Por Gerson Nogueira
Franz Beckenbauer. Ronaldo Fenômeno. Duas lendas do futebol. Carreiras vitoriosas e consagradas. Campeões mundiais pelos seus países. Craques que fizeram a diferença, cada um em seu devido tempo. As semelhanças terminam quando começa a vida pós-futebol.
Beckenbauer virou técnico, assumiu a seleção da Alemanha e conquistou a Copa do Mundo de 1990. Em seguida, dedicou-se como dirigente ao Bayern, seu clube de origem. Presidiu, de forma impecável, o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha. Preservou intacta a imagem de excelência e seriedade.
Ronaldo pendurou as chuteiras defendendo o Corinthians e abriu uma empresa de acompanhamento de carreiras de atletas. Logo em seguida, aceitou ser dublê garoto-propaganda da CBF e membro do Comitê Organizador da Copa de 2014, sem autonomia para apitar ou decidir qualquer coisa.
Quando vejo o papel de marionete de Ricardo Teixeira a que Ronaldo foi reduzido, lembro de imediato da entrada sempre triunfal do Kaiser, aplaudidíssimo pela torcida alemã nos estádios da Copa de 2006. Joseph Blatter vinha ao seu lado no automóvel conversível, mas ninguém tomava conhecimento do todo-poderoso chefão da Fifa. Beckenbauer era a atração principal, pela postura e por tudo que representa para o futebol alemão.
Ronaldo perdeu a oportunidade de assumir a condição de protagonista, impondo-se no Comitê Organizador e procurando ajudar a colocar as coisas no trilho. Acomodou-se à condição de mero porta-voz, disposto a fazer gracinhas em entrevistas coletivas e a domar aos poucos o ex-rebelde Romário para a claque de Teixeira.
Apesar de todas as indicações em contrário, esperava mais do Fenômeno. Não que tivesse a ilusão de que se nivelaria à classe do Kaiser – ou, mesmo, da independência de Michel Platini, eleito presidente da Uefa. Ocorre que um ídolo da estatura de Ronaldo tem responsabilidades com sua gente. Para ser coadjuvante, teria feito melhor abrindo mão do cargo.
A temporada termina sem que o futebol do Pará tenha resgatado o destaque que sempre teve na região Norte. O Paissandu segue na Série C e o Remo permanece sem divisão. Os emergentes não parecem talhados para fazer grande figura nos torneios nacionais. Por ora, todas as esperanças se limitam ao campeonato estadual, cujos participantes têm quase nada a oferecer a uma torcida carente de atrações e bom futebol. Só mesmo o otimismo cego faz com que enxerguemos o novo ano como diferente dos anteriores.
O presidente da FPF, Antonio Carlos Nunes, é o primeiro convidado do ano no Bola na Torre (RBA TV). Programa vai ao ar às 19h deste domingo, sob o comando de Guilherme Guerreiro.
Direto do blog
“O público com as transmissões caíram em no mínimo 2 mil pessoas por jogo. O Paissandu cobra R$ 20,00 o ingresso, tendo um prejuízo por jogo de cerca de R$ 40 mil. Como joga duas vezes em casa por mês, o prejuízo chega a R$ 80 mil. O contrato não cobre essa conta. Há quantos Re-Pa’s não temos 40 mil pessoas no Mangueirão? Conheço amigos que não foram mais a campo. Não existe em lugar algum no mundo transmissão para o local do jogo. Qual o problema do governo fazer os revezamentos das transmissões entre Remo e Paissandu?”
De Marcelo Maciel, preocupado com a crescente fuga de torcedores dos estádios.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 01/01/2012)
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