Um longo e tortuoso caminho

Por Gerson Nogueira

Todo mundo sabia que o time não tem entrosamento e nem jogadas criativas. Não houve tempo para treinos, jogadores se reuniram no hotel e Felipão no máximo conseguiu apenas conversar com os convocados. O futebol de hoje, com seus múltiplos interesses em relação aos melhores de cada país, não permite que as seleções se preparem adequadamente.
Mas, apesar dessa consciência, esperava-se mais da Seleção Brasileira – sempre se espera mais dos pentacampeões do mundo. Ainda mais atuando contra a Inglaterra, que há muito tempo é força secundária na Europa, atrás de Espanha e Alemanha. No fundo, acredita-se ingenuamente na mística do futebol moleque, capaz de se impor apenas pela ginga.
bol_qui_070213_11.psA realidade, porém, está bem aí, a cobrar seu preço. Por mais que se queira culpar o técnico (como se fazia com Mano Menezes), é preciso ter em mente que o equilíbrio de forças não é mais o mesmo. Mesmo contra a instável Inglaterra, que anda apavorada com o risco de não se classificar para a Copa de 2014, o time se revelou um poço de insegurança.
É normal que até jogadores experientes fiquem nervosos com a estreia de um novo técnico. É também absolutamente natural que, sem fazer treinos coletivos na quantidade mínima desejável, surjam indecisões na hora de um lançamento ou de infiltração na área inimiga. Todos esses aspectos devem ser contabilizados em favor da nova Seleção.
Ocorre que, independentemente do estágio atual, o calendário não perdoa: daqui a pouco mais de um ano, o Brasil terá que entrar em campo com uma seleção capaz de representá-lo – e ganhar a Copa. Não passa pela cabeça de ninguém reviver a tragédia do Maracanazo. Felipão sabe dessa premissa e deve estar preocupado com o pouco tempo de que dispõe.
Fica claro que os jogadores que precisou catar aqui e ali não são os que sonhava ter. Viu-se obrigado a insistir com Ronaldinho Gaúcho, caso quase perdido, que ontem evidenciou que seus tempos de fazer chover já passaram. Tornou-se um mero armandinho – como se dizia nos anos 60 – como tantos outros existentes no mundo, longe daquele craque diferenciado, de amplos e exuberantes recursos, que encantava no Barcelona de 2003 a 2006. Faz alguma ferida ainda nos jogos meia-boca do Campeonato Brasileiro. Mas, diante da dura marcação europeia, revela o verdadeiro nível a que desceu.
Refiro-me inicialmente ao Gaúcho porque foi o escolhido por Felipão para ser o referencial da Seleção. Duvido que, depois da derrota em Wembley, o técnico siga pensando assim. Como também não deve contar com Kaká, um renegado que prolonga sua estada no Real Madri. É improvável que assuma as rédeas da equipe, como Rivaldo e Ronaldo Fenômeno em 2002. A verdade nua e crua é que não existe hoje um jogador no Brasil com tal perfil.
Nem mesmo o jovem craque Neymar, cuja inexperiência em relação ao embate com defesas cascudas salta aos olhos. Diante dos ingleses, o atacante santista mostrou-se tímido, incapaz de fazer as traquinagens que apronta contra Botafogo de Ribeirão ou Atlético Sorocaba. Nesses momentos, dá para entender Ronaldo, que aconselhou Neymar a ganhar experiência no Velho Continente.
Só um sujeito parecia destemido e consciente do papel que um atacante moderno deve ter. Fred correu pela faixa de campo que lhe cabia e disparou chutes que os outros avantes (Luís Fabiano, Neymar) refugaram. Não apenas pelo gol, mas pelo desembaraço, foi um dos poucos a deixar o estádio de cabeça erguida.
O outro destaque foi Júlio César, que defendeu um punhado de bolas dificílimas. Mas, ao contrário do artilheiro, a glória do goleiro acentua a fragilidade do time, cuja defesa mostrou-se opaca, quase sempre bambeando diante das rápidas triangulações inglesas.
O panorama foi pior ainda pelo lado esquerdo, onde Adriano levou um baile do ponta-direita (sim, os europeus ainda apreciam a posição que Garrincha elevou aos píncaros da glória) Walcott. Os desajustes da defesa, porém, são bem menores que as incertezas no meio-campo e ataque. Felipão está com um tremendo abacaxi nas mãos.
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Batalhas na super rodada

Duas disputas agitam a sétima rodada do turno do Parazão, hoje à noite. Na parte de cima, a batalha é pelo primeiro lugar. O líder Remo, repleto de volantes, vai a Marabá defender sua condição contra um Águia desesperado e escalado num 4-3-3 que não esconde a ofensividade. Em caso de derrota azulina, o Paissandu precisa bater o Santa Cruz para assumir a ponta. Na Curuzu, Lecheva repete o time de domingo, prestigiando o garoto Djalma.
No outro extremo da tabela, Águia, Santa Cruz e PFC lutam para ir às semifinais. O time de Paragominas está na dianteira e enfrenta o pior time da competição, a Tuna, que tenta recomeçar do zero, agora com Cacaio. Creio que o PFC fica com a vaga.
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Promessa ou enganação?

Rápido e abusado, o franzino Rafinha encanta os flamenguistas a ponto de alguns já falarem até em Seleção. Em meio à crise que assola o país da bola, qualquer jovem talento torna-se logo esperança para 2014. A cada gol marcado no Campeonato Carioca, cresce o entusiasmo da massa rubro-negra. Pelos dribles, lembra Sávio, um projeto de craque que se perdeu pelo caminho, apesar das grandes chances que teve.
O perigo é terminar vítima de tanta expectativa, como Adrian e Mateus, protagonistas de retumbante fiasco na Seleção sub-20. O mais recomendável, pelo bem do próprio Rafinha, é ter muita calma nessa hora.
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Uma lenda faz aniversário

Romualdo Sena, o “Sarará”, festeja hoje 85 anos de idade. Para os mais novos, vale dizer que ele é um dos grandes goleiros do futebol paraense em todos os tempos. Em 1955, foi supercampeão, invicto, pela Tuna, sendo eleito o guardião menos vazado daquele campeonato. Parabéns.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 07)

23 comentários em “Um longo e tortuoso caminho

  1. Quanto à promessa flamenguista, até que me prove o contrário, me parece mais com aqueles craques contra adversários fracos, como alguns que pululam por aqui. É o que eu disse ontem: qualquer um que drible um pouco mais ou faça mais firulas contra defesas frágeis acaba recebendo o rótulo de craque ou de gênio; que o diga Neymar Jr. e outros menos falados.

  2. Sobre o Selecionado da CBF, minha opinião é bem próxima a sua, Gerson. Aliás, me parece que já são poucos os jogadores brasileiros que ainda apresentam a ginga e a molecagem de que você fala, características que tanto realmente não têm sido suficientes, quanto às vezes, até nem são exibidas nos jogos pela Seleção. Aliás, a convocação do Ronaldinho Gaúcho e o futebol que ele voltou a jogar com a amarelinha, mostram que o Felipão ou já não enxerga o futebol além do que mostra a televisão, ou continuando atentíssimo aos meandros do mundo da bola, quer se livrar, desde logo, do assédio da imprensa a favor de jogadores que de há muito já não rendem no Selecionado da CBF, para poder selecionar e treinar seus jogadores com tranquilidade.

    Quanto à super rodada do Paraense, esta me trás questionamentos sobre o elenco remista e sobre o que vai na cabeça do respectivo técnico. Será que os amapaenses realmente não tem a mínima condição nem ao menos de compor o banco de reservas? Será que eles estão física e tecnicamente piores do que estão atualmente o Ratinho e o Ramon? Se o Endy não estava em condições de entrar, de cara, contra o SF, porque estará hoje? Por que insistir escalando de uma só vez jogadores (Guerra e Ramon) que não ostentam condição física de executar as funções (intensa marcação) compatíveis com o esquema tático que ele próprio, o treinador, adota? Será indiferente para o treinador classificar-se em primeiro ou segundo lugar para as semi? O técnico remista estará naquela fase pré-surto de Prof.Pardal?

    Enfim, amanhã, ou hoje à noite mesmo, estarei pronto para vir aqui dar a mão à palmatória, se o Remo vencer o jogo, ou mesmo empatar, mas jogando bem. Digo isto porque minha expectativa é que piore aquele quadro caracterizado pelos chutões, erros de passe, carência de posse de bola, vazio na criação, fragilidade na marcação, etc, etc, etc. Em suma, vislumbro mais uma noite daquela angustiante e constrangedora retranca. A conferir.

  3. Sou otimista por natureza e pela primeira vez desde que acompanho futebol sinto uma grande possibilidade de a nossa Seleção fazer feio em uma Copa. Na era Lazaroni-Dunga, se não éramos o maior favorito, também não havia um bicho-papão. Atualmente o disparate é grande. Alemanha, Espanha, Argentina, Holanda estão seguramente muito à nossa frente. França, Inglaterra e Itália logo a seguir. O Brasil, na minha opinião, entra num terceiro bloco. Essa tal bonança econômica valorizou traiçoeiramente nossos clubes e campeonatos, trouxe ex-craques de volta e segurou revelaçôes que não se afirmam mas deitam e rolam em terra onde não se prima pela tática, principalmente não se joga coletivamente. Aí, em jogos contra europeus e até argentimos, nossos “craques” somem e não temos um arremedo de tática ou jogadas ensaiadas. Preocupante ao extremo o atual estágio da Seleção.

  4. Qual o jogo será transmitido pelo Portal da Tv Cultura ?

    Na Radio Clube vai estar uma confusão, 4 jogos no mesmo tempo!

  5. As vezes concordo com o C. Columbia sobre técnico local, pois não é que o Lecheva me vem com Djalma, em detrimento ao Gaibu. Quer dizer, enfraquece o time por capricho, o Djalma, é pra ir entrando aos poucos, senão vai acabar queimado, como o Helinton.

  6. Sobre a seleção brasileira como eu disse para o amigo Gerson Nogueira e ele avaliou meu comentário positivamente, o futebol brasileiro tem que mudar o modo de jogar em detrimento a trocas de passes que é unica forma de desmante la uma marcação de duas linhas de quatro, o futebol mundial ja entendeu que não é mais os passes longos e jogadas de efeitos que transformam o time em ganhador, mais sim ao contrário, o futebol virou algo mais simples e objetivo, enquanto o Brasil ainda acredita que vai encontrar outro Pelé, Garrincha, Gerson nos campos de varzeas que estão acabando em detrimento ao aumento da construção civíl, o que tem que ocorrer é mudar o modo de jogo para toques mais simples e objetivo com aproximação e marcação por zona que é algo mais eficaz tanto em vitórias em jogos como um titulo num futuro. Ficou provado também que tem jogadores de clubes e outros de seleção, Neymar e Lucas são jogadores com qualidades mais não são jogadores para uma seleção agora, principalmente o Neymar que precisa de mais preparação psicologica e física para conseguir melhorar o seu futebol no selecionado, o Lucas necessita de mais experiencia internacional que ja esta tendo jogando no PSG. Esta é a minha opinião sobre o selecionado canarinho.

  7. Concordo com vc Antonio Oliveira…Obs: já postamos nossa resposta sobre sua indagacao de criticas a arbitragem, no post do Sindicato e sua nota…rsrsr

  8. Concordo totalmente com o artigo do escriba baionense.Quanto a Neymar acho que a presença de Gaucho e na mesma faixa de campo outrora ocupada pelo santista o deixou inibido.Claro que se percebeu a falta de força física de Neymar ante a zagueiros robustos, em duas ou tres oportunidades ele pisou na bola e ficou pisando em ovos , sem força para aquela arrancada costumeira até a grande área.Mas nossos jogadores estão voltando de férias, ainda falta muito tempo e ,longo e duro, mesmo assim Felipão vai arrumar o time.Anotem aí.

  9. As pífias performances de nosso selecionado, bem como de nossos melhores jogadores, refletem uma crise de identidade do futebol nacional que é muito informada pela decadência técnica e tática do futebol jogado intra-muros. Somado a isso, a própria cultura futebolística da terra brasílis foi contaminada por concepções que ajudaram a deturpar o nosso próprio entendimento do esporte como elemento singular para a formação de nossa identidade cultural, dando a ele novos significados e novas roupagens.
    Assim, a crise da outrora sagrada instituição chamada “Seleção Brasileira” é não somente evidente quando se analisa os acontecimentos sobre o tapete verde, mas é clara também quando se analisa os bastidores do esporte (a cartolagem de clubes e federações, a imprensa esportiva, a classe política, os executivos da tv e até produtores musicais…).
    Presidentes dos clubes, das federações estaduais e da confederação nacional articularam acordos espúrios com políticos inescrupulosos e com executivos de grupos de mídia cujo objetivo era (e ainda é) deixar tudo com está. O jogo (futebol), hoje é um joguete.
    A grande imprensa esportiva, via de regra, contribui com o seu quinhão ao dourar a pílula. Superestimam-se times, jogadores, técnicos e campeonatos no limiar da indigência técnica. E quando não se pode encobrir o que é evidente, a recorrência à expedientes como a tapeação e a idiotização do torcedor por meio da falta de compromisso com a informação urgem. Não importa como jogam A ou B, mas se dá destaque a discursos “motivacionais” de boca de vestiário. Debater formulações táticas é supérfluo, mas o penteado ou a dancinha de fulano e beltrano é extremamente relevante. Mostra-se a festa de enormes torcidas nas arquibancadas, mas encobre-se a balbúrdia das “organizadas”. E endeusa-se jogadores medianos em jornadas “épicas” pelos campinhos de interior contra times de beira de estrada.
    O culto à vitória e o apego ao emprego embruteceu nosso estilo de jogar, eminentemente ofensivo, ousado, partidário do achincalhe alheio após a aplicação do drible. Fatias consideráveis das torcidas nacionais também embruteceram em grau máximo, tornaram-se facções fascistóides partidárias da violência como um fim em si mesma. E as autoridades públicas, com aquele semblante blasé, fingem que nada acontece.
    Falar da corrupção na entidade maior do futebol nacional, do superfaturamento de estádios e do lobby anti-desportivo na escolha das sedes do mundia 2014 é fazer chover onde já está molhado. Mesmo assim, para os que teimam engolir cápsulas bronzeadas, ainda somos o país do futuro, o país do futebol abrasileiradamente bem jogado. Mas o picadeiro é da extensão de nossas fronteiras, os animadores de platéias são os palhaços… e a desfaçatez, o descaso e a ilusão sempre serão os próximos números

  10. Discordo sobre os que já se apressam sobre Neymar.Ele vem de férias , está visivelmente ainda em retomada da técnica e do preparo físico.Os mesmos que aqui se apressam em detonar o craque são os mesmos que dirão que ele é craque e gênio daqui a alguns meses.Igualmente Ganso que muitos se apressam em dizer que é pura ilusão, se bem que ele é torcedor do Remo, mas não é.É craque, faltam-lhes tempo.Diziam que Einsten era burro e preguiçoso tbm.Os ingleses e europeus estão na metade do calendário, estão voando, os brasileiros estão com um mês ou menos que voltaram das férias.Neymar só tem 20 anos.Messi por exemplo não fez nada ontem! Calma, prudência , paciência.

  11. O time era Sarará, Pinheiro e Nonato, Satiro, Iran e Muniz, Estanislau, China, Teixeirinha e Juvenil, não era Sarará?

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