Corruptores da época de PC seguem na ativa

Por Bob Fernandes

pcfariasJulgamento dos suspeitos de envolvimento no assassinato de PC Farias e sua namorada, Suzana Marcolino. Ótima oportunidade para tratar de como funciona o Brasil “de cima”. Assassinato à parte, a tão difundida tese da “queima de arquivo” , à época, serviu, serve para se esconder, esquecer a roubalheira e responsabilidades naquele tempo.

PC Farias foi o tesoureiro da campanha do ex-presidente Collor. E, depois, segundo informações objetivas, o operador de um vasto esquema de corrupção e corruptores. Nos dois primeiros anos de governo, apesar de denúncias contundentes, silêncio quase absoluto diante da monumental roubalheira. Por que o silêncio? Ambos nasceram do nada? Não.
Silêncio, primeiro, porque o “grande capital”, empreiteiras e setor financeiro à frente, trabalhou para eleger Fernando Collor. O topo da chamada grande mídia, e da grana, tinha medo de dois candidatos: Leonel Brizola, então ex-governador do Rio de Janeiro, e Lula.
Para evitar Brizola, antes, e Lula, no segundo turno, os donos do poder de então apostaram suas fichas no candidato Collor. Entregaram muito nas mãos do tesoureiro PC Farias. Isso são fatos, é História.
Por essa razão, o estrondoso silêncio nos dois anos seguintes. Não havia como esmiuçar aquele governo logo de saída, como necessário, como tantas vezes se faz porque assim deve ser. Afinal, boa parte do grande capital e mídia havia se aliado aos que chegavam ao poder.
A cara de pau era inacreditável. Dois dos maiores cofres do Estado, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, foram entregues diretamente a PC Farias.
Nos anos 80 a Tratoral, empresa de PC Farias em Alagoas, entrou em concordata. Poucos anos depois, início dos 90, o governo Collor: ex-dirigentes de bancos privados que ajudaram PC a sair da concordata presidiam a Caixa e o Banco do Brasil.
Aquilo tudo acabou em impeachment e CPI. O inquérito-mãe da Polícia Federal chegou a 100 mil páginas. Mais de 100 de alguns dos maiores empresários do Brasil foram indiciados. Assim como mais de 400 empresas.
O inquérito da PF era o verdadeiro “arquivo vivo” da corrupção grossa. Só PC Farias foi condenado, e por crime fiscal. Mais ninguém pagou por nada. Todos foram absolvidos ou nem julgados. Os crimes prescreveram.
Em algumas situações, donos do poder agiram juntos. Eles sabiam, sabem quem pegou e quem pagou. Com o assassinato de PC, o escândalo e a tese do “arquivo morto”. A chance de se esquecer a roubalheira, a CPI, e a lista dos grandes envolvidos.
Muitos estão aí até hoje. Uns, bem grandes, seguem “operando”, como se diz. Outros, hipócritas, dizem-se escandalizados com a corrupção. Com a corrupção alheia. A do vizinho.

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