Galo perde e terá que reagir em casa

Com gols de Renan e Moreno no segundo tempo, o Cuiabá bateu o Independente Tucuruí na tarde deste domingo e deu um importante passo para conseguir o acesso à Série C. O campeão paraense fez um bom primeiro tempo, criando várias situações de perigo para o gol de Gatti. Na etapa final, prevaleceu a agressividade do Cuiabá, que abriu o placar logo aos 5 minutos, em grande jogada de toda a sua linha ofensiva, culminando com o chute cruzado de Renan. O Independente, recuado, pouco ameaçava, mas se defendia bem, com boa atuação do goleiro Rodolfo. Somente aos 36 minutos, o ataque tucuruiense voltou a funcionar. Leandro Guerreiro, que havia acabado de entrar, entrou livre na área, mas chutou por cima. No finalzinho, veio o segundo gol, em cruzamento para a área que Moreno concluiu para as redes.

Cuiabá 2 x 0 Independente

Local – Estádio Presidente Dutra,em Cuiabá (MT).
Árbitro – Felipe Duarte Varejão (ES); assistentes – Assistentes: Marrubson Melo Freitas (DF) e Fabiano da Silva Ramires (ES).
Gols – Renan, aos 5’/2°T e Moreno, aos 40’/2°T.

Cuiabá – Gatti; Marquinhos, Marcelo Ramos, Reinaldo e Natanael; Cesar Romero, Gean, Bojé e Fernando (Moreno); Willian Kozlowiski (Tozini) e Edu Amparo (Renan). Técnico – Ary Marques.

Independente – Rodolfo; Lima, Marraquete e Adson; Luciano, Daniel, Adenizio, Marçal (Silva) e Vaninho (Thiago Floriano); Wegno e Joãozinho (Leandro Guerreiro). Técnico – Charles Guerreiro.

Televisão americana sente saudades dos anos 60

Por Ana Maria Bahiana

Nove anos atrás, quando Matthew Weiner, então integrante da equipe de roteiristas de Família Soprano, começou a procurar um canal para seu projeto do coração, uma série sobre as vidas e as famílias de um grupo de publicitários na Nova York dos anos 1960, quase ninguém se interessou. As razões iam desde “os personagens são muito remotos” a “ninguém vai querer ver uma história que se passa nos anos 1960”. Assim caminha a humanidade: como o executivo da Decca que disse aos Beatles que conjuntos de guitarra não fariam sucesso, ou o da Universal que comunicou a George Lucas que o gênero “ficção científica” estava morto, todas as cabeças coroadas da TV estão, neste momento, mordendo publicamente suas línguas.

Quatro temporadas e muitos Emmys depois, Mad Men é uma das séries mais importantes e premiadas dos EUA. Mesmo que os números de Mad Men sejam discretos – 2. 92 milhões de espectadores na temporada de 2010- eles cresceram espetacularmente de temporada para temporada. E, mais que isso, os temas e estilo da série se integraram completamente à cultura pop – se alguém, falando de uma pessoa, diz “ah, ele é um Don Draper”, todo mundo sabe exatamente do que se trata.

Não é por acaso, portanto, que esta nova temporada de TV venha não com uma mas duas séries tão diretamente inspiradas por Mad Men que chega até a pegar mal: The Playboy Club (Imagine/20th Century Fox, canal NBC) e PanAm (Sony Pictures Television, canal ABC). Ambas se passam na primeira metade dos anos 1960, ambas são focadas em ambientes em que mulheres tinham como mandato serem belas, disponíveis e submissas e ambas tiram o máximo possível de partido do clima da época_ moda, música, referências culturais, de cigarros onipresentes à familia Kennedy.

As semelhanças param aqui. Em primeiro lugar, porque Playboy Club e PanAm são séries de TV aberta e não de um canal pago. Para um canal como a AMC, fazem sentido o ritmo pensativo e o aprofundamento dos personagens que são a marca de Mad Men. Em canais abertos como a ABC e a NBC, o ritmo tem necessariamente que ser mais veloz, coisas tem que acontecer, a mera existencia e conflitos dos personagens não são o bastante. E, é claro, aquele interlúdio entre Betty e a lavadora, ao som de “Água de Beber”, é impossível.

E depois porque as duas séries são criaturas muito diferentes entre si, embora nascidas do mesmo desejo de ser uma espécie de “Mad Men para as massas”. Produzida com as bençãos de Hugh Hefner (em troca do uso do nome e da logomarca) The Playboy Club é a mais fraquinha. Porque foi devidamente sancionada, ela é asséptica _ nada acontece no clube além de animados giros pela pista de dança, e a Mansão Playboy parece mais um pensionato para moças extremamente bonitas. Como exploração de personagens não é seu forte, a série já começa com um crime e um advogado – Eddie Cibrian, tentando com grande esforço encarnar Don Draper em Chicago. E em pouco tempo estamos com uma espécie de CSI-Chicago-nos anos 60, interrompido de tempos em tempos por moças vestidas de coelhinhas.

PanAm é produto de mais classe. Com Christina Ricci encabeçando o elenco e uma cuidadosa atenção aos detalhes da direção de arte, a série consegue de cara achar um foco e um clima precisos: o romance e o fascínio da viagem, numa época em que voar era algo glamouroso, elegante e sexy. Suspensos em verdadeiros navios com asas – o primeiro episódio gira em torno do  vôo inaugural do luxuoso Clipper 707 da PanAm, de Nova York a Londres – pilotos eram os galantes cavaleiros e comissárias, as gueixas da era moderna. Ao dar a Ricci uma personagem que, quando se livra das cintas, luvas e chapeuzinho de seu uniforme de aeromoça, é uma beatnick do Village, flertando com o socialismo, a série abre uma possibilidade interessante de aterrar a fantasia do vôo com a realidade de uma década turbulenta. Ainda é cedo para saber se as promessas de PanAm serão cumpridas – a série estreou neste domingo nos EUA. Mas, mesmo com as restrições de um produto feito para o consumo maciço de um canal aberto, PanAm parece destinada a um belo vôo.

Coluna: Um exemplo que vem de Minas

O esporte das multidões pode se beneficiar bastante de uma decisão da Justiça mineira, que decretou no último dia 29 de setembro a prisão de cinco dos 12 membros da torcida organizada Galoucura acusados de espancar até a morte um torcedor do Cruzeiro em novembro de 2010. Todos já estão recolhidos a um presídio da região metropolitana de Belo Horizonte. As providências foram motivadas por denúncia do Ministério Público mineiro.
Em impiedoso massacre, o bando trucidou o cruzeirense Otávio Fernandes na entrada de uma casa noturna. Câmeras de segurança de um shopping center vizinho registraram a brutal agressão. Fernandes apanhou até morrer. Seu corpo ficou estirado no asfalto enquanto os assassinos fugiam.  
Diante do cerco montado pela Justiça e suspeito de ter incentivado a sessão de espancamento, o líder da gangue defende-se alegando que nem passou perto do local do crime. Ao mesmo tempo, tratou de acusar supostos inimigos da Galoucura pelas acusações de envolvimento no assassinato.
Outros quatro agressores devem se apresentar nos próximos dias. Denunciados pelo Ministério Público, todos responderão por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha.
A semelhança com as escaramuças nos estádios paraenses restringe-se ao ato de primitiva violência. Não há histórico de punição ou, pelo menos, indiciamento dos turbulentos que assustam, assaltam e espancam torcedores adversários em Belém. Os casos se acumulam desde a década de 90, quando se tornou mais tensa a convivência entre as tais facções organizadas de Remo e Paissandu.
O episódio mais recente foi o do enfrentamento entre torcedores antes e durante o jogo Paissandu x América (RN), na Curuzu. Dezenas de baderneiros transformaram as ruas em torno do estádio em zona de guerra, torcedores comuns foram atingidos por paus e pedras e a polícia teve que fazer disparos para conter a fúria dos delinquentes.
Até hoje, não há notícia de qualquer providência prática, como inquérito policial ou indiciamento dos envolvidos. O Ministério Público sequer se pronunciou. Talvez todos estejam esperando que alguém morra, como em BH, para começarem a agir.  
 
 
Fico imaginando se um extraterrestre desavisado descesse à Terra para ver futebol e tivesse logo o azar de acompanhar o amistoso Costa Rica x Brasil, realizado na noite de sexta-feira. Certamente, o visitante jamais entenderia o motivo de tanta adoração dos terráqueos pelo esporte. As duas seleções rivalizaram em passes errados, finalizações tortas e ausência de criatividade.
O primeiro tempo foi um primor de mediocridade, por parte dos costarriquenhos, e de indisfarçável preguiça dos brasileiros. Num daqueles lampejos que só os craques têm, Neymar fez o gol e salvou a partida da nulidade total. Apesar disso, ainda acho que o ET ficaria desapontado.    
 
 
Um sinal a mais de alerta para o Remo na luta para voltar à Série D. A competição do próximo ano será antecipada, sendo disputada de 27 de maio a 30 de setembro, apenas duas semanas após o Campeonato Paraense. Significa que o clube precisará montar um time forte o suficiente para ser finalista do certame estadual e em condições de fazer boa figura no torneio nacional. Não haverá tempo para o habitual desmanche de fim de Parazão e importação maciça de “reforços”.
Desta vez, a mudança de calendário conspira em favor de um planejamento para toda a temporada. Por tabela, cresce a importância das escolhas de Sinomar Naves nos amistosos de preparação. O que inclui o amistoso contra a Tuna, estranhamente suspenso por falta de policiamento na última sexta-feira e remarcado para o dia 14.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 9)