A frase do dia

“Os juízes do Brasileirão já sabiam da amizade de Andrés Sanchez com Ricardo Teixeira. Agora, com o corintiano prestes a virar diretor da CBF, a pressão sobre a arbitragem ganha ares de oficial. Quem vai correr o risco de errar contra o time de um diretor da CBF nas duas rodadas decisivas do Brasileirāo? Isso não quer dizer que o Corinthians será favorecido. Significa que os árbitros enfrentarão uma pressão extra. Seja para não errar contra o time de Andrés ou para mostrar não ter medo.”

De Ricardo Perrone, no UOL Esporte

Coluna: Velhos e novos amores

Volta e meia surgem reações ao fato de paraenses manifestarem predileção por clubes do Sul ou Sudeste. No domingo passado, enquanto o Paissandu afundava em Goianinha boa parte dos torcedores de Belém, incluindo bicolores, concentrava suas atenções nos clássicos da Primeira Divisão exibidos pela TV, o que gerou críticas dos mais tradicionalistas. Há nesse posicionamento de negação da paixão por clubes de outros Estados um ranço natural de ressentimento em face da posição cada vez mais desimportante dos nossos clubes nas competições de âmbito nacional.
Não é de hoje que o torcedor avalia que a CBF e os próprios grandes clubes brasileiros conspiram contra os da parte de cima do mapa. Não se pode negar que a má vontade exista. Muitos jogadores (Romário e Edmundo à frente) chegaram a admitir que não gostavam dos longos deslocamentos até as cidades nortistas e davam sempre um jeito de providenciar uma suspensão ou simular lesões para não vir jogar aqui.
Ao mesmo tempo, malvada que nem o Pica-Pau dos desenhos, dona CBF nunca escondeu que prefere campeonatos menos dispendiosos e todos sabem o quanto as passagens aéreas pesam nas despesas dos torneios. É preciso entender que essa pré-disposição contra o rincão nortista contou com a decisiva colaboração dos nossos representantes, que jamais conseguiram se firmar nas competições de primeira linha – Brasileiro da Série A e Copa do Brasil. O Paissandu ainda conseguiu se equilibrar na elite, entre 2002 e 2005, mas depois disso despencou em queda livre até se consolidar como membro fixo da Série C nos últimos cinco anos. O Remo, nem divisão tem mais.   
A presença cada vez mais fugidia dos clubes locais nas competições importantes acabou por estimular uma geração de torcedores a se afeiçoar por bandeiras de outras regiões. Fenômeno parecido com a forte torcida surgida no Pará (e em toda a Amazônia) pelos clubes do Rio de Janeiro ao longo dos anos 50 e 60, em face da inexistência de campeonatos de âmbito nacional e pela extraordinária influência exercida pelas emissoras cariocas de rádio e TV. Por isso mesmo, apesar do crescente avanço do futebol paulista, persiste até hoje por aqui uma considerável parcela de adeptos dos quatro grandes clubes do Rio.
As situações são parecidas porque hoje é praticamente como se não houvesse um campeonato brasileiro, pois os representantes da torcida paraense estão fora de combate. Diante disso, é compreensível que o fã de futebol se dedique a um segundo clube de coração. Em casos mais radicais, o torcedor optou por uma agremiação carioca, paulista, mineira ou gaúcha por não se identificar com nenhum dos tradicionais clubes paraenses. Com as transmissões de todos os jogos – nas emissoras de TV a cabo -, a tendência é que essa predileção aumente ainda mais, alimentada pela continuada crise do futebol papachibé.
A questão é de natureza quase filosófica: não há lugar vazio, apenas espaço a ser ocupado. Sem correspondência ao afeto que sempre destinou a Remo e Paissandu, o torcedor parte para compensar as dores do amor, ocupando seu coração com outras cores. Felizmente, ainda há gente disposta a empunhar a bandeira da resistência e é dessa força que os velhos titãs regionais devem se nutrir para sacudir a poeira e dar a volta por cima. O que não impede que, logo mais, todos estejam de olhos postos na rodada decisiva do campeonato mais equilibrado (e imprevisível) do mundo. A vida ensina que, para o bem ou para o mal, nada é tão definitivo assim.
 
 
É fato indiscutível que o laurel máximo da temporada caminha aceleradamente em direção aos braços do Corinthians. Aos trancos e barrancos, sabe Deus como, o time de Tite se mantém desde as primeiras rodadas entre os ponteiros da competição. Ao mesmo tempo, ventos políticos inflam ainda mais a nau mosqueteira. Depois da notícia de que toda a premiação (R$ 8,5 milhões) pelo título será rateada entre os jogadores e a comissão técnica, a CBF coroou a semana nomeando Andrés Sanchez para a Diretoria de Seleções. Diante disso, não falta quase nada para que a festa de encerramento da temporada tenha o hino corintiano como trilha sonora. Apesar dos jogos restantes, pode-se dizer que só uma verdadeira hecatombe poderia tirar a taça do Parque São Jorge. 

 

A respeito de nota publicada no domingo passado, criticando a punição aplicada ao companheiro Ronaldo Porto, recebo atencioso esclarecimento do presidente em exercício da Comissão Disciplinar da Assembleia Paraense, Flávio Freire. Em nome da CD, ele explica que “a penalidade aplicada ao mesmo foi de acordo com o regulamento do Campeonato Interno de Futebol, elaborado pelos clubes disputantes” e de pleno conhecimento do próprio associado.
 
 
O volante Vânderson, confirmado para a temporada 2012 no Paissandu, é o convidado especial do Bola na Torre (RBATV) de hoje, às 21h. Guerreiro no comando.
 
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 27) 

Nove títulos mundiais em torno de uma boa prosa

Nelson Piquet chegou bem humorado ao circuito de Interlagos na manhã deste sábado, véspera do GP do Brasil de Fórmula 1. O tricampeão mundial será homenageado pelos 30 anos do primeiro título mundial, em 1981 – o brasileiro dará quatro voltas na pista com a Brabham que utilizou naquele ano. “É muito bom voltar a guiar este carro. Bom até para os meus filhos que não me viram correr. Este foi o carro mais fácil de guiar entre todos os que eu tive nos anos em que fui campeão mundial”, afirmou o piloto em entrevista à Rádio Estadão/ESPN. Piquet estava acompanhado dos filhos Nelsinho – ex-piloto de Fórmula 1 – e Pedro, que dá os primeiros passos da carreira no kart. “Eu não vi meu pai correndo direito, então será a primeira vez. Vai ser bem interessante”, disse Nelsinho, atualmente Nascar.O mais jovem piloto da família, Pedro Piquet, brincou com a situação. “Vai ser muito legal ver meu pai correndo de Fórmula 1. Mas ele não treina já tem uns 30 anos.” Depois de desfilar com a família, Nelson Piquet protagonizou um encontro épico com outros dois tricampeões: o escocês Jackie Stewart e o austríaco Niki Lauda. Eles conversaram em inglês durante cerca de dez minutos, dando boas risadas. (Da ESPN)

Que saudades dessas feras em ação… Bons tempos da F-1 de verdade. 

Remo vence em Ponta de Pedras

O Remo derrotou o Acadêmicos de Ponta de Pedras, na noite desta sexta-feira, por 3 a 0. Um bom público compareceu ao estádio municipal para prestigiar o amistoso. O primeiro gol foi de Aldivan, cobrando falta, aos 23 minutos da primeira etapa. Apesar de dominar a partida, o Remo não conseguiu ampliar a vantagem. No segundo tempo, logo aos 8 minutos, Diego Barros aproveitou rebote do goleiro para marcar o segundo. E, aos 44 minutos, depois de chute de Reis, Zé Inácio tocou para as redes e deu números finais ao jogo.

Credibilidade zero

Por Juca Kfouri

O Brasil é um país engraçado e a CBF não tem graça, nem credibilidade, alguma. Ao embarcar em Santos Dumont de volta a São Paulo, o que mais ouvi, de policiais federais, inclusive, foi que o Corinthians já é o campeão — por causa da contratação de Andrés Sanchez, o pequeno. Não acho que o time será ajudado nem prejudicado pela inoportuna novidade, mas é fácil constatar que se acontecer uma coisa ou outra a responsabilidade será atribuída à CBF.

Erro a favor? Ah, tava na cara, tudo arreglado, dirão. Erro contra? Viu só? Combinaram pra mostrar honestidade!

E, por quê? Porque o passado a condena a tal ponto que ninguém, nem, repita-se, e, provavelmente, principalmente, a Polícia Federal.

E por que o Brasil é engraçado? Porque o que mais se ouve em São Paulo é que a CBF vive fazendo cariocadas. E o que mais ouvi hoje cedo no aeroporto foi que a CBF fez uma “paulistada”. E olhe que Ricardo Teixeira (perdão Minas Gerais, pela lembrança), é mineiro…

A controvérsia sobre o FPE no plebiscito

Por Hélio Mairata

A propaganda das frentes divisionistas do Estado alardeia que o aumento inevitável nas despesas de custeio público com as criações de duas novas máquinas administrativas, legislativas e judiciais, seria mais do que compensada com um suposto aumento no recebimento do Fundo de Participação dos Estados (FPE) em cerca de R$ 3 bilhões por ano para o conjunto dos três Estados que emergiriam após uma suposta vitória do Sim no plebiscito. O FPE é um “bolo” constituído por 21% da arrecadação pela União do Imposto de Renda e mais o IPI.

O diploma legal que regulamenta essa distribuição é a LC 62/89, que em seu anexo nomina as 27 unidades federativas e suas respectivas cotas-partes. Ao Pará cabem exatos 6,112% desse bolo. Em nenhum artigo ou parágrafo dessa Lei é prevista a hipótese de alterações em função de emancipações de Estados. Contudo, o STF julgou a inconstitucionalidade da mesma, sem decretar sua nulidade, preservando-a até 31/12/2012. Por isso mesmo, atualmente tramitam três PL na Câmara e dois no Senado visando, cada qual, substituir tal norma a partir de 2013.

Imagine-se, entrementes, que o plebiscito consagre a divisão do Pará em três estados; que esse resultado seja acolhido pelo Congresso Nacional e não seja vetado pela Presidência da República. Temos apenas duas hipóteses:

Na primeira hipótese, que chamaremos de delirante, os parlamentares das atuais unidades federativas, usariam a fórmula da Lei 5.172/66 art. 8o (conhecida como Código Tributário Nacional – CTN) para ratear, agora entre 29 unidades federativas, o bolo (Fundo). Esta é a base de cálculo usada pelas Frentes Diviosinistas, conforme informação do economista contratado por elas, o goiano Célio Costa e que, segundo seus cálculos, resultariam nos alardeados R$ 3 bilhões anuais adicionai para o conjunto das três unidades pós-plebiscito. Nesta simulação, se os três ganham, obrigatoriamente os demais 26 teriam reduzidas suas cotas-partes.

Há, contudo, uma segunda hipótese, desconsiderada pelos cálculos do citado economista. Esta consiste na constatação, pelos representantes das 26 demais unidades, acerca das perdas que estas teriam. Ainda há mais: o bom senso e a lógica conduziriam ao raciocínio de que as três unidades federativas pós-plebiscito, somadas perfazem o mesmo quantitativo de área e população do Pará anterior com sua cota de 6,112%.

Imaginar qual seria a Lei que esses representantes de seus Estados votariam não é difícil, pois não?

Mais de 60% rejeitam projetos separatistas

Duas semanas após o início da propaganda do plebiscito em TV e rádio, a maioria dos eleitores do Pará continua rejeitando a divisão do Estado. De acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 62% dos eleitores paraenses são contra a divisão do Pará para a criação do Estado do Carajás e 61% são contra a criação do Estado do Tapajós. Em relação à pesquisa anterior, divulgada no último dia 11, houve um pequeno aumento da rejeição aos novos Estados. A oscilação, porém, está dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. Foram entrevistados 1.015 eleitores entre os dias 21 e 24 de novembro. A pesquisa foi registrada no TSE com o número 50.287/2011.

A propaganda do plebiscito na TV e no rádio ainda não foi capaz de causar alterações significativas nas intenções de voto dos eleitores paraenses. Em 11 de dezembro, eles irão às urnas decidir se querem que o Pará se separe e dê origem a mais outros dois Estados: Carajás (sudeste) e Tapajós (oeste). Na região do chamado Pará remanescente, que ficaria inalterado com a divisão, está a maior resistência aos novos Estados. 85% são contra o Carajás e 84% são contra o Tapajós. Entre os eleitores do Carajás, 16% são contra o novo Estado. No Tapajós, 24% são contrários. (Do Folhaonline)