Grupo do Genus é suspenso e Leão volta a sonhar

Depois de notificada judicialmente no final da tarde desta sexta-feira, a CBF acatou a liminar expedida pela Justiça do Pará, comarca de Ananindeua, que determina a inclusão do Remo na Série D. O jogo entre Genus x Nacional (AM), válido pela segunda rodada do grupo A e que estava marcado para domingo, em Porto Velho, foi suspenso. Para reverter a situação, a CBF terá que buscar cassar a liminar na Comarca de Ananindeua, fórum da ação. A medida judicial foi solicitada por um grupo de advogados, torcedores do Remo, que alegaram erro de direito da CBF em aceitar o representante rondoniense, visto que a Federação daquele Estado descumpriu todos os prazos estabelecidos para indicação de um participante. Na próxima segunda-feira, haverá uma reunião em Brasília entre os advogados, o senador Jader Barbalho e o presidente da CBF, José Maria Marin, para tentar uma saída de conciliação para o imbróglio. (Com informações da Rádio Clube)

Leão desmancha elenco e perde prata da casa

Remo Jayme e Berg-Mario Quadros

Sem partidas oficiais programadas para o restante da temporada, o Remo começa a enfrentar um desmanche de seu elenco. Nove jogadores do time que disputou o Campeonato Paraense já encerraram contrato e aguardam apenas os acertos finais para deixarem o clube. Ao mesmo tempo, atletas revelados na base do Evandro Almeida já ensaiam novos voos. O atacante Jayme (foto acima), que disputou o Parazão emprestado ao Paragominas, negociou a rescisão de contrato com o clube e vai defender o Omonia Nikosia, clube do Chipre. O volante Jonathan, que foi titular absoluto nas últimas duas temporadas, também deve deixar o Baenão, aguardando apenas uma proposta oficial para ir defender outro clube. O Remo deve ao jogador R$ 53 mil, tem interesse em sua permanência e propôs renovação de contrato, compensando o débito. O empresário do atleta ainda não deu resposta.

Por fim, o lateral-esquerdo Alex Ruan se tornou objeto de interesse do Sampaio Corrêa para a disputa da Série C. Foi indicado pelo técnico Flávio Araújo, que curiosamente só escalou Alex no Parazão porque o titular Berg estava lesionado. Como o Sampaio vem a Belém neste final de semana para enfrentar o Águia, é provável que os dirigentes reúnam para acertar a situação do jogador.

Remo Leandro Cearense-Mario Quadros

Os demais jogadores, mesmo os que tiveram contratos encerrados, continuam no Baenão. Branco, Leandro Cearense (segunda foto), Carlinho Rech, Berg, Gerônimo, Ian, Gabriel, Diego Ratinho e o goleiro Fabiano têm participado dos treinos e exercícios ministrados pelo técnico Charles Guerreiro. A comissão técnica observa atletas do Sub-20, que terminou em segundo lugar no campeonato estadual, para possível aproveitamento no time titular. A diretoria planeja agendar amistosos no segundo semestre pelo interior do Estado e no Amapá. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Vote no mico da semana

Com a volta dos jogos do Campeonato Brasileiro, voltamos também com as mancadas da semana. Escolha a sua, vote e justifique:

1) Remo perdeu o título do Sub-20 para a caçula Desportiva, confirmando a recente tradição de boa vontade com times emergentes. Antes, havia entregado o ouro para Palmas, Vila Aurora, Águia, Cametá e Paragominas, dentre outros.

2) PFC, que surgiu prometendo através de seus dirigentes revolucionar a gestão de clubes no Pará, incorre no vício mais comum dos grandes da capital: atrasou os salários do elenco, que ameaça até suspender os treinos. 

3) Paissandu é surpreendido com dívida antiga (e irreversível) com um quase desconhecido ex-atleta da base. Jânderson, ex-Vila Rica, contratado durante a gestão Luiz Omar, ganhou na Justiça indenização de R$ 430 mil.  

De volta ao primeiro escalão

Por Gerson Nogueira

O título da Copa das Confederações pode não ser a última maravilha da terra, mas já fez o Brasil deixar a incômoda 22ª colocação no ranking de seleções da Fifa e subir ao mais aceitável 9º lugar, embora ainda atrás de times historicamente fulecos, como é o caso de Croácia e Portugal. De todo modo, já representa um alívio para o orgulho nacional a recuperação do conceito junto à comunidade internacional da bola.

Sim, porque a discriminação a ex-poderosos que de repente despencam na escala social não se restringe ao mundo dos negócios e da ostentação. No futebol, uma das piores pragas é a decadência repentina e a pindaíba continuada.

GERSON_05-07-2013Nos tempos em que a Fifa ainda não organizava ranking para aferir o poderio técnico das seleções, o Brasil viveu tempos de dureza terrível, imediatamente depois do tricampeonato conquistado no México pela soberba geração de Pelé, Rivelino, Gerson, Tostão, Jairzinho e Carlos Alberto Torres.

Pareceu até praga ou vodu. Houve quem acreditasse piamente na hipótese conspiratória de um arranjo patrocinado pela própria Fifa (sempre ela) para evitar que a hegemonia brasileira gerasse um desequilíbrio na geopolítica boleira.

Por longos 24 invernos o Brasil passou longe da taça e foi obrigado a assistir, quase impotente, a ascensão de rivais que mofavam no fim da fila até então. Nas cinco Copas do Mundo que separaram o tri de 1970 do tetra de 1994, Argentina (1978 e 1986) e Alemanha (1974 e 1990) ganharam dois títulos mundiais aproveitando-se do período sabático brasileiro. A Itália faturou um título apenas, em 1982, mas virou tri também.

O mais impressionante é que ao longo desse jejum histórico o Brasil só esteve razoavelmente perto de levantar o caneco em uma ocasião. Foi com a até hoje reconhecida Seleção de 1982, que trombou na Itália de Paolo Rossi e acabou defenestrada antes da consagração final.

É bem verdade que a rápida passagem por campos espanhóis foi suficiente para inscrever a esquadra de Mestre Telê entre as mais espetaculares de todos os tempos, principalmente pela reunião feliz de uma cooperativa de craques. Sócrates, Falcão, Zico, Cerezo, Júnior, Éder e Leandro têm lugar cativo no panteão dos melhores boleiros já produzidos neste país tropical.

O período de queda no ranking da Fifa coincidiu com a ausência do Brasil (como país mandante) das Eliminatórias sul-americanas para o Mundial de 2014, mas nem isso serviu de alento. Os catastrofistas ou idiotas da objetividade, como cunhou Nelson Rodrigues, previam que a Seleção havia descido aos infernos e dificilmente sairia de lá.

Acontece que o critério de avaliação utilizado pela Fifa é generoso com os países mais tradicionais, aqueles que integram o fechadíssimo clube dos campeões do mundo. O expressivo salto experimentado pelo Brasil na lista comprova isso. Galgou 13 posições com a conquista da Copa das Confederações, que vem a ser apenas um torneio de cunho experimental para a festa maior do futebol.

Por vias transversas, pode-se conjeturar que a fabulosa herança de vitórias deixada pelos craques da era de ouro do nosso futebol rende dividendos até hoje. Não é de duvidar que se estendam por toda a eternidade. E que assim seja.

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Outra dívida nascida do nada

Quem é Jânderson? A pergunta tem desafiado a memória até dos bicolores mais empedernidos. Ocorre que o dono do misterioso nome é um ex-atleta do clube, mas jamais envergou a tradicional camisa listrada alviceleste como profissional. Quando muito, disputou algumas partidas pelo Sub-20. Foi trazido para o clube há cerca de quatro anos, depois de se destacar na escolinha do Vila Rica, então administrado pelo empresário italiano Dario Tragni.

Não há registro de nenhum gol ou façanha de Jânderson em defesa do Paissandu. Até os dirigentes e funcionários mais antigos não sabiam dizer quem era o autor da ação trabalhista que golpeou o clube em R$ 430 mil. As reclamações apresentadas quanto a salários e outros direitos encontraram amparo na Justiça sem que o clube, à época presidido por Luiz Omar Pinheiro, apresentasse defesa. A sentença foi prolatada e o Paissandu condenado a pagar o montante exigido pelo ex-atleta.

Em entrevista ao programa Bola na Torre do último domingo, o presidente Vandick Lima lamentava mais essa absurda pendência que deverá ser quitada em sua gestão. Jânderson junta-se a outros casos igualmente escabrosos de ações judiciais que o clube deixou de contestar, como as milionárias sentenças que favoreceram Jobson e Arinélson.

De descuido em descuido, os clubes vão ficando cada vez mais pobres. E os dirigentes ditos responsáveis cada vez mais impunes.

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Direto do blog

“Onde estão os cinco milhões arrecadados durante o campeonato estadual e a Copa do Brasil? Para pagar as dívidas é que não foram utilizados. Afinal, se há cento e tantas ações pendentes (eta números incertos!) e ainda falta pagar os jogadores que rescindiram agora, será que é justo, preciso e exato dizer que no futebol não foram aplicados?”.

De Antonio Oliveira, sobre o sumiço dos milhões arrecadados pelo Remo no primeiro semestre.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 05)