Governador se posiciona sobre a divisão do Pará

Manifestação pública do governador Simão Jatene sobre os projetos de divisão territorial do Pará:

“Amigas e amigos, o governador, independentemente da sua vontade, tem a responsabilidade constitucional e institucional e o dever ético de conduzir essa questão tão delicada, alertando e tratando das rugas, buscando evitar que as cicatrizes se eternizem. Os estados até hoje criados o foram em condições bem diferentes das atuais, não colocando em confronto as pessoas, não onerando ainda mais as populações locais e, nesse sentido, nos ajudam muito pouco sobre a experiência do dia seguinte que terá que ser vivida por nós, em certo sentido cobaias de um processo novo e diferente.

Por tudo isso, é preciso ter cuidado ao tratar dessa questão. A ética da responsabilidade me impõe deveres dos quais não posso me afastar. Entretanto, se a responsabilidade me aconselha isenção, do mesmo modo, até por amor à nossa gente, me exige que alerte a todos sobre alguns riscos. (…) Assim, não posso deixar de registrar a minha preocupação diante dos rumos da campanha, particularmente na televisão, onde salta aos olhos que o ‘vale tudo’ está em marcha. Falo, exemplificando, do esforço de tentarem destruir a autoestima do paraense e mostrar, como alternativa, que a simples divisão, automaticamente, trará ganhos financeiros aos três estados.

Ora, com todo o respeito que possa ter pelos que fazem tal afirmação, ela não tem qualquer fundamento técnico, como pretendem seus defensores. Pelo contrário. Se quanto à elevação das despesas a criação de novos estados não deixa dúvidas, quanto às receitas, pelo menos atualmente, qualquer prognóstico se faz sob enorme incerteza. Especialmente nesse momento que as transferências federais, e em especial os critérios de distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE), até por decisão judicial, devem ser reformulados até o final de 2012.

Minhas amigas e meus amigos, eu nunca vi alguém de Belém dizendo que não gosta dos irmãos de Santarém; do mesmo modo, jamais vi alguém de Santarém dizendo que odiava o povo de Marabá. Não, felizmente isso não faz parte da nossa história. Temos dificuldades, sim, mas quem não as tem? Historicamente, fomos usurpados de nossas riquezas sem que parte da classe política fosse capaz de se unir na defesa das mesmas. Por que jamais nos mobilizamos, efetivamente, para fazer com que a República compensasse o nosso Estado pela fantástica contribuição que sempre deu, e continua dando, para o desenvolvimento brasileiro? Quem tiver boas propostas que as apresente, mas não posso aceitar que, na tentativa de impor seus interesses, qualquer grupo fantasie a realidade e recorra a meias-verdades, levando a nossa população, sobretudo a mais simples, independente da região em que vive, a equívoco e frustração. Não posso aceitar que a luta pela divisão do território se transforme em divisão do nosso povo.”

Paissandu vai recompor elenco

Depois de nova eliminação na Série C, a diretoria do Paissandu começa a fazer cálculos financeiros e a buscar meios de enfrentar as dívidas contraídas durante o deficitário campeonato. Segundo pessoas ligadas aos dirigentes, a primeira medida será reduzir o elenco atual para cerca de 20 atletas, alguns dos quais serão convidados a reduzir salários. Depois da contratação de um técnico regional (Charles Guerreiro segue como o mais cotado), o clube tentará garimpar alguns valores nos clubes paraenses que disputam a primeira fase do Parazão. Michel e Élcio (Castanhal), Rodrigão (São Francisco), Marlon e Felipe Mamão (Ananindeua) e Euler (Tuna) são alguns dos nomes cogitados inicialmente.

Do grupo que disputou a Terceirona, são dados como certos para permanecer na Curuzu os seguintes jogadores: Alexandre Fávaro, Sidny, Leandro Camilo, Claudio Allax, Fábio, Vanderson, Daniel, Robinho, Héliton, Rafael Oliveira, Andrei e Zé Augusto (que deve cumprir sua última temporada em 2012). Juliano e Luciano Henrique pretendem ficar, mas a diretoria não manifestou maior interesse. Márcio Santos, Salomón, Alexandre Carioca, Vagner e Nenê Apeú devem ser dispensados.     

Em entrevista à TV Liberal, o presidente Luiz Omar Pinheiro confirmou que o clube deve adotar postura gestão mais rígida quanto a salários. Aparentando nervosismo, garantiu que os erros “foram normais” e admite suas responsabilidades no fiasco da equipe na Série C. Surpreendentemente, elege como sua principal falha ter afastado Sérgio Cosme na reta final do Parazão, mas jura que salários atrasados não atrapalharam a campanha. Por sorte, não falou mais em borrifar água benta na Curuzu. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

A frase do dia

“Acho que podemos formar uma boa equipe para daqui a três anos. Tem Neymar, Ganso, Kaká e Luis Fabiano, que está voltando a jogar bem no São Paulo. Temos grandes valores. Ronaldinho Gaúcho, no meio-campo, não tem condições orgânicas de jogar na seleção. Na frente tem muitos jogadores, e ele não tem condições de jogar ali também”.

De Zagallo, sobre o estágio atual da Seleção e as projeções para 2014. 

Classificação da primeira fase do Parazão 2012

POS TIMES PG J V E D GP GC SG AP
CHAVE ÚNICA
Tuna Luso-PA 11 5 3 2 0 9 4 5 73.3
São Francisco-PA 10 5 3 1 1 7 4 3 66.7
Castanhal-PA 7 5 2 1 2 10 8 2 46.7
Bragantino-PA 7 5 2 1 2 7 7 0 46.7
Abaeté-PA 7 5 2 1 2 5 7 -2 46.7
Ananindeua-PA 6 5 2 0 3 6 4 2 40.0
Parauapebas-PA 5 5 1 2 2 5 7 -2 33.3
Sport Belém-PA 3 5 1 0 4 4 12 -8 20.0

São Francisco vence e confirma vice-liderança

Com gols de Rodrigão, aos 35 e 39 minutos do segundo tempo, o São Francisco derrotou o Parauapebas por 2 a 0 na noite desta segunda-feira e firmou-se na vice-liderança da primeira fase do Parazão 2012. Os azulinos santarenos alcançaram 10 pontos, precisando de mais uma vitória para garantir a vaga para a principal etapa da competição. O Parauapebas permanece com 5 pontos na penúltima colocação.

Madrugada de rock no Se Rasgum

Por Gerson Nogueira

Cinco e trinta da manhã de domingo, palco principal do Festival Se Rasgum no Hangar. Lobão manda ver “Corações Psicodélicos” em ritmo rascante e sugere brincando que a platéia saia dali direto para a padaria, a fim de tomar o café da manhã aproveitando os primeiros raios de sol – foi o que eu fiz, indo bater na Doca. Aliás, aproveitei o Se Rasgum em sua sexta edição para fazer as pazes com a música de Lobão, um dos mais subversivos de nossos roqueiros. Não ouvia nada do encrenqueiro-mor desde que cuspiu declarações fascistas (e debochadas) sobre vítimas da ditadura militar. Presepada tem limites e com repressão e morte não dá pra fazer piadinha.

Acontece que um fã de roquenrou em férias não pode se amofinar, nem desperdiçar a chance de ver ao vivo, de uma só tacada, vários bons shows em Belém. Primeiro, revi as pérolas do DeFalla do quase mitológico Edu K e seus asseclas – Flávio Gomes, C. Daudt e a fera Biba Meira nas baquetas. De óculos de aro pink, Edu mandou ver em hits do indie nacional, como “Não Me Mande Flores”, “Melô do Rust James”, “Repelente”, “Sobre Amanhã” e “Caminha (Que aqui é de Osasco)”, com direito a recadinhos sacanas de Edu para estabelecer a conexão entre os números. Lá pelo meio lançou até um tal projeto de masturbódromo. Negativa apenas foi a fria recepção do público, que teve ainda a suprema indelicadeza de não aplaudir o final do show.

Pude acompanhar também, pela primeira vez assim de perto, a performance de palco dos uruguaios do El Cuarteto de Nós, veterana e competentíssima banda de Montevidéu, mui recomendada pelo amigo Marcelo Damaso, a cabeça pensante por trás do Se Rasgum, que há três anos tentava trazer os caras a Belém. Valeu a espera. Ao ver o estrago (no bom sentido) causado junto à platéia fica ainda mais evidente a tolice que é menosprezar o som produzido pelos irmãos de continente. Ritmo forte, guitarras decentes e letras furiosas. Uma agradável surpresa. Lembra Soda Stereo, mas tem contornos mais alegres.

Vi, logo em seguida, sem pausa para descanso, a apresentação da Gang do Eletro, grupo liderado por Maderito. Suíngue paraense para as pistas de dança. Pop energético de qualidade, desde que ninguém fique reparando nas letras e se concentre no ritmo que sai das picapes do DJ Waldo. Não sou fã do gênero, mas reconheço que o set da Gang eletrizou muita gente. Ainda mais quando Gaby Amarantos apareceu para uma participação especial.

Aí quando o sono já fazia muita gente desabar nos corredores do Hangar irrompe a figura sempre altiva do Grande Lobo. O relógio marcava 3h40. À frente de uma banda discreta, mas afiada, desfilou várias composições mais recentes na primeira parte do show. De guitarra em punho, arrebatando até os mais sonolentos com solos de quem domina por completo o instrumento, Lobão foi tomando conta da noitada. “Rádio Blá”, “Bambino”, “Canos Silenciosos”, “Me Chama”, “Decadence avec Elegance”, “Vida Bandida” e uma versão demolidora e pesadíssima de “Vida Louca Vida” (com direito a uma inocente sacaneada no amigo Cazuza) constituíram a base da segunda parte do show. No instante mais romântica do repertório, mandou ver “Essa Noite, Não” e a clássica “Noite e Dia” (tributo dele e de Júlio Barroso a Marina Lima). Houve espaço para uma versão cadenciada de “Help!” antes do encerramento sensacional com “Corações Psicodélicos”, depois de quase duras horas de bola rolando. Não à toa, momentos depois, Lobão escreveria no Twitter que havia feito um puta show, elogiando o público que segurou a onda até 5h30 da matina.

Como é próprio de um evento com atrações simultâneas, acabei perdendo as aprontações do Laboratório de Música Paraense, que teve até um set especialíssimo pilotado pelo jornalista e DJ Marcelo Costa, editor do Scream & Yell. Não deu para ver direito Juca Culatra & Cristal Reggae, como também perdi Bidê ou Balde, Eddie, Marcelo Jeneci e Leoni. Fica para a próxima edição do Se Rasgum, projeto que vi nascer e ao longo do tempo se tornar um tremendo canal para quem consome música alternativa em Belém. (De quebra, a ida ao Hangar permitiu momentos felizes ao lado de amigos como Esperança Bessa, Raul Bentes, Márcio Sousa Cruz, Anna Carla Ribeiro, Pedrox & Mariana Almeida, Syanne Neno, Caco Shack, Amanda Aguiar, Léo Fernandes, Anderson Araújo, Lázaro Magalhães, Ana Lídia Campos, Christian Nascimento, Rafael Guedes e o próprio Damaso). (Foto 1: Caio Brito/Maveka; foto 2: Taiana Laiun; foto 3: Thiago Araújo)