Para refletir

Por Luiz Felipe Pondé

“Não acho que mudamos um milímetro desde a experiência nazista. Naquele momento, muitos europeus colaboraram com o massacre não apenas porque odiavam as vítimas dos nazistas (nem precisavam odiá-las, isso seria até demais pensar), mas apenas pelo amor ao cotidiano. Hoje em dia, se qualquer regime dedicasse perseguir o grupo do qual o vizinho faz parte, você fecharia os olhos como os franceses fizeram. A covardia e o amor à rotina acomodam mais os homens ao crime coletivo e social do que a força das ideias. Em nome de um emprego melhor, em nome de sentir menos medo diariamente, em nome de conseguir melhor qualidade de vida, aceitamos qualquer crime. Toda discussão sobre o massacre nazista (ou qualquer outro) esbarra no fato de que nós, gostamos de pensar que não faríamos a mesma coisa que aqueles homens e mulheres fizeram. Nossa maior preocupação é assegurar uma ideia construtiva de nós mesmos. o massacre nazista nasceu do horror que continuamos a alimentar com relação a tudo que afete nosso cotidiano imediato. Erram todos os que se esqueceram de dizer isso. Além disso, nos sentimos mais tranquilos quando outros estão sendo destruídos em nosso lugar. Estamos sempre dispostos a nos calar quando um jantar a mais é garantido. O comportamento moral comum é mais decidido em nome de uma noite tranquila e um dia monótono do que em nome de qualquer ideia de justiça que algum dia alguém escreveu. E se qualquer massacre se der em nome de alguma ideia em que acreditamos e, além disso, se nosso cotidiano estiver garantido, aí então nos transformamos em feras banais.”

De quando os “nossos” são os “deles”

Por Daniel Malcher

É domingo à tarde, 20 de novembro de 2011, e os campeonatos nacionais de futebol em fase de afunilamento proporcionam expectativa, ansiedade, tensão, aquele “suor frio”, a jactância em caso de vitórias ou a melancolia decorrente das derrotas aos torcedores de norte a sul do Brasil. Neste dia em especial, as Séries A, C e D vivem momentos de decisão. Brigas pelo título de campeão, pelas vagas nas competições continentais, pelo acesso às divisões superiores ou a luta contra o rebaixamento para divisões inferiores dão a tônica na domingueira futebolística.
Em Belém, também inserida neste contexto de fortes emoções boleiras, a expectativa envolve a participação de um dos seus clubes de futebol, o Paysandu Sport Club, um dos mais populares e tradicionais do Brasil, mais uma vez tentando ascender às divisões superiores do futebol nacional, no caso à Série B. O jogo é longe da cidade morena. É em Natal, capital potiguar, e opõem o América e o bicolor de Belém do Pará, ambos lutando pelo mesmo objetivo. Mas há algo de estranho no ar. Mesmo interessando bastante a apenas metade do enorme contigente de apaixonados torcedores de futebol, a cidade está calma. O movimento é pouco, os fogos são raros, e os gritos de “Papãããão!!!!!” quase não são ouvidos. É no mínimo curioso, pra não dizer que é estranho.
O jogo em questão é televisionado e concorre com outras partidas da Série A transmitidas pelas principais emissoras do país. Aqui já encontramos uma grande diferença:  as transmissões da Série A e mesmo da Série B são mais vistosas, há muitas câmeras e repetições à exasutão dos lances polêmicos. Tudo ou quase tudo é feito para colocar o torcedor o mais próximo possível do gramado onde ocorrem as contendas. Que a precariedade da Série C é flagrante já é de conhecimento público, contudo, no aspecto visual, ela se cristaliza: as cores são desbotadas, as câmeras são longínquas e replays são artigos de luxo. Isso quando há transmissão dos jogos…
No mesmo horário da partida América x Paysandu, passa na maior emissora de tv do país o jogo Corinthians x Atlético Mineiro, valendo a liderança da Série A para os paulistas. E por aqui onde moro, num bairro reconhecidamente festeiro, popular, barulhento e amante de futebol – o Jurunas –, em um dado momento da tarde houve uma gritaria intensa, fogos eram soltos, houve comemorações efusivas. Pesnsei ter ocorrido um gol do Paysandu, ou mesmo do América, o que traria à tona a velha e quase secular rivalidade entre azulinos e bicolores… mas, ué, não havia um silêncio gultural? Poucas bandeiras alvi-azuis defraldadas, poucos rivais azulinos prontos para tirar um sarro? A gritaria, que virou festa às 17:50 locais, não partia de azulinos ou de bicolores. Foi um gol… do Corinthians! O gol da vitória sobre os mineiros, diga-se.
Ao sapear de canal, ao ver os contrastes dos jogos transmitidos quase que simultânemamente, ao ver a alegria corintiana constrastar com o silêncio de bicolores e mesmo de azulinos – e os gritos mais altos partiam de uma residência onde há muitos bicolores – me vi questionando, perguntando a esmo, ao vento e emudecido: torcer pelo Paysandu é ruim? Torcer pelo Remo é ruim? Os torcedores locais cansaram de tanto achincalhe? A paixão por Paysandu e Remo está se esvaindo? A rivalidade está esfriando? Torcer em meio às derrotas está afastando o torcedor do clube, gerando desinteresse? Não acredito que a vibração com o gol corintiano e a indiferença ao jogo do Paysandu sejam fenômenos anômalos, isolados. Vai ver que, resignados, gostaríamos mesmo é de parar de tanto sofrer. E para isso, pra sentirmos o sabor do sucesso, das vitórias e das conquistas, somente adotando outras bandeiras, outras cores. Chamar também de “nossos” os times que são “deles”.

Coluna: Não podia acabar bem

O jogo foi igual a tantos outros do Paissandu no campeonato deste ano. A diferença é que confirmou uma espécie de maldição. O clube está condenado a ficar na Série C pelo sexto ano consecutivo. No estádio de Goianinha, ontem, velhos pecados se manifestaram, como a coroar todas as lambanças praticadas ao longo da campanha.
Nenhum sinal de organização tática, defesa cambaleante, meio-de-campo pouco criativo e ausência de agressividade nas ações de área. O engraçado é que, apesar de todos esses problemas, o Paissandu podia estar a essa altura festejando a classificação. Desfrutou de circunstâncias favoráveis, mas não soube aproveitar.
O América foi senhor absoluto no primeiro tempo. Um cochilo da defesa permitiu que marcasse logo aos 9 minutos. Depois disso, ocupou bem os espaços, marcou em cima e continuou resoluto no ataque, chegando ao segundo gol antes dos 30 minutos em contragolpe fulminante. Como é quase praga em escores de 2 a 0, o time se encolheu na etapa final.
Assustou-se visivelmente depois da tosca falha do goleiro, que presenteou Rafael Oliveira com uma saída em falso. Foi o momento mais favorável ao Paissandu. O América cedeu espaços na meia cancha e quase desistiu do ataque. Lá pelos 30 minutos, o técnico Flávio Araújo ainda tirou o criativo Mazinho e lançou o volante Fabinho, dando toda a pinta de que queria se fechar para garantir o placar.


Só escapou de tomar o gol de empate porque o confuso setor de criação do Paissandu não sabia o que fazer com a bola. Aliás, ao longo dos 90 minutos, o ataque chutou cinco bolas em direção ao gol de Fabiano, duas delas para fora.
Toda a pressão vista no segundo tempo se limitou a cruzamentos sem direção, destinados a consagrar o trio de beques do América. Rafael Oliveira e Héliton pareciam acometidos de bloqueio para chutar. Pode-se dizer que a bola do acesso esteve com Potiguar aos 41 minutos, mas ele cruzou toscamente nos pés de um zagueiro.  
O pênalti, cometido por Vânderson e desperdiçado por Vanderlei, ainda podia ter funcionado como último impulso para a reação, mas o Paissandu continuou lento e atrapalhado. Os jogadores até corriam, mas não era o bastante. Sobrou disposição, mas faltou talento. O América, mesmo sem brilho, mereceu mais. 


 
Ainda em Goianinha, o presidente do Paissandu tratou de eleger um culpado pela campanha desastrosa. Para Luiz Omar, o vilão da hora é o técnico Roberto Fernandes, que “indicou jogadores caros para formação do elenco”. Mais ou menos como aconteceu em 2009, com os atletas acusados de corpo, e em 2010, com o ex-capitão Sandro. Pelo visto, LOP acha que o presidente nada tem a ver com o terceiro fiasco de sua gestão.
 
 
Torcedores, conselheiros e beneméritos da Tuna reagiram com irritação à decisão do presidente Fabiano Bastos de ceder as instalações do clube para comício dos grupos que defendem a divisão do Pará, no último sábado. Os associados, ligados à colônia portuguesa, alegam que os estatutos proíbem manifestações de cunho político-partidário dentro das dependências da Cruz de Malta. 

 
 
Os minutos jogados ontem em Goianinha podem ter sido os últimos de Tiago Potiguar com a camisa alviceleste. Desgostosa com sua queda de rendimento, a diretoria já negocia a transferência para o Atlético-PR. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 21)

Tuna fica a um passo da classificação

A Tuna disparou na liderança da primeira fase do Campeonato Paraense ao derrotar, na manhã deste domingo, no Souza, o time do Abaeté por 4 a 1. Marcaram para a Lusa o lateral Esquerdinha, aos 38 minutos do 1º tempo, Sinésio aos 43 do primeiro tempo, de pênalti; Sinésio, aos 12 do segundo tempo, novamente de pênalti; e Rodrigo, aos 26 minutos. Balão Marabá, cobrando penalidade, descontou para o Abaeté.

O Castanhal meteu 3 a 1 no Sport Belém, com gols de Souza, Élcio e Michel. Diego Índio descontou para o Brasa. No Baenão, no sábado à tarde, o Bragantino derrotou o Ananindeua por 1 a 0, com gol de Lucas, aos 28 minutos do segundo tempo. Nesta segunda-feira, o São Francisco recebe o Parauapebas, em Santarém.

Na classificação, a Tuna segue em primeiro, com 11 pontos. O Castanhal é o segundo, com 7 pontos, levando vantagem sobre o São Francisco, que tem a mesma pontuação. O mesmo se aplica ao Abaeté, quarto colocado também com 7 pontos.