Opinião: A aposentadoria de Barrichello

Por Paulo Pardauil (paulo.pardauil@caixa.gov.br)

A seleção de El Salvador participava da Copa do Mundo de 82. Nela tomou a maior goleada de todos os tempos (10 a 1 para a Hungria) e o jogador que marcou o único gol tornou-se um ídolo nacional até os dias de hoje. Fiz esse comentário para tratar da situação de um esportista brasileiro: Rubens Barrichello. Depois de 19 anos na categoria máxima do automobilismo ele está na iminência de uma aposentadoria forçada e nas redes sociais o que mais se vê são brincadeiras de mau gosto e desrespeito à sua pessoa e trajetória. “Pé-de-chinelo”, “tartaruga”, “sempre atrás do alemão” e etc. e tal. Concordo que a carreira de Rubens teria sido melhor caso ele tivesse sido campeão do mundo, mas o fato de não ter alcançado a marca não desfaz a beleza de sua trajetória. Vejamos, tem 11 vitórias na carreira, dois vice-campeonatos mundiais (nestes anos atrás somente de Shumacher que foi o maior de todos os tempos) mais de trezentos GP´s e 19 anos na F-1. Enquanto isso, vários pilotos por lá passaram (às vezes pagando para correr) e não se firmaram, tais como Cristhian Fittipaldi, Pedro Paulo Diniz, Pizzonia, Tarso Marques, Burti etc. Isso sem falar em pilotos de outros países como França e Argentina que é terra de Fangio mas não possui ninguém na F1 atual. 

Rubens é um brasileiro, que como tantos, acreditou num sonho e batalhou por ele. Rubão, seu pai, vendeu o carro da família para que o então garoto pudesse continuar a correr. Há quem diga que ele se submeteu a ser segundo piloto de Shumacher. Vale lembrar que o alemão foi o maior de todos os tempos e ninguém (nem mesmo o endeusado Senna) conseguiu superá-lo. A F-1 só voltou a ter campeonatos bem disputados quando o tedesco aposentou-se em 2006. Felipe Massa, substituto de Barrichello na Ferrari, come poeira atualmente de Alonso que é bem menos qualificado que o heptacampeão. Ninguém que tivesse batalhado por um lugar ao sol como Rubens deixaria de aceitar uma oportunidade de correr na equipe mais tradicional da F1 mesmo que fosse como segundo piloto. Todo mundo que é empregado já ouviu ordens que não gostou, mas cumpriu para atender ao seu empregador. Não se pode condená-lo por cumprir um contrato.             

Rubens é para mim um grande piloto, um batalhador e um pai de família. Construiu uma carreira fantástica que merece ser respeitada. Cresci torcendo por ele e no domingo liguei a TV mais uma vez para ver Barrichello naquela que podia ser sua última corrida de F-1. Sabia que não venceria, talvez nem completasse a prova, mas mesmo assim seria emocionante ver este brasileiro guerreiro e batalhador correr novamente em casa!

17 comentários em “Opinião: A aposentadoria de Barrichello

  1. Gerson

    Acho que o fato da Globo e o do Galvão Bueno estarem sempre procurando um novo Senna de alguma forma ajudou para que rolasse uma antipatia de alguns pelo Rubinho e tambem prejudicado o mesmo,nem todo brasileiro que correr na F1 vai ser um Piquet ou Fittipaldi.Talvez no futuro o Barrichelo tenha algum reconhecimento,só acho que naquela corrida,que ele deixou passar o alemão,se ele tivesse desobedecido a equipe e ganho a corrida ele seria bem mais respeitado pelos torcedores .

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  2. Senna foi sim o melhor de todos, competir com Niguel Mansell, Alan Prost, Piquet e outros tem que ser muito bom, e olha que nao existia essa de jogo de equipe de deixar o outro passar, era cada um por si. Queria ver esses caras de hoje dirigir um carro com cambio manual e fazer que nem o Senna dirigir só com duas marchas e manter o mesmo ritimo e vencer a prova. O Fangio disse que o Senna era o melhor piloto de todos os tempos, bem pra um argentino elogiar um brasileiro e por que o cabra e bom.

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  3. Jaime, você errou amigo! Quem competiu e venceu Prost e Mansel foi o Piquet! Dos citados, o Senna venceu apenas o Prost, já que o Mansel e o Piquet já estavam se aposentando, o Piquet por conta do acidente sofrido, e o Mansel por se considerar velhor demais para competir em alto nível.

    O Piquet, foi o melhor de todos sem sombra de dúvidas, seu primeiro titulo mundial foi pilotando um carro de terceiro escalão (Brabham) disputando contra o Senna (lotus), Mansel (Willians), Prost (Mclaren), Lauda (Ferrari), Hélio D’Angelis (Willians), todos grandes pilotos, mais a ousadia e pericia de Piquet o tornariam campeão mundial de formula 1.

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  4. No Brasil o que importa é ser o primeiro, pronto. Assim sendo o Schumaher (campeonissimo) está à frente dos nossos idolos do automobilismo.

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  5. Quando inteligente, a irreverencia é aplaudida por isso transcreveo o titulo do jornal OLE anunciando a derrota (volei) da Argentina para o Brasil i) : ” LOGICA MALDITA ” .

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  6. Respeito a posição de todos, mas não consigo entender como é que alguém que está a 19 anos na categoria e não ganhou coisa nenhuma pode ser considerado um grande piloto.
    Ele não poderia deixar de considerar que quando corria ele era a esperança de milhões de brasileiro, crianças, adultos e idosos, e que ao deixar o shumacher passá-lo como bem quisesse, não era ele se deixando ultrapassar, mas o Brasil se rebaixando para a alemanha.
    Ademais, o cara passou anos e anos ajudando o alemão quebrar todos os recordes do nosso ídolo maior, airton senna.
    Por essas e por outras é que ele é ricicularizado pelos brasileiros e em qualquer votação de qual o pior despotista de todos os tempos o nome dele vai estar no topo da lista.
    Essa antipatia com os brasileiros é algo absolutamente normal.

    É a minha opnião

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  7. Se no futebol existe o ex jogador em atividade,podemos afirmar que o Rubens Barrichelo é um ex piloto em atividade,diga-se de passagem há bastante tempo,não é um mal piloto,na verdade é um péssimo piloto.dá tristeza ver o barrichelo pilotando.perdi as contas do numero de vezes que não terminou a corrida por barbeiragem.sinceramente se resolver parar mesmo o Barrichelo fará um favor a população brasileira.

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  8. A zoação sobre Rubinho fez parte do anedotário nacional. Não vejo desrespeito ao piloto, mas parte integrante do humor brasileiro retratado nos programas do gênero. O próprio Rubens Barrichello nunca se importou com isso. Por outro lado, um piloto que passou tanto tempo disputando Fórmula 1 é digno de nota sim. No mínimo é o mais longevo dos brasileiros, quiçá do mundo. Manteve-se sempre em posições intermediárias e disputando pontos (muitos, nunca pontuaram), o que não é pouco para um país, que à exceção de nossos três campeões mundiais, convenhamos, não tem lá muita tradição nesse esporte. É verdade que faltou “cujones”, como diria Guevara, no lamentável episódio com o alemão. Pilotos da envergadura de um Piquet ou Senna (tenho minhas dúvidas em relação ao Émerson), jamais acatariam a tal ordem. Vá lá! Todos tiveram pecados e não foram pequenos nesse esporte que é a maior expressão do capitalismo de base fordista. Sena e Piquet também trocaram sopapos e cometeram atitudes aéticas em nome da conquista. Manter-se tanto tempo nesse esporte não foi, nem é para qualquer um. E olha que a Globo nesse interim procurou e procura desesperadamente um pós-Sena, como procura-se Susan. Chamamos o cara de “azarado”, mas escapou ileso de Ímola durante os treinos, chegando a capotar várias vezes. O piloto austríaco e Sena não escaparam naquela triste semana de tragédias. Apesar dos pesares, Rubinho pode não ter sido um piloto excepcional, mas foi um bom rapaz. Para manter a sanha dos aúlicos, diria que é um Fábio Assunção das pistas: “não fede, nem cheira”.

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  9. Tenho um ponto de visto muito próximo do seu, Gerson. Basicamente 100% dos comentários negativos sobre o Rubens Barrichello não têm qualquer fundamento técnico; me parece que a origem deles é o recalque, a inveja, a pobreza de espírito. O mesmo ocorre em relação a outros esportistas brasileiros nessa e em outras categorias.
    É fato que o Rubens não é um gênio da F1 como foram Piquet, Senna, Fittipaldi, Schumacher, Prost, Fangio, Stewart, Clark, Lauda. Nem jamais teve o talento dos atuais Vettel, Alonso e Hamilton. Mas chamá-lo de ridículo, vergonha nacional, péssimo? Ora, ridículos são esses comentários. O cara está na categoria máxima do automobilismo há 19 anos sem nunca ter comprado a vaga; então vamos raciocinar sobre quem tem mais conhecimento de causa: todos esses chefes de equipes durante essas 19 temporadas, essas equipes com orçamentos multimilionários que o contrataram, ou essas pessoas que o detratam e ofendem. O simples fato de ter-se tornado piloto de F1 sem pagar pela vaga seria suficiente para reconhecê-lo como um ótimo piloto, um classe A. Depois da F1 não há lugar mais alto a chegar, não dá para entender esse simples fato? Só se mudar de categoria, na NASA, ou em um F18… E o cara ainda fica na Ferrari por 6 anos, sonho de todos os pilotos que chegam à F1. Até o Senna desejou estar na equipe do cavalinho. E o Rubens só saiu de lá porque ELE quis; a Ferrari queria mantê-lo. Ou seja, todas as equipes da F1 que contrataram o Rubens durante todos esses anos, incluindo a mais charmosa e desejada que o deteve “só” por 6 anos, são idiotas, incompetentes e ignorantes, que jogaram dinheiro e tempo fora, enquanto que os que chamam Barrichello de rídículo é que sabem das coisas. Nem há necessidade de colocar mais dados da carreira dele como aqui fizeram (e bem fizeram) alguns usuários; essas singelas observações são suficientes, mais que suficientes.
    Em qualquer atividade existem os gênios, que são pouquíssimos. Existem os ótimos, que também são poucos, muito poucos; os razoáveis, que no caso da F1 ficam por poucas temporadas. E os abaixo disso, que jamais chegaram lá (há exceções por força de circunstâncias). Se o cara fica por 19 anos dentro de uma prática esportiva tão altamente competitiva e tão cara, que envolve muitos dos maiores nomes da indústria mundial em investimentos milionários dentro e fora das pistas, esse cara tem que ser ótimo. E ele é.
    Fico (ficamos) aguardando por um novo gênio brasileiro nas pistas de F1; sempre leio os comentários dos especialistras a respeito das novas safras de pilotos brasileiros na espectativa de que surja mais um fora-de-série como já tivemos mais de um. Mas sempre torci demais pelo Rubens, pelo Massa, pelo Moco, assim como torço pelo Bruno, Di Grassi, Piquet filho, Razia.
    Espero sinceramente que o Barrichello esteja no grid da F1 em 2012 para torcer mais uma vez por ele; não é gênio, mas é excelente, ótimo profissional, bom caráter, e ainda altamente competitivo. Se fosse para colocar somente os gênios para correr, no ano que vem só haveria dois carros no grid: Alonso e Vettel, pois o Hamilton ainda não decidiu se deixa sua genialidade dominar suas fraquezas. Que belo campeonato teríamos, não?

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  10. Melhor de todos que eu vi correr na minha opinião foi o Prost. Depois Piquet e Senna. Rubinho foi um piloto mediano e a a antipatia a ele foi construída pela “obrigação” a ele imposta por parte da mídia de ser um novo Senna para deleite da massa.

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