Chapa Centenário faz esclarecimento

Em nota enviada na tarde desta quinta-feira às redações, a Chapa Centenário, que concorre à eleição no Paissandu, faz o seguinte esclarecimento:

“Informamos aos sócios do Paysandu Sport Club que somos solidários a todos os Grandes Beneméritos e Beneméritos pelo impedimento estatutário de votar.  Por ocasião da elaboração do estatuto fomos frontalmente contrários ao pagamento por parte destes sócios, ao contrário de associados presentes a reunião, hoje componentes da chapa dita oposição, que apresentaram a referida proposta.  O próprio presidente da Assembléia Geral manifestou-se contrário, mostrando aos presentes que era um direito adquirido. Mesmo assim, a dita oposição que votou em bloco pelo pagamento, esquecendo os inestimáveis vínculos prestados ao clube por estes sócios, agora quer se passar por vítima tentando enganar o quadro social. Esta é a verdade dos fatos”. 

O melhor jornalista que um filho pode ter como pai

Por Mauro Beting

Nunca falei com meu pai a respeito depois que o Palmeiras foi rebaixado. Sei que ele soube. Ou imaginou. Só sei que no primeiro domingo depois da queda para a Segunda pela segunda vez, seu Joelmir teve um derrame antes de ver a primeira partida depois do rebaixamento. Ele passou pela tomografia logo pela manhã. Em minutos o médico (corintianíssimo) disse que outro gigante não conseguiria se reerguer mais.

No dia do retorno à segundona dos infernos meu pai começou a ir para o céu. As chances de recuperação de uma doença autoimune já não eram boas. Ficaram quase impossíveis com o que sangrou o cérebro privilegiado. Irrigado e arejado como poucos dos muitos que o conhecem e o reconhecem. Amado e querido pelos não poucos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

Meu pai.

O melhor pai que um jornalista pode ser. O melhor jornalista que um filho pode ter como pai.

Preciso dizer algo mais para o melhor Babbo do mundo que virou o melhor Nonno do Universo?

Preciso. Mas não sei. Normalmente ele sabia tudo. Quando não sabia, inventava com a mesma categoria com que falava sobre o que sabia. Todo pai é assim para o filho. Mas um filho de jornalista que também é jornalista fica ainda mais órfão. Nunca vi meu pai como um super-herói. Apenas como um humano super. Só que jamais imaginei que ele pudesse ficar doente e fraco de carne. Nunca admiti que nós pudéssemos perder quem só nos fez ganhar.

Por isso sempre acreditei no meu pai e no time dele. O nosso.

Ele me ensinou tantas coisas que eu não sei. Uma que ficou é que nem todas as palavras precisam ser ditas. Devem ser apenas pensadas. Quem fala o que pensa não pensa no que fala. Quem sente o que fala nem precisa dizer.

Mas hoje eu preciso agradecer pelos meus 46 anos. Pelos 49 de amor da minha mãe. Pelos 75 dele.

Mais que tudo, pelo carinho das pessoas que o conhecem – logo gostam dele. Especialmente pelas pessoas que não o conhecem – e algumas choraram como se fosse um velho amigo.

Uma coisa aprendi com você, Babbo. Antes de ser um grande jornalista é preciso ser uma grande pessoa. Com ele aprendi que não tenho de trabalhar para ser um grande profissional. Preciso tentar ser uma grande pessoa. Como você fez as duas coisas.

Desculpem, mas não vou chorar. Choro por tudo. Por isso choro sempre pela família, Palmeiras, amores, dores, cores, canções.

Mas não vou chorar por algo mais que tudo que existe no meu mundo que são meus pais. Meus pais (que também deveriam se chamar minhas mães) sempre foram presentes. Um regalo divino. Meu pai nunca me faltou mesmo ausente de tanto que trabalhou. Ele nunca me falta por que teve a mulher maravilhosa que é dona Lucila. Segundo seu Joelmir, a segunda maior coisa da vida dele. Que a primeira sempre foi o amor que ele sentiu por ela desde 1960. Quando se conheceram na rádio 9 de julho. Onde fizeram família. Meu irmão e eu. Filhos do rádio.

Filhos de um jornalista econômico pioneiro e respeitado, de um âncora de TV reconhecido e inovador, de um mestre de comunicação brilhante e trabalhador.

Meu pai.

Eu sempre soube que jamais seria no ofício algo nem perto do que ele foi. Por que raros foram tão bons na área dele. Raríssimos foram tão bons pais como ele. Rarésimos foram tão bons maridos. Rarissíssimos foram tão boas pessoas. E não existe outra palavra inventada para falar quão raro e caro palmeirense ele foi.

(Mas sempre é bom lembrar que palmeirenses não se comparam. Não são mais. Não são menos. São Palmeiras. Basta).

Como ele um dia disse no anúncio da nova arena, em 2007, como esteve escrito no vestiário do Palmeiras no Palestra, de 2008 até a reforma: “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!”.

A ausência dele não tem nome. Mas a presença dele ilumina de um modo que eu jamais vou saber descrever. Como jamais saberei escrever o que ele é. Como todo pai de toda pessoa. Mais ainda quando é um pai que sabia em 40 segundos descrever o que era o Brasil. E quase sempre conseguia. Não vou ficar mais 40 frases tentando descrever o que pude sentir por 46 anos.

Explicar quem é Joelmir Beting é desnecessário. Explicar o que é meu pai não estar mais neste mundo é impossível.

Nonno, obrigado por amar a Nonna. Nonna, obrigado por amar o Nonno.

Os filhos desse amor jamais serão órfãos.

Como oficialmente eu soube agora, 1h15 desta quinta-feira, 29 de novembro. 32 anos e uma semana depois da morte de meu Nonno, pai da minha guerreira Lucila.

Joelmir José Beting foi encontrar o Pai da Bola Waldemar Fiume nesta quinta-feira, 0h55.

Com Felipão, CBF aposta no “pega-pega” contra Lionel Messi

Do Blog do Menon

Quando Luiz Gonzaga Belluzzo asssumiu o Palmeiras em 2009, tratou de trazer Valdivia de volta. E, depois de perder Luxemburgo e Muricy, buscou Felipão. Não deu certo. Os dois não se entenderam, mas Belluzzo sempre pode dizer que fez o que a torcida queria. Fez o que todos fariam. Apostou em pessoas acima de suspeitas. Se não deu certo, a culpa não é dele. Não é de ninguém, afinal era tão óbvia a vinda de Scolari e de Valdivia…

Jose Maria Marin está fazendo o mesmo. Se o Brasil perder a Copa, ele pode dizer: “mas eu trouxe o técnico tetracampeão do mundo e o técnico pentacampeão do mundo para cuidar da seleção. O que eu fiz de errado”?

Apostar no óbvio nem sempre é certo. Dá menos trabalho, corre-se menos riscos, mas abre-se mão do sonho. O sonho é Guardiola. Ele é quem teve o mérito de juntar Xavi, Iniesta e Messi. Ele fez o time que a grande maioria faz questão de chamar de seu. Toque de bola ao extremo e poucas faltas. Detalhe, muitas vezes Mascherano está em campo. E há poucas faltas.

Se Felipão estivesse no Barcelona, ele nunca teria a coragem de juntar Daniel Alves, Xavi, Iniesta e Messi. Nem Felipão, nem Tite e nem Mano. Muriciy? Também não. Seria aquela velha conversa de que é preciso equilíbrio, de que não se pode avançar muito, que o meio campo precisa estar compacto – como se o do Barça não o fosse – que é preciso parar as jogadas no meio de campo etc e tal.

Felipão foi campeão do mundo? Foi. Mas, eu não esqueço, é aquele mesmo que disse no vestiário do Palmeiras, a respeito de Edílson, do Corinthians: “Não é possível que ningém dê uma cuspida nesse neguinho”, mostrando uma nova maneira de se marcar o adversário.

O que foi feito de Scolari depois de 2002? Seu grande resultado foi perder a final da Eurocopa, em Lisboa, para….a Grécia. A Grécia. Andou pelo Uzbequistão. Fracassou no Chelsea. Ganhou a Copa do Brasil – primeiro título em dez anos – e não conseguiu fazer o time reagir no Brasileiro. Foi um dos grandes responsáveis pela queda.

E Parreira, o que fez depois de 1994? Montou um belo Corinthians. Apostou em jogadores desinteressados e gordos na Copa de 2006. Um fiasco. Foi o primeiro treinador a ser demitido em um Mundial, pela Arábia Saudita, em 98. Em 2010, levou a África do Sul a ser o primeiro país anfitrião a ser eliminado de um Mundial.

Parreira e Felipão são o passado. Essa é a aposta da CBF, deixando de lado a possibilidade de formação de um time que privilegie a técnica e não a marcação.

Em 2014, ouviremos muito “pega, pega, pega, pega” quando Messi tocar na bola.

Candidatos fazem debate de alto nível na Clube

Durante duas horas, a Rádio Clube do Pará abriu espaço na noite desta terça-feira para um debate entre os candidatos à presidência do Paissandu, Victor Cunha (Chapa Centenário, da situação) e Vandick Lima (Chapa Novos Rumos, de oposição). Os postulantes ao cargo tiveram oportunidade de expor seus planos de governo e também de questionar as propostas do opositor. No primeiro bloco do programa, apresentado por Valdo Sousa, Vandick e Victor responderam a perguntas do próprio mediador e deste escriba baionense. Destaque para o esclarecimento de cada um sobre o projeto do centro de treinamento. Vandick ressaltou que já conta com um terreno (cedido pela família Aguillera, do grupo Big Ben) para erguer o CT. Victor contra-atacou lembrando que não há recursos para iniciar e concluir a obra, observando que grandes clubes (como Vasco e Flamengo) não dispõem de CT. Garantiu, porém, que o Paissandu tem a área cedida pela prefeitura de Marituba, cujo processo se encontra em tramitação no Iterpa, segundo ele.

Nos blocos seguintes, os candidatos confrontaram-se e fizeram perguntas um ao outro. Vandick voltou a afirmar que pretende profissionalizar a gestão do futebol, dando plenos poderes a um diretor contratado. Victor prometeu também iniciar a profissionalização, a partir do marketing e da comunicação. Falou também sobre o projeto Super Zé, que será um personagem de história em quadrinhos em homenagem ao ídolo Zé Augusto, desenhado pelo cartunista Joe Bennett.

Para finalizar, os candidatos responderam a questionamentos dos ouvintes.  Vandick criticou a negociação do jogador Pikachu, avaliando que o valor anunciado é muito baixo. Sobre as divisões de base, Victor garantiu que o Paissandu mantém uma casa para abrigar 20 garotos vindos do interior – disse que aposta no potencial de algunms jovens atletas da ilha de Cotijuba. Vandick mostrou-se favorável ao projeto que torna inalienável o patrimônio dos clubes paraenses e Victor mostrou-se contrário por entender que impedirá o clube de contrair empréstimos bancários. O ponto alto foi o compromisso assumido de manter Lecheva como técnico na próxima temporada. Ambos reconheceram a importância que o treinador teve para a obtenção do acesso à Série B. (Foto: MARCO SANTOS/Diário)

Sanchez cai e Felipão deve ser anunciado amanhã

O presidente da CBF, José Maria Marin (foto), surpreendeu todo mundo e informou na manhã desta quarta-feira que vai anunciar amanhã o nome do novo técnico da Seleção Brasileira. Disse, ainda, que aceitou o pedido de demissão do diretor de Seleções, Andrés Sanchez, e que o cargo será extinto. A partir de agora, haverá um diretor técnico. O nome escolhido para a função também será anunciado junto com o do novo comandante do escrete. Especulações da imprensa paulista indicam que Luís Felipe Scolari será mesmo o técnico e que o diretor técnico deve ser Carlos Alberto Parreira – Raí também estaria cotado.

Mesmice afugenta o torcedor

Por Gerson Nogueira

O Campeonato Brasileiro deste ano registra a pior média – 12 mil pagantes – de público dos últimos dez anos. Existem diversas explicações para essa queda. Desde a falta de estádios importantes (Maracanã e Mineirão estão em obras) até o crescimento da violência nas praças esportivas, passando também pelo preço dos ingressos e a concorrência da televisão.

O mais grave dos motivos, porém, é de ordem técnica. Poucas vezes um campeonato nacional teve tantos jogos desinteressantes quanto nesta edição. Não é possível citar, de memória, nenhuma partida realmente sensacional. No campeonato de 2011, ainda houve aquele emocionante 4 a 3 do Flamengo de Ronaldinho Gaúcho sobre o Santos de Neymar na Vila Belmiro. Desta vez, nem isso.

Curioso é que, neste ano, havia uma quantidade maior de atrações, incluindo craques de nível internacional, como Seedorf (Botafogo), Luís Fabiano (São Paulo), Furlan (Inter), Marcelo Moreno e Zé Roberto (Grêmio), além de Ronaldinho, Fred, Deco, Montillo, Renato, D’Alessandro e Neymar.

Quando uma competição, com tantos atrativos, não consegue seduzir o torcedor é preciso ir mais fundo na observação das causas. Já há algum tempo que o futebol brasileiro padece de mesmice tática, com equipes que jogam fechadinhas e com um ou dois atacantes. O meio-de-campo, onde talento é obrigatório, virou território dominado pelos volantes.

Pode-se atribuir culpa à própria entressafra de talentos no país, mas cabe lançar um olhar sobre o trabalho dos técnicos. A ausência de renovação, a resistência à atualização e uma indisfarçável soberba são aspectos que caracterizam os chamados “professores”.

Pouquíssimos se importam, de fato, com o futebol-espetáculo ou algo do gênero. Não me refiro a táticas suicidas ou imitações toscas da Laranja Mecânica de 1974, mas a algo menos brucutu e mecânico como é característica da quase totalidade dos times brasileiros de primeira divisão.

A começar pelo legítimo campeão, esse culto ao futebol pragmático é a tônica no Brasileirão. E que não se condene Abel por isso. Antes dele, Muricy Ramalho já seguia a mesma receita nos tricampeonatos do São Paulo. E Tite, no ano passado, não se afastou um milímetro da cartilha. Um futebol feio, bate-estaca e truculento, a léguas de distância da tradição brazuca de alegria e habilidade.

Por essas ironias só possíveis no Brasil, os três profissionais acima citados são sempre cotados (junto com Felipão, outro papa da objetividade) para assumir o posto de comandante da Seleção na Copa do Mundo. São todos limitados, escravos de um esquema imutável e incapazes de grandes inovações na forma de jogar dos times.

Beneficiam-se do nível raso dos demais competidores para continuar em alta. Talvez por isso mesmo, qualquer ameaça – por mais tímida que seja – de contratação de um técnico estrangeiro apavora essa turma. Bastou alguém soprar o nome de Guardiola para todos, em uníssono, demonstrarem repúdio à ideia.

Ocorre que a admiração da torcida pelo trabalho do catalão que montou o timaço do Barcelona é sinal óbvio de que as fórmulas manjadas dos treinadores nacionais já não enganam ninguém. E é bom não esquecer que o caminho da redenção passa pela consciência das massas – parece conceito de Marx, mas é apenas futebolês puro.

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Super clássico em janeiro

Ganha força a ideia de um Re-Pa no dia 12 de janeiro homenageando Belém e marcando a abertura do Campeonato Estadual. A promoção interessa até mesmo aos azulinos, que saíram no prejuízo nesta temporada ao enfrentar o maior rival com time todo desconjuntado e amargando derrota acachapante por 3 a 0.

Os riscos são os mesmos, talvez até maiores, mas a possibilidade de faturar um bom dinheiro fala mais alto nesses tempos bicudos. Leitor da coluna aproveita o embalo e propõe que seja programada uma preliminar entre dois times emergentes, que seriam definidos por sorteio. Segundo ele, uma rodada dupla seria ainda mais atraente para o torcedor – e rentável para os clubes.

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Um debate esclarecedor

Debate equilibrado, esclarecedor e de alto nível foi proporcionado pelos candidatos Victor Cunha (Chapa Centenário) e Vandick Lima (Chapa Novos Rumos), ontem à noite, na Rádio Clube do Pará. Sob a mediação serena e firme de Valdo Sousa, com a participação deste escriba em perguntas e análises, ambos puderam expor suas propostas para dirigir o Paissandu pelos próximos dois anos.

O torcedor sai sempre no lucro quando o processo é transparente e as ideias são comparadas. A grande audiência do programa ratifica o grau de interesse que o futebol desperta no torcedor paraense, principalmente quando o assunto diz respeito a um dos grandes clubes.

Eleitores – conselheiros e sócios – que tinham alguma dúvida quanto à escolha do candidato devem ter definido voto a partir do debate. A expectativa é de que a eleição, na sexta-feira (30), transcorra dentro do mesmo clima de cordialidade.

Afinal, a essa altura, o que importa mesmo é o futuro do Paissandu. Vaidades existem, mas não podem ser maiores que o projeto de reconstrução do clube, esboçado pelos dois candidatos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 28)