Tem mulher que só pega cafa. Não tem jeito

Por Xico Sá

“EU TENHO UMA AMIGA de olhos escuros e pele suave, talvez a mais bonita de todas, que põe a vida amorosa na contramão da sua elegância intrínseca. Só namora os mais lamentáveis malandros.” Esta é apenas uma delas. A amiga de número 25. Uma das mais perdidas. Nem “A educação sentimental”, de Flaubert, deu jeito. Se é que ela leu. Imagina. Sempre na mão dos cafas. O amor não tem mesmo GPS.

No seu novo livro, o cronista Joaquim Ferreira dos Santos faz um lambe-lambe afetivo de cem amigas. São pequenos perfis de mulheres reais ou fictícias – estas devem ser as mais críveis, acho- que revelam a alma encantadora das moças. Joaquim é chegado. Daqueles cronistas que amam as mulheres. Afilhado direto de Antônio Maria, Vinícius de Moraes, Paulo Mendes Campos.

Joaquim escreveu a biografia de Leila Diniz, Joaquim é carioca, Joaquim é colunista de “O Globo”, e, acreditem, Joaquim tem até uma amiga que foi assediada por um presidente da República e pelo maior jogador de futebol de todos os tempos.

Acho que eu conheço esta poderosa. Deixa quieto. Ela também está no livro. É a amiga 68. Já a amiga 44 mostra como mulher não é um bicho interesseiro: acabou o relacionamento no dia em que o namorado abriu o cofre do apartamento e, macho exibicionista, mostrou 10 milhões de reais estocados em nota de 100. Era um importante empresário do mercado imobiliário.

“Eu tenho uma amiga feliz proprietária de dois gatos e um namorado alérgico”. É a centésima. Seja uma Lola ou uma linda afilhada de Balzac, você vai se reconhecer em uma delas. Você, amigo porco chauvinista, vai fazer aquele julgamento vulgar de sempre: essa eu pegava, dessa eu corria léguas etc. Eu me casaria com quase todas. Até com as fictícias. Caro Joaquim, me manda emails, telefones, facebooks das minas.

Não me deixes a chupar o frio chicabom da solidão na avenida Paulista.

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