A nova aventura do Gaúcho

Por Gerson Nogueira

Há quem não acredite na velha máxima de que o futebol é tão generoso que às vezes parece coração de mãe, mas os fatos vivem a atestar isso. Basta ver o que ocorre hoje com Ronaldinho Gaúcho, que saiu do Flamengo pela porta dos fundos, rejeitado pela torcida e exigindo graciosamente R$ 40 milhões como indenização trabalhista.
Nem bem sentou a poeira da notícia de seu desligamento com o time carioca eis que o jogador aparece, com aquele sorriso dos que têm o boi na sombra, treinando com o elenco do Atlético-MG, em Belo Horizonte.
De um salário que beirava R$ 1,5 milhão no Flamengo, Ronaldinho terá – segundo fontes mineiras – uma redução de R$ 500 mil: vai embolsar no Galo mensalmente R$ 1 milhão mais participações em propaganda e marketing. 
Para quem terminou a semana desempregado e com a imagem mais do que arranhada pela fraca passagem pelo rubro-negro do Rio, o ex-melhor do mundo sai no lucro. É a reafirmação de que nenhum outro ofício moderno permite ganhos tão fantásticos quanto o futebol e pratica regras tão flexíveis.
Pela natureza quase informal das relações profissionais, com dirigentes que têm a cabeça ainda no Brasil Colônia, é uma profissão que brinca o tempo todo com a malandragem.
O próprio torcedor, que protesta ferozmente quando o atleta não corresponde em campo, costuma ser condescendente com seus craques mais queridos. Até Reinaldo, um dos maiores ídolos atleticanos, reagiu meio brincando, meio a sério: “Vamos criar um pagode para ele aqui em Minas”, referindo-se à conhecida paixão do boleiro pelo samba e demais folguedos noturnos. 
Como BH não é o Rio de Janeiro e o Galo não é assim tão bagunçado quanto o Flamengo, há uma grande expectativa quanto à disposição que move Ronaldinho e até que ponto ele pode render em campo. Apesar do talento natural indiscutível, o jogador vem caindo de rendimento a cada temporada, desde que deixou o Barcelona e passou pelo Milan antes de aportar na Gávea.
O futebol é rico em histórias de jogadores que se superam diante de desafios na carreira. No fundo, o ambiente novo e as necessidades de provar que ainda pode jogar em alto nível funcionam como doping para um atleta no crepúsculo da profissão.
A dúvida é se esse ânimo de Ronaldinho será duradouro e capaz de fazer diferença no Campeonato Brasileiro, competição difícil, mas de nível técnico mediano. De minha parte, já há algum tempo, não creio em milagres.
 
 
Gracinha do dia na internet, proporcionada pela notícia da surpreendente contratação atleticana. “Depois de aprontar com o Urubu, Ronaldinho está pronto para depenar o Galo”.
 
 
Acompanho com atenção as entrevistas dos técnicos de Remo e Paissandu a propósito do Re-Pa marcado para domingo. Pisando em ovos, ambos tentam aparentar entusiasmo com a idéia, mal conseguindo disfarçar a apreensão com a perspectiva de um resultado negativo que venha a causar turbulências.
O Re-Pa é um clássico tão marcado pela rivalidade que, mesmo sem caráter oficial, pode desempregar. Várias cabeças já rolaram em função de derrotas para o principal rival. Cientes dessa sombria tradição, Flávio Lopes e Roberval Davino foram os últimos a concordar com a realização do jogo.
Os jogadores recém-contratados também querem distância de um desafio desse porte. Sabem que uma tarde infeliz pode irritar a massa e representar o fim da linha no clube. Nesse sentido, a confirmação de dois jogos – valendo a Taça Super Clássico da Amazônia – só redobra a aflição de todos os envolvidos.
 
 
Direto do blog
 
“Será, em 98 anos, o segundo Re-Pa na data de aniversário do primeiro Remo e Paissandu da história deste clássico, que é, salvo prova em contrário, o mais jogado do mundo. Desde 1914, jamais se repetiu o clássico-rei nessa data. Apesar da proximidade da Copa, se os clubes tiverem um pouco de visão, poderá ser realizado o Re-Pa do centenário exatamente nesta data em 2014”.
 
De Antonio Valentim, acentuando a importância histórica do Re-Pa marcado para domingo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 05) 

16 comentários em “A nova aventura do Gaúcho

  1. – Ronaldinho, Gerson e amigos, pensa hoje, mais em farra que em jogar futebol, por isso essas críticas todas.
    – Como Paysandu e Remo possuem bons técnicos, deveriam ser preservados por seus diretores de futebol, independente do resultado do jogo. Demissão de um dos técnicos, ou de qualquer jogador, por um jogo, ainda na fase de preparação, é não conhecer, como se procede na montagem de um time de futebol. Vamos ver qual diretoria é mais profissional, até porque, se depender dos torcedores e de grande parte da mídia, quem perder, tem que sair. Te dizer..
    – Gostei da lembrança do amigo Valentin, poderiam levar em frente sua idéia do Re x Pa do Centenário.Parabéns, pela bela lembrança.
    É a minha opinião.

  2. Gerson, ah se nossos dirigentes tivessem um tiquinho de visão mercadológica!

    O jogo de 10 de junho de 2014 poderia ser um acontecimento digno de repercussão em rede nacional, acompanhado necessariamente de, por exemplo:

    1) Shows, no próprio estádio, de artistas da terra;
    2) Lançamento do livro “Re-PA, um século do superclássico da Amazônia” (o nome é apenas uma sugestão);
    3) Apresentação de filmes publicitários;
    4) etc etc etc

    Isso, se se unirem todos em torno da ideia: direção de Remo e do Paissandu, Prefeitura de Belém, Governo do Estado, Fpf, mídia em geral. Só faria bem a um dos maiores patrimônios imateriaises do nosso Estado.

    Fica a sugestão desde já, 2 anos antes.

  3. Eu acredito que o Antonio Valentim pelo seu vasto conhecimento deveria esrever um livro sobre o centenário do classico rei da Amazônia, fica a sugestão.

  4. Gerson

    O caso Ronaldinho Gaucho reflete também um nova realidade,são a dos craques que muito jovem ganham fama e muito dinheiro na europa e depois quando voltam ao Brasil já beirando os 30 anos só querem aproveitar a vida,curtindo o que ganharam e ainda ganham no futebol.Isso não acontecia com os craques de antigamente pelo fato de que em outras épocas o jogador de futebol ganhava pouco,com raríssimas excessões era quase impossível ficar milionário antes dos 30.

    1. É verdade, amigo Marcelo. E vou além: são jogadores de baixa formação e pouca informação, que se tornam reféns do consumo e dos encantos da boa vida. Chegam a um ponto em que fica impossível conciliar carreira com curtição. Foi o que precisamente ocorreu com o Gaúcho no Barcelona, onde ia treinar sem descansar depois das muitas baladas.

  5. Sr. blogueiro GN, uma indagação a ti: “POR QUE TU NÃO PUBLICAS MENSAGENS de FATOS CIENTIFICAMENTE COMPROVADOS?!”
    Que critérios tu utilizas,e como se explica isso?!
    Afinal,tu não publicas mensagens de SENSO COMUM?!
    Sou paraense,quero e tenho meu DIREITO CONSTITUIDO de expressar minha visão sobre FUTEBOL,aos meus conterrâneos,aos brasileiros,e aos demais pelo mundo a fora!.Esta temática que é uma das mais destacadas neste espaço.

    UM ABRAÇO,
    SAUDAÇÕES DESPORTIVAS!!!

  6. Obrigado pela lembrança, meu caro Gilvan, porém, a bem da verdade, devo dizer que meu conhecimento a respeito do clássico Remo e Paissandu é ainda paupérrimo. Não vai além de algumas planilhas e anotações, e mais algumas leituras. Escrever um livro requereria muita pesquisa, centenas, talvez milhares de consultas a jornais antigos que o zelo pela história e pela cultura houve por bem preservar, entrevistas a atletas, técnicos e diretores, que militaram por ambas as cores, além de, claro, a reunião de muitas fotografias de época.
    Além de não dispor do necessário conhecimento, não disponho do vil metal, sem o qual resta inviabilizada a empresa. Não hesitaria, porém, em patrocinar tal homenagem, caso dispusesse do nece$$ário.
    No entanto, lançamos desde já a sugestão.

  7. Valetim acho muito bom isso que vc levantou.
    O Paysandu também faz 100 anos em 14, será em fevereiro, tomara que façam uma grande festa.
    No caso do Re-Pa, bem que eles podiam vender essa idéia.

    Hoje faz 15 anos que o Vital assinalou o gol mais rapido do mundo, aos 4 segundos contra o Santa Rosa na Curuzú.

    Detalhe: Placar final 1X0, he he he he, se não me enagno o goleiro era o Vagner Xuxa, que por sinal adorava jogar adiantado.

    Nota negativa do dia: Estão querendo excluir de um DVD que estão produzindo sobre o feito histórico da vitória do papão sobre o Boca, a imagem do ex presidente do papão, o sr. ARTHUR GUEDES TOURINHO, os produtores do mesmo não concordam.
    Isso que é uma mesquinharia, te dizer!

    Fonte: Claudio Guimarães em sua coluna no Diário do Pará.

  8. O Gaúcho enganou o “urubu” e agora vai depenar com o “galo mineiro”. O Cuca que se cuide, vai ser o próximo treinador demitido pelas mãos, pés, noitadas, farras de Ronaldinho Gaúcho.

  9. Eu também acho que o Sr. Tourinho tenha sido o grande culpado da queda do Papão.

    Mas não posso deixar de reconhecer que ele foi o grande responsável por um dos maiores feitos do Paysandu.

    Portanto, acredito que ele merece sim estar com sua imagem gravada no filme.

    Como afirma acima o Sr. Edson, é uma enorme mesquinharia querer apagar sua imagem da história do Papão

  10. Amigo Edson,o jogo do qual você se referiu foi em 04-06-1997,na curuzú. O Placar foi 1×1. o gol a princípio foi dado como 2 segundos e depois confirmado como 4 segundos,Vital do meio de campo,na saída da bola. O goleiro realmente era o frangueiro Xuxa.

  11. A análise de que “…são jogadores de baixa formação e pouca informação…(…)”,na questão sobre Ronaldinho gaúcho,feita pelo blogueiro,não contém evidencias cientificas,ETNOLOGIA.Trata-se,de um ponto de vista ETNOCENTRISTA,de desvalorização da cultura deste jogador,e de outros que tem o comportamento em comum.
    Em todas as profissões,relações sociais,é comum encontrarmos esse tipo de comportamento de “BALADEIRO”,que para muitos,pode ser visto,como anti-social,desagregador,mal-visto,mal formado,desinformado,etc.
    Já deram uma “olhadinha”,por exemplo, na vida dos parlamentares(políticos)?!,na maioria deles,a vida “é uma balada constante…”,e até mais rebuscada,chegando até uso de drogas…
    E, de empresários(grandes capitalistas),ARTISTAS FAMOSOS/AS?
    Convenhamos,numa sociedade complexa e de difícil compreensão,como a nossa na contemporaneidade,de crises generalizadas,o bom senso e a descostrução de categorias e conceitos,necessitam ser revistos,reformulados,re-informados.
    Uma vez que vivemos na era DAS INFORMAÇÕES,velozes e imediatistas via fibras óticas/INTERNET.Um bombardeio de milhões,bilhões de INFORMAÇÕES de múltiplos TEMAS.
    Para ratificar o que digo,que dizer de pessoas “comuns”, trabalhadores/as anônimos/as que levam a vida como a dos “jogadores”?!
    O que pode estar ocorrendo,e acometendo essas pessoas,aí sim,talvez seja um problema social bem antigo: O ALCOOLISMO.No qual apresenta varias fases e características.
    Portanto,nossas relações sociais,não são por acaso,elas são um conjunto de CAUSAS e EFEITOS INTER-RELACIONADOS.

    OBRIGADO,
    UM ABRAÇO!

  12. Comedidos, criteriosos, prevenidos, os mineiros do CAM devem ter em contrato alguma cláusula que lhes garanta rescisão/redução salarial do contrato caso R10 não produza em campo o necessario para arrumar a meia-cancha atleticana e seu próprio futebol. Como merchandishing é boa jogada, tendo em vista que o clube (CAM) andava meio distante da torcida por resultados ruins nas competições de 2011. Não acredito no R10. No Milan já estava erm franco declínio. Acho que ele, como Adriano e Wagner Love são contumazes baladeiros. A diferença é que o R10 já tem seu pé-de-meia feito os outros não. Em 05.06.12, Marabá-PA.

  13. Depois de quase um ano é possível ver que milagres acontecem, principalmente em se tratando de futebol. Ronaldinho mostrou e continua mostrando que é um craque de bola, e que talvez continue atuando em campo muito mais por amor pelo que faz do que pelo dinheiro em si, pois esse ele já tem de sobra.

Deixe uma resposta