Rivais têm ambições diferentes

Por Gerson Nogueira

Remo Flavio Araujo-Mario QuadrosA ansiedade do torcedor pelo começo do Campeonato Paraense é um bom sinal. Não se passaram nem dois meses sem bola rolando para um dos grandes – no caso, o Paissandu na Série C 2012 – e o povo, agoniado, quer ver futebol valendo ponto e título. Prenúncio de estádios com mais público do que nos dois últimos anos, garantindo arrecadações melhores. O grau de interesse da torcida funciona também como alerta. Para jogadores, técnicos e dirigentes. Principalmente da dupla Re-Pa, desde sempre a mais cobrada e cornetada. Ao contrário do carnaval passado, a galera não parece disposta a aceitar rendimento pífio por parte dos principais clubes do Estado.

O problema é ainda mais intrincado para o Remo, que há cinco anos batalha pela reconquista do título estadual e precisa desesperadamente garantir participação na Série D. Ano passado, é justo reconhecer, bateu na trave. A cinco minutos do apito final da decisão, o time de Flávio Lopes estava levantando o caneco. Derrotava o Cametá por 2 a 0, jogava melhor e a torcida fazia um carnaval dos diabos nas arquibancadas do Mangueirão. Bastaram, porém, duas cochiladas para que a maldição se corporificasse e o título acabou se encaminhando para a terra dos Romualdos. Além da queda, o coice. Sem vaga na Quarta Divisão, o clube se envolveu em negociata de bastidores com o próprio Cametá, que desistiu do torneio nacional em meio a protestos de sua torcida e brutal desgaste para o clube de Antonio Baena. Para piorar, meses depois, foi defenestrado da Série D tropeçando outra vez dentro do Mangueirão. Desta vez, o vacilo foi diante do Mixto, fechando negativamente a temporada. Por tudo isso, é imperioso que o time de Flávio Araújo comece bem o Parazão. Enfrenta logo na estreia um adversário direto na corrida particular pela Série D, o Santa Cruz de Cuiarana.

Os remistas se preparam desde dezembro, mas cortam um dobrando para entrosar um time que foi completamente reformulado. Do elenco de 2012 restou apenas o volante Jonathan. As principais novidades ficam por conta do goleiro Fabiano, dos zagueiros Carlinhos Rech e Mauro (recém-chegado), dos volantes Tragodara e Nata, dos meias Tiago Galhardo e Josy e dos atacantes Branco, Fábio Paulista e Leandro Cearense. A questão crucial é que, ao contrário dos demais competidores, o Remo não pode errar. E isto é sempre muito difícil de evitar em futebol.
PSC Lecheva-Mario QuadrosO Paissandu desfruta de situação mais cômoda em comparação com o histórico rival. O acesso à Série B mantém o time – mesmo modificado – em lua-de-mel com a torcida. A perspectiva de uma grande campanha na Segunda Divisão embala os sonhos da Fiel torcida, que tende a não dar tanta importância ao Estadual. Ocorre que a contratação de reforços de peso, como Iarley e Eduardo Ramos, projetam expectativas para resultados imediatos. Lecheva, um dos heróis do acesso, terá sua capacidade novamente colocada em xeque, como acontece com todo treinador caseiro.
No certame passado, o Paissandu fez campanha discretíssima, terminando em quinto lugar. Ficou ausente da decisão, nem brigou diretamente por nenhum turno. Ironicamente, foi o time que melhor aproveitou o torneio. Aperreado, lançou mão de bons valores das divisões de base. Foi a deixa para que Pikachu, Pablo, Neto, Bartola, Djalma e Tiago Costa mostrassem seu valor. Sob esse ponto de vista, a campanha pode ser considerada vitoriosa. Para 2013, sob os auspícios de nova direção, o torcedor deve se preparar para um projeto diferente, que vai priorizar obrigatoriamente nomes de fora, tendo como perspectiva a Segundona nacional.
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Interioranos com chances, de novo
Os interioranos deram as cartas em 2011 e 2012, com Independente Tucuruí e Cametá, respectivamente. Meio por acaso, meio pela fragilidade dos grandes da capital, mas é fato que o Parazão experimentou pela primeira vez, em dose dupla, a força do futebol emergente. Apoiados pelas prefeituras, Independente e Cametá levantaram um título que vários outros clubes do interior – Izabelense, Castanhal, Ananindeua, São Raimundo e o próprio Águia – já haviam chegado perto de levantar desde os anos 1980.
Apesar da presença do campeão Cametá, o campeonato deste ano tem como mais fortes representantes do bloco emergente o Santa Cruz de Cuiarana (Salinas) e o PFC de Paragominas. São times que dominaram as duas fases classificatórias e demonstram fôlego e estrutura para ir mais longe que os demais.
O Santa Cruz, que ostenta misteriosa fonte de recursos (não tem patrocinador conhecido), conta com o principal jogador do último Parazão, o meia-atacante Ratinho, que brilhou no Cametá. Não satisfeito, importou o atacante Valdir Papel, que nos áureos tempos rodou até pelo Vasco.
Com estádio próprio, o PFC baseia sua força no apoio da torcida, coisa rara entre os times emergentes. Seu principal jogador é Aleilson, revelado pelo Águia e que já passou pelo futebol carioca.
Curiosamente, o campeão Cametá é um dos que menos investiu. Contenta-se com remanescentes do time do ano passado, com destaque para o artilheiro Rafael Paty, que foi trazido por Cacaio.
O Águia de Marabá, cobrado pela torcida por ter sido superado por Independente e Cametá na busca do título estadual, entra com a obrigação de superar a participação de 2012. Apesar de ter decidido os dois turnos, contra Cametá e Remo, o time de João Galvão não teve a força necessária para ir mais longe. É outro que aposta na base da Série C, sem investimentos de vulto.
Único representante santareno, o São Francisco baseia sua força em jogadores da região tapajônica, trazendo novamente figuras como Jader e Perema, revelações da última temporada. Deve dar trabalho.
A Tuna, novamente comandada por Samuel Cândido, não tem maiores pretensões, mas se organiza para fazer uma campanha digna. De positivo, voltou a garimpar atletas regionais, prática que sempre lhe garantiu bons resultados no passado.
(Coluna publicada no Guia Parazão 2013, edição deste domingo, 13)

9 comentários em “Rivais têm ambições diferentes

  1. Gerson , fizeste uma boa leitura do atual momento tunante.Nao se deve exercer a irresponsabilidade querendo alçar vôos longos sem antes consertar a estrutura óssea.
    Hora de parar para acertar e no momento certo brigar para voltar ao campeonato brasileiro.
    Agora se os primos patinarem, a gente belisca.

  2. Sinceramente não vejo no treinador do time da Antonio Baena o salvador da pátria azulina.
    Se julgar pelo feito do ano passado o Sampaio tinha um projeto e não poupou nada, principalmente grana, para voltar para a série C. Deu certo! Times muito fracos rechearam a quarta divisão nacional, sem desmerecer a conquista da Bolívia maranhense, mas assim como o time maranhense eu esperava que o representante do Pará aproveitasse a chance, vacilou, pior para eles!
    Já Lecheva com um time limitadíssimo, ruim de finalização que com o “bom” técnico Davino e o consagrado Givanildo muitas vezes irritou o torcedor levando-o ao desespero de ver o time se aproximar mais da série D 2013 que a tão almejada subida conquistada principalmente quando ficou seis jogos seguidos sem vencer, teve estrela e brilhou na hora certa e perdeu quando podia perder pois o maior objetivo já havia sido alcançado, o título seria um fator a mais e ficou em boas mãos, que na para a nossa sorte não cruzamos com eles no mata-mata decisivo. Agora é a hora de ver se sua estrela brilhará com mais intensidade ou se vai apagar no primeiro clássico, fato comum no Pará, mas isso só o tempo mostrará!
    Ainda confio mais no “inexperiente” Lecheva do que no estrangeiro do Baenão.
    Esta é a minha opinião!

  3. Afirmo sem receio algun, que o Clube do Remo com o trabalho que vem sendo realizado vai conquistar de forma soberana o paraense de 2013. Não me preocupo com cuiarana,cametá etc… Nossos atletas vão dar a resposta no gramado e nas arquibancadas a apaixonada torcida azulina fara o resto, sera um retorno trinufal do mais querido do Norte não só no ambito regional, como no ambito Nacional, pois a conquista da quarta divisão é uma ambição, e vamos em busca dela.

  4. Também não vejo essa soberania no Remo, mas penso que todos os torceodres de Belém e defensores da ética na política, devem apagar suas diferenças e torcer contra o Santa Cruz de “Cuiagrana”. Penso que a simples participação dessa equipe no campeonato paraense é uma afronta à ética e à transparência pública. Se o Santa Cruz for campeão, vai ser a vitória da lavagem do dinheiro público, da corrupção e do mal absoluto (em seu sentido filosófico e hermenêutico). Torcer contra o Santa Cruz é um exercício de cidadania. Vamos lá, Daniel Malcher e outros homens e mulheres de bem desse blog, levantar essa bandeira.

  5. Cássio, fiquei sabendo de um lance aí do nosso “senador” que me fez pensar o seguinte: esses caras atuam em várias frentes.

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