Ministra defende que Marin seja investigado

O deputado Romário ganhou uma importante aliada em sua investigação sobre a suposta participação de José Maria Marin na morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975. Nesta sexta-feira, um dia depois de Romário discursar no plenário da Câmara dos Deputados, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, defendeu que a investigação seja levada adiante.

“Eu penso que todas as pessoas que comprovadamente estiveram envolvidas em situação de morte, tortura e desaparecimentos forçados não devem ocupar funções públicas no país. Porque os que cometeram – e se cometeram comprovadamente estes atos -, traíram qualquer princípio ético de dignidade humana e não devem ocupar funções de representação”, disse a ministra à versão online do jornal O Globo.

Na quinta-feira, Romário pediu que Marin se explique quanto à sua participação em crimes da ditadura. Na época, o hoje presidente da CBF era deputado estadual. “Ele presidiu a Câmara de Vereadores de São Paulo e, antes de se tornar governador do Estado, foi deputado estadual pela Arena, o partido da ditadura. Foi nessa ocasião, em 9 de outubro de 1975, que ele fez um duro pronunciamento, contra a TV Cultura, ao apartear no plenário o deputado Wadih Helu. No seu aparte, o Deputado Marín exigia que fossem tomadas providências, segundo ele, em nome da “tranquilidade dos lares paulistanos”, como está registrado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 09 de outubro de 1975, página 62, que solicito conste nos anais desta Casa. Não sei que providências ele tinha em mente. O que sei, e que todos nós sabemos, é que no dia 24 de outubro daquele mês, o Diretor de Jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, foi convocado para depor no DOI-CODI, e apareceu morto em sua cela, no dia seguinte”, disse Romário no plenário da Câmara.

Nesta sexta-feira, a ministra Maria do Rosário participou da cerimônia de entrega do novo atestado de óbito de Herzog; o novo documento coloca a causa da morte como “lesões e maus tratos sofridos durante o interrogatório nas dependências do 2º Exército (Doi-Dodi), substituindo a versão “asfixia mecânica por enforcamento”, de suicídio, propagada na época da morte pela ditadura, que chegou a forjar uma fotografia do jornalista enforcado em uma cela”.

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