Reforços do Leão já treinam no Baenão

Os novos reforços do Remo já treinam normalmente com o resto do elenco no estádio Evandro Almeida. O atacante Joãozinho (acima), que assinou contrato na quarta-feira, fez exercícios físicos com o preparador Carlos Rocca, a fim de se recondicionar depois de ficar sem treinar após a eliminação do Independente Tucuruí da Série D. O volante Adenísio (abaixo), que iniciou trabalhos no Leão desde segunda-feira, já se movimenta com bola, embora ainda não tenha estreia definida pelo técnico Sinomar Naves. (Fotos: MÁRIO QUADROS)

Divisão do Pará: a silenciosa cumplicidade

Por Dalmo de Abreu Dallari (*)

Algumas omissões surpreendentes da imprensa chamam mais a atenção do que muito noticiário e geralmente são reveladoras de alguma cumplicidade. Quando ocorre um fato público importante e – sem que se possa vislumbrar qualquer interesse ponderável na omissão – a imprensa silencia sobre ele, é óbvio que existe alguma razão oculta para o silêncio.

Isso vem ocorrendo em relação à pretensão da criação de dois novos estados mediante desmembramento de partes do estado do Pará. Já está marcada a data para realização de um plebiscito sobre essa proposta e obviamente muitos dos interessados estão em plena campanha. Pela relevância dessa decisão, que poderá acarretar sérias consequências políticas e financeiras para todo o Brasil, com a criação de despesas públicas que montarão a milhões de reais e serão pagas por todo o povo brasileiro, o assunto é de óbvio interesse público. E nada tem aparecido na imprensa sobre isso, sendo mais do que evidente a ocultação deliberada de fatos relevantes, como será bem fácil demonstrar.

Bilhões de reais

O jornal O Estado de S.Paulo publicou um editorial com o título “Audiência pública no TST” (5/8/2011, pág. A3). Como é óbvio, a escolha desse tema para um editorial da página onde se expressa a opinião do jornal já é uma demonstração do reconhecimento da importância do assunto. O editorial começa informando que, “seguindo o exemplo do Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu promover audiências públicas para dar publicidade aos casos mais polêmicos em julgamento, com grandes implicações sociais, econômicas e políticas”. E depois de expender considerações minuciosas sobre a audiência pública, o editorial ressalta alguns efeitos que considera muito positivos nessa inovação, ressaltando que “as questões legais serão debatidas juntamente com questões econômicas e políticas, permitindo aos ministros da Corte ouvir diretamente a opinião daqueles que serão afetados por seus julgamentos”. E conclui, com evidente entusiasmo quanto à inovação, que a audiência pública aumentará a certeza jurídica nas relações entre os interessados.

No mesmo dia da publicação desse editorial foi realizada em Brasília a primeira audiência pública do Tribunal Superior Eleitoral, reunindo pessoas e entidades interessadas na definição das condições do plebiscito que será realizado no dia 11 de dezembro, para consulta à população sobre proposta de desmembramento do estado do Pará, para a criação de dois novos estados na federação brasileira, Carajás e Tapajós. Entre os participantes da audiência, que reuniu mais de cem pessoas, estavam ministros e desembargadores, a vice-Procuradora Geral Eleitoral Federal e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. Estavam presentes também parlamentares, partidos políticos, juristas, jornalistas e entidades mais diretamente envolvidas no encaminhamento do assunto.

O número e a qualidade dos presentes decorreu da enorme importância da decisão da proposta. Em termos financeiros, além do elevado custo decorrente do aumento do número de parlamentares, haverá também o custo elevadíssimo da implantação dos novos estados, cada um com suas instalações altamente onerosas para abrigar os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Para a manutenção desse aparato a população de todos os demais estados brasileiros é que irá arcar com as despesas, que no total deverão atingir alguns bilhões de reais. E até agora não foi feita qualquer demonstração ou estimativa dos efeitos sociais da criação dos novos estados, sabendo-se apenas que há grupos políticos e econômicos altamente interessados nessa criação, sendo evidente que as condições de vida da população não estão entre os motivos de sua reivindicação.

Moralista e indignada

Apesar disso tudo, e não obstante a evidente importância da audiência pública realizada no Tribunal Superior Eleitoral, a imprensa ocultou esse fato, não o noticiou antes nem publicou depois qualquer informação sobre ele. O conhecimento do que se passou na audiência e dos efeitos que ela pode produzir é de interesse mais do que óbvio de toda a população brasileira, pois, além de tudo o mais, a criação dos novos estados acarretará despesas públicas que montarão a muitos milhões de reais e que deverão ser suportadas pelos contribuintes de todos os estados brasileiros.

Quais seriam os motivos e de quem seria o interesse, levando a imprensa a ocultar tudo isso do povo brasileiro? Onde está a imprensa moralista e sempre indignada quando se cogita de um aumento mínimo da tributação? Está silenciosa, cúmplice da imoralidade.

(*) Dalmo de Abreu Dallari é jurista e professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo

CBF confirma Papão x LEC no Mangueirão

O Paissandu nem precisará de efeito suspensivo. Como a punição imposta ao Paissandu só passa a valer cinco dias úteis após a notificação do STJD à CBF – ou seja, desde hoje, 10, até 17/11 -, o jogo contra o Luverdense está confirmado para o estádio do Mangueirão, na próxima quarta-feira, 16.

Opinião: Novela já era

Por André Forastieri

Vejo a novela das nove pela primeira vez. As personagens têm nome de personagem de novela, Tereza Cristina e Griselda da Silva, e comportamento de personagem de novela. A vilã é uma dondoca pérfida, estilo Malvina Cruela ou Odete Roitmann. A mocinha é uma pobre batalhadora, honesta, de família. única diferença gritante desta novela para as da minha infância: as protagonistas estão na casa dos cinquenta e tantos. Têm filhos adultos, neto. Impensável em outras épocas. Obrigatório em 2011. Por quê? Porque hoje só coroa assiste novela.

Os jovens estão na internet, nos games, nas redes sociais, no celular. Hoje, menos de um terço dos televisores brasileiros estão ligados, no horário nobre. Temos mais o que fazer, e quando mais jovem, mais multitarefas. Jovem não tem saco para ouvir uma música até o fim, imagine suportar oito meses uma novela. Fui conferir a lista completa de personagens da novela. Renata Sorrah, Angela Vieira, Arlete Salles – é realmente elenco de novela dos anos 70, time de estrelas de cinquentonas para cima. Os galãs todos mais novos, que surpresa… Na rabeira do elenco, uma multidão de jovenzitos estilo Malhação, rapazes bombadinhos, garotas fitness, em papéis secundários pra baixo.

Novela é como jornal. Não acabam tão cedo. Só quando morrer o último viciado – daqui uns 30 anos. Os fundamentos econômicos dos dois estão sendo corroídos já. Não dá para ter cada vez audiência menor, e cada vez cobrar anúncio mais caro. E mais: não é porque a TV está ligada na novela, que as pessoas estão assistindo, ou prestando atenção nos anúncios. Frequentemente, a TV está ligada no horário nobre enquanto a pessoa está no Orkut, no Facebook, no portal, jogando. A publicidade entra por um ouvido e sai por outro. De vez em quando, um comercial consegue quebrar a barreira. É o caso daquele dos Pôneis Malditos. Se você escapou, parabéns. É um anúncio de carro. Uma caminhonete qualquer empaca no lamaçal. O dono xinga, “pôneis malditos!”.

Abre o capô, estão no motor um grupo de pôneizinhos afeminados de desenho animado, cantando uma música grudenta. No final, o locutor anuncia uma pick-up nervosa, com não sei quantos cavalos de potência etc. A música virou viral na internet. Se espalhou. Rendeu muitas imitações e paródias. Não faço ideia se vendeu um carro a mais por causa deste barulho todo. O importante é que este anúncio se viralizou foi nos meios digitais. A tevê é incidental na história. Tivesse a montadora feito uma campanha apenas em portais e redes sociais, o efeito poderia ter sido um pouco menor, igual, ou um pouco maior – não há como saber. Mas o custo de veiculação seria infinitamente menor, e portanto sabemos que o retorno sobre o investimento teria sido animal. Más notícias para os canais de TV, e para as agências de publicidade.

E com tudo isso, as novelas proliferam por todos os canais e horários, e com alguma audiência e receita. É que novela tem, além dos anúncios, receita que vem diretamente do merchandising. E outra: canal que tem novela e jornal no horário nobre, tem pinta de mais importante, e atrai anúncios mais caros. Mas as coisas mudam, e estão mudando rápido. Nos Estados Unidos, o horário nobre despenca de audiência semana após semana. Se rendeu aos reality shows, de custo muitíssimo menor que os seriados, e que suprem bem a sede do público por dramas de mentira, peitões de silicone, vulgaridade etc. As capas de revista de supermercado, nos EUA, são das irmãs Kardashian.

Aqui, a narrativa redundante e previsível, a embalagem luxuosa e a sexualidade comportada das novelas ainda serve como o anestésico perfeito após um longo dia de trabalho. Mas só para quem cresceu no mundo da mídia linear. A nova geração exige estimulação constante e interatividade na ponta dos dedos. A novela viverá por muito tempo – mas já era.

Um baterista genial visita o Brasil

Do G1

“Ele era ruim e mais facilmente substituível”. A consideração do apresentador Jô Soares sobre o ex-beatle Ringo Starr, dita durante entrevista com os integrantes da banda All You Need is Love na última semana, expôs uma vez mais o velho clichê do rock de que seria um músico “meia-boca” e o menos querido entre os quatro rapazes de Liverpool. Mas a série de shows que Richard Starkey (seu nome de batismo) inicia no Brasil na noite desta quinta-feira (10), em Porto Alegre, promete tirar do anonimato uma legião de fãs do músico, que se apressam em mostrar que o mais velho dos Fab Four foi uma figura essencial para o sucesso da banda. “Essa mania de falar mal do Ringo é coisa de quem só vê qualidade no virtuosismo. Ringo é um baterista excepcional, um metrônomo ambulante. Não existe variação nem falhas de tempo nas músicas dos Beatles. O cara é um relógio”, comenta o empresário capixaba Ricardo Martinelli, que também toca bateria numa banda cover dos Beatles. “E digo mais ainda: tem músicas da banda que dificilmente um artista virtuoso conseguiria reproduzir com as mesmas técnica e sentimento do Ringo”.

Ricardo explica ainda os motivos que levam Ringo a ser um pioneiro do rock. “É dele a ideia de colocar a bateria sobre um praticável, para dar mais destaque ao instrumento. Sua pegada reta, diferentemente do modo como tocam os bateristas de jazz, também foi invenção de Ringo”, justifica o empresário de 32 anos. Em 2008, Martinelli foi aos Estados Unidos exclusivamente para assistir a um show do ex-beatle — na época, Ringo excursionava para promover o álbum “Liverpool 8”. Além da apresentação em si, a viagem acabou rendendo outra lembrança inesquecível. “Ringo promoveu um concurso de fotografias através de seu site oficial. A melhor foto tirada de um show da turnê ganharia uma pele de bateria autografada por ele. Fui o vencedor. O mais legal é que o resultado foi divulgado pelo próprio Ringo, num vídeo publicado na internet”, relembra.

A admiração por Starr é tanta que Ricardo comprou uma bateria idêntica à utilizada pelo músico britânico na época em que os Beatles ainda se apresentavam ao vivo. “A Ludwig lançou uma série especial em 2009, para celebrar os 100 anos da marca. Esta série reproduzia exatamente o kit que Ringo usava nos shows de 1965. As 100 primeiras unidades têm um selo comemorativo. A minha é uma dessas”, conta orgulhoso o empresário, que vai assistir aos sete shows do ex-beatle no país por seis capitais brasileiras: “Coisa de fã mesmo, né?”, brinca. Além do show desta quinta no ginásio Gigantinho, na capital gaúcha, Ringo Starr vai tocar com sua All Starr Band nos dias 12 e 13 de novembro no Credicard Hall, em São Paulo; 15 de novembro no Citibank Hall, no Rio; 16 de novembro no Chevrolet Hall, em Belo Horizonte; 18 de novembro no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília; e se despede dos palcos brasileiros no dia 20, no Chevrolet Hall de Recife.

Formada no ano passado, a atual formação da All Starr Band conta com Rick Derringer (guitarra), Wally Palmar (guitarra; ex-The Romantics), Edgar Winter (teclado; irmão do guitarrista Johnny Winter), Gary Wright (teclado; ex-Spooky Tooth), Richard Page (baixo; ex-Mr. Mister), Mark Rivera (saxofone) e Gregg Bissonette (bateria).

Repertório básico da turnê:

1- “It don’t come easy”
2- “Honey don’t”
3- “Choose love”
4- “Hang on sloopy”
5- “Free ride”
6- “Talking in your sleep”
7- “I wanna be your man”
8- “Dream weaver”
9- “Kyrie”
10- “The other side of liverpool”
11- “Yellow submarine”
12- “Frankenstein”
13- “Peace dream”
14- “Back off Boogaloo”
15- “What I like about you”
16- “Rock and roll, hoochie koo”
17- “Boys”
18- “Love is alive”
19- “Broken wings”
20- “Photograph”
21- “Act naturally”
22- “With a little help from my friends”
23- “Give peace a chance”

Adeus ao Super Ézio

Ézio, ídolo do Fluminense na década de 90, morreu nesta quarta-feira à noite, no Rio de Janeiro. O ex-jogador, que tinha 45 anos, estava internado devido a um câncer no pâncreas, descoberto em outubro de 2010. O velório será realizado no Salão Nobre das Laranjeiras, nesta quinta-feira. O presidente do Flu, Peter Siemsen, decretou sete dias de luto pelo falecimento do ídolo. Super Ézio, como era chamado no Fluminense, é o nono maior artilheiro do clube, com 119 gols em 237 jogos, entre 1991 e 1995. Ézio também vestiu as camisas de Atlético-MG, Bangu, Olaria e Americano.

Coluna: Neymar e o marketing perfeito

A parceria anunciada ontem entre o Santos e o Banco do Brasil para segurar Neymar no país até a Copa do Mundo de 2014 é, ao mesmo tempo, a melhor notícia do futebol brasileiro nos últimos anos e a confirmação de que começam a surgir dirigentes realmente preocupados em inovar na gestão dos clubes. A partir do próprio cuidado que cercou a negociação do acordo, que em nenhum momento vazou para os jornais, identifica-se a extrema habilidade dos responsáveis por uma operação financeira de proporções inéditas no Brasil em torno de um jogador. Mais importante que tudo isso é a certeza de que o esforço é plenamente justificado: Neymar é o mais cintilante talento surgido no futebol brasileiro desde o aparecimento de Ronaldo Fenômeno. 
Mais do que um espetacular lance de marketing, o futebol de Neymar representa hoje retorno financeiro para os investidores e imensas vantagens técnicas para o Santos. Com seu maior jogador em campo, o time da Vila Belmiro se credencia a ser a principal agremiação brasileira da primeira metade da década, ainda mais se conquistar o tricampeonato mundial de clubes em dezembro. De quebra, significa um grande reforço para Mano Menezes no seu esforço pessoal para sobreviver no comando da Seleção Brasileira até a Copa. Óbvio que o próprio selecionado ganha muito com essa decisão santista.
Quem viu Neymar ser assediado implacavelmente por crianças e jovens em Belém por ocasião do amistoso Brasil x Argentina sabe o potencial de empatia que o atacante tem. Poucas celebridades são tão aduladas e requisitadas quanto ele. É um ídolo pop por excelência. Brilhou até em eventos programados pelos sempre atentos executivos americanos do futebol. Para convencer o jogador a optar pela oferta santista (cujo valor giraria em torno de R$ 3 milhões em salários, cifra não confirmada pelo clube), o presidente Luís Álvaro Ribeiro chegou a argumentar que no Brasil ele é um astro, capaz de mudar até o padrão de beleza masculina no país com seu espalhafatoso penteado moicano de subúrbio.
Com a permanência em solo pátrio, Neymar pode vir a ser um ídolo como nem Pelé conseguiu ser quando estava no auge, pelo simples fato de que o Rei não tinha à sua disposição as incontáveis plataformas de marketing e exposição de imagem. Jogando aqui, Neymar estará muito mais acessível e próximo da garotada, fugindo ao distanciamento que mutila as relações da torcida brasileira com craques como Kaká e o próprio Ronaldo quando no auge. Não por acaso, quase todos os jogadores exportados para a Europa dão um jeito de voltar ao Brasil em busca da identidade perdida.
A recusa às propostas de Barcelona, Real Madri e Chelsea indica que Neymar, além da presença sempre firme e moderadora do pai por perto, tem a auxiliá-lo um staff de respeito. Foi muito bem orientado e não caiu na tentação fácil do rico mercado internacional. Sabe que não precisa trocar o sucesso atual pela inclemência dos campeonatos do Velho Mundo e a cobrança dos críticos internacionais. Afinal, não há urgência para quem, depois da Copa 2014, terá apenas 22 anos. 
  

 
E o nosso Paulo Henrique Ganso, parceiro de Neymar e candidato a astro santista, como fica? Depois dessa, continuará sonhando com o futebol europeu? O acordo fechado por Neymar deixa boas lições para o nosso futebol – e para o talentoso meia paraense.
 
 
 
No rosário de equívocos que assola o Paissandu nessa malsinada campanha na Série C, o episódio da perda do mando de campo por objetos atirados no gramado é a chamada pá de cal. Para quem já se aperreia com salários em atraso e despesas não ressarcidas pelo jogo em Rio Branco, só faltava perder mais uma receita importante. Tudo por obra e graça de um descerebrado qualquer que confunde futebol com briga de bar. Só alguém muito desinformado para desconhecer a sanção que recai sobre o clube mandante quando alguma peça é atirada em direção ao gramado. Paissandu e Remo já foram punidos diversas vezes por esse mesmo motivo.
São os mesmos “torcedores” de sempre, que adoram bagunçar treinos, ameaçar jogadores e promover badernas nos estádios. Os clubes não coíbem por covardia ou conveniência de dirigentes despreperados. Gente assim não presta qualquer tipo de ajuda ao clube, apenas o sabota no momento errado, como ocorre agora com o Paissandu.
Igualmente canhestra foi a tentativa de driblar o tribunal com a apresentação de um possível culpado, com jeito de mandrake, quatro dias depois do jogo. Coisa de falso malandro. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 10)