O frio e envelhecido Campeonato Carioca

Por João Máximo

Sou de um tempo em que as semanas que antecediam a abertura do Campeonato Carioca eram vividas em clima de grande expectativa. Torcedores, jornalistas, jogadores, técnicos, clubes, todos agiam como a maioria das pessoas ao início de novo ano: desejando que seja tão bom ou melhor que o que passou. Os chamados grandes, geralmente reforçados, sonhavam com o título. Mais importante que outro qualquer porque a luta por ele era temperada por aquele emulação que faz do futebol algo tão apaixonante.
As coisas, porém, mudaram. Sei que o mesmo acontece em São Paulo, Rio Grande do Sul, talvez Minas, mas falo do Rio porque foi no Estado (antes, era somente a Cidade) que vivi mais intensamente minha transformação de torcedor em jornalista. Fosse qual fosse meu papel na história, aguardava ansioso, como todo carioca, o início de mais uma temporada.
Hoje vejo que tal expectativa se desvaneceu. O Fluminense, campeão de 2012, não está nem um pouco interessado no bi, que diminuiria a distância que o separa do Flamengo como recordista de títulos conquistados. Vai de time misto ou mesmo reserva a propósito de pensar mais na Libertadores, espécie de obsessão que se instalou na alma dos tricolores.
O Flamengo, em vez de contratar craques, contratou gestores. Armou respeitável equipe de dirigentes, administradores, gente que pensa o futebol, mas não joga. Deve ter os seus motivos para investir em quem possa arrumar a casa, mas o que a massa rubro-negra gostaria de ver, mesmo, é um time capaz de brilhar mais em campo do que nos gabinetes.
O Vasco, posso estar errado, mas é a primeira vez que vai participar de um Campeonato Carioca conformado com um terceiro ou quarto lugar. Está afogado em dívidas, vendeu seus melhores jogadores, não comprou nenhum que mereça substituir os que se foram e, além de estar na mão de um técnico inexperiente, terá de torcer para um milagre da comissão formada por um Ricardo Gomes recem-saído de sérios problemas de saúde e um Renê Simões meio perdido.
Bem, resta o Botafogo, que promete entrar na disputa com o que tem de melhor, concentrado, sem pensar em nada além da briga pelo primeiro lugar. Dos quatro grandes, é o único que entra no Campeonato Carioca de 2013 com seriedade. Não será surpresa se sua gloriosa torcida for premiada no fim da história. Caso afirmativo, há de ser por merecimento.

9 comentários em “O frio e envelhecido Campeonato Carioca

  1. Bom dia a todos,
    Aqui novamente em 2013 para manifestarmos nossas opiniões sobre assuntos que norteiam nosso futebol brasileiro e paraense, a política e demais assuntos aqui postados em geral.
    E começamos opinando que se os campeonatos carioca, paulista, mineiro, gaucho etc estão com essa desmotivação toda, imagine um PARAZÃO que ha muitos anos não emociona mais nenhum torcedor. E por falar em Parazão 2013 eu peço muita calma e esperteza nessa hora para a diretoria do Paysandu e para a nação bicolor em geral. E que andei escutando comentários de alguns torcedores nos programas de esporte local onde os mesmo ja começam a tecer críticas à nova administração do Wandik. O motivos é que as contratações não estão agradando porque tem torcedor que ja quer time de segunda divisão para disputar esse desmotivado parazão. Aí eu afirmo que é ilusão de qualquer torcedor imaginar uma diretoria inclusive a do wandik vai contratar jogadores de segunda divisão para disputa de uma competição deficitária como o estadual. Além de tudo não foi com a entrada do wandik que os problemas financeiros foram resolvidos. Nada disso, os problemas continuam e existe com wandik apenas a perspectiva deles serem amenizados e promessa da entrada de grandes receitas dependendo de como o Wandik irá trabalhar e de sua competência. Porém devo concordar que o Parazão mesmo deficitário, não deve ser olhado com desprezo pela nova diretoria, mesmo porque vale vaga em copa do Brasil e pontos para o novo ranking da CBF então o correto será a o wandik montar um time competitivo, não caro e nem barato mas um time médio em termos de valores, que lute pelo titulo com supremacia sobre os adversários , a fim de se formar uma boa base, uma base confiante para depois mesclar com algumas contratações boas e relevantes para disputar a segundona. Se wandik não fizer desse jeito e pegar corda de torcedores e até algumas pessoas da imprensa, será novamente fracasso total no parazão e na segundona.

  2. Sem sombra de dúvidas Edmundo. Eu não assisto sequer a Série A, que tem sido nos últimos anos um verdadeiro festival de peladas e jogos sem sal, dos hoje irrelevantes estaduais então… passo longe. Só me interessa o nosso estadual mesmo.
    Estes campeonatos estaduais, segundo a minha visão, atravancam o progresso do nosso futebol. Não tem atrativos, não levam a lugar nenhum e são de um tempo em que as disputas regionais eram o que havia para ser disputado, não havia a concepção de um campeonato em nível nacional, que integrasse o futebol do país como um todo. Os tempos mudaram, a comunicação e o intercâmbio com outros centros do país sedimentaram-se a partir dos anos 50, o mundo se tornou globalizado, ninguém mais é uma ilha (no plano interno – os estados e cidades brasileiras – e externo – o Brasil em relação ao mundo), o futebol virou negócio e um esporte de alto rendimento onde os atletas devem ter um período de descanso razoável, e os estaduais se mostram hoje verdadeiros entulhos que inflam o calendário, desgastam os atletas e são deficitários e nem mesmo os outrora charmosos clássicos do eixo RJ-SP lotam os estádios. Sem falar ainda que o futebol destes torneios é horroroso. Estão fadados ao desaparecimento ou ao encolhimento máximo.

  3. Amigos, com os dirigentes de clubes e federacoes que temos, nossos campeonatos so poderiam estar nesta situacao mesmo, e a falencia total do nosso ate entao orgulhoso futebol brasileiro, o reflexo esta ai na nossa selecao, que nao aparece nem entre os 10 primeiros no ranking da FIFA.

  4. Amigos, eu estava vendo no Youtube alguns vídeos do Remo nos anos 90, mais especificamente, 92 e 93, como achei vídeos de Remo x Vitória, acabei vendo a campanha do time baiano no brasileiro de 93. Gente, comos esses dois times jogavam bonito, principalmente o rubronegro, vice campeão nacional naquele ano! O trio de ataque baiano composto por Alex Alves, Claudinho e Pichetti era um terror para as defesas adversárias. Agora eu pergunto, o que aconteceu com o futebol brasileiro se nem na Série A se hoje joga tão bonito como aqueles dois times recém saídos da Série B? E o que dizer do Palmeiras campeão naquele ano? A resposta é que os bons jogadores não ficam nem mesmo nos times grandes, que dirá nos times de Série B ou C. Eles preferem ganhar dinheiro na China e no Mundo Árabe do que serem ídolos por aqui. Existe solução para este fenômeno? Bem, eu acho que não, mas o problema só pode ser amenizado com a criação de uma liga para que os times ganhem mais dinheiro para manter os bons jogadores por aqui. Com grandes jogadores na Série A, os jogadores medianos só teriam espaço na Série B. Mas, isso só seria possível se os os clubes rompessem com a CBF e acabassem com os campeonatos estaduais, algo impossível de acontecer.

  5. Luis Antonio, o problema é muito maior do que a preferência dos craques brasileiros pelo futebol do exterior.
    O primeiro aspecto a ser destacado é o fato de que nas categorias de base não se dá a devida atenção à lapidação de talentos, sobretudo no meio de campo e no ataque. Qual o grande camisa 10 brasileiro, diferenciado, magistral, atuando hoje no Brasil e mesmo no exterior? E qual o grande atacante brasileiro igualmente extraordinário atuando no Brasil e na Europa? Não temos. Ganso, Neymar e Lucas são excelentes jogadores, mas ainda são promissores, podem ainda se tornarem foras-de-série. A rigor, ainda não foram testados. Nossos times são frágeis. O três são monstros imparáveis… para os nossos padrões.
    Estamos numa entre-safra dos diabos, nossas divisões de base formam mal ou nossos treinadores não privilegiam o talento preferindo o resultado? É um pouco de tudo.
    Mas o que incomoda mesmo é o conservadorismo de nossos treinadores, e que já derramou do frasco, chegando até as equipes de base. Adota-se esquemas covardes, equipes que dão chutão a todo instante, bola parada e chuveirinhos improdutivos como principais trunfos, numa reprodução fiel do estilo de jogo dos times profissionais, para vencer campeonatos que não levam a nada em detrimento do jogo bem jogado taticamente e tecnicamente e da revelação de talentos. Sem falar ainda na obtusidade e no arcaísmo dos ditos “professores” da bola, travestidos de uma concepção falsamente moderna que coloca a competitividade e a vitória a qualquer custo como justificas para um futebol cada vez mais canhestro e longe de nossas tradições, que sempre preconizaram o jogo bem jogado… e que também vencia campeonatos. Como é mais fácil armar ferrolhos e meias-canxas recheadas de volantes caneludos do que fazer um time jogar bem, com a bola de pé em pé… às favas com o nosso futebol de outrora.

  6. Concordo Daniel. Eu escolheria o número 7 como símbolo deste mal momento em que atravessa o futebol brasileiro. Porque o número 7? Porque eu comecei a gostar de futebol aos dez anos na virada dos anos 80 para os 90 e meus ídolos eram todos camisas 7. Renato Gaúcho, Bebeto (na seleção) Muller, Edmundo, além de outros pontas-direitas com menos categoria, mas muitos superiores aos atacantes atuais, entre eles, Paulo Nunes, Jorginho, Macedo, Alex Alves, etc. Naquela época os ponta-esquerdas já tinham virado meia-esquerdas (ex: Zinho. Éder Aleixo, Edu Lima, etc) e os ponta-direitas resistiam pois havia uma safra de bons jogadores nesta posição. No decorrer dos anos 90, o número 7 foi sendo recuado para a meia pelos novos treinadores que surgiam e os poucos pontas que havia eram falsos, uma vez que eram destros e jogavam na ponta esquerda como o Marques e o Euller. Na década de 2000, o número 7, antes símbolo de pontas velozes e habilidosos e que já recuara para a meia com Marcelinho Carioca, recua ainda mais até estacionar na cabeça-da-área com Mineiro, Emerson e outros. A minha aposta agora é que ao final desta década, o número 7 de Garrincha e Jairzinho estará estampado nas costas dos zagueiros.

  7. Verdade, o campeonato carioca está perdendo o seu charme, há muito tempo que não dá ânimo algum de assistir o mesmo. Ate parece um FERRO VELHO, uma verdadeira SUCATARIA, todos os clubes só querem investir nos velhinhos. hehehe

  8. Por outro lado, ainda nos esbaldamos com o nosso centenário Parazão. Mesmo sem o União Sportiva e o Sport Belém (sic), nosso campeonato é querido pelo torcedor. O Parazão é mesmo um patrimônio cultural do paraense. Se competições como a libertadores possuem maior apelo midiático e econômico, certames como os estaduais são, acima de tudo, eventos onde se expressa a paixão pelo clube da casa, em casa. O Parazão é como a prova do bimestre, mais fácil e tão próximo de nós que temos como apontar onde melhorar, enquanto o brasileirão, de qualquer divisão, é mais ou menos como o vestibular, onde torcemos para que aquela lição de casa tenha sido aprendida.

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