“Crime de Imprensa” analisa eleições 2010

Mylton Severiano e Palmério Dória assinam o primeiro livro a tratar da participação dos grandes jornais nas eleições presidenciais de 2010, e, segundo os próprios autores, devido ao teor da obra, você não deve ouvir falar muito sobre esse livro nos jornalões
A bala de prata da eleição de 2010 foi uma bolinha de papel. Uma bolinha de papel que surpreendentemente acertou a cabeça do então candidato José Serra com o peso de dois quilos – pelo menos de acordo com as primeiras notícias veiculadas pelos principais jornais do país. É com essa história que os jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano abrem “Crime de Imprensa”, o primeiro livro a tratar das eleições de 2010 sob a ótica do jornalismo. E, pelo tom satírico dado pelos autores ao assunto, a avaliação não é lá muito lisonjeira.
Palmério e Mylton, jornalistas com história e passagem pelos maiores veículos de imprensa do país, prometem um “retrato da mídia brasileira murdoquizada”, mais interessada em negócios do que em notícias, e reconhecem, em tom de desafio, que não devem conseguir uma única resenha sobre o livro nos grandes jornais. “’Honoráveis Bandidos’ não teve nenhuma, não vejo por que esse teria”, disse Palmério, referindo-se ao livro lançado em 2009 pela dupla e que traça outro retrato – o do Brasil na era Sarney –, sem mostrar muita preocupação. “O livro (Honoráveis Bandidos) frequentava os jornais pela lista dos mais vendidos”, brinca o jornalista.
“Crime de Imprensa” ficou pronto na última sexta-feira (28/10) e começa a ser distribuído nesta semana pelas livrarias do país (também pode ser comprado pelo site da editora, Plena Editorial), mas quase não sai. Os autores receberam negativas de três editoras – uma delas nem quis sentar para conversar depois de conhecer o assunto – e já se preparavam para lançar apenas a versão digital do livro quando a Plena Editorial comprou a briga. “Nossa ideia é lançar o livro nas próximas semanas, com atenção especial para a estudantada”, diz Palmério, que promete mais do que um mero relato sobre o desempenho dos grandes noticiários nas eleições de 2010.
As análises dos autores sobre o último pleito surgem situadas numa perspectiva histórica que recupera a participação da imprensa na política brasileira desde 1954, “o 1964 que não deu certo”, lembra Palmério, em referência à tensão política que resultou no suicídio de Getúlio Vargas – os protagonistas dos jornais da época eram Carlos Lacerda e Samuel Wainer. O tom histórico é reforçado pelo prefácio do livro, assinado por Lima Barreto, em texto recuperado que mostra como a imprensa nacional vem se comportando de forma parecida há algum tempo. Mino Carta reforça o time e dá o mote do livro em citação estampada na capa: “Na maioria dos casos a mídia é ponta-de-lança para grandes negócios”.

Blogs
Para os autores do livro, a grande diferença entre os dias de hoje e as décadas passadas é a existência da “blogosfera”, que possibilita a circulação de opiniões e versões divergentes do noticiado pelos grandes jornais. Com visões tão críticas sobre grupos e famílias tão poderosas – um terceiro livro está em produção, mas é sigiloso, para que os afetados não tentem evitar sua publicação –, uma pergunta se impõe: como é que os autores se sustentam? “A gente sobrevive. Aliás, acho que o melhor termo para nos definir é esse: sobreviventes”, define Palmério, que publica “Crime de Imprensa”, também, para provar que ainda há espaço para as grandes reportagens. Nem que seja fora dos grandes jornais.

CRB bate Luverdense e garante acesso

Com um gol do zagueiro Felipe, o CRB derrotou o Luverdense (MT) na tarde desta quarta-feira, em Maceió, assegurando o acesso à Série B 2012. O Luverdense, que estreia nesta segunda fase da Série C, teve boa atuação e criou várias chances de gol, principalmente com o bom centroavante Ray. O gol surgiu aos 26 minutos do primeiro tempo. Felipe desviou de cabeça um cruzamento alto para a área matogrossense. A vitória dá ao CRB a liderança isolada do grupo, com 10 pontos. O Paissandu é o segundo colocado, com 3. O América vem a seguir com apenas um ponto e o Luverdense ainda não pontuou.

CBF programa festa do Brasileiro para S. Paulo

A CBF tirou do Rio e confirmou para São Paulo, no dia 11 de dezembro, a festa de premiação do Campeonato Brasileiro 2011. É a primeira vez que isso ocorre. O diretor Rodrigo Caetano, do Vasco, foi o único a levantar suspeitas quanto à mudança de planos da entidade e associar isso a um suposto favorecimento da arbitragem ao Corinthians na reta final do campeonato. Andres Sanchez, presidente corintiano, é aliado e amigo pessoal de Ricardo Teixeira.

Trajano deixa a ESPN Brasil

O jornalista José Trajano anunciou, na sexta-feira passada, sua saída do cargo de diretor executivo da ESPN Brasil. Ele será substituído pelo jornalista e apresentador João Palomino. Trajano, responsável pela consolidação do canal a cabo no país, despediu-se de seus comandados e evitou dar informações sobre seus projetos profissionais, mas em São Paulo especula-se que deverá chefiar a equipe da Fox Sports, canal americano que está chegando ao Brasil.

Pode-se até não gostar do estilo de Trajano, mas sua presença em mesas-redondas e programas esportivos é sempre garantia de opiniões firmes e diretas. Gosto disso.

A frase do dia

“Eu nunca trabalhei com religião. Uma coisa era o Jorginho atleta, atleta de Cristo. Quando terminei a carreira, nunca fiz reunião, como técnico, nunca fiz. É um mito que as pessoas criam. Sou evangélico, amo Deus, a palavra de Deus, mas não confundo meu trabalho com cristianismo, nunca confundi. Nunca fiz no Figueirense, no Goiás, no América, na seleção. Se os jogadores quiserem fazer culto, reunião, eu permito, mas não participo. Na seleção, eu nunca participei. Mas, quando se perde, é preciso encontrar alguém para crucificar.”

De Jorginho, técnico do Figueirense e ex-auxiliar de Dunga na Seleção que disputou a Copa 2010.

Opinião: Exemplos de Lula

Por Fernando Rodrigues

O Brasil não teve pais fundadores dignos dessa qualificação. Os ideais da nação continuam em fase de construção. Inexiste um grande texto do passado ou heróis para inspirar gerações do presente, muito menos aos políticos.
Aqui, o conjunto de valores se forma com o desenvolvimento do país. Por essa razão os atos de determinados líderes contribuem para a solidificação do, vá lá, sistema brasileiro de sociedade.
Pergunte a um petista e ele dirá que a maior obra de Lula foi incluir milhões de pobres no mercado consumidor. Esse foi um feito notável, mas outros gestos têm relevância mais institucional, de fundo.
Ao não ter forçado a mão para ser reeleito para um terceiro mandato, Lula praticamente sepultou as chances de qualquer outro político no futuro tentar esse tipo de aventura bolivariana. Pode parecer pouco, mas quem se lembra do passado recente da política brasileira saberá a real importância desse ato do petista quando tinha total condição de impor sua vontade.
Agora, já fora da Presidência, Lula poderia tranquilamente ter optado por menos transparência na divulgação de seu câncer de laringe. Ao noticiar o episódio, a revista britânica “Economist” notou como o político brasileiro -assim como tantos outros- expôs-se mais do que seus colegas latino-americanos.
Só para lembrar os casos mais evidentes, Fidel Castro e Hugo Chávez escondem o quanto podem os detalhes de seus estados de saúde. Mesmo fora do poder, a atitude de Lula ajuda a consolidar práticas cotidianas que podem parecer óbvias e necessárias, mas até outro dia eram apenas exceções no Brasil.
Embora existam muitas críticas possíveis sobre o ex-presidente, ele deixou bons exemplos marcantes. Desta vez não foi diferente e em um momento pessoal difícil de enfrentar. Num país ainda em formação, é uma grande contribuição.

Coluna: Vítimas da incompetência

Parece exagero, mas o futebol profissional caminha, a passos bem largos, para incluir crianças entre os alvos dos grandes clubes. O que era um fenômeno que se abatia sobre clubes argentinos em ações desfechadas por Real Madri e Barcelona. Acontece que essa febre consumista finalmente chegou ao Pará. Douglas, de 13 anos, que jogava futsal no Remo, foi cooptado por olheiros do Santos e levado para as divisões de base do clube. Com a anuência dos pais, já está integrado ao pequeno exército de candidatos a craques do Peixe, na Vila Belmiro.
Como de praxe no futebol regional, o Remo não ganha nada na operação e dificilmente terá direito a qualquer valor em caso de transferência do garoto para o futebol internacional. Isso, obviamente, levando em conta que as expectativas de sucesso se confirmem.
A operação não chega a ser inédita. Paulo Henrique Ganso, catapultado dos juniores do Paissandu – depois de revelado na Tuna – para o Santos, também despertou a atenção de olheiros santistas. Tiago Alves, oriundo do Remo, seguiu mais ou menos o mesmo padrão de assédio.
Chama atenção nos três casos a lentidão dos técnicos locais em notar o que os profissionais de fora perceberam com incrível clareza. Não há desculpa cabível para tantos cochilos. Quando um garoto tem habilidades especiais deve ser observado com mais atenção, merecendo cuidados maiores na preparação.
Estranhamente, tanto no Remo como no Paissandu, nenhum dos que lidaram com Ganso, Tiago e Douglas conseguiram detectar, com a devida antecedência, as jóias que tinham em mãos. Por isso, antes de avaliar como invasiva a ação do Santos, entendo que os clubes devem repensar a maneira como estão cuidando de suas crias.
A partir desses exemplos, fica evidente que os departamentos de futebol amador não cumprem sua finalidade de selecionar os melhores. O mais grave é que os erros de avaliação causam sérios danos aos clubes. Com todas as carências conhecidas, esforçam-se para descobrir e formar jogadores, mas não conseguem lucrar com os melhores, dados de mão-beijada a agremiações mais endinheiradas.
Depois da porta arrombada, não adianta lamentar as perdas, culpando aliciadores ou espertos em geral. Mais honesto seria admitir a própria incompetência.       
 
 
Último boletim do site Chance de Gol exclui sumariamente o Paissandu dos times cotados para o acesso à Série B. No grupo E da Série C, o CRB aparece com 94,0 % de possibilidades. O América (RN) tem 71,3 % e até o Luverdense, recém-chegado à disputa, ostenta 18,8%. Vale lembrar que, há um mês, quando o Rio Branco ainda estava vivo na disputa, o Paissandu ostentava 92% de chances.
O consolo é que o Chance de Gol já deu chutes monumentais, que depois viraram micos históricos. É o caso da previsão de queda do Fluminense em 2009, que o site sustentou até as rodadas finais. O Tricolor acabou escapando, contrariando a lógica cartesiana dos números. Que a mesma escrita seja quebrada neste ano por Andrade e seus comandados. 
 
 
Mesmo fora do rico futebol europeu, Neymar venceu a barreira geográfica e se inseriu entre os candidatos ao prêmio máximo da Fifa. Dificilmente a honraria deixará de cair nas mãos do argentino Messi, por razões óbvias, mas o moleque abusado está chegando para brigar (de verdade) pela premiação de 2012. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 2)