peso da incompetência

Por Gerson Nogueira

A gestão dos clubes é seguramente o maior desafio do futebol profissional no Brasil. Pagar contas, ordenar despesas com responsabilidade e buscar receitas com criatividade. Fazer isso não é tarefa simples, principalmente em clubes de massa, onde a paixão é como combustível, inflamando as cobranças do torcedor e provocando pressão por todos os lados.

GERSON_08-07-2013Mais do que administrar o dia, cuidar do gerenciamento de pessoas e descobrir talentos, os gestores precisam agradar acionistas dos mais exigentes: os torcedores. Quando não correspondem à expectativa do público – e isso acontece quase sempre –, são criticados implacavelmente e acabam ficando pelo caminho.

O Vasco da Gama talvez seja o exemplo mais cristalino dos problemas que uma diretoria pode ter para levar a cabo um projeto de saneamento interno. Roberto Dinamite, maior ídolo da história do clube, botou seu passado em jogo ao assumir a presidência, após derrotar uma oligarquia danosa aos interesses vascaínos.

Dinamite afastou Eurico Miranda e sua trupe de São Januário, mas o Vasco sob seu comando não conseguiu se libertar de hábitos antigos. Continuou a atrasar salários e a contratar indiscriminadamente. Ensaiou logo no começo uma ascensão, depois de conquistar a Copa do Brasil e chegar à Libertadores. Como não havia planejamento, o projeto não avançou e a queda foi vertiginosa.

As dívidas se acumularam e o clube teve que lançar mão de seus principais jogadores. Hoje, Dinamite e diretoria convivem com o drama de uma campanha de sobrevivência na Série A. Ao longo de toda a competição, pelo que se observa desde a primeira rodada, o Vasco estará sempre ameaçadíssimo de novo rebaixamento.

Como o Vasco, muitos outros grandes clubes brasileiros padecem de gestões viciadas e arcaicas. Raros (Internacional, Grêmio, Corinthians e São Paulo) podem se dizer bem administrados, embora convivendo com algumas mazelas.

No Pará, a situação é crítica, quase de terra arrasada. Administrações recentes de Remo e Paissandu devastaram as finanças dos clubes e puseram em risco a sobrevivência de ambos. As dívidas trabalhistas se acumulam, algumas geradas por deslizes patéticos, que acendem a suspeita de interesses escusos. A Tuna, que resistiu até os anos 90, baixou a guarda de vez e hoje vive de pires na mão, amargando problemas que antes eram privilégio dos rivais mais populares.

A partir de 2000, os emergentes do interior passaram a marcar presença e a se impor. Com a ajuda de prefeituras e empresas, Castanhal e Ananindeua despontaram inicialmente como alternativas aos gigantes da capital. Depois, surgiram Águia, Cametá, São Raimundo, Independente Tucuruí e Paragominas.

Com dois títulos nos últimos três campeonatos, o interior se estabeleceu como força concreta no futebol paraense, ajudado pelas facilidades propiciadas pela Federação Paraense de Futebol, interessada direta na ascensão (e no voto) das ligas interioranas.

O sucesso das quatro linhas, porém, não encontra correspondência no âmbito administrativo. Todos, sem exceção, padecem dos mesmos males que acometem a dupla Re-Pa há anos. Cametá e Independente Tucuruí, campeões estaduais, são hoje pálidas presenças, vitimados pela má gestão e a ausência de torcida.

O Paragominas, vice-campeão estadual desta temporada, é o mais novo integrante do clube dos insensatos. Depois de dar a ilusão de que seria a exceção à regra geral, adotando uma política pé-no-chão nas contratações, acabou golpeado pela própria empáfia de seus dirigentes.

No fim de semana, seus jogadores entraram em greve por falta de pagamento dos salários. Sem respostas por parte do presidente do clube, o antes loquaz Formiga, decidiram suspender os treinamentos até que dois meses de salários sejam quitados. Prova de que no futebol do Pará a história sempre se repete, como farsa e tragicomédia. Até quando?

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Será que a culpa é dos técnicos?

Dizia-se isso do Botafogo, mas há coisas que insistem em só acontecer com o Remo nos últimos tempos. Virou saco de pancadas de emergentes (Vila Aurora, Palmas, Cametá, PFC e Desportiva) e agora parece que é também uma espécie de cemitério de treinadores. Paulo Comelli andou pelo Baenão e foi dispensado depois de um fracasso retumbante.

No ano passado, Comelli calou seus críticos locais ao comandar o Criciúma em campanha empolgante, obtendo o acesso à Série A. A situação se repete com Flávio Araújo, que perdeu o campeonato estadual atuando numa retranca feroz. Ocorre que no Sampaio Corrêa (de onde havia saído para treinar o Leão) Araújo é rei.

Provou isso novamente ontem, ao derrotar o Águia em pleno Mangueirão, por 2 a 0. Seu time, ao contrário do Remo no Parazão, joga no ataque e sem medo. Por isso, quase sempre vence.

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Direto do blog

“Pirão, ao que parece, resolveu o problema do Remo, mas apenas neste momento, ao fazer um empréstimo em seu nome. Mas, tanto faz, afinal o pagador sempre será o Remo. Se o clube estava precisando de R$ 500 mil para solucionar as besteiras feitas no 1º semestre por Pirão e cia, amanhã precisará de quase R$ 1 milhão para solucionar esses problemas (500 mil + juros bancários), acrescidos, ainda, de mais dívidas, que serão contraídas de mais farras nas contratações, até o término de seu mandato. Administrar clubes da grandeza de Remo e Paissandu, pelas mãos de agiotas ou empréstimos bancários, não é a solução. A solução do Remo está na antecipação das eleições para este ano de 2013”.

De Cláudio Santos, um azulino cético quanto às promessas de mudança na era Pirão.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 08)

26 comentários em “Sob o peso da incompetência

  1. Gerson e amigos, hoje, podemos dizer(eu, já falo, havia mto tempo), em relação aos dirigentes desses times do Interior, que o Peixoto, então Presidente do Cametá, foi o melhor e mais lúcido Presidente de um time médio do Pará.

    Volto a falar: Somente Remo e Paysandu(até o Águia), pelas altas despesas, principalmente se um time chegar as semi finais e finais, tem condições de disputar a série D. Já afundaram: São Raimundo, Independente, e agora o PFC(esse, já deve mais de 400 mil)…
    – Se o PFC tivesse um presidente inteligente, como o Peixoto, ofereceria sua vaga ao Remo, por 600 mil, e teria liquidado toda sua dívida inicial, não teria essa dívida agora, de 400 mil, e ainda faria caixa para 2014, onde tem a C. do Brasil, e assim se planejar melhor para a série D, de 2014… Está pagando por ir atrás de algumas pessoas..

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  2. O grande problema de muitos clubes, no futebol brasileiro, são os dirigentes incompetentes que colocar à frente do futebol, para bater de frente com o técnico.
    – No Remo, que tinha Jhones Tavares, Tonhão e cia, impuseram ao Comeli(que não é técnico para Remo e Paysandu, a não ser numa situação de emergência.. O Bombeiro..), várias contratações, se meteram no trabalho dele, e outras lambanças mais.
    Li uma entrevista do Comelli, onde ele se dizia espantado de ver o Presidente(Cabeça), pedir o Cartão de crédito pra um e pra outro, para pagar isso ou aquilo… Uma vergonha, mesmo.. Agora, no rádio, esse mesmo Sr. posa como se entendesse alguma coisa sobre futebol. Aliás, cadê sua agenda?…Te dizer…

    Gerson e amigos, os péssimos dirigentes estão acabando com os bons técnicos que por aqui passam. Só se dão bem com técnicos locais, por esses aceitarem intromissão em seus trabalhos… O clube que se dane…

    A respeito do meu post, penso que seja por aí, mesmo… Tem que haver eleições, ainda esse ano, se o Remo quiser mudar,pra melhor..

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  3. Paysandu já está escalado para o jogo de amanhã, 19:30hs, na Curuzu contra o São Caetano:

    Paysandu: Marcelo, Yago, Fábio Sanches, Jean e Janilson. Ricardo Capanema, Zé Antônio, Alex Gaibú e Diego Barbosa. Iarley e Careca.

    Marcelo Nicácio, se recuperou, mas não está 100%. Treinou ontem, fez o gol do time reserva, na derrota de 4 x 1 para os titulares, e vai no banco..

    Papão vai anunciar um meia a qualquer momento, indicado por Givanildo, segundo um jornalista.

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  4. É o que eu penso também, amigo Cláudio. Os emergentes vivem uma situação irreal, muitas vezes inflada pela própria FPF.

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  5. Srs,

    Isso tudo está relacionado aos modelos de negócios do tempo de 1920 criado pelo Clubes. No Remo é um entra e sai, sem obedecer direitos e deveres, a quantos anos estamos ouvindo a mesma história ? Entre um presidente a dívida do Remo é de 5 milhões, a paga alguma coisa, libera a renda, e deixa um uma dívida de 7 milhões, não existe conselho fiscal, não se consulta parte jurídica, não existi processo definidos, eu pergunto qual empresa sobreviria a uma gestão desse tipo ?

    O Remo tem que se abrir, aproveita a massa, pessoas novas, como estes advogados que talvez consigo o acesso a série D, o Remo com um mínimo de organização de empresa, em 02 anos já está na série B.

    Representantes da Assoremo, Remo é meu, os advogados precisam urgentemente entrar no Clube e realizar essas mudanças visando 2014.

    O estatuto deve ter ressaltada todas penalidades possíveis, para inibir qualquer entrada de aventureiros no Clube, estamos no melhor momento para acontecer isso no Remo.

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  6. Amigos Claudio e Gerson deixem eu ir na contra mão dos vossos pensamentos.

    Todos os times que ganharam a vaga no campo e não se renderam a vender suas vagas agiram corretamente.

    Pois não enganaram suas torcidas e nem suas cidades.

    Participaram do campeonato e como premio receberam esta vaga e fizeram uso dela como era de se esperar.

    Se deu prejuízo não foi isso que culminou para tal e sim a mã administração e brigas internas, exemplo claro foi o São raimundo que chegou a ser campeão da mesma.

    600 mil ou seja lá quanto for compra uma vaga, mas não compra e nunca comprará a dignidade de ninguém.

    Torço para que a CBF confirme o Gênus como dono da vaga, pois isso é legitimo.

    O resto é choro de time babão que não conseguiu ser competente dentro de campo e agora fica a azucrinar a vida dos outros.

    2014 vem aí Cachorro de peruca.

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  7. Só pra finalizar, o Remo é na minha opinião um dos grandes time s desse país, a sua grande torcida lhe credencia a isso.

    Agora vai se apequenando ainda mais quando tenta sair do rolo que se meteu de forma fraudulenta e desleal.

    Coitado do futebol de Rondonia e do pobre Gênus, coitado mesmo.

    * Ontem o Pirão disse que o Remo só tem de receita 50 mil do Banpará até o final do ano e ainda está blok.

    Está pior que pior São Raimundo, Cametá, Independente etc…mas ninguém quer ver isso.

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  8. Falou tudo Edson Pirão Jr, o legitimo dono da vaga é o Genus e não tem essa de prazo por que para o Remo também não teria. Ou seja tem que deixar de ser hipocrita e de clubismo.

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  9. Artigo que a nação azulina tem que ter acesso e servir de exemplo.

    Do limão, uma limonada (Blog Juca Kfouri).

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  10. Amigo Edson, as vagas conquistadas em campo pertencem legitimamente aos times que fizeram boas campanhas. Não se questiona esse direito. O que chama atenção é a repetição dos problemas financeiros que afundam com todos os emergentes – São Raimundo, Cametá, Independente, Ananindeua, Abaeté, Vênus, Bragantino, São Francisco, Paragominas. O Águia, mesmo às duras penas, é uma exceção porque depende cada vez menos da prefeitura.

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  11. Não acredito no Pirão, ele só está querendo atrair colaboradores agora porque as finanças do clube estão quebradas, mas a intenção é manter o mesmo esquema arcaico de sempre.

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  12. O Remo precisa de transparência, eleições diretas, incentivo a novos(milhares)sócios etc. O resto é papo de múmias que sempre lucraram com as crises do Mais Querido.

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  13. é amigo Claudio, olhando o vídeo, o cara é Matador, vamos aguardar pra ver se ele se identifica com a “massa” BICOLOR!

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  14. Se o Remo esta todo endividado como ele quer disputar a serie D vai acumular mais divida, 1º não tem time nem téc. eu como remista me organizaria para 2014… mais o presidente e quem manda ele é quem faz as dividas, todo presidente que assumir a o remo, deveria assumir a divida tbm quando acabace seu mandato

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  15. Sr. gerson vamos ser mais profissional e menos torcedor quem estar disputando algo é o PAYSANDU voce entendou ou quer que eu desenhe te dizer

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  16. se voce não saber o primeiro colocado da redação do vestibular tinha tantos erros mais o que fale é que vc entendeu seja profissional vc é pago pra isso nao pra ser torcedor

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