Ganhos e perdas

Por Janio de Freitas

Deu exatinho: na última sessão de julgamento antes das eleições, José Dirceu e José Genoino em pauta para receber condenações. O ministro Ayres Britto e seu antecessor na presidência do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, sempre guardiães do princípio do apartidarismo no Judiciário, não contariam com a coincidência precisa quando articulado o início, um tanto às pressas, da agenda para o julgamento.

Na ocasião, não custa lembrar, a pressa e a consequente pressão sobre o ministro revisor, para dar a revisão por concluída, justificaram-se com a coleta de um voto inicial de Peluso, que logo se aposentadoria. Voto em item secundário do processo e sem influência no julgamento, mas satisfatório para Peluso e proveitoso para o tribunal.

Se e como o julgamento do mensalão influiu no primeiro turno das eleições, será ainda discutido por algumas semanas.

Mas, para o segundo turno, parece sob medida para a agressividade de José Serra, na disputa com que São Paulo anima estas eleições. A propósito, a Polícia Federal ainda não deu sua colaboração à disputa, como fez em duas eleições anteriores. Não só por isso, a situação mais original não se deu em São Paulo, e está à margem da pinimba PSDB-PT, com ou sem PF.

O PSB é o partido que pode se considerar vitorioso político nas eleições em geral, e para tanto contribui muito a reeleição imediata de Márcio Lacerda como prefeito de Belo Horizonte.

Houve aí o êxito consagrador também do patrono de Lacerda: Aécio Neves se fortaleceu, como aspirante do PSDB à eleição presidencial de 2014, contrapondo-se a Lula, Dilma Rousseff e ao PT para eleger o candidato do PSB. Com isso, porém, a vitória do PSB tem uma face de derrota, porque seu presidente, o governador pernambucano Eduardo Campos, é o potencial adversário do fortalecido Aécio Neves na aspiração de derrotar Dilma.

Em termos aritméticos, incluída a contagem de vereadores, o PMDB confirma-se como a força incomparável em âmbito nacional e como fenômeno político, pela incapacidade de transformar tamanha força em conquista do poder central.

Sem as decisões do segundo turno em 17 capitais, sempre sujeitas a reviravoltas, ainda não há um quadro da distribuição de forças estaduais e de sua possível influência até 2014, que é o aspecto de maior interesse político para as regiões e no plano federal. Ainda assim, no varejo impressionam a ocorrência de uma só conquista do PT em primeiro turno de capital, na Goiânia onde nunca fora forte, e a acentuação do seu refluxo em Porto Alegre.

Acarinhados pela chegada de José Serra ao segundo turno, os meios de comunicação brasileiros sofreram, no entanto, uma derrota eleitoral: Hugo Chávez se reelegeu na Venezuela. Mas logo mais há mensalão outra vez.

3 comentários em “Ganhos e perdas

  1. A questão é que os analistas políticos hoje no Brasil já tratam o assunto como alguns analistas esportivos, especificamente no futebol onde debaixo (e em alguns casos até em cima) do uniforme de trabalho está a camisa preferida da sua paixão.

    Análise é análise de cenário e não das paixões, de certo que as investigações do mensalão do PSDB foram aniquiladas pelo FHC e Cia isso é fato! Agora usar isso como argumento para anistiar os mensaleiros do PT isso não é justificável sob qualquer ótica.

    Temos que parar com essas teorias da conspiração e de perseguição e atacar os focos podres da republica esquecendo as paixões (Dilma inclusive está sendo um bom exemplo). Vide linchamento público que está em pauta o presidente LOP do Paysandu onde a própria torcida tem dado exemplo de vontade punitiva.

    R Ramos

  2. Para quem diz querer vê a verdade esclarecida, não pode reclamar. O Mensalão é uma casca de banana nos sapateados do PT.

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