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Escolinha para torcedores

Por Gerson Nogueira

Já fiz referência à ideia do curso especial para dirigentes, defendida nos idos de 70 por Edyr Proença e cuja necessidade é mais do que premente nos dias de hoje. Diante das reiteradas ocorrências nos estádios paraenses, ganha corpo também a urgência de uma escola para torcedores. É inadmissível que adultos aparentemente normais insistam em descumprir as normas de boa conduta nos estádios.

Que o torcedor é, por essência, animal dominado pela mais incontida emoção todo mundo sabe. Surpreende que os clubes de massa não se preocupem em orientar seus adeptos, através de campanhas educativas direcionadas e que ultrapassem o limite das mensagens lidas pelos locutores nos estádios.

O processo de convencimento das massas torcedoras exige firmeza, clareza e método. Cabe, pela extensão dos danos provocados, um investimento em campanhas através da imprensa, com faixas nos estádios e prêmios por bom comportamento.

A finalidade é incutir na cabeça dos bárbaros que atirar sandálias, rádios ou garrafas jamais irá mudar o resultado do jogo. Sim, eu sei, a dica é óbvia. Mas, diante das infantilidades praticadas, temos que considerar o nível de compreensão dessas pessoas.

A adoção dessas medidas se faz necessária diante dos inúmeros prejuízos sofridos por Paissandu e Remo nos últimos anos. Cada mando de campo perdido representa perdas financeiras e técnicas, principalmente nas fases decisivas dos campeonatos.

É justamente o que acontece agora com o Paissandu, sob risco permanente de perder até quatro mandos em consequência do mau comportamento de seus torcedores em jogos da Série C.

Por sorte e competência do advogado, o clube terminou beneficiado (duas vezes) por efeitos suspensivos e poderá fazer seu último jogo na atual fase, contra o Salgueiro, no estádio Edgar Proença. Adversários diretos do Papão, como o Icasa, não tiveram a mesma sorte e estão cumprindo pena pelos mesmos motivos.

Mas, caso avance no torneio, terá que cumprir várias partidas longe de casa. Até lá, o tribunal já terá julgado o mérito dos processos e é quase certo que o resultado seja desfavorável.

O Remo vive situação ainda mais surreal. Eliminado da Série D, desmontou elenco e está sem divisão, mas já garantiu quatro jogos fora de Belém e está ameaçadíssimo de ser penalizado em mais algumas partidas, depois de nova denúncia apresentada ao STJD. O incrível é que o caso envolve uma goleada (4 a 0) sobre o Náutico no estádio Evandro Almeida.

Em meio a esse desassossego, os responsáveis pelo problema continuam impunes e a salvo de qualquer desconforto. Terão, por exemplo, acesso garantido aos próximos jogos, livres para voltar a cometer as mesmas insanidades. Já é tempo de dar um freio nesse despautério.

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Há quem cobre atitudes mais enérgicas da Polícia Militar nas arquibancadas. Pode ser, mas não muda o eixo central da discussão. O problema está na falta de educação das pessoas, e isso não é responsabilidade policial.

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Digna de registro a atitude firme do técnico Lecheva rechaçando pressões para escalar jogadores recomendados no Paissandu. Técnicos regionais costumam fraquejar diante do cerco de dirigentes e empresários. Sabe-se de histórias cabeludas nessa área, sempre com graves consequências para os clubes. Tomara que a coragem de Lecheva seja respaldada, e não punida.

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Com a série de reportagens Dossiê Curió, do repórter Ismael Machado, o DIÁRIO conquistou ontem a Menção Honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria Jornalismo Impresso. A premiação é uma das mais importantes do jornalismo no continente, criada há 34 anos pelo Instituto Vladimir Herzog.

A distinção é um reconhecimento ao esforço do DIÁRIO e ao trabalho do camarada Ismael, um vascaíno/bicolor apaixonado pelo ofício e que se dedica como poucos à grande reportagem, um ramo jornalístico quase em extinção. Dentre os grandes jornais brasileiros, o DIÁRIO é dos mais valoriza a reportagem e a investigação. Felizmente, tanta dedicação à causa começa a frutificar.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 11)

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