Um gol que vale R$ 4 milhões

Adriano custou ao Corinthians cerca de R$ 4 milhões até agora. O jogador vivia sob críticas dos dirigentes e menosprezo da torcida pelo caríssimo investimento sem retorno. Depois do gol milagroso no finzinho do jogo contra o Atlético-MG, é quase certo que todo o prejuízo seja considerado pago. Afinal, este é o país do futebol.

Tribuna do torcedor

Por Pedro Carvalho (pedrosepolc@yahoo.com.br)

O que falta para vocês jornalistas não ficarem endeusando estes pernas-de-pau que jogam em nossos times? O que falta para vocês dizerem a verdade e não ficarem dizendo que estes pernas-de-pau  são jogadores de futebol? Não dava para vocês do grupo RBA falarem a verdade sobre as qualidades destes jogadores mercenários? Vocês outro dia  fizeram até homenagem ao Sandro, um ex-jogador em atividade, e que segundo o presidente que ora dirige o Paysundu acusou que ele foi o causador da derrota do Paysandu para o Salgueiro no ano passado “por fazer corpo mole neste jogo”. Que tal uma campanha pela verdade e dizer que um perna de pau  é um perna-de-pau e que craque é craque? 

América x Paissandu minuto a minuto

AMÉRICA-RN x PAISSANDU

Local, horário: estádio Nazarenão, em Goianinha (RN), às 16h.

Árbitro – Alício Penna Júnior. Auxiliares – Guilherme Dias Camilo e Marcos Brígido.

América – Fabiano; Fábio Sanches, Mauro e Rodrigão; Marcus Vinícius (Norberto), Nata (Fabinho), Val, André Beleza e Mazinho; Max (Ivan Gonzalez) e Vanderlei. Técnico: Flávio Araújo.

Paissandu – Alexandre Fávaro; Allax, Vagner, Camilo e Fábio; Vanderson, Daniel, Juliano e Robinho; Rafael Oliveira e Héliton. Técnico: Andrade.

Aqui no blog, Cláudio Santos e demais comentaristas analisarão a partida minuto a minuto.

Coluna: O caminho é pelas pontas

Para quem vai jogar pelo empate, o técnico Andrade agiu bem ao confirmar a permanência de Vagner na defesa para a decisão de hoje em Goianinha. Faria melhor ainda se substituísse Leandro Camilo por Márcio, que saiu do time por suspensão automática. Alguns dos muitos auxiliares deveria dizer ao comandante que Vagner e Márcio formaram a melhor dupla do Paissandu na competição, demonstrando bom entrosamento e baixo índice de falhas. Camilo, que teve boa passagem pelo clube em 2010, ainda não se firmou e demonstra intranquilidade até diante de ataques anêmicos, como o do Luverdense.
Como não pode viver apenas da defesa, pois o futebol felizmente exige bem mais que isso, Andrade precisa dar um jeito, encontrar a mágica capaz de fazer com que o departamento de criação funcione com mais apuro do que na quarta-feira. Juliano e Robinho correram e armaram boas jogadas enquanto houve fôlego. No segundo tempo, o gás acabou e o time todo sentiu a falta de lançamentos e triangulações. Para compensar, Héliton voltava o tempo todo para ajudar na marcação, tornando-se quase um fundista. Óbvio que essa multiplicação de tarefas afetou seriamente sua maior qualidade: as manobras em velocidade no ataque.
Héliton, por sinal, tem características fundamentais para um bom resultado diante do América. Para conquistar a vitória, único resultado que lhe interessa, o time potiguar vai abrir espaços na defensiva, situação que deve se ampliar à medida que o tempo for passando e o desespero aumentando. Andrade não pode deixar, como no embate com o LEC, que sua peça mais aguda canse logo, indo ao ataque e recuando até a linha de fundo do Paissandu. Existem seis homens – Vânderson, Robinho, Juliano, Allax, Fábio e Daniel – para guarnecer a defesa. O lugar de Héliton (e de Rafael) é do meio-de-campo em diante, sendo que se torna mais contundente no chamado tiro curto, quando lançado às proximidades da área inimiga. No fundo, apesar de terem banido com a figura do ponta, o futebol não vive sem um especialista naquela faixa estreita do campo. E a razão é bem simples: ainda não inventaram caminho mais curto para o gol.
É plenamente possível que o Paissandu repita contra o América sua mais categórica exibição neste campeonato: a vitória sobre o Rio Branco, por 2 a 1, na capital acreana. Naquela noite, o time soube sair de um tropeço inicial para um triunfo irretocável, jogando com inteligência tática e perfeita distribuição dos jogadores pelos setores do campo. O América, apesar de superior tecnicamente ao Rio Branco, não tem um sistema de marcação muito forte, permite avanços até a entrada de sua área. Ao Paissandu cabe aproveitar os espaços, valorizar ao máximo a posse de bola e não deixar que o nervosismo da partida atrapalhe seu plano de jogo.

 
 
Mais do que as providências de Andrade para escalar o time, ganhou destaque na sexta-feira a notícia de que o Paissandu ganhou um inesperado mecenas, na figura do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Manoel Pioneiro (PSDB). Doou R$ 100 mil ao clube para a quitação dos salários em atraso com os jogadores. É a grana que o presidente Luiz Omar teria repassado aos jogadores antes do embarque, apagando incêndios que ameaçavam tumultuar a jornada decisiva. Pagou um mês de salários, embora alguns atletas estejam há mais de cinco meses sem receber. Apesar do alívio dos dirigentes pela ajuda de última hora, é de lamentar que a desordem administrativa do clube tenha permitido que a situação chegasse a um ponto tão grave. Não menos lamentável é a interferência do Legislativo em assunto que não lhe diz respeito, doando uma verba pública que deveria ter outra destinação.
Pobre do futebol profissional que, por tão mal gerido, depende da caridade que é prima-irmã do oportunismo político. Essa combinação arcaica do público com o privado, como se sabe, representa a ante-sala da falência para agremiações que vivem cambaleando, de pires na mão. Serve de paliativo, mas não cura a doença – ao contrário, agrava o quadro. O precedente é ruim. Se a moda pega (e costuma pegar), além de desfrutar dos já polpudos incentivos do governo estadual, todos os clubes passarão a pleitear favores do generoso Legislativo sempre que estiverem aperreados com pendências salariais. Pioneiro mostrou que a porteira está aberta.  
 
 
O velho estádio do Souza pode ser palco, logo pela manhã, da classificação antecipada da Tuna à divisão principal do Campeonato Paraense. Contra o Abaeté, terceiro colocado e a um ponto apenas, a Lusa tem a missão de confirmar a campanha invicta nesta fase. Se vencer, vai a 11 pontos e praticamente assegura a vaga, abrindo boa vantagem sobre o time abaetetubense. Samuel não terá Rubran e Euler, mas contará com a preciosa ajuda da barulhenta torcida cruzmaltina. O outro adversário direto é o São Francisco, que receberá o Parauapebas, em Santarém, amanhã.
 
 
A coluna se solidariza com o companheiro Ronaldo Porto, suspenso do futebol da Assembleia Paraense por 12 partidas em função de comentários emitidos em sua coluna no caderno Bola. A punição, além de exagerada, configura uma prática incompatível com um clube que sempre exercitou a tolerância e a liberdade de expressão. Ainda há tempo de rever esse mau passo. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 20)