Crônica para a mulher do nariz grande

Por Xico Sá

avedon_streisand_600-1-300x296A mulher de nariz grande chega bem antes em qualquer ambiente. É a que chega primeiro também na vida de um homem. Sai, quase sempre, sem bater a porta. Prefere uma bela vingança.

A mulher de nariz grande fareja, degusta, vê, ouve e tateia na velocidade da luz. Como se o nariz grande se intrometesse nos outros sentidos. Para o bem e para o mal. A mulher de nariz grande chega bem antes.

Chega primeiro para matar a sua curiosa fome de viver. Chega primeiro porque odeia ter saudade e não poder matá-la imediatamente.

Para o bem ou para o mal, a mulher de nariz grande chega do nada. Inclusive para aplicar um flagrante delito no canalha. Ela fareja de longe a desgraça.

Até no altar a mulher de nariz grande deve chegar primeiro do que o noivo, desmentindo todo o folclore. A mulher de nariz grande é a que, entre todas as suas semelhantes, tem menos inveja do pênis.

A porção mulher que até então se resguardara, amigo, aflora, freudianamente, diante da presença dela. A mulher de nariz grande me lembra o melhor conto que já li na vida: “O Nariz”, de Nikolai Gogol, evidentemente.

A mulher de nariz grande puxa oxigênio e aroma dos jardins para a cama até em uma manhã de segunda. Na horizontal, o nariz grande vira uma ponte para a margem esquerda do nirvana.

Em um colchão d´água de motel barato, é ponte sobre o Danúbio. Ao contrário de Pinóquio, quando mente, digo, quando ilude, a mulher do nariz grande cresce as orelhas, Deus castiga. Graças a tal temor, a mulher de nariz grande é a que menos utiliza o dom de iludir os tontos como este que vos digita.

A mulher de nariz grande emite as mais lindas e barulhentas onomatopeias quando goza ou até mesmo quando se aproxima do solene momento. Ela sente antes o incêndio das horas. Mesmo em uma distância transatlântica, amigo, saiba: é a mulher do nariz grande que estará mais perto do que qualquer outra.

Deixe uma resposta