STJD vai julgar CRB por suposta armação

O Pleno do STJD julga nesta quinta-feira, às 13h30, o recurso do Campinense contra o Fortaleza a respeito do jogo entre o tricolor cearense e o CRB pela Série C. O Campinense acusa o Fortaleza de haver se beneficiado de um arranjo com o clube alagoano para conseguir marcar os gols que garantiram sua classificação. O caso já foi julgado em primeira instância pela Segunda Comissão do STJD, que decidiu punir o jogador Carlinhos Bala e multar o Fortaleza, sem alterar o resultado da partida. Agora, junta-se o julgamento dos recursos dessa decisão ao pedido de impugnação da partida feito pelo Campinense para apreciação do Pleno.

No primeiro julgamento, o CRB não foi tipificado como réu. Somente o lateral-direito Maizena foi acusado. Ele teria orientado o volante Roberto Lopes, que estava como goleiro, a deixar o Fortaleza fazer gols. Desta vez, porém, o CRB vai a julgamento também, sob acusação de combinar o resultado com os cearenses. As provas causaram a punição à Carlinhos Bala em primeira instância. Imagens do jogo mostram a pressão dos jogadores do Fortaleza em cima de Aloísio Chulapa, atacante do CRB.

O resultado julgamento interessa diretamente a Paissandu, América-RN e Luverdense, que torcem por uma punição ao CRB para se beneficiarem na tabela de classificação do grupo E, que tem a equipe alagoana como líder isolada.

Tribuna do torcedor

De Paulo Pardauil (paulo.pardauil@caixa.gov.br)

Ouvi ontem no Diário on Line uma declaração do Presidente do Paysandu sobre o desligamento de Sandro. É triste ver um ídolo como ele saindo pela porta dos fundos do Paysandu. Sandro esteve com o time nos melhores momentos e foi o autor do passe para Iarley marcar contra o Boca em La Bonbonera e nos dar a maior vitória de nossa história. Confesso que não tenho opinião formada sobre o assunto. Em parte concordo com Sandro ao deixar o Paysandu em razão dos salários atrasados, pois não admito um pai de família trabalhar sem receber a sua remuneração. Mas acredito que há sempre uma forma de encontrar um acordo ainda mais no caso dele que deve ao Paysandu e à sua torcida tudo o que obteve no futebol e sempre foi importante no elenco assim como Fávaro. Pelos rumores que se ouve, os dois foram os líderes do movimento que derrubou Édson Gaúcho e colocou o time na situação de incerteza atual. A lei do silêncio é ridícula e um desrespeito ao torcedor e à imprensa que divulga o time nos bons e maus momentos. Uma pena que Sandro tenha ido embora, mas acredito que a grande responsável pela instabilidade no elenco é a má administração por parte da diretoria. Se o acesso escapar, a diretoria terá sua incompetência mais uma vez certificada. 

Opinião: O câncer de Lula me envergonhou

Por Gilberto Dimenstein

Senti um misto de vergonha e enjoo ao receber centenas de comentários de leitores para a minha coluna sobre o câncer de Lula. Fossem apenas algumas dezenas, não me daria o trabalho de comentar. O fato é que foi uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano. Pode sinalizar algo mais profundo.

Centenas de e-mails pediam que Lula não se tratasse num hospital de elite, mas no SUS para supostamente mostrar solidariedade com os mais pobres. É de uma tolice sem tamanho. O que provoca tanto ódio de uma minoria?

Lula teve muitos problemas – e merece ser criticado por muitas coisas, a começar por uma conivência com a corrupção. Mas não foi um ditador, manteve as regras democráticas e a economia crescendo, investiu como nunca no social. No caso de seu câncer, tratou a doença com extrema transparência e altivez. É um caso, portanto, em que todos deveriam se sentir incomodados com a tragédia alheia.

Minha suspeita é que a interatividade democrática da internet é, de um lado, um avanço do jornalismo, e, de outro, uma porta direta para o esgoto do ressentimento e da ignorância. Isso significa que um dos nossos papéis como jornalistas é educar os e-leitores a se comportar com um mínimo de decência.

Faço minhas as palavras de Dimenstein. A demência e a covardia de alguns ataques verbais, dirigidos a Lula via internet, traduzem o ressentimento de parcela das elites brasileiras em relação ao presidente. Prova incontestável de que ele estava certo em priorizar os pobres e o combate à miséria em seu governo.  

Coluna: Apogeu e desencanto

Sandro tem uma belíssima ligação com o Paissandu. Não há como apagar isso. Campeão várias vezes, ergueu inúmeras taças, disputou a Libertadores e fincou seu nome definitivamente na galeria dos maiores capitães do clube. Acima de tudo, mostrou fibra incomum e deu o sangue pela camisa alviceleste.
Mas, como em quase toda história de amor, há o apogeu e o desencanto. O segredo está em atenuar as amarguras inevitáveis que toda separação traz. Infelizmente, tanto Sandro como a diretoria do Paissandu não souberam evitar esse lado desagradável do relacionamento.
Pelo contrário: ambos estouraram os limites do afeto e o resultado final aponta para a malquerença sem volta. O anúncio do desligamento do jogador, ontem, representa um reflexo da desagregação interna que dominou o clube nesta Série C e é conseqüência ainda de desacertos que datam de 2010.
Entendo até que o veterano capitão é o menos culpado nessa pinimba. Sempre que o Paissandu precisou de sua liderança em campo, Sandro foi incansável, jamais se omitiu das batalhas. Deve-se a isso o carinho que o torcedor ainda devota a ele. Pelos descaminhos próprios das gestões desastradas, acabou estigmatizado pela trágica eliminação para o Salgueiro, no ano passado.
Para desafogo conveniente da cartolagem, foi eleito bode expiatório para justificar o fracasso. Pagou o pato e acabou jogado às feras e, talvez pelo temperamento introvertido, preferiu silenciar. Um erro estratégico grave, que pesou no julgamento que a torcida fez sobre seu comportamento naquela situação decisiva.
Até para se contrapor às acusações feitas pelo presidente do clube, Sandro deveria ter se posicionado, dito as suas verdades e se explicado com o torcedor. Errou ao aceitar implicitamente a fama de mercenário. Custou a revelar os atrasos salariais e agiu mal a protestar com um motim.
Um ídolo tem responsabilidades que nenhum outro atleta tem. Justamente pela forte identificação com a torcida, tinha o dever de se manifestar de maneira mais transparente. Quando finalmente decidiu se defender, de forma ainda tímida, já era muito tarde e o estrago, irremediável. Voltou a ser vinculado às mazelas atuais e novamente apontado como desagregador e pivô de discórdia.   
Sandro merecia uma despedida diferente, à altura de sua gloriosa carreira como defensor do Paissandu. Tinha direito a um tratamento mais digno pelo que fez ao longo das duas passagens pela Curuzu. Infelizmente, deu o tremendo azar de conviver nesta segunda vez com dirigentes que não estão à altura do desafio de administrar um clube tão grande e complexo.
Na hora do adeus, não cabe ficar repetindo críticas, mas apenas lamentar que saia de cena como se fosse um jogador qualquer. E é terrível que a caminhada de mais um ídolo do nosso futebol termine assim, em silêncio como um filme mudo.
 
 
Andrade parece ter definido a escalação para a batalha de Lucas do Rio Verde. Menos pela vitória (2 a 0) sobre o time amador de São Miguel do Guamá do que pelo teste, o jogo-treino de ontem serviu para dar forma ao novo Paissandu. Héliton e Rafael são os atacantes, não há dúvida, mas não creio que a dupla Andrei-Luciano Henrique seja a solução ideal para a criação de jogadas.
 
 
Em boa hora, a diretoria do Remo descartou o atacante Marciano, que pediu salários de R$ 15 mil. Acertará em cheio também se esquecer essa história com Serginho e Danilo Mendes, jogadores que já passaram pelo clube sem maior brilho. No grupo de garotos que Sinomar vem utilizando existem peças tecnicamente superiores aos dois.
Quanto a Joãozinho, Marçal e Adenísio, podem ser úteis ao time, desde que disputando posição com os que já se encontram no Baenão.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 01)