Cuiabá derruba o Galo em Tucuruí

O Independente Tucuruí lutou muito, mas fracassou na tentativa de derrotar o Cuiabá em casa por três gols de diferença. Ao vencer por 4 a 2, o time de Mato Grosso garantiu o acesso à Série C 2012. O Galo Elétrico foi ao ataque e permitiu espaço para o contragolpe dos visitantes, que abriram o placar no final do primeiro tempo, através de Fernando. Logo aos 3 minutos do segundo tempo, cobrando falta, Daniel Barros empatou para o Independente, reabrindo as esperanças da torcida que lotava o Navegantão. O problema é que o Cuiabá voltou a marcar aos 16, também em cobrança de falta. Marcelo Ramos foi o autor do gol. Dez minutos depois, veio o gol de Renan, acabando com as esperanças do Galo Elétrico. Wegno, cobrando pênalti, descontou aos 40 minutos. William, aos 48, fechou o placar em 4 a 2.

Mesmo com a vaga assegurada na Copa do Brasil, o Galo Elétrico de Tucuruí só disputará o Campeonato Brasileiro da Série D se vencer novamente o Parazão, ou se terminar a competição atrás apenas de Paisandu e Águia, que já têm vagas garantidas nas competições nacionais.

CRB derrota o Paissandu no Mangueirão

Com um gol de Aloísio Chulapa a 1 minuto do segundo tempo, o CRB derrotou o Paissandu na tarde deste domingo, no estádio Mangueirão, pelo Brasileiro da Série C. Com o resultado, o time alagoano isolou-se na liderança desta fase, com sete pontos. O Paissandu voltou a jogar mal, como havia ocorrido em Maceió, distribuindo-se mal em campo e errando muito na ligação entre meio-campo e ataque. Dos meias, Juliano era o mais efetivo, buscando disparar chutes de fora da área e adiantando-se para trocar passes com Josiel e Rafael Oliveira. As poucas oportunidades criadas pelos bicolores contrastou com boas tramas por parte do CRB, que só não abriu o placar graças a intervenções arrojadas do goleiro Alexandre Fávaro.

Para o segundo tempo, o técnico Edson Gaúcho substituiu Josiel e Juliano por Tiago Potiguar e Héliton. Do lado alagoano, Paulo Comelli manteve a mesma formação. Para desalento da torcida alviceleste, uma manobra rápida do ataque do CRB resultou em falta de Leandro Camilo sobre Aloísio Chulapa na intermediária. Everton Goiano jogou a bola na área e Aloísio se antecipou aos zagueiros para desviar de Fávaro. Três minutos depois, Rafael Oliveira desviou para as redes um cruzamento rasteiro de Potiguar, mas a arbitragem assinalou impedimento. O Paissandu avançou seus meias e passou a atacar com até cinco jogadores, buscando vencer a forte barreira defensiva do CRB. Robinho, Potiguar, Héliton, Daniel e Rafael se revezavam nas investidas sobre a zaga, que se defendia bem. Aos 39 minutos, Márcio Santos desviou de cabeça um cruzamento de Sidny, mas a bola tocou caprichosamente na trave. Os alagoanos se limitavam a defender para garantir o resultado e o Paissandu não conseguiu transformar o domínio territorial em gol. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Coluna: Sob a marca da ilegalidade

Velho desportista paraense, colaborador da coluna, envia mensagem recordando os bons tempos de Oscar Castro e coronel Bahia, quando presidentes de federações ainda tinham independência e, acima tudo, coragem para questionar decisões da CBF. Naqueles tempos, por coincidência, nossos clubes recebiam pelo menos de tratamento mais respeitoso por parte da entidade.
Nos últimos anos, já sob o reinado de Ricardo Teixeira, o futebol do Pará entrou em parafuso, os clubes vivem endividados e os times não conseguem mais se estabilizar em competições nacionais, nem aquelas mais molambentas.
O Paissandu, que, num descuido dos poderosos, ousou conquistar a Copa dos Campeões, chegando à Taça Libertadores e participando por cinco anos da Série A, acabou penalizado em diversas oportunidades por arbitragens capciosas e decisões esdrúxulas dos tribunais especializados. O Remo pena até hoje por seus muitos erros e boa dose de má vontade da confederação.
Desta vez, mesmo de maneira indireta, o Paissandu volta a ser lesado pelo STJD. Com a confirmação da punição ao Rio Branco, o representante paraense vê esfumaçar boa parte de sua bela campanha na segunda fase da Série C. E não está sozinho no muro das lamentações. Ao lado de CRB e América (RN), o Paissandu é obrigado a aceitar o retorno do Luverdense à competição quando metade desta etapa já havia sido cumprida.
Além dos óbvios prejuízos financeiros – já que a CBF não custeia as despesas das Séries B, C e D –, a reviravolta na disputa agride frontalmente o princípio constitucional da igualdade. Segundo juristas e advogados gabaritados, os clubes têm o direito de espernear e buscar seus direitos. Obviamente, pelas razões mais do que óbvias, ninguém terá peito de protestar oficialmente.
A questão é simples: ao ser readmitido no campeonato, para disputar 18 pontos, o Luverdense deixa em flagrante desvantagem os outros participantes, que já têm vários pontos perdidos nas rodadas já disputadas. É justamente essa desigualdade que afronta a lei e que deveria ter sido levada em consideração pelo STJD ao julgar o caso. A mencionada ilegalidade vem se juntar aos abusos cometidos contra o Estatuto do Torcedor, virtualmente pisoteado pelas recentes decisões do STJD e deliberações da CBF.
Mas, como vivemos no país que trata a lei como potoca, será apenas mais um esbulho a ser assimilado pela arraia miúda do futebol. Até quando?
 
 
Sobre o jogo deste domingo, resta ao Paissandu provar em campo sua qualificação para merecer o acesso à Série B. Pouco importa se ainda precisará acumular mais sete pontos para realizar esse sonho. Para isso, porém, terá que retomar o padrão estabelecido nos dois primeiros jogos desta etapa, quando derrotou América e Rio Branco.
Naquelas jornadas, o time mostrou velocidade, iniciativa ofensiva e aproximação entre os setores. E, acima de tudo, foi eficiente no passe, retendo a bola e não permitindo que seus adversários ditassem o ritmo. O quadrado de meio-campo foi fundamental para essas performances.
Contra o CRB, porém, veio o descompasso. Daniel, Rodrigo Pontes, Juliano e Luciano Henrique não conseguiram avançar a marcação e foram dominados pela boa movimentação dos alagoanos. Deve-se levar em conta que, jogando no estádio Rei Pelé, o CRB não abandonou as cautelas, usando somente dois atacantes. No Mangueirão, é improvável que seja ousado. Caberá ao Paissandu, portanto, tomar as iniciativas e tomar providências para que o contra-ataque alagoano não funcione. 

 
 
Soa exagerada a onda de críticas a Neymar pelo destempero em algumas ocasiões. Na última quinta-feira, contra o Atlético-MG, xingou o árbitro permissivo e foi expulso de campo. Havia sido marcado implacavelmente, quase sempre com rispidez pelos atleticanos. Agüentou o quanto pode, mas acabou explodindo. Imediatamente, soaram as trombetas da reprovação.
Críticos rabugentos condenam o pavio curto, como se fosse fácil resistir a tanto sarrafo e se um jovem boleiro tivesse o estofo necessário para seguir apanhando e cedendo a outra face, conforme o preceito bíblico. Mais injusto ainda porque Neymar é o jogador brasileiro que mais jogou na temporada (57 partidas), dividindo-se entre o Santos e a Seleção. Paciência com o moleque. 
 
 
Leandro Camilo, do Paissandu, é o convidado do Bola na Torre (RBATV), às 21h45. Comando de Guilherme Guerreiro.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 16)