O medo de todos diante do pênalti

Por Gerson Nogueira

Alguém já recomendou, pela importância, que o pênalti fosse cobrado pelo presidente do clube. A verdade é que a falta fatal se reveste de um misticismo tão grande para quem cobra que volta e meia surge algum boleiro falando que pênalti é loteria, depende de sorte e outras bobagens.
Sempre acreditei que a penalidade máxima é um chute normal de bola parada, dependendo de fundamentos como disciplina, concentração e treino. Jogadores bem condicionados atleticamente e com a cabeça no lugar conseguem executar a cobrança sem maiores traumas. Às vezes, erram o alvo ou o goleiro consegue defender. Paciência. Afinal, é um jogo e a possibilidade do erro é que garante emoção à disputa.
Pela relevância crescente que o futebol adquiriu, até como negócio, o peso que o lado emocional tem na hora do pênalti aumentou imensamente. Pode até ser determinante para mudar os destinos de um jogo e até de uma Copa do Mundo, como já ocorreu em 1994 (Estados Unidos) e em 2006 (Alemanha).  
O Brasil, detentor de retrospecto bem favorável em situações desse tipo, amargou um inesperado zero total na disputa das semifinais da última Copa América. Jogadores como André Santos, Fred e Elano erraram as cobranças e trataram de culpar os buracos no gramado do estádio argentino. A torcida, porém, não comprou a idéia e Elano até hoje é alvo de piadinhas pelo chute bizarro, muito acima do gol.
Na recente Liga dos Campeões, até o melhor jogador do planeta, Lionel Messi, foi vítima da maldição dos pênaltis, desperdiçando um contra o Chelsea dentro de Barcelona.
Na final entre Bayern e Chelsea, goleiros e cobradores foram novamente testados no limite máximo. E Peter Cech, o gigante que guarnece a equipe inglesa, saiu consagrado por uma excepcional intervenção no tempo normal (chute de Robben) e pelos penais que defendeu na série decisiva.
Presente ao Allianz Arena, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pareceu sinceramente comovido com o drama que envolve torcedores e atletas, pressionados ante a inevitabilidade do fracasso e do sucesso. Em segundos, toda uma campanha meritória pode cair por terra, castigando cruelmente um time e até um país.
Não é de hoje que a Fifa se preocupa com a dramaticidade dos penais. Alguns especialistas consideram que a decisão por penalidades não premia o mérito, nem valoriza o talento. Em resumo, empobrece o espetáculo como aprendemos a esperar de um confronto futebolístico.
Sem alternativas para campeonatos que terminam empatados, a Fifa experimentou há alguns anos a “morte súbita”, que dava a vitória ao time que fizesse o primeiro gol na prorrogação. De certa forma, porém, o critério até amplificava a crueldade de alguns resultados, embora tivesse o aspecto saudável de garantir partidas disputadas em alto nível de ofensividade. Por sinal, o duelo nos pênaltis tem o inconveniente de favorecer o time mais fraco tecnicamente, que incapaz de vencer com a bola rolando passa a se retrancar a fim de levar a decisão para os penais.
Blatter prometeu reabrir o debate, pedindo sugestões para o terrível dilema. Continuo a achar que as penalidades são um mal necessário, principalmente pelo custo de transmissões dos jogos mais importantes pela televisão. Inviável, por exemplo, deixar que uma prorrogação se estenda por mais de 30 minutos.
É o tal ônus do sucesso e da fortuna. Como a TV praticamente banca os grandes torneios, não há como contrariá-la prorrogando o tempo de jogo até surgir um vencedor, como defendem alguns. Bem pior seria retroagir ao tempo em que torneios eram decididos pelo número de cartões recebidos pelos times ou, mais patético ainda, pela quantidade de escanteios para cada lado.
 
 
Com Neymar em campo, o Brasil encara hoje um desafio supostamente mais encardido que aquele apático time dinamarquês. Os Estados Unidos, que evoluíram rapidamente do estágio de broncos para aplicados futebolistas, vem criando dificuldades a cada novo confronto com a Seleção. Ainda assim, o verdadeiro teste no caminho de Mano Menezes será o embate com os argentinos. Ali ficará claro se o seu passaporte para Londres e a Copa de 2014 estará garantido ou não. 
 
 
Do leitor Orlando Rodrigues: “O Clube do Remo contratou dois zagueiros (Ávalos e Santiago) que, somadas as suas idades, quase ultrapassam os 70 anos, para jogar numa região quente e possivelmente enfrentando ataques velozes. Não será um suicídio anunciado. Depois não adianta chorar. Não seria melhor contratar o Gil do Cametá, que já se conhece?”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 30)

Lúcio Flávio ganha Prêmio Vladimir Herzog

A carta reproduzida abaixo foi encaminhada ao jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, dando ciência de que foi agraciado com o Prêmio Vladimir Herzog Especial 2012, em escolha unânime dos integrantes da comissão julgadora. Como bem aponta a mensagem, Lúcio foi escolhido pela trajetória ímpar como profissional do jornalismo, orgulho para todos os seus pares.  

“São Paulo, 28 de maio de 2012
Prezado jornalista
Lúcio Flávio Pinto
É com grande alegria que levamos a seu conhecimento a notícia de que seu nome foi escolhido para receber o “Prêmio Vladimir Herzog Especial 2012”. Este ano, excepcionalmente, haverá dois premiados nessa categoria. Ao seu lado, será laureado o jornalista Alberto Dines, quesabemos admirador de seu trabalho.
A escolha de seu nome foi unânime entre os componentes da Comissão Organizadora do Prêmio Vladimir Herzog. Sua trajetória corajosa e trabalho exemplar à frente do Jornal Pessoal são motivo de orgulho para todos os jornalistas brasileiros.
As entidades representadas na Comissão Organizadora acompanham com preocupação as pressões que se opõem ao seu trabalho jornalístico. Causa consternação que, 24 anos depois de promulgada a Constituição Federal de 1988, esse tipo de cerceamento ainda medre no país.
Sabemos que seu trabalho à frente do Jornal Pessoal combate justamente esse Brasil atrasado e autoritário. É exemplar o seu esforço para manter uma publicação independente que contraria interesses hegemônicos.
É com a expectativa de seu aceite que, desde já, esperamos tê-lo conosco na cerimônia de premiação, no próximo dia 23 de outubro, terça-feira, às 19h30, no Teatro da Universidade Católica – TUCA (Rua Monte Alegre, 1024, São Paulo).
Obrigado, Lúcio Flávio Pinto, pelo exemplo e pela motivação que sua atuação transmite à nossa sociedade. Receba, por meio desta carta, o nosso reconhecimento, nosso apoio e nossa gratidão.
Subscrevemo-nos, honrados.
Atenciosamente
Ana Luisa Zaniboni Gomes
Curadora da 34ª edição, em nome da Comissão Organizadora
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo ‐ ABRAJI
Associação Brasileira de Imprensa – Representação em São Paulo – ABI/SP
Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil – UNIC Rio
Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP
Federação Nacional dos Jornalistas ‐ FENAJ
Fórum dos Ex‐Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo
Instituto Vladimir Herzog
Ordem dos Advogados do Brasil ‐ Seção São Paulo – OAB/SP
Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo”.

Explicando o rancor a Lula

Por Leonardo Attuch
 
O BRASIL JÁ CULTIVOU RESSENTIMENTOS IRRACIONAIS EM RELAÇÃO A GETÚLIO, JK, JANGO E, AGORA, AO METALÚRGICO QUE AINDA É A PRINCIPAL FORÇA POLÍTICA DO PAÍS
 
Teve início, neste fim de semana, um movimento organizado de ataque ao ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Primeiro, a reportagem sobre a suposta chantagem exercida por ele contra Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, para adiar o julgamento do mensalão, já desmentida pelo anfitrião do encontro, Nelson Jobim.
Depois disso, críticas espalhadas pela rede sobre o comportamento indecoroso de Lula diante das instituições e até ironias relacionadas ao uso de remédios para o tratamento contra o câncer na laringe. Por fim, vozes mais radicais cobrando até a prisão do ex-presidente.
Por que será que Lula, depois de oito anos de governo, tendo deixado o Palácio Planalto com recordes de aprovação, tanto junto ao povão quanto às elites, que se tornaram ainda mais ricas, desperta tanto ressentimento? A resposta é uma só: goste-se ou não dele, Lula ainda é a principal força política do Brasil. E é uma força viva, que pode voltar ao poder em 2014 ou em 2018.
Mas essa seria uma análise objetiva, dos que fazem cálculos frios nos jogos de poder. Ocorre que o ressentimento em relação a Lula, muitas vezes, é irracional. Como pode um retirante, metalúrgico, sem educação formal ter chegado tão longe? É isso que incomoda boa parte da classe média brasileira.
Sentimentos assim já houve no passado em relação a outros líderes políticos, como Getúlio Vargas, João Goulart ou mesmo Juscelino Kubitschek. Os paulistas odiavam Getúlio e nunca lhe deram um nome de avenida. Mas poucos fizeram tanto pela industrialização do estado, que começou a se libertar do atraso cafeeiro, como o líder trabalhista. Os militares também odiavam JK, mas, no poder, tentaram reproduzir sua visão de “Brasil Grande”. E os que vierem depois de Lula, de certa forma, serão escravos do seu modelo de inclusão social.
Por mais que o critiquem, Lula não será abatido por seus detratores. Até porque, até aqui, ele foi um democrata. E resistiu à tentação do terceiro mandato, quando teria totais condições de se perpetuar no poder.

Dilma quer Pelé chefiando comitê da Copa

A presidente da CBF e do COL, José Maria Marin, tem sua imagem ainda muito identificada à ditadura militar, período no qual foi vice do ex-governador Paulo Maluf, de quem à época chegou a ser chamado de “irmão siamês”. Essa é a justificativa para a presidente Dilma Rousseff não se sentir totalmente à vontade com a atual direção do comitê organizador da Copa de 2014, argumentam pessoas com acesso ao Palácio do Planalto.

A informação está na coluna Painel FC, assinada por Eduardo Ohata e Bernardo Itri, publicada nesta segunda-feira. A presidente Dilma, segundo fontes palacianas, pretende ter participação maior nos preparativos para o Mundial. Embaixador da Copa do Mundo-2014, Pelé conta com a simpatia de Dilma para assumir o comando do COL. Na semana passada, o ex-jogador encontrou com o ex-presidente Lula em São Paulo.

Tímidas esperanças no escrete

Por Gerson Nogueira

A Seleção Brasileira tem jogado de maneira tão sofrível nos últimos tempos que baixa logo uma empolgação quando ganha com certa folga. Bastou fazer 3 a 1 sobre a Dinamarca, sábado, para muita gente assumir as vestes de pacheco e começar a acreditar no hexa. Menos, menos…
Para começo de conversa, o adversário está no pelotão terciário da Europa. Desde os anos 80 e a aposentadoria dos irmãos Laudrup que a Dinamarca não pode ser considerada uma seleção de primeira linha. Contra o time de Mano Menezes jogou com uma ingenuidade que poucas vezes se vê na escola européia.
Marcava em linha, com laterais que não atacavam, nem marcavam. A saída de bola era entregue a zagueiros cintura-dura, que acabaram dando de presente dois gols para o ataque brazuca, em boas roubadas de bola de Oscar e Hulk.
Aliás, os dois citados foram os destaques da Seleção. Oscar já vinha se sobressaindo no Internacional, mas carecia de mais personalidade para exercer a função de organizador no meio-de-campo do escrete. Contra os dinamarqueses pela primeira vez pareceu à vontade nesse papel e jogou com desenvoltura.
Sem dúvida, uma excelente notícia para o país que adora ser chamado de pátria do futebol, mas há pelo menos três Copas não apresenta um legítimo camisa 10. Mesmo em 2002, quando Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo se revezavam na tarefa de criar jogadas, não tínhamos um maestro transitando por ali.      
Oscar teve boa atuação, distribuiu jogadas, fez lançamentos e botou o centroavante (Hulk) na cara do gol algumas vezes. Se continuar nessa batida, será a principal sombra de Paulo Henrique Ganso na caminhada até 2014, principalmente se o paraense continuar a ser castigado por tantas lesões graves.
Quanto a Hulk, a história é outra. Parece um atacante empenhado em cavar a ferro e fogo uma vaga na Seleção, tanto para a Olimpíada de Londres quanto para a Copa do Mundo. Tem o mérito de jogar sempre como se fosse uma decisão de campeonato. Não importa se é o amistoso mais molambento ou um clássico com argentinos ou alemães.
O cenário favorece suas pretensões. O Brasil não tem outro atacante de área. Adriano está fora de combate, Leandro Damião ainda não parece pronto, Alexandre Pato é um enigma no aspecto físico. Por isso tudo, Hulk tem grandes chances na Seleção. Mesmo não sendo um atacante excepcional, tem bom chute, coloca-se bem na área e luta como poucos. No mínimo, estará entre os 23 selecionados.
Em comparação com outras atuações recentes da Seleção, a vitória obtida em Hamburgo abriu pequenas esperanças. A maior delas deriva do fato de que Mano Menezes parece ter desistido das apostas cegas em jogadores apenas medianos. Tenho a impressão de que ele, finalmente, se deu conta de que não dá mais para ficar testando novatos. É preciso formatar um time e apostar tudo nele. Até porque não há mais tempo para experiências.
 
 
O goleiro Dalto chama atenção pela imponência (tem de 1,95m), mas sua contratação ainda desperta curiosidade na Curuzu. Apesar de jovem (25 anos), tem credenciais de goleiro experiente, fato reafirmado no programa Bola na Torre pelo técnico Roberval Davino.
Do lado de fora do treino de domingo, torcedores mais desconfiados manifestam preocupação com a agilidade do grandalhão. Bola rasteira é a saída para vencer goleiros muito altos, lembram os peladeiros mais calejados.
Pelo que demonstrou na Copa do Brasil e no Parazão, Paulo Rafael continua mais titular do que nunca, mas Davino dá a entender que vai procurar trabalhar com seus jogadores de confiança. Dalto é um deles.   
 
 
Direto do blog
 
“A título de informação, caso não saibam, o zagueiro Charles, ex-Águia, deixou Marabá para se apresentar ao Cuiarana em Salinas, por nada menos que RS 20 mil de luvas mais RS 15 mil por mês. Confirmado pelo próprio jogador em entrevista ao PH da Rádio Clube AM-Marabá. Nada contra o atleta, que procura jogar onde melhor lhe pagam. A pergunta é: acharam petróleo/ouro em Salinas? Ou será outra edição do ‘caso Cametá’?”.
 
De Luís Sérgio Cavalcante, de Marabá, surpreso com a pujança financeira do recém-criado Santa Cruz de Cuiarana.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 29)

A frase do dia

“As Assembleias [Legislativas] são coniventes com esses privilégios porque, se abrem [os privilégios] para o Judiciário, abrem para si também. E dessa forma fica um oba-oba geral”.

De Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, sobre privilégios que engordam salários de juízes e parlamentares.