Coluna: Neymar e o marketing perfeito

A parceria anunciada ontem entre o Santos e o Banco do Brasil para segurar Neymar no país até a Copa do Mundo de 2014 é, ao mesmo tempo, a melhor notícia do futebol brasileiro nos últimos anos e a confirmação de que começam a surgir dirigentes realmente preocupados em inovar na gestão dos clubes. A partir do próprio cuidado que cercou a negociação do acordo, que em nenhum momento vazou para os jornais, identifica-se a extrema habilidade dos responsáveis por uma operação financeira de proporções inéditas no Brasil em torno de um jogador. Mais importante que tudo isso é a certeza de que o esforço é plenamente justificado: Neymar é o mais cintilante talento surgido no futebol brasileiro desde o aparecimento de Ronaldo Fenômeno. 
Mais do que um espetacular lance de marketing, o futebol de Neymar representa hoje retorno financeiro para os investidores e imensas vantagens técnicas para o Santos. Com seu maior jogador em campo, o time da Vila Belmiro se credencia a ser a principal agremiação brasileira da primeira metade da década, ainda mais se conquistar o tricampeonato mundial de clubes em dezembro. De quebra, significa um grande reforço para Mano Menezes no seu esforço pessoal para sobreviver no comando da Seleção Brasileira até a Copa. Óbvio que o próprio selecionado ganha muito com essa decisão santista.
Quem viu Neymar ser assediado implacavelmente por crianças e jovens em Belém por ocasião do amistoso Brasil x Argentina sabe o potencial de empatia que o atacante tem. Poucas celebridades são tão aduladas e requisitadas quanto ele. É um ídolo pop por excelência. Brilhou até em eventos programados pelos sempre atentos executivos americanos do futebol. Para convencer o jogador a optar pela oferta santista (cujo valor giraria em torno de R$ 3 milhões em salários, cifra não confirmada pelo clube), o presidente Luís Álvaro Ribeiro chegou a argumentar que no Brasil ele é um astro, capaz de mudar até o padrão de beleza masculina no país com seu espalhafatoso penteado moicano de subúrbio.
Com a permanência em solo pátrio, Neymar pode vir a ser um ídolo como nem Pelé conseguiu ser quando estava no auge, pelo simples fato de que o Rei não tinha à sua disposição as incontáveis plataformas de marketing e exposição de imagem. Jogando aqui, Neymar estará muito mais acessível e próximo da garotada, fugindo ao distanciamento que mutila as relações da torcida brasileira com craques como Kaká e o próprio Ronaldo quando no auge. Não por acaso, quase todos os jogadores exportados para a Europa dão um jeito de voltar ao Brasil em busca da identidade perdida.
A recusa às propostas de Barcelona, Real Madri e Chelsea indica que Neymar, além da presença sempre firme e moderadora do pai por perto, tem a auxiliá-lo um staff de respeito. Foi muito bem orientado e não caiu na tentação fácil do rico mercado internacional. Sabe que não precisa trocar o sucesso atual pela inclemência dos campeonatos do Velho Mundo e a cobrança dos críticos internacionais. Afinal, não há urgência para quem, depois da Copa 2014, terá apenas 22 anos. 
  

 
E o nosso Paulo Henrique Ganso, parceiro de Neymar e candidato a astro santista, como fica? Depois dessa, continuará sonhando com o futebol europeu? O acordo fechado por Neymar deixa boas lições para o nosso futebol – e para o talentoso meia paraense.
 
 
 
No rosário de equívocos que assola o Paissandu nessa malsinada campanha na Série C, o episódio da perda do mando de campo por objetos atirados no gramado é a chamada pá de cal. Para quem já se aperreia com salários em atraso e despesas não ressarcidas pelo jogo em Rio Branco, só faltava perder mais uma receita importante. Tudo por obra e graça de um descerebrado qualquer que confunde futebol com briga de bar. Só alguém muito desinformado para desconhecer a sanção que recai sobre o clube mandante quando alguma peça é atirada em direção ao gramado. Paissandu e Remo já foram punidos diversas vezes por esse mesmo motivo.
São os mesmos “torcedores” de sempre, que adoram bagunçar treinos, ameaçar jogadores e promover badernas nos estádios. Os clubes não coíbem por covardia ou conveniência de dirigentes despreperados. Gente assim não presta qualquer tipo de ajuda ao clube, apenas o sabota no momento errado, como ocorre agora com o Paissandu.
Igualmente canhestra foi a tentativa de driblar o tribunal com a apresentação de um possível culpado, com jeito de mandrake, quatro dias depois do jogo. Coisa de falso malandro. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 10) 

13 comentários em “Coluna: Neymar e o marketing perfeito

  1. Neymar pra mim e o melhor jogador do mundo,fato inédito pois o mesmo joga fora da Europa.Parabéns a esse garoto que e craque de bola e sabe conviver com a fama e o assédio diferentemente de Robinho,Pato,ate mesmo Ronaldinho Gaúcho as vezes.Podemos dizer que o Santos sempre foi e sempre será o melhor clube brasileiro,revelador de jovens talentos e promessas,o rei jogou a carreira inteira lá.O Ganso depois dessa deve ficar Tbm,quem ganha com isso e o Santos e o futebol brasileiro.Já o Paysandu acredito que vai conseguir levar o jogo pro mangueirao e o empate de hj nos beneficiou e mtt!!Mais um empate aí Vamos Subir Com o Olímpico lotadaco pra alegria de toda a fiel bicolor,e difícil mas nao custa acreditar.

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  2. Pela primeira vez, talvez , o futebol brasileiro leva a melhor num confronto financeiro com os grandes do futebol mundial.
    A permanencia de Neymar, deve-se, sobretudo, a economia brasileira que fez por onde, ter uma moeda forte. Os cofres santistas, sozinhos, seriam incapazes, mas as boas cabeças santistas souberam como “segurar” o jogador.
    Em outras modalidades esportivas essa situação de economia e moeda, fortes, também fazem-se sentir. O retorno dos nossos campeonissimos do Voley é outro exemplo.
    Havendo meio$ haverá marketing e assim os resultado$ se $omarão.
    .É claro que as exportações devem continuar, trazendo vantagens
    aos cofres combalidos dos clubes brasileiros.

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  3. Alguem poderia dizer ao P. Henrique (Ganso) que o sucesso é o dono da sua vontade e não admite que nada altere seu aparecimento e curso. Paciencia e determinação é o que se pode, no momento, recomendar ao irmão “papa-chibé”.

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  4. … Só alguém muito desinformado para desconhecer a sanção que recai sobre o clube mandante quando alguma peça é atirada em direção ao gramado.

    Gerson, clube do Norte vc quer dizer, pois até juiz foi ameaçado e xingado em São januario, torcida invade e quebra tudo em Coritiba, etc…

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  5. Sra. Andréia, ao contrário do que vc postou acima, o estádio do coritiba ficou fechado por um periodo enorme por causa do quebra-quebra de lá. Então o jornalista está certo em seu comentário e a coisa acontece com todos. tá certo que clubes como flamengo e curíntia são em regra beneficiados pelas interpretações da lei, mas isso é pq eles são mafiosos e não pq são do sul.

    esse papo de que somos os coitadinhos do norte, uma raça guerreira que luta contra os preconceitos do sul e que não quer nossos jacarés tropeçando em vocês, já ta enchendo o saco.

    Égua do complexo de vira-lata que não acaba e nem fica pouco.

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  6. Mania de perseguição é pobreza de raciocínio, concordo, tem torcedor que vive dizendo “tem coisas que só acontecem com meu time” e tudo é feito para beneficiar Corinthians e Flamengo PURA POBREZA DE RACIOCÍNIO hehehehehe

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  7. Tudo bem, Andreia, já que o tema é incômodo para rubro-negros e corintianos, não falarei mais de apito amigo, então. Mas atirar objetos no gramado de jogo continua a ser coisa de protozoário.

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