A frase do dia

“Neymar cai muito.  Olha o que eu vou dizer: não vai jogar na Europa.  Não vai, porque se o tocam, ele cai, não vai ficar quase em pé. Ainda assim, eu gosto da maneira que domina a bola e parte para cima. É muito rápido”.

De Coutinho, que formou célebre dupla com Pelé nos anos 60, em entrevista ao jornal espanhol As.

Opinião: Homenagem justa (ainda que tardia)

Por Paulo Pardauil (paulo.pardauil@caixa.gov.br)

Dos três campeões mundiais que o Brasil tem na F-1, o menos falado é exatamente o mais genial deles: Nelson Piquet. A imprensa (notadamente a Rede Globo) fala muito pouco no pioneiro Emerson Fittipaldi, enaltece seguidamente Ayrton Senna (que merece ser lembrado, apesar dos exageros e ufanismos) e nada fala sobre Piquet. Uma reportagem aqui, outra ali, que para mim parecem muito tímidas diante do significado dele para o automobilismo nacional. Certamente o quase isolamento ao qual o primeiro tricampeão brasileiro é submetido deve-se à sua postura de anti-herói e sua pouca habilidade em lidar com a mídia ou fazer marketing pessoal. O fato é que Nelson corria porque amava correr e só por isso. Nunca quis ser ídolo, divindade, herói nacional ou coisas do gênero. Não era engomadinho, não cuidava ao extremo da aparência e nem do aspecto físico. Talvez não tivesse lugar na F1 de hoje onde os pilotos se formam no videogame e nos simuladores.            

Piquet era genial. Fazendo um paralelo com o futebol e guardadas as devidas proporções ele me lembra Garrincha. Isso porque o Mané jogava por jogar, por brincar com a bola, chegando a confundir a Real Seleção Inglesa com o São Cristóvão, já que para ele “todo mundo era joão”. Garrincha jogou finais de Copa do Mundo da mesma forma como se estivesse jogando uma pelada, dando dribles irresponsáveis e zombando de seus adversários.  Por sua vez, Nelson dominou o circo da F1 correndo por vezes sem contrato assinado, pelo simples prazer de correr. Dentre todas as definições que vi dele, a que acho mais perfeita é aquela que diz que “Piquet foi o mecânico mais rápido da F1”. Isso mesmo! Piquet criou-se como mecânico, no meio das oficinas, da graxa, dos pôsteres de mulheres nuas e das chaves de fenda. E impressionantemente saiu daí para ser tricampeão do mundo e folclórico.  

Seus grandes momentos para mim foram: Hungria 86 e Canadá 91. No primeiro deles, Nelson fez a ultrapassagem mais linda da história da categoria, exatamente sobre o hoje endeusado Senna. Posicionou sua Williams de lado na curva, deixou o carro deslizar nas quatro rodas, e da mesma forma como Garrincha driblava para fora e a bola não saia, segurou o bólido e superou seu adversário ainda tendo tempo de fazer para o oponente um gesto nada amistoso. Já na corrida do Canadá – onde alcançou sua última das 23 vitórias – superou seu mais tradicional rival: Nigel Mansell. O enredo parece ter sido escrito por Nelson Rodrigues. Mansell liderava na última volta, com mais de 30 segundos de vantagem, dava “tchauzinho” para as câmeras e para a torcida. Nelson era o segundo colocado com um carro deveras inferior: a Benneton. Subitamente o carro do Leão inglês vai parando e ele desce do cockpit com uma cara de quem marcou um gol contra no Re X Pa. Uma comédia! Piquet o ultrapassa, vence a prova e depois declara na entrevista coletiva que “sentiu um orgasmo” ao ver Mansell parado! Mais Piquet impossível!            

No próximo GP do Brasil, Nelson dará uma volta simbólica com sua Brabham azul e branca. Nela, ele conquistou o seu primeiro título há 30 anos atrás. Bela homenagem ao anti-herói tricampeão do mundo. Para que fique completa, só falta ele dormir no cockpit antes da largada! Viva Nelson Piquet!

Faço minhas as suas palavras, caro Paulo. Piquet é, na minha modesta opinião, nosso mais brilhante campeão de automobilismo, principalmente porque conquistou títulos sem ajuda ou marketing, à revelia da poderosa Globo, que foi decisiva para alavancar a popularidade de Senna, por exemplo. Pelas razões expostas no artigo, a trajetória inusitada do grande campeão não foi em vão. Milhões de fãs, como você e eu, sempre iremos nos emocionar com as imagens das façanhas dele nas pistas.

Coluna: Uma batalha de 180 minutos

Nada mudou em relação à situação anterior do Paissandu, mas muita gente murchou com a vitória do América sobre o Luverdense, ontem, em Lucas do Rio Verde. É claro que ficou um pouco mais difícil, pois o empate era o resultado mais interessante, mas o fato é que permanece a situação obrigatória para os comandados de Andrade: vencer os dois jogos que restam, para não ficar à espera de qualquer combinação de resultados.
O que, em outras palavras, significa que o Paissandu depende exclusivamente de suas forças para arrancar esse escorregadio acesso à Série B. A rigor, os cálculos que todos se põem a fazer quanto ao futuro do time na competição terminam numa questão fundamental.
Pouco importa se o América vai tropeçar ou não no CRB se o Paissandu não passar pelo Luverdense na quarta-feira, no Mangueirão. É preciso fazer o dever de casa antes de pensar no resultado do concorrente. Todas as projeções caem por terra diante dessa missão, até porque a batalha final contra os americanos em Goianinha (RN) é inevitável.  
Luciano Henrique, que esteve ontem no Bola na Torre (RBATV), avalia como positivo o ambiente do Paissandu às vésperas dos jogos decisivos e mais importantes da temporada. Tirando o fato de que o meia-armador diria isso de qualquer maneira, mesmo que a barra estivesse pesada, é visível que Andrade conseguiu celebrar um pacto de não-agressão entre as facções internas. É uma evolução, se comparado ao clima de beligerância que imperava sob o comando de Edson Gaúcho, vitimado por uma arapuca poderosa de veteranos insatisfeitos.
A partir de agora, a 180 minutos do paraíso (ou do inferno), o Paissandu não pode mais se dar ao luxo de perder tempo com mexericos e futricas de bastidores. E não merece sofrer de novo pelas mãos inábeis de dirigentes atrapalhados. Andrade precisa de paz para trabalhar e salvar a campanha.
 
 
Foi a maior goleada do novo Remo, com jogadas que tiveram a participação de todos os jogadores de meio-campo e ataque, anteontem, em Barcarena. A quantidade de gols não mede o nível da preparação técnica do time, mas, indiscutivelmente, dá mais confiança a todos. De novo, o grande destaque foi o lateral Cametazinho, revelação dessa fase do trabalho de Sinomar Naves. O anúncio de alguns reforços parece ter surtido um efeito positivo sobre a equipe, que parecia mais solta e desembaraçada.
E, como prêmio para a torcida e para o próprio clube, a diretoria anunciou que desistiu do Serginho, que de repente parou de fazer contatos, bem ao seu estilo. Espera-se que a má idéia de trazer o volante esteja definitivamente descartada.
 
 
Há uma semana, depois do revés frente ao Figueirense, joguei a toalha quanto às ambições de título do Botafogo neste equilibradíssimo Campeonato Brasileiro. Ficou mais ou menos óbvio jogo que o campeonato até queria o Botafogo, mas o Botafogo, por algum motivo tosco qualquer, não queria o campeonato. Depois da derrota de ontem, começo a temer até pela vaga à Libertadores. E o título está mesmo entre Vasco e Corinthians, clubes que demonstram mais ânimo para levantar a taça, apesar de todas as imperfeições de cada um.
 
 
Nas homenagens aos melhores camisas 11 do futebol brasileiro, na última quinta-feira, notei a ausência de menções a Júlio César, o Uri Gheller, que fazia estragos pela faixa canhota do campo. Foi um dos mais nobres representantes da confraria de dribladores, desfilando seu imenso talento pelo Flamengo e pelo Remo. Seu único azar foi não ter um empresário tão bom quanto o de Denílson, o pipoqueiro inútil. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 14)