Piquet: 60 anos de um piloto genial

Por Rodrigo Matar

O automobilismo brasileiro comemora nesta sexta-feira o aniversário de um de seus maiores nomes. O tricampeão mundial de Fórmula 1 Nelson Piquet chega a 60 anos bem-vividos, sem nenhuma badalação. Como é costume de sua personalidade arredia, porém sarcástica, repleta de frases históricas e de efeito, alguns desafetos e muito sucesso no esporte a motor. Uma carreira que não se restringiu à categoria máxima do automobilismo, na qual conquistou 23 vitórias e 24 poles, mas também a provas importantes como as 500 Milhas de Indianápolis, as Mil Milhas Brasileiras e corridas internacionais de endurance, onde se aventurou após largar o circo da F-1. Protagonista de uma das maiores rivalidades das pistas em toda a história, que causou uma verdadeira divisão da torcida brasileira, Nelsão completa seis décadas de vida disposto a relaxar, mas segue ligado na carreira dos quatro filhos – de sete no total – que seguiram seus passos no mundo da velocidade.

Pela Brabham, equipe que defendeu por sete temporadas, Piquet foi duas vezes campeão, em conquistas históricas derrotando o argentino Carlos Reutemann em 1981 e a esquadra francesa formada por Alain Prost, René Arnoux e Patrick Tambay, em 1983. Em meio às vitórias, ele foi protagonista de um momento jamais esquecido por seus fãs: a cômica cena de pugilato com o chileno Eliseo Salazar, no GP da Alemanha de 1982, quando foi tirado da pista pelo então retardatário.

A maior ultrapassagem

Insatisfeito com a fragilidade do motor BMW, que o impossibilitou de disputar o título outrtas vezes na equipe onde mais fez amigos na Fórmula 1, transferiu-se para a Williams em 1986. Só que Frank Williams sofreu um acidente de carro, ficou paraplégico e o comando da equipe caiu nas mãos de Patrick Head, que privilegiava o companheiro Nigel Mansell. O sem-número de picuinhas e as frases de efeito de Piquet repercutiam, para a delícia da imprensa. Contra tudo e todos, Piquet foi 3º colocado no primeiro ano no time, perdendo o título por três pontos, mas sagrou-se tricampeão em 1987, com uma sequência de pódios que desnorteou Nigel Mansell a ponto do “Leão” bater no treino livre do GP do Japão e jogar a toalha, entregando a taça ao companheiro e rival.

Piquet, aliás, usou deste expediente de chegar ao máximo de corridas possível em segundo, atrás do “idiota veloz” (palavras do próprio Nelson), após o grave acidente sofrido em 1º de maio, na famigerada curva Tamburello. “Eu dormia de dez a doze horas de sono e passei a dormir muito mal. Aquela porrada me afetou psicologicamente”, declarou à época.

Apesar dos dissabores, Piquet teve grandes momentos na Williams. A vitória no GP do Brasil de 1986 certamente está entre eles, numa inesquecível dobradinha com Ayrton Senna. Mas o principal, sem dúvida, é a histórica manobra de ultrapassagem sobre Senna durante o GP da Hungria, naquele mesmo ano. Algo que o tricampeão Jackie Stewart, comentando para a TV britânica, descreveu como “dar um looping a bordo de um Boeing 747”. A manobra, vista e revista pelos fãs de automobilismo à exaustão, é considerada a maior da Fórmula 1 em todos os tempos.

Cabra bom. O melhor piloto brasileiro de todos os tempos.

17 comentários em “Piquet: 60 anos de um piloto genial

  1. Cena a parte, Senna foi o maior dos maiores. Uma especie de campeão dos campeões que nem o Papão. Não querendo melindrar os azuis. Espero que tenha sido entendido. Rsrsrsrs

  2. Amigos Diogo e Edson, essa pinimba das torcidas de Senna e Piquet sempre vai existir. Cada um tem o seu preferido, mas ambos foram fantásticos, sem dúvida. Mas fico com Nelson, cuja carreira acompanhei mais de perto.

  3. Senna foi de fato um grande piloto, contudo, lembro-me que a cobertura da mídia sempre foi muito simpática à Senna e pouco destacava o desempenho de Piquet quando ambos passaram a competir. Não entendia o motivo de tanto confete e serpentina para um piloto que ainda se mostrava promissor em detrimento de um que já era consagrado e tricampeão mundial de F1. Depois passei a entender. A Globo (sempre ela), detentora dos direitos de transmissão das provas, adora os discretos e adeptos do bom-mocismo e do chapa-branquismo e rechaça os portadores de posturas mais contundentes, controversas e polêmicas. Ou seja, entre Senna e Piquet, a vênus escolheu aquele que deveria se tornar o mito, condição esta fatidicamente reforçada pela tragédia na curva Tamburello. Será que haveria tanta comoção midiática se ao invés de Senna fosse Piquet a vítima da famosa curva naquele domingo de 1º de maio?

    1. Disse tudo, amigo Daniel. Algo que sempre me irritou foi o protecionismo que a Globo (e Galvão) destinavam a Senna, o queridinho da mídia. Há um jornalista paulista que escreveu sobre o esquema do uso da bandeira brasileira, que Senna usou exaustivamente até que a FIA proibiu a apelação. Esse lance da bandeira teria sido bolado pelos marqueteiros da Globo, loucos por forjar um herói nacional. Claro que isso tudo só deu certo porque Senna, acima de tudo, tinha talento. Apesar de toda a mídia favorável sempre preferi Piquet, justamente por não se render aos caprichos globais e pelo jeitão de anti-herói. F-1 perdeu a maior parte do interesse pra mim quando ele se aposentou.

  4. Desculpem amigos, o Piquet sem duvida foi um grande pilot da F1, mas o Senna sem duvida foi melhor, assistir o documentario sobre o Senna, alias recomendo a todos os amantes da velocidade, foi ai que tirei minhas duvidas de quem era melhor, e o Senna conseguiu mostrar dentro e fora da pista porque era de fato o melhor de todos. Cabra bom.

  5. Respeito Senna, fiquei muito triste com a morte do mesmo, mas sempre gostei mais do Piquet que viveu de uma Fórmula 1 mais competitiva do que a de Senna… Além disso, ele tinha personalidade, um Romário das pistas, não se curvou a Globo nunca… Nem mesmo ano passado quando Galvão falou que ele estava emocionado pilotando o carro em Interlagos e o mesmo respondeu que não, pelo contrário, estava gargalhando…

  6. O Senna foi incensado pela Globo e pela mala do Galvão.Tinha talento? Muito. Mas, Piquet era genial. O anti-heroi. O cara impulsivo, que não fica se fazendo de santinho. Seria impensável ver o Piquet agindo como o Pé de chinelo e como o Zacarias (Massa), aceitando ser segundo piloto, tanto pra Shumi quanto pra Alonso. O Piquet teria chutado o balde há muito tempo. E mandado a Globo e a mala do Galvão pra aquele lugar…

  7. Piquet tinha personalidade e não se deixava levar pela mídia global como Senna, falava o que queria e sempre certeiro como uma flecha. Ademais como piloto acertava carro como ninguém o que o torna melhor que senna.

  8. Na verdade a grande maioria dos brasileiros n entendem porra nenhuma de F1 e quase nada da maioria dos esportes.
    Piquet e Senna pegaram o grande vácuo dos chutadores de bola que fracassaram em 82 e etc..
    Resumindo sou Piquetinista . Os q adoram o da vinhetinha nao os culpo. Mas Piquet era mais graxa e tem uma história mais rica para neguinho se prender horas em um buraco qualquer.

  9. Piquet era um piloto muito frio falava mal dos companheiros, para desequilibra-los emocionalmente, porque ele não dava bola para as críticas,mas era um bom acertador de carros, defeito de Piquet não era veloz, o Nakajima com tanque cheio levava 0,5 segundo do Piquet (lotus 1988), já o Senna era 2,0 segundos mais veloz que o Nakajima com o tanque cheio (ambos com os mesmos Lotus 1987), já nos treinos o Piquet era 1,0 segundo mais rápido que o Nakajima (Lotus 1988), já o Senna era 3,0 segundos mais rápido em treinos que o Nakajima (ambos com o Lotus 1987). Existem dezenas de evidências que o Piquet não era veloz o próprio Mansell que se considerava o piloto mais rápido do mundo, porque ele era mais rápido que o Piquet na Williams em 1986 e 1987, quando foi correr do lado do Prost na Ferrari foi completamente dominado pelo francês, coisa de 1,0 segundo por volta.

    1. Beto, nunca ouvi falar desses exemplos de velocidade tendo como referência o folclórico Nakajima, mas sei que a ultrapassagem mais genial da história pertence ao fantástico Piquet. Sobre Senna, no primeiro GP da Hungria.

  10. Entre no site statsf1 um site francês o mais completo do mundo, lá tem todos os tempos de classificação e de corrida, e tu vai chegar a seguinte conclusão Prost, Senna e Schumacher são pilotos de outra turma. Mas você tem razão quanto a ultrapassagem e eu não sou fã do Senna, pois eu não gostava de algumas atitudes dele, mas que ele era bem melhor que o Piquet isto é indiscutível. O piloto que eu admiro é Emerson, mas também admiro o Villeneuve e o Lauda, gosto do jeito deles, não são grandes pilotos mas tem uma história legal, até o Piquet apesar de ser fofoqueiro tem uma história legal.

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