Os melhores de um ano ruim

Por Gerson Nogueira

Além do Natal e do réveillon, final de ano é a ocasião para organizar listas, de todo tipo e interesse. No futebol, a praxe é escolher a seleção dos melhores, mesmo quando a qualidade não é tão visível assim. E, cá pra nós, 2012 foi um ano de pouquíssimos destaques. De qualquer forma, vamos aos eleitos:

O melhor goleiro do ano chegou desacreditado ao Paissandu, era um reles desconhecido. João Ricardo, reserva no Rio Branco, veio como quebra-galho, para ser o terceiro goleiro. Quis o acaso que, com as contusões de Paulo Rafael e Dalton, entrasse no fogo e mostrasse qualidades. Transformou-se em peça importante na conquista do acesso. Nem a falha grave no jogo decisivo com o Macaé, no Rio, comprometeu sua imagem.

colunaNa lateral-direita, Pikachu não teve nem concorrência à altura. Tiago Cametá, que surgiu no mesmo período, não teve chances para se firmar no Remo. Júlio Ferrari, do Águia, começou bem, mas caiu de rendimento no returno do Parazão. Pikachu, ao contrário, apareceu no Estadual, firmou-se definitivamente com grandes atuações na Copa do Brasil e completou o ano brilhante com presença irretocável na Série C. Além das funções normais pela direita, apareceu no meio-de-campo e ainda marcou muitos gols. Foi o melhor lateral e também o principal jogador paraense de 2012.

Na zaga, habitual ponto fraco dos nossos times, pontificam o santareno Perema e o forasteiro Fábio Sanches. No surpreendente São Francisco, o Perema exibiu segurança e colocação dignas de um veterano. Já Sanches, trazido por Roberval Davino, botou ordem na caótica retaguarda do Paissandu e foi um dos mais regulares jogadores na campanha da Série C.

A lateral-esquerda é das posições mais carentes em todo o mundo. No Parazão, Rayro fez a diferença, apesar de ficar ausente de várias rodadas por conta de uma lesão. Aliás, sua saída da equipe contribuiu bastante para a instabilidade técnica do Águia. Rodrigo Fernandes, que Givanildo indicou para o Paissandu, merece registro pela correta Série C que fez.

Um veterano e um iniciante se destacaram na marcação. Vânderson, ponto de equilíbrio do meio-campo alviceleste, pôs por terra todas as desconfianças quanto à idade. Surpreendeu pelo repertório de passes e sacramentou a boa fase com o gol que garantiu o acesso. Jonnathan foi uma das raras peças a se salvar do naufrágio azulino, contribuindo – pelo passe e a combatividade – para a conquista do returno do Parazão.

Com lançamentos precisos e participando de tabelinhas na área, Flamel foi o grande camisa 10 da temporada, respondendo pelos melhores momentos do Águia na Série C. O outro armador é Alex Gaibú, que chegou ao Paissandu em pleno desenrolar do Brasileiro e se encaixou no time. Cresceu ao longo do torneio, terminando como titular absoluto.

Na linha ofensiva, Ratinho (do campeão Cametá) e Branco (do Águia) foram os melhores. Goleador, Ratinho viveu um ano inspirado, saindo-se bem por três times – além do Cametá, defendeu Remo e Santa Cruz de Cuiarana. Branco, que marcou seus gols pelo Águia, entra na lista mais por exclusão do que por brilho. Seus concorrentes tiveram desempenho irregular. No Paissandu, Kiros e Rafael Oliveira não inspiraram confiança, gerando mais queixas do que aplausos da torcida.

O destaque individual de 2012 é, sem discussão, Pikachu. Revelado nas divisões de base do Paissandu (com ligeira passagem pelo Remo), evoluiu ao longo do ano e foi jogador fundamental no acesso à Série B. Não por acaso, virou alvo do interesse de vários clubes, até da Primeira Divisão.

Como revelações da temporada, voto no polivalente Lineker (Tuna e Paissandu) e no goleiro Jader (São Francisco).

Por fim, o técnico é Lecheva, uma escolha óbvia. Pegou o comando do Paissandu ainda no Parazão e ajeitou o time na Copa do Brasil, com passagem memorável pelo Sport. Substituiu Givanildo quando a equipe estava há seis jogos sem vencer e iniciou a arrancada para o acesso tão buscado pelo clube. Além de encontrar a melhor formação, preservou a paz nos bastidores, evitando que o Paissandu fosse vítima (outra vez) de motins na reta final da competição.

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A despedida do baluarte

Com a mesma elegância com que conduziu sua atuação no departamento jurídico do Remo desde 2011, Ronaldo Passarinho despediu-se da função na última sexta-feira, às 19h, ostentando saldo altamente positivo. Com atuação louvada e reconhecida pelos conselheiros, Ronaldo obteve as maiores vitórias do clube no biênio ao reduzir em mais de 70% o valor total das pendências trabalhistas. Resgatou o nome do clube e deixa para seu substituto um caminho menos tortuoso do que encontrou.

Em atenciosa mensagem, registra o papel da imprensa no acompanhamento do processo de recuperação financeira do clube. “Faço questão absoluta de registrar e agradecer a excepcional cobertura da RBA através dos seus veículos. Registro, com justiça, a imensa contribuição do jovem advogado Pablo Coimbra às causas do Remo. Quanto a ti, a generosidade dos teus comentários comoveu a mim e a minha família. Por fim, peço que transmitas a todos os teus liderados o meu sincero agradecimento”, conclui, atenciosamente, a mensagem.

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Gestão profissional em destaque

Oscar Yamato, gerente executivo de Futebol do Paissandu, é o entrevistado deste domingo no Bola na Torre. Comando de Guerreiro, participações de Tommaso e deste escriba baionense. Na RBATV, às 23h50, logo depois do Pânico na Band.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 23)

14 comentários em “Os melhores de um ano ruim

  1. Paulo Rafael, Pikachu,F.Sanches, Perema e R. Fernandes; Capanema, Billy, Potiguar e Flamel; Ratinho e Kiros. Técnico Lecheva

  2. Paulo Rafael;
    Yago Pikachu;
    Fábio Sanches;
    Roberto e
    Souza;
    Vanderson;
    Ricardo Capanema;
    André Mensalão e
    Flamel;
    Thiago Potiguar e
    Ratinho(autor do mais belo gol do ano, contra o Águia, em Marabá, pelo Parazão).
    Revelação- Pikachu.
    Craque- Pikachu(eu era uma das poucas testemunhas na Curuzu, que assistiu jogos treinos contra um time amador de Ananindeua e contra o Time Negra. Mas, naqeles momentos, já dava pra sentir que Paulo Rafael; Pikachu; Tiago Costa(acho um senhor zagueiro e só o vi atuando mal contra o Cuiabá, no Mangueirão); Pablo; Jairinho; Neto; Billy; Djalma, entre outros, eram aposta felicíssima do Nad, hoje nem tão lembrado como deve ser, enquanto o formador desse time.
    E o perna-de-pau do ano, talvez do século, o Fio Maravilha do século XXI, (C)Ávalos.

  3. Simplesmente o time azul não existiu para contribuir com uma seletiva dos melhores. Ratinho se destacou por outras equipes.

  4. Time titular: Paulo Rafael, Yago, F.Sanches, Perema e Rairo. André, Ricardo Capanema, Potiguar e Flamel. Branco e Ratinho.

    Banco: Jáder, Raphael Andrade, Cametá, Jonathan, Ricardinho, André Mensalão, Rafael Paty.

    Com mensão louvável ao “vovô” Fábio Oliveira. Uma pena ninguém ter lembrado de um atleta que, mesmo aos 38, terminou como um dos artilheiros do Campeonato Paraense e ainda auxiliava a atrapalhada zaga remista nas horas vagas.

    Técnico: Lecheva.

    Maiores bondes do ano: Ávalos/ Adriano Magrão.

    Do time bicolor que disputou a série C, entram apenas 3 atletas, já que Paulo Rafael ficou no DM e Ricardo Capanema brilhou mesmo pelo Mapará. É um número expressivo, contudo, se observar a campanha do Paysandu, que chegou a ficar 7 partidas sem ganhar de fraquíssimas equipes.
    É bom a turma dos listrados não ficar se iludindo. O time nunca foi excepcional.

    Já o Remo contribuiu pouco para a lista por razões óbvias. Não se planejou e montou um time nas coxas, cheio de peças graciosas (Laionel, Cássio, Chiquita…)
    Só discordo que Ratinho tenha se destacado mais pelo Cametá, onde era meia. A imagem de um Ratinho goleador, que tem sido divulgada ultimamente, é a imagem do Ratinho atacante. E ele só foi deslocado para essa posição a pedido do Técnico Edson Gaúcho.
    Acho que é só.

  5. De fato, ano pouco produtivo para o futebol paraense. Ano produtivo ocorrerá quando as revelações se multiplicarem. Que Cametá e Pikachu são ótimas revelações quem discute? Mas é muito pouco. Acho que o modelo de gestão dos clubes paraenses (amadorismo) leva os dirigentes a fazer apostas em jogadores veteranos e depender de empresários oportunistas. Com dois anos de mandato, os dirigentes pensam em investir no curto prazo, não na base porque esse tipo de investimento é de longo prazo e não haveria resultado prático para mostrar no fim de um biênio. Uma solução para isso é profissionalizar o futebol, que deve ser tratado como investimento desde a garotada até o profissional. O futebol paraense não tem dinheiro como os grandes do sul-sudeste têm, então a saída é investir na prata da casa, para não contratar incógnitas e lucrar com as negociações de jogadores revelados.

  6. Lopes, eu até concordo com você. Apostar na prata da casa é necessário, mas isso é um investimento a longo prazo.
    A curto prazo, entendo que tudo se resume a obedecer critérios de contratação e lutar para que os salários de atletas e funcionários estejam em dia. Veja o águia. Com um mínimo de organização, esse time (sem torcida expressiva) foi uma pedra no sapato dos grandes da capital.
    Hoje, já aparece na frente do Remo no Ranking da CBF

    O problema é que tem dirigente que manda chamar jogador velho e acima do peso, fulano com a costela quebrada, cicrano suspenso por doping…O final disso, todos sabem.

    Vou mostrar o outro lado para você. Existia um moleque, lá em Rondônia, que jogava muita bola. Chegou a atuar pelo inexpressivo Vilhena…
    Alguém de bom senso mandou chamá-lo, e ele arrebentou no campeonato paraense. Em dois anos, ele saiu do Clube do Remo e, hoje, está no Clube de Regatas Vasco da Gama. Lembra-se do Elsinho?
    Algo parecido aconteceu com Marlon (Que subiu com o Criciúma-SC) e Victor Ferraz (ex águia e atualmente no coritiba).

    O problema dos times daqui não é chamar gente de fora ou de dentro do estado, ou de subir ou não alguém da base.

    O problema é a formação aleatória e sem critérios de um elenco que se diz “profissional”.

    O que levaram em conta ao contratar Ávalos? O que ele tinha a mais que o jovem Perema?
    O que levaram em conta ao chamar Laionel para compor o elenco? Flamel não estava fazendo boas atuações nos últimos dois anos?

    Por que chamam Val Barreto, depois de poder contratar Aleílson (Que acumula passagem pelo Flamengo-RJ)?

    Será que ninguém percebia que Rubinho (Seleção da série C), que arrebentou pelo Luverdense, já vinha sendo destaque de campeonatos regionais faz 3 temporadas?

    E Ratinho, não merecia um que a diretoria fizesse um esforço para mantê-lo?

    Percebe agora, amigo? Enquanto não houverem critérios, o futebol paraense continuará como está: Mais errando que acertando, e escolhendo, a dedo, os “melhores” de um ano ruim.

  7. Égua ! Eis que finalmente o amigo Cláudio rendeu-se ao Lecheva !! rsrs

    BOMBA: o atacante que descerá de helicóptero no Baenão será Túlio Maravilha, o qual fechou contrato com o CR, pois está em busca de seu milésimo gol ! rsrsrs

    Vou assistir ao Bola na Torre, depois de tomar umas. rs

    Bora, PAPÃO !!!!!!

    Um FELIZ NATAL a todos !!!

  8. Em termos de conquistas, o ano não foi tão ruim como 2011. Volta o Pará à série B, com o novo ranking da CBF o Pará reina soberano na Região Norte e vários jogadores aqui surgidos têm oportunidade de fazer carreira em centros mais adiantados. Sem contar que projeta um cenário ainda mais alvissareiro para 2013.
    Portanto, em pior situação já estivemos e temos agora o desafio de pelo menos estar representados nas série B, C e D, porém, sem jamais perder a motivação de conseguir melhores colocações.

    1. Minha referência à qualidade do ano é especificamente em relação aos jogadores, Jorge. Poucas vezes tivemos uma safra tão fraca (e cara) como em 2012.

  9. Caro Thiago, os clubes crescem investindo na base. Neymar é cria do Santos, por exemplo. E atualmente, em termos de grana, jogador rende mais na publicidade e em transferências que em campo. O time gasta para montar um elenco e se não ganhar título ou uma classificação para um campeonato mais importante financeiramente, tem prejuízo. No entanto, se o clube não atinge essa meta, ao menos recupera investimento negociando uma revelação, ou duas. Veja o Remo de 2006. Raphael Levy, que tinha classificado o Remo da série C para a B no ano anterior (com jogadores essencialmente “importados”), foi deposto da presidência azulina para dar lugar a Raimundo Ribeiro, que fez o que fez, com sequelas até hoje e ainda por algum tempo, por causa de um primeiro turno ruim na segundona, sendo que o legado de Levy foi o time sensação daquele ano, pelo segundo turno exemplar, e que era a base para 2007… Era exatamente disso que eu estava falando quando me referi à questão de prazo. Um bom administrador pensará no aqui e agora, mas não desdenhará do futuro. Seria ingenuidade acreditar que teríamos, ao mesmo tempo e num só lugar, jogadores para todas as posições de um time profissional, é claro que os “forasteiros” são bem vindos, mas na condição de reforçar um elenco nos seus pontos fracos, e não de ser o principal eixo de formação da equipe. Não é ufanismo, o paraense é tão bom atleta quanto um pernambucano, um gaúcho ou mineiro, mas o gaúcho recebe investimento no RS, como o mineiro, em Minas, e assim em muitos lugares…

  10. Sinceramente, acho que se o PSC tivesse dado apoio e moral ainda maior a essa turma da base teríamos outros destaques elem do Yago.

    O Neto, Thiago Costa, Djalma e sem contar com o Billy que ficou muito tempo machucado são excelentes jogadores, precisam de apoio e preparo oferecido pelo clube assim vão ter maior destaque.

    E tem uma molecada ainda muito boa no sub 20 e sub 17 temos valores que se preparados teremos um caixa muito bom nos proximos anos.

    RRamos

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