Rock no templo do samba

Certa vez, Eddie Veder disse que sentia orgulho por tocar na melhor banda de rock que existe. Parece exagero, mas não é. Das quatro ou cinco bandas fundamentais, que merecem ser vistas ao vivo, o Pearl Jam é certamente uma delas. Por 2h40, na noite deste domingo, na praça da Apoteose, o grupo de Seattle confirmou a fama e matou a saudade de aproximadamente 40 mil fãs. No cardápio, um desfile impecável, na celebração de seus vinte anos de estrada. Cá pra nós, pouquíssimas bandas no mundo podem festejar duas décadas de trabalho. Grande parte até se envergonharia das porcarias gravadas pelo caminho. Com o PJ, é diferente. São músicas de qualidade, seguindo o figurino roqueiro mais caprichado. O fato de usar duas guitarras de alta qualidade – às vezes, três, quando o próprio Veder toca – facilita bastante as coisas.

Há tempos esperava ver algumas músicas serem executadas ao vivo pelo Pearl Jam tocar. Dei sorte. Deixaram de lado algumas de minhas favoritas, como Save You, mas as 30 outras pérolas tocadas compensaram plenamente. Even Flow, Rearviewmirror, Black, Alive, Daughter, Come Back, State Of Love And Trust, Of The Earth, Indifference, Do The Evolution e uma versão sensacional de Jeremy, que a banda ainda não havia mostrado na atual passagem pelo Brasil. Com direito a algumas homenagens inspiradas, como Mother (Pink Floyd) e I Believe in Miracles (Ramones).

Vi muitos shows até hoje, alguns inesquecíveis (como Stones e Paul McCartney), mas não lembro de um mais empolgante e de repertório tão forte, em sintonia plena com a platéia. Mais especial ainda porque tive a companhia de meu filho Pedro, um sonho antigo. Queria poder mostrar a ele que o rock ainda não morreu e acho que fui bem sucedido na empreitada. Falta agora arranjar um outro showzaço como o do PJ para levar o infante João daqui a uns três anos.