CRB faz 3 a 0 e encosta no Paissandu

Com gols de Rodrigão (no primeiro tempo), Aloísio Chulapa e Everton Maradona no segundo, o CRB derrotou o Paissandu por 3 a 0 na tarde/noite deste sábado e assumiu a vice-liderança da chave E da Série C com cinco pontos. O Paissandu teve domínio parcial das ações na primeira etapa, mas falhou muito nas finalizações. Robinho e Josiel desperdiçaram boas chances, apesar da pouca criatividade de Juliano e Luciano Henrique no setor de armação. Em cobrança de falta, o CRB abriu o placar com o zagueiro Rodrigão aproveitando cochilo de Leandro Camilo para desviar de cabeça para as redes de Fávaro.

No intervalo, Edson Gaúcho trocou Rodrigo Pontes por Tiago Potiguar, tornando o Paissandu ainda mais ofensivo. Em busca do gol de empate, o time passou a jogar no campo de defesa do CRB levando muito perigo em jogadas de Potiguar e Robinho. O time alagoano se fechava atrás, deixando apenas Everton e Aloísio Chulapa adiantados. Héliton entrou no lugar de Fábio e Zé Augusto substituiu Josiel. O Papão foi todo ao ataque, mas um novo vacilo da zaga permitiu a Chulapa avançar sozinho com a bola desde a intermediária para tocar na saída de Fávaro e marcar o segundo gol.

O Paissandu se desesperou ainda mais, Daniel ficou sobrecarregado na cobertura à zaga e o CRB passou a explorar ainda mais os contragolpes com a entrada do ex-remista Jailton Paraíba. Foi numa jogada de habilidade de Paraíba na área alviceleste, driblando dois zagueiros, que nasceu o terceiro gol em finalização de Everton Maradona. O CRB passou a tocar a bola, deixando o tempo passar e ainda perdeu uma grande oportunidade de ampliar o placar. O Paissandu já estava entregue à própria sorte e não levou mais perigo ao gol do goleiro Cristiano.

Na outra partida do grupo, o América (RN) meteu 3 a 0 no Rio Branco e posicionou-se em terceiro lugar na classificação, agora com quatro pontos. Na próxima rodada, domingo (16), o Paissandu recebe o CRB no Mangueirão e o Rio Branco pega o América na Arena da Floresta. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Série C: CRB x Paissandu

Local/horário: Estádio Rei Pelé, Maceió-AL; às 17h.

Árbitro: Heber Roberto Lopes-PR (Fifa); auxiliares: Jossemmar Diniz Coutinho-PE e Clóvis Amaral da Silva-PE.

CRB – Cristiano; Diogo, Filipe, Rodrigão e Paulo Rodrigues; Roberto Lopes, Thiaguinho, Geovani e Ewerton Maradona; André Luís e Cadu. Técnico: Paulo Comelli.

Paissandu – Alexandre Fávaro; Sidny, Márcio Santos, Leandro Camilo e Fábio Gaúcho; Rodrigo Pontes, Daniel, Juliano e Luciano Henrique; Robinho e Josiel. Técnico:Edson Gaúcho.

TV Cultura transmite o jogo.

(Foto do aquecimento do Papão no Rei Pelé é de Junior Furtado)

Tudo em nome do acesso à Série B

Dirigentes e conselheiros do Paissandu reunidos em frente ao hotel Pajuçara, em Maceió, antes de a delegação se dirigir ao estádio Rei Pelé para o jogo da tarde deste sábado contra o CRB. No registro feito pelo fisiologista Junior Furtado, aparecem o presidente Luiz Omar, o diretor Antonio Claudio Louro e o conselheiro Alaci Nahum (à direita), um velho crítico da atual diretoria. União em torno do projeto de acesso à Série B.

Dos arquivos do tempo

A chuvinha começa a cair lá fora, quebrando a estiagem dos últimos dias e meio que banhando a Cidade das Mangueiras para a grande festa da domingueira. Aliás, domingo sempre foi dia de festa lá na minha casa em Baião. Era dia de missa ao alvorecer, com direito a roupa engomada, sapatos lustrosos, pomada Glostora e loção de alfazema. Desde sempre relaciono missa com aromas da minha infância. Animal amestrado pela selva urbana, cuido de conservar esses preciosos arquivos do tempo, pois a memória fraqueja e pode de repente deletar passagens importantes. Essas reflexões têm a ver com algumas ideias que andam martelando minha cabeça nos últimos dias.

Sim, eu sei, um sinal denunciador de que estamos envelhecendo é o apego ao passado, às comparações (nem sempre justas) com os gostos e preferências de épocas distintas. Não consigo, por exemplo, ver semelhança entre o futebol dos anos 60 e 70 com o que se pratica hoje no Brasil – e no Pará. Parece até um outro esporte, tão desfigurado ficou. O mesmo se aplica à música. Vi noite dessas (em DVD) o documentário sobre o festival da Record, em 1967. Quantas descobertas e inovações lançadas ao mundo. Gil, Chico, Caetano, Mutantes, Edu. Hoje, sem festivais e sem rumos, a música perdeu força. Não é mais a força impulsionadora de outros tempos. Prevalecem as nulidades e os embustes. Pior: floresce uma surda e caolha rejeição aos compositores sessentistas. Nas redes sociais, os medíocres babam ao malhar os velhos craques, glorificando tudo que parece remotamente novo.

O rock dos 80, coitado, não produziu seguidores decentes. A fonte secou. Como se uma geração inteira tivesse consumido toda a criatividade destinada ao gênero no Brasil. Aliás, o rock não travou apenas nos trópicos. Mesmo nas pátrias de origem, o gênero patina. E que não se culpe a revolução digital (Jobs? Gates?) pelo estágio atual de desalento. As gravadoras morreram e o formato de músicas reunidas em álbuns segue a mesma trilha, mas a crise é bem mais embaixo. Trata-se de uma guerra de foice entre bom e mau gosto, criatividade e marketing ordinário. Bandas míticas como Deep Purple (foto) submetem-se ao circuito raso dos shows nostálgicos, como aqueles que emulavam o Velho Oeste com pistoleiros aposentados. Duro ver o lendário Purple de tantas batalhas capitular ao palco poeirento e forrozeiro do Cidade Folia. O que seria uma celebração é apenas prenúncio do fim.  

De volta ao futebol, parece mesmo que nada do que foi será do jeito que já foi um dia, para repetir o mantra criado por Nelson Motta e Lulu Santos. Posso estar viajando neste mergulho saudosista, mas é fato que vivemos grandes alegrias até o começo da década passada, quando o Pará se enxeriu até na Taça Libertadores. Foi o canto de cisne. Desde então, os times desceram ladeira abaixo. Estropiados, uns sucumbem, enquanto outros tentam renascer. Às duras penas, o Paissandu ensaia um revival dos bons tempos, depois de cinco anos purgando os pecados na Terceirona. Que seja o recomeço.  

(Mas, por favor, que ninguém leve tão a sério esses resmungos em voz alta de um quase dinossauro olhando a paisagem na janela).

Correndo pra não chegar

O jovem Vettel prepara-se para levantar a taça neste domingo, em Suzuka, enquanto os brasileiros fazem planos mirabolantes. Massa sonha em conseguir um lugar no pódio, depois de longo jejum e inúmeras quebras. Bruno Senna, o sobrinho de campeão, vibra com um oitavo lugar no grid de largada. Barrichello… bem, este está em êxtase por ter conseguido se classificar para a corrida na bacia das almas. O automobilismo brasileiro, oito vezes campeão do mundo, está reduzido a três catadores de migalhas.

Ricardo Gomes fala sobre AVC e projeta volta

Recuperando-se de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), o técnico Ricardo Gomes pela primeira vez revelou quando pretende voltar ao trabalhos à beira dos gramados em entrevista ao jornal carioca “Extra” publicada na esdição deste sábado. O comandante do Vasco colocou fevereiro como data para seu retorno e ainda se auto acusou de negligente ao dizer que foi “burro” por ignorar um problema que seu pai já havia tido. “Estou me recuperando muito bem. O negócio foi muito, muito grave mesmo… Meu pai teve a mesma coisa, com 43 anos. Foi má fabricação [risos]. Ele teve um [AVC], se recuperou, mas morreu vítima de outro AVC, aos 66 anos. Hoje, teria 86. Mas fui negligente. Tudo isso aconteceu porque fui burro. Tenho que ter mais cuidado. Eu não tomava remédio de pressão. E isso é tão simples… Agora estou tomando”, disse o treinador, garantindo que passou a ser mais cuidadoso. Além de projetar fevereiro de 2012 como o mês de seu retorno, o teinador cruzmaltino, campeão da Copa do Brasil este ano, também falou de seu estado atual. Ele ainda não mexe pernas e braços normalmente e está cerca de 10 quilos mais magro desde o susto que quase custou sua vida, durante o clássico entre Vasco e Flamengo disputado no dia 28 de agosto e válido pelo Campeonato Brasileiro.
“É claro que vou voltar. Os médicos dizem que posso trabalhar normalmente. Mas ainda não estou andando como antes. Consigo mexer o braço e a perna, porém, ainda falta um pouco de sensibilidade. Esse é o problema. Mas sinto algum progresso a cada dia que passa. É preciso ter um pouco de calma. Penso em voltar em fevereiro. Eu e os médicos estamos tentando fazer o melhor possível”, afirmou.

Coluna: Fim do complexo de vira-lata?

O Paissandu, por força de sua excepcional campanha na segunda fase da Série C, entra em campo contra o CRB sem maiores preocupações e com a certeza de que continuará líder seja qual for o resultado. Apesar dessa tranqüilidade toda, vencer é a meta. Afinal, com 9 pontos, seria possível até assegurar logo o acesso à Série B. Basta, para que isso se viabilize, que um triunfo no estádio Rei Pelé seja acompanhado de um empate entre América (RN) x Rio Branco, que complementam a rodada do grupo E.
Edson Gaúcho, que prefere ser chamado de treinador, mantém a estratégia ofensiva que foi bem sucedida no confronto contra o Rio Branco. Apesar do desfalque de Rafael Oliveira, principal goleador da equipe, o time foi montado para agredir o CRB desde os primeiros minutos.
Rodrigo Pontes, Daniel, Juliano e Luciano Henrique formam o meio-de-campo, podendo contar também o reforço eventual de Robinho, que entra como segundo atacante. O desenho indica que o Paissandu tentará dominar o setor de meia-cancha para, aos poucos, tomar conta da partida. Mais ou menos como ocorreu na Arena da Floresta.
É importante destacar a capacidade criativa dos armadores e a rotatividade na marcação, que envolve hoje até os atacantes. O triunfo sobre o Rio Branco foi construído no combate aos pontos fortes do adversário. Pelo ritmo do pagode, a mesma postura será adotada em Maceió.   
O CRB, sob a direção do ex-remista Paulo Comelli, tem poucas credenciais a destacar. Na verdade, seu jogador mais conhecido é Aloísio Chulapa, que não deslanchou na competição. Tem, ainda, o goleiro Cristiano, goleiro que aprontou poucas e boas por aqui quando defendia o Remo. O episódio de suposta marmelada contra o Fortaleza causou mudança no comando técnico e parece ter tirado o foco da equipe na Série C.
Caso se confirme a ousadia como conceito, pode-se considerar como página virada a conhecida timidez que o Paissandu exibia como visitante até recentemente. Entrava tão mofino que tornava quase impossível a tarefa de superar os donos da casa, mesmo quando tecnicamente inferiores. Sob a batuta do Gaúcho, o time demonstra fibra e confiança. Que continue assim.
 
 
Há quem não goste dessas lembranças, mas o fato é que, depois de quebrar a escrita em relação ao Rio Branco, o Paissandu desafia hoje um longo histórico de insucessos em jogos na véspera do Círio de Nazaré. Já houve até um rebaixamento, em 1999, na lista. Em casa, contra o Bragantino, o time perdeu até pênalti e frustrou a torcida que lotou o Mangueirão. Por coincidência, na mesma hora, em Maceió, o Remo derrotava o CRB por 2 a 1 e escapava da queda para a Série C.
A queda, porém, não se consumaria. Em função do imbróglio com o atacante Sandro Hiroshi, do S. Paulo, que tinha documentação irregular, o Brasileiro de 2000 virou Copa João Havelange e todos os rebaixamentos foram desfeitos. 
 
 
 
Direto do blog
 
“A Rádio Clube do Pará tem uma musica que toca no final do ano e começa assim: ‘A bola rolou o ano inteiro/E a gente foi mais que simples companheiro…”. Nos últimos anos, ao escutar este jingle, me batia a sensação de tristeza pelo fracasso de nossos times. Este ano creio que tudo será diferente e escutando ela novamente sentirei a alegria do dever cumprido pelo meu time, e nos dando a esperança de um ano ainda melhor em 2012”.
 
Do Edson Amaral, bicolor e ouvinte da Clube em tempo integral.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 08)